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Streptococcus agalactiae desafia produção de tilápia no Brasil

Para enfrentar esse desafio, é essencial desenvolver estratégias vacinais inovadoras, combinando novas abordagens tecnológicas e práticas de manejo robustas.

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O Streptococcus agalactiae é uma das principais ameaças à saúde das tilápias, causando surtos de estreptococose que comprometem a sanidade dos plantéis e provocam grandes perdas econômicas devido à queda no desempenho zootécnico dos peixes e a alta mortalidade. Recentes alterações nos padrões epidemiológicos desse patógeno, aliadas ao aumento da resistência a tratamentos convencionais, têm gerado preocupações na cadeia produtiva. Para enfrentar esse desafio, é essencial desenvolver estratégias vacinais inovadoras, combinando novas abordagens tecnológicas e práticas de manejo robustas, com o objetivo de prevenir surtos e garantir a sustentabilidade da produção aquícola.

O médico-veterinário Henrique César Pereira Figueiredo, doutor em Microbiologia e professor de Sanidade dos Animais Aquáticos na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), chama atenção para a presença do Streptococcus agalactiae em todas as regiões produtoras de tilápia do país. “Não há nenhuma propriedade livre desse microrganismo, principalmente aquelas que fazem a engorda. Independentemente da localização ou do sistema de cultivo, as propriedades de tilápia enfrentam a pressão desse patógeno de diferentes maneiras, de acordo com as características ambientais e os métodos de produção adotados”, afirmou Figueiredo durante sua participação no 3º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), realizado em meados de julho na cidade de Toledo.

De acordo com o especialista, os sinais clínicos da infecção são variáveis, mas o impacto mais visível para o produtor é a mortalidade nos lotes, que resulta em grandes perdas econômicas. “Mas esse não é o único parâmetro, há também problemas de desempenho zootécnico, que são muito relacionados a essa enfermidade”, destaca.

Embora todas as variantes de Streptococcus agalactiae possam infectar os peixes em qualquer fase da engorda, o professor destaca uma mudança recente no padrão da doença: “Essa enfermidade está se tornando mais comum em animais juvenis. Em plantéis com condições sanitárias deficientes, já é possível observar estreptococose clínica em tilápias com apenas 10 gramas de peso”, salienta, alertando para a necessidade de reforçar os cuidados sanitários logo nas primeiras fases de cultivo.

Historicamente a doença é associada ao verão, no entanto o professor da UFMG observa que há casos surgindo em diferentes épocas do ano, inclusive em temperaturas intermediárias. “A partir de 25ºC, dependendo das condições sanitárias, a estreptococose pode ocorrer, o que reforça a importância de medidas preventivas contínuas”, pontua Figueiredo.

Maior incidência em tanques-rede

De acordo com Figueiredo, a incidência de estreptococose é mais comum em sistemas de tanques-rede do que em tanque escavado, pois neste tipo de produção há um maior monitoramento em relação ao comportamento epidemiológico da doença. “Em tanques-rede temos mais informações sobre o que está acontecendo dentro do tanque, enquanto em tanques escavados a situação pode ser mais difícil de avaliar”, aponta o profissional, acrescentando: “Esse microorganismo tem uma importância muito grande em qualquer plano sanitário, seja com ou sem vacinação dentro dos sistemas de produção”.

Sorotipos mais comum no Brasil

No Brasil, os sorotipos Ib e III do Streptococcus agalactiae são os mais comuns, enquanto em outras regiões, como Ásia e América Central, há registros variados em tilápias. “Essa é uma informação muito importante, porque qualquer entrada de um sorotipo novo no Brasil requer um plano vacinal completamente diferente do adotado até o momento. A vigilância epidemiológica, portanto, é fundamental para prevenir esse tipo de problema”, frisa.

Vacinas como principal forma de prevenção

Conforme o especialista, as vacinas são a principal ferramenta de prevenção, e suas formulações devem proteger contra diferentes sorotipos e variantes genéticas. “É essencial atualizar constantemente as vacinas, sejam elas autógenas ou licenciadas, com base nas variantes que circulam no Brasil”, ressalta.

O monitoramento epidemiológico também é um fator-chave para o sucesso dos programas sanitários. Sem um diagnóstico constante no sistema de produção não é possível planejar adequadamente as ações de controle. “Esse cenário começou a mudar no Brasil com a entrada das indústrias de vacinas, que, junto com empresas de insumos, como aditivos, têm proporcionado suporte técnico e informações epidemiológicas mais precisas para os produtores”, afirma Figueiredo.

Como identificar sinais da Streptococcus agalactiae

As lesões causadas pelo Streptococcus agalactiae em tilápias variam de acordo com o sorotipo do patógeno, entre as principais estão exoftalmia (olhos saltados), opacidade da córnea, letargia, anorexia e sinais neurológicos, como nado errático e em rodopios. Além disso, há lesões internas, que podem afetar o fígado, com áreas de necrose, hemorragias no opérculo, peitoral e ventral, além de danos nas brânquias, no pericárdio e no coração. “Essas lesões resultam em perda de vitalidade, levando os peixes a parar de se alimentar até chegarem ao quadro de mortalidade”, explica o médico-veterinário,

Outro aspecto apontado pelo especialista, que tem se tornado cada vez mais relevante, é a condenação de filé nos frigoríficos, situação que tem ocorrido em diferentes regiões produtoras do Brasil, porém, com maior frequência no Paraná. “No estado de Goiás o problema já foi mais expressivo, mas atualmente tem menor impacto”, aponta Figueiredo, chamando atenção para a flutuação regional da doença, cujas causas muitas vezes ainda são desconhecidas. “O fato é que isso causa grandes perdas econômicas. É preciso que o produtor também pense em como mitigar as doenças que causam prejuízos zootécnicos no sistema de produção, as quais nem sempre resultam em mortalidade. O animal pode até chegar no final do ciclo, mas no processamento ocorre a refugagem do lote, gerando prejuízos expressivos. Por isso é tão importante ficar atento em todos os fatores que afetam a produtividade e a qualidade final do produto”, reforça.

Eficácia da imunização

A escolha de vacinas com sorotipos específicos é fundamental para garantir a eficácia da imunização contra o Streptococcus agalactiae em tilápias. Cada região do Brasil demanda um plano vacinal personalizado, mas por que isso acontece? Para entender melhor, é necessário compreender a biologia da bactéria.

O médico-veterinário explica que as células bacterianas possuem uma estrutura externa chamada cápsula, que é responsável por definir o sorotipo da bactéria. Essa cápsula é formada por resíduos de carboidratos na superfície da célula, e essas rugosidades são o que determinam o sorotipo. “Cada sorotipo gera anticorpos específicos que reagem apenas contra ele mesmo”, afirma Figueiredo, frisando que isso significa que os anticorpos produzidos contra o sorotipo 1A, por exemplo, não terão efeito contra o sorotipo 1B, o que torna necessário desenvolver vacinas diferentes para cada sorotipo presente em uma região.

Embora existam diversos sorotipos descritos mundialmente para o Streptococcus agalactiae, no Brasil, apenas quatro já foram são registrados: Ib, III, II e Ia. No entanto, Figueiredo menciona que os sorotipos II e Ia não são detectados no país desde 2012, indicando que eles não se estabeleceram epidemiologicamente.

Atualmente, os sorotipos Ib e III são os mais prevalentes, tanto nas regiões Sul quanto Nordeste, o que orienta os planos vacinais adotados pelos produtores nessas áreas. “O conhecimento detalhado sobre os sorotipos em circulação é essencial para o desenvolvimento de vacinas eficazes, garantindo a proteção adequada dos peixes e a sustentabilidade da produção aquícola no Brasil”, ressalta.

Atualmente, toda a tecnologia de vacinas disponível no Brasil, considerada a mais avançada para tilápias no mundo, está baseada na escolha dos sorotipos predominantes, Ib e III. No entanto, o médico-veterinário expõe que quem vacina contra Streptococcus já deve ter percebido variações na eficácia da imunização. “Em alguns ciclos, a vacina pode atingir uma taxa de proteção de 90 a 95%, enquanto em outros, usando a mesma vacina, da mesma marca e com protocolos semelhantes, essa eficiência pode cair para 70 a 75%, um desempenho abaixo do esperado, porém muito comum. Uma das nossas principais suspeitas é que essa variação esteja relacionada a mudanças genéticas dentro dos grupos Ib e III, com cepas mutantes surgindo e apresentando características diferentes”, menciona o profissional.

Médico-veterinário, doutor em Microbiologia e professor de Sanidade dos Animais Aquáticos na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Henrique César Pereira Figueiredo: “É papel da indústria de vacinas desenvolver soluções mais ajustadas à cadeia produtiva. Novas gerações de vacinas serão necessárias para lidar com os desafios sanitários em constante evolução”  – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Atualizações de vacinas

Figueiredo destaca que é fundamental para qualquer indústria farmacêutica, seja na produção de vacinas autógenas ou licenciadas, realizar uma avaliação contínua das variantes genéticas do Streptococcus agalactiae. “A composição das vacinas precisa ser constantemente atualizada, embora o intervalo ideal para essas atualizações ainda não seja claramente definido,  pois esse processo é dinâmico e deve ser monitorado com rigor”, afirma.

Além disso, há uma crescente demanda por vacinas bivalentes, trivalentes e até tetravalentes para combater diferentes sorotipos de Streptococcus agalactiae, reforçando a complexidade do controle da doença.

Outro ponto mencionado pelo doutor em Microbiologia é a necessidade da vigilância epidemiológica contínua nas regiões produtoras, pois, a partir destes dados será possível determinar quando uma vacina precisa ser atualizada. “Outro desafio é o desenvolvimento de vacinas mistas, que combinem proteção contra Streptococcus agalactiae e outros agentes patogênicos, algo que se tornou uma prioridade para a piscicultura brasileira, devido à diversidade de ameaças à saúde dos peixes”, frisou.

Desafios ao desenvolvimento de vacinas mistas

O desenvolvimento de vacinas mistas para tilápias no Brasil enfrenta desafios complexos devido à diversidade de patógenos e à variação regional dos surtos. Figueiredo ressalta que o plano vacinal deve ser ajustado conforme o perfil epidemiológico de cada região produtora. “Nos últimos cinco anos, examinamos cerca de 10 mil tilápias em diversas partes do país, revelando a necessidade de vacinas específicas, que podem variar ao longo do tempo”, aponta.

No Triângulo Mineiro, por exemplo, o especialista pontua a predominância dos patógenos Streptococcus agalactiae Ib, Lactococcus petauri e Francisella orientalis. “Ainda não existe uma formulação comercial que atenda plenamente a essa combinação de agentes. Isso reforça a importância do uso de vacinas licenciadas e autógenas, que se adaptam ao perfil epidemiológico local”, salienta.

Já em Três Marias, também em Minas Gerais, a realidade é outra, com a presença de Streptococcus agalactiae Ib, Streptococcus iniae e Francisella orientalis. E no Sul de Minas Gerais, a variação é ainda mais acentuada, mostrando a necessidade de abordagens diferenciadas, mesmo dentro do mesmo estado.

Em Goiás, o cenário muda novamente com a detecção de Streptococcus agalactiae Ib, Lactococcus petauri e Streptococcus dysgalactiae. No Paraná, predominam Streptococcus agalactiae Ib e Francisella orientalis, com variações entre as regiões Oeste e o Norte do estado.

São Paulo segue um padrão semelhante ao Triângulo Mineiro, enquanto na região Nordeste, além de Streptococcus agalactiae Ib e III, surgem Lactococcus petauri e Streptococcus dysgalactiae, além da presença de Francisella orientalis no inverno. “Esses dados são dinâmicos e mudam constantemente, exigindo decisões sobre quais produtos utilizar para melhor atender ao perfil sanitário de cada sistema de produção”, explica Figueiredo.

Diante dessa diversidade, o profissional afirma que é comum o uso de duas vacinas de diferentes marcas em um mesmo sistema de produção, pois ainda não existem formulações que cubram todos os patógenos. “É papel da indústria de vacinas desenvolver soluções mais ajustadas à cadeia produtiva. Novas gerações de vacinas serão necessárias para lidar com os desafios sanitários em constante evolução”, enfatiza.

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Fonte: O Presente Rural

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EUA incluem peixes e crustáceos entre os setores mais expostos à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Proposta do governo norte-americano ameaça 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e pode afetar a competitividade da piscicultura nacional em seu principal mercado externo.

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A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros poderá atingir diretamente as exportações de peixes e crustáceos, segmento que tem nos norte-americanos seu principal mercado comprador.

Foto: Jonathan Campos

A informação foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, ao detalhar os setores que enfrentariam maior exposição caso a medida sugerida pelo governo dos Estados Unidos seja efetivamente implementada.

Segundo o ministro, cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estariam diretamente ameaçadas pela nova política tarifária. Entre os setores mais afetados estão máquinas e equipamentos industriais, produtos plásticos, calçados, produtos de madeira, papel-cartão, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. “Os setores mais atingidos seriam os de máquinas e equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo para emprego, para renda e para as indústrias”, afirmou.

Piscicultura entre os segmentos afetados

A inclusão de peixes e crustáceos na lista coloca em alerta o setor aquícola brasileiro, especialmente porque os Estados Unidos concentram uma parcela relevante das compras de pescado nacional.

Nos últimos anos, a tilápia brasileira conquistou espaço no mercado norte-americano, impulsionando investimentos

Foto: Jaelson Lucas

em processamento, certificação e ampliação da capacidade exportadora. Uma tarifa adicional de 25% logo após a retirada da tarifa de 50% poderia voltar a elevar os custos para importadores e reduzir a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes internacionais.

Além do impacto sobre as empresas exportadoras, a medida pode repercutir ao longo da cadeia produtiva, envolvendo frigoríficos, cooperativas, integradoras e produtores que fornecem matéria-prima para o mercado externo.

Foto: Divulgação

Negociações seguem em andamento

A proposta integra relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda está em fase de discussão.

De acordo com o MDIC, o governo brasileiro mantém diálogo permanente com as autoridades norte-americanas. Desde o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, foram realizadas pelo menos quatro reuniões formais com representantes do USTR, além de rodadas técnicas de negociação.

Enquanto as tratativas prosseguem, os setores exportadores acompanham o tema com preocupação. Caso a tarifa seja confirmada, produtos brasileiros podem perder competitividade em um dos mercados mais importantes para as exportações nacionais de manufaturados e de segmentos específicos do agronegócio, como a piscicultura.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

São Paulo passa a tributar filé de tilápia importado do Vietnã

Medida anunciada pelo governo paulista é vista pela cadeia produtiva como uma resposta ao aumento das importações e à concorrência com o pescado nacional.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

O governo de São Paulo assinou um decreto que passa a tributar a entrada de filé de tilápia importado do Vietnã no Estado. A medida foi anunciada pelo deputado estadual Itamar Borges ao lado do governador Tarcísio de Freitas e dos secretários estaduais da Agricultura, Guilherme Piai, e da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.

Foto: Divulgação/C.Vale

A decisão foi recebida com entusiasmo por representantes da piscicultura paulista, que há meses vinham manifestando preocupação com o crescimento das importações de pescado asiático e seus reflexos sobre os preços pagos aos produtores brasileiros.

Para a Associação dos Produtores de Peixes em Águas da União (Peixe SP), a tributação representa uma tentativa de reduzir as diferenças competitivas entre o produto nacional e o importado. “Essa medida é um passo fundamental para corrigir uma grave distorção de mercado que vinha asfixiando a piscicultura nacional e, especialmente, a paulista”, afirma a secretária executiva da entidade, Marilsa Patrício.

Concorrência no centro do debate

O avanço das importações de filé de tilápia do Vietnã tem sido alvo de questionamentos por parte do setor produtivo brasileiro. Produtores argumentam que enfrentam custos relacionados à legislação ambiental, exigências sanitárias, normas trabalhistas e carga tributária que não estariam presentes nas mesmas condições para o pescado importado.

Segundo Marilsa, a tributação busca equilibrar essa relação. “Não estamos falando de protecionismo, mas de justiça concorrencial. O produtor brasileiro cumpre regras rigorosas de sustentabilidade e leis trabalhistas e enfrenta uma carga tributária robusta, enquanto o produto importado tem custos artificialmente baixos, sendo uma concorrência desleal”, destaca.

Expectativa de impacto na produção

Foto: Shutterstock

A avaliação da Peixe SP é que a medida poderá trazer efeitos diretos sobre os investimentos e a atividade econômica ligada à piscicultura.

Entre os principais impactos apontados pela entidade estão a recuperação da previsibilidade para novos investimentos, a manutenção dos empregos gerados pela cadeia produtiva e o fortalecimento da economia regional.

A piscicultura tem presença significativa no interior paulista, envolvendo produtores, frigoríficos, fábricas de ração, transportadores e distribuidores.

Para a associação, a tributação do produto importado pode contribuir para que uma parcela maior do valor agregado permaneça circulando na economia brasileira. “São Paulo dá um exemplo de sensibilidade econômica e apoio a quem trabalha e produz”, afirma Marilsa.

Setor acompanha próximos desdobramento

A decisão paulista ocorre em um momento de crescente mobilização da cadeia aquícola nacional em torno do aumento das importações de pescado. Entidades representativas defendem medidas que garantam condições de competição consideradas mais equilibradas entre a produção nacional e os produtos importados.

O impacto da nova tributação sobre os volumes importados e sobre o mercado brasileiro de tilápia deverá ser acompanhado nos próximos meses por produtores, indústrias e distribuidores do setor.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

Embrapa leva genética, inteligência artificial e inovação industrial à Aquishow 2026

Empresa apresenta tecnologias para piscicultura, produtos de valor agregado, capacitações e ferramentas de apoio à gestão e às políticas públicas do setor.

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A Embrapa participa da Aquishow 2026, entre os dias 09 e 11 de junho, com um portfólio robusto de tecnologias voltadas a impulsionar a cadeia produtiva do pescado no Brasil. A empresa também concorre em três categorias do Prêmio de Inovação Aquícola, além de disputar o Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026. O evento acontecerá em Uberlândia (MG).

Foto: Divulgação/Aquishow

No estande da instituição, os visitantes poderão conhecer de perto alguns dos resultados do BRS Aqua, projeto coordenado pela Embrapa, que conta com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto reúne 22 centros de pesquisa e dezenas de parceiros públicos e privados.

Tecnologias para o campo e gestão inteligente

Entre os destaques, a Embrapa apresenta o TambaPLUS 1.0, um painel de marcadores genéticos (SNPs) para identificação de relações de parentesco entre animais, testes de paternidade e identificação individual de reprodutores.

Voltado para os pequenos aquicultores, o Sistema de criação de tambaquis em tanques-rede em pequena escala consiste em um conjunto de práticas de manejo para o cultivo de tambaqui em tanques-rede, tais como determinação da densidade de estocagem e o volume do tanque, visando à obtenção de melhores indicadores

Fotos: Divulgação/Aquishow 

zootécnicos e econômicos.

Para facilitar o gerenciamento de pisciculturas, será apresentado o aplicativo Aquicultura Certa, que utiliza inteligência artificial para a gestão inteligente de pisciculturas, permitindo monitoramento contínuo e ajustes precisos no manejo de tilápias e tambaquis. O objetivo é tornar a operação mais eficiente, sustentável e lucrativa.

Outro sistema que será levado à Aquishow é o Ater+ Digital: Peixes, voltado para produtores e extensionistas. Nele são disponibilizadas informações, recomendações e dicas sobre piscicultura em diversos formatos de mídia, como imagens, vídeos, textos e infográficos.

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Capacitações

No evento também será lançada a terceira e última parte do Aquacompete, uma trilha de aprendizagem composta por três níveis de cursos EAD.

O primeiro dos três cursos, “Aquicultura Competitiva e Mercado Externo” foi lançado em julho do ano passado.  “Na primeira etapa, discutimos aspectos mais amplos da competitividade, seus fatores, a importância de compor arranjos produtivos e falamos sobre os conceitos atuais que pautam o mercado mundial. No segundo curso, a troca de ideias visa compartilhar conhecimentos sobre a conformidade da cadeia e a importância da implementação dos protocolos de autocontrole e formas de integração entre os seus elos”, explica Renata Melon, veterinária da Embrapa Pesca e Aquicultura, responsável pelos cursos.

Já no Aquacompete 3, são apresentadas ferramentas de inteligência comercial aplicadas à aquicultura, com foco na

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análise de tendências de consumo, mapeamento de concorrentes e identificação de nichos de maior valor agregado e interpretação de fluxos internacionais de comércio.

Além do lançamento do Aquacompete 3, também haverá a apresentação do Curso EAD: Compostos nitrogenados em cultivo de camarão marinho. O treinamento traz uma introdução à carcinicultura marinha com foco em sistemas de produção e gestão de compostos nitrogenados. O objetivo é assegurar a produtividade por meio de um manejo que minimize perdas e riscos sanitários.

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Inovações para a indústria 

Para a indústria, a Embrapa leva produtos de alto valor agregado, como o patê e a salsicha de tilápia enriquecidos com fibra de abacaxi, desenvolvidos com baixo teor de sódio.

Outra novidade é a embalagem bioativa, composta por polímeros (goma e quitosana) e outras substâncias naturais, que promove menor taxa de oxidação e menor crescimento microbiano durante a armazenagem refrigerada do pescado. É indicada para tilápia e camarão.

A parte de análises laboratoriais também serão contempladas no estande da Embrapa. Será apresentado o NIR para análise bromatológica de ração para peixesque consiste em modelos matemáticos de calibração incluindo banco de dados de espectros de infravermelho próximo e amostras de ração para tilápia das três fases produtivas (alevinos, crescimento e engorda).

Se aplicam na previsão de propriedades bromatológicas para a avaliação da qualidade nutricional de rações para

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peixe voltadas para a adequação de dietas na cadeia produtivo de tilápia. A análise bromatológica determina o valor nutricional (proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas), o valor calórico, a digestibilidade e a presença de possíveis contaminantes ou toxinas.

Políticas públicas

No âmbito das políticas públicas, serão apresentados o Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui) e a Rede de Extensão e Inovação Aquícola (REAQUA), ferramentas estratégicas para apoiar a tomada de decisão governamental e a transferência de tecnologia no setor.

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Ainda no espectro de políticas públicas, também será apresentado o Drawback Exportações de Tilápia, incentivo fiscal à exportação que permite a importação ou a aquisição no mercado interno, desonerada de tributos (II, IPI, PIS, Cofins e ICMS), de insumos a serem empregados na produção de bens destinados à exportação.

Programação técnica e premiações

A Embrapa também participará da programação técnica do Aquishow 2026. No dia 11, a pesquisadora Flavia Tavares participará da mesa-redonda “Regulação em Transformação, Modernização e Avanços – Uso compartilhado das águas, licenciamento e segurança jurídica na produção de pescados”. O debate reunirá também especialistas do Ministério da Pesca e Aquicultura, (MPA) e do Ministério de Minas e Energia (MME).

Por fim, a Embrapa terá seu reconhecimento científico celebrado ao estar na lista de finalistas do Prêmio Inovação Aquícola, nas categorias academia e sustentabilidade. Além disso, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho é também um dos finalistas ao prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026.

Fonte: Assessoria Embrapa
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