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Soluções de rastreabilidade, energia e segurança alimentar norteiam Mercoagro 2026
Espaço dedicado à inovação concentrará 20 startups com tecnologias para eficiência energética, controle microbiológico, automação industrial, logística inteligente e proteção de dados, conectando soluções aplicáveis às demandas das plantas frigoríficas e da cadeia de proteína animal.

O Salão da Inovação da Mercoagro 2026 – Feira Internacional de negócios, processamento e industrialização da Carne, reunirá 20 startups e empresas de base tecnológica com soluções aplicáveis à cadeia produtiva da indústria da carne, de 17 a 20 de março, no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó. O espaço integra a programação da feira e foi definido por edital, com foco em aproximar tecnologias do mercado e ampliar oportunidades de visibilidade, networking e negócios.
A iniciativa é organizada em parceria entre ACIC, Mercoagro, Pollen Parque Científico e Tecnológico, Unochapecó e Sebrae/SC. A proposta é apresentar, em um mesmo ambiente, soluções capazes de responder a demandas atuais das plantas frigoríficas e de toda a cadeia de proteína animal, como eficiência energética, conformidade socioambiental, automação, controle microbiológico, logística e cibersegurança.
CONHECA AS STARTUPS E AS SOLUÇÕES
Bases – plataforma digital para organizar e validar documentação socioambiental de produtores rurais, reunindo dados de rastreabilidade, regularidade fundiária e conformidade ambiental, social e fiscal em um fluxo padronizado e auditável.
Bit Energy – solução integrada de hardware IoT e software para monitoramento contínuo de sistemas de refrigeração industrial, com foco em eficiência energética, manutenção preditiva e segurança da cadeia do frio.
Cenion – fabricação de baterias de íons de lítio e sistemas de carregamento para equipamentos industriais de movimentação de cargas, com maior autonomia, carregamento otimizado e redução de manutenção.
Colbratec / SMG Tec – sistema inteligente com sensores e automação para identificar vazamentos de GLP e realizar bloqueio automático, elevando segurança operacional e reduzindo desperdícios.
Dashzoom – IoT industrial para monitorar desempenho produtivo, com indicadores como OEE, consumo de utilidades e eficiência operacional, transformando dados de máquinas em dashboards para decisão.
Dimo – visão computacional com inteligência artificial para identificação automática de frangos vivos na linha pós-abate e pré-escaldagem, operando em tempo real e offline.
Duo Phage Dx – diagnóstico microbiológico com bacteriófagos recombinantes para detecção mais rápida de patógenos como Salmonella, Listeria e E. coli, reduzindo o tempo de resposta laboratorial.
Eenex Food Ingredients – processos industriais para geração de proteínas funcionais, colágenos e gorduras purificadas a partir de matérias-primas da cadeia frigorífica, agregando valor a subprodutos.
Energia Boa – automação e monitoramento inteligente de biodigestores para produção eficiente de biogás, com controle em tempo real, otimização energética e maior segurança operacional.
Grafos Tech – plataforma de gestão logística com algoritmos para planejar, otimizar e monitorar transporte em tempo real, aumentando previsibilidade e reduzindo tarefas manuais.
Guia Lean – plataforma digital para gestão da qualidade, auditorias e melhoria contínua baseada em Lean Manufacturing, digitalizando checklists, planos de ação e controles de processo.
Hub89 Inovação – software de gestão de inovação corporativa para estruturar programas internos e inovação aberta, organizando projetos, desafios, indicadores e portfólio.
Mentor Tecnologia – plataforma de gestão estratégica que integra indicadores, metas e execução operacional, conectando planejamento às rotinas e decisões do dia a dia.
Myozone – equipamentos industriais de ozonização para desinfecção de água, ambientes e superfícies, com redução de carga microbiana e aplicação em rotinas sanitárias.
PecSmart – IoT e inteligência artificial para monitoramento em tempo real de ração, peso animal e sanidade respiratória, gerando dados para melhorar desempenho zootécnico.
Redrive – CRM e automação comercial com inteligência artificial para geração, qualificação e gestão de leads em múltiplos canais digitais.
Registro Digital – monitoramento de reputação, vulnerabilidades digitais e vazamentos de dados com uso de inteligência artificial, reforçando segurança cibernética e proteção de ativos.
Triefe Sensores Industriais – sensores ópticos de nível para controle de líquidos em ambientes industriais alimentícios, com precisão, robustez e confiabilidade sanitária.
XGraphene – aplicações industriais de grafeno em revestimentos, componentes e embalagens para maior resistência, eficiência térmica e durabilidade, reduzindo manutenção e ampliando shelf-life.
Yak Tractors – tratores 100% elétricos com foco em eficiência energética e operação sustentável, contribuindo para descarbonização e modernização da base produtiva.
A Mercoagro é uma realização da Associação Comercial, Agronegócio e Serviços de Chapecó (ACIC) e conta com parceria da Prefeitura de Chapecó e patrocínio da Aurora Coop, BRDE, Unimed Chapecó e Sicoob, além do apoio institucional do Nucleovet, Chapecó Convention & Visitors Bureau, Fiesc / Senai, Sebrae/SC, SESI, Unochapecó e Pollen Parque.

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
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Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



