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Solo saudável: o grande trabalhador da agricultura brasileira
No Dia Mundial do Solo, pesquisadora da Embrapa Cerrados destaca avanços em bioanálise e manejo inteligente que protegem e recuperam o principal recurso das fazendas do país.

Nesta sexta-feira (05) celebramos o Dia Mundial do Solo, uma data que nos convida a olhar com mais atenção para o recurso natural que sustenta a vida no planeta. Para quem trabalha com agricultura, como nós na Embrapa Cerrados, que completa 50 anos de pesquisas em 2025, essa é também uma oportunidade de reafirmar um compromisso: ajudar a manter nossos solos vivos, biologicamente ativos, produtivos e resilientes.
O solo é o grande trabalhador das fazendas brasileiras. É ele que sustenta as plantas, armazena água, sequestra carbono, reduz a emissão de gases de efeito estufa, cicla nutrientes e abriga a maior biodiversidade do planeta. Assim como qualquer empresa busca manter seus funcionários saudáveis para que desempenhem bem suas funções, a agricultura precisa garantir que o solo esteja em equilíbrio. Solo doente pode até produzir no presente, mas compromete o futuro.
Solo saudável significa mais produtividade, mais água disponível, menor presença de pragas, maior sequestro de carbono, menos gases de efeito estufa na atmosfera e alimentos de melhor qualidade. Estudos científicos já demonstram, por exemplo, que grãos de soja produzidos em solos saudáveis apresentam maior teor de proteína e flavonoides. Isso é importante para a indústria, para a exportação e, principalmente, para a nutrição humana.
Inspiração na natureza

Pesquisadora Ieda Mendes – Foto: Divulgação
Mas solo saudável não acontece por acaso. Ele é resultado de manejo inteligente, inspirado na natureza: com diversidade de plantas, cobertura permanente (preferencialmente plantas vivas cobrindo o solo o ano inteiro), mínimo revolvimento, integração entre lavoura, pecuária e floresta. Entre as estratégias mais eficazes, destaco o uso da braquiária como planta de cobertura. Suas raízes profundas transformam a estrutura do solo e fortalecem sua vida biológica. É, verdadeiramente, a melhor “vacina” para recuperar solos doentes.
Durante muito tempo, ao analisar solos, enxergávamos apenas a química: nutrientes em falta ou em excesso. Mas solo não é apenas areia, silte e argila. O solo é vida, funciona como um superorganismo. E para cuidar dessa vida, precisamos medi-la. Foi com esse propósito que, depois de duas décadas de pesquisa, a Embrapa lançou em 2020 uma tecnologia inovadora: a Bioanálise de Solos (BioAS), um verdadeiro “exame de sangue” do solo capaz de diagnosticar a saúde do solo com base em sua atividade biológica.
Esse exame, hoje disponível em mais de 30 laboratórios comerciais do país que formam a Rede Embrapa de BioAS, utiliza a determinação de duas enzimas-chave dos ciclos do carbono e do enxofre para indicar se o solo está saudável, adoecendo, doente ou em recuperação. Em parceria com esses laboratórios comercias, estamos formando o maior banco de informações sobre saúde do solo do mundo, cobrindo os 27 estados brasileiros e os mais diversos sistemas agrícolas, incluindo lavouras e pastagens.
Hoje já são milhares de amostras que revelam uma mensagem importante: a maior parte dos nossos solos está saudável ou em processo de recuperação. Esse dado reflete o esforço e o comprometimento do agricultor brasileiro em conservar o principal ativo de sua propriedade. E o mais transformador é o que estamos fazendo com esses dados. Cada resultado emitido pelos laboratórios será integrado gradativamente à Plataforma Saúde do Solo BR: solos resilientes para sistemas agrícolas sustentáveis, lançada oficialmente na COP 30.
A Plataforma disponibiliza dados de saúde do solo por estado e município e já reúne informações de cerca de 56 mil amostras, provenientes de 1.502 municípios de todas as regiões do País. A ferramenta foi construída a partir da geoespacialização dos dados da BioAS. O sistema permite filtros por estado, município, ano, culturas e texturas de solo, além de comparações entre diferentes culturas agrícolas. Também gera mapas e gráficos baseados nas funções da bioanálise como ciclagem, armazenamento e suprimento de nutrientes.

Foto: Shutterstock
Cuidar do solo é cuidar da água, do clima, da biodiversidade e das pessoas. Se o solo está saudável, todo o sistema prospera. É o mantra atemporal da agronomia tão bem difundido pela dra. Ana Primavesi: solos saudáveis, plantas saudáveis, pessoas e animais saudáveis, planeta saudável. Tudo conectado. Por isso, no Dia Mundial do Solo, reforço um convite: que continuemos reconhecendo o valor desse patrimônio e adotando práticas que assegurem um ambiente agrícola produtivo hoje e no futuro.
O solo é vivo. E, como afirma o dr. Rattan Lal, vencedor do Prêmio Mundial da Alimentação (2020), sendo a essência de toda a vida, os solos têm o direito de serem protegidos, restaurados, prosperarem e serem manejados com consciência. Esse é o caminho para manter o Brasil na vanguarda da agricultura sustentável. E é isso que, há cinco décadas, nos move na Embrapa Cerrados: produzir conhecimento para que a terra continue produzindo vida.

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Fim da escala 6×1 pode gerar impacto bilionário no agro
Ministério do Trabalho estima que setores como proteína suína e avícola podem ter aumento de custos de até R$ 9 bilhões para manter níveis de produção, enquanto deputados e entidades pedem debate técnico e detalhado.

A proposta para pôr fim à escala 6×1, com redução da jornada semanal de trabalho, deve gerar impactos distintos entre os setores da economia. No caso da agropecuária, os efeitos podem ser superiores à média nacional. De acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, setores como a agropecuária, a construção e o comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%.

Deputado federal Maurício Marcon: “Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”
Os dados foram apresentados na terça-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019, que trata do tema. A sessão contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que ressaltou que é preciso enfrentar o debate do impacto de custo, embora defenda que esses efeitos não sejam “proibitivos” para a implementação das mudanças.
De acordo com o chefe da pasta, esse estudo do Ministério ainda está sendo elaborado e os setores poderão participar desta mensuração dos impactos. “Nós estamos abertos para sentar com a bancada de empregadores de todos os setores da economia, inclusive, para aprofundar cada setor qual o tamanho do impacto que deve ter”, destacou.
O levantamento foi apresentado pela subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner. Segundo ela, o custo médio da redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. Porém, alguns setores terão impactos distintos:
- Setores de transporte aquaviário e da indústria de alimentos – cerca de 10,5%;
- Setores da agropecuária, da construção e do comércio – custo entre 7,8% e 8,6%;
- Setor de serviços – custo de 1,6%.

Deputada federal Julia Zanatta: O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”
Ela lembrou que esses dados não levam em conta os gastos com a contratação de novos empregados para manter o nível de produção das empresas. O entendimento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é de que o debate deve ocorrer com uma base técnica mais robusta. Um dos pontos que precisa de mais atenção são as diferentes realidades trabalhistas setoriais e regionais.
No setor de produção de etanol, por exemplo, uma redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas deve gerar um incremento de custo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido a necessidade de novas contratações para compensar a produtividade. Para o setor de proteína suína e avícola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões. Nas cooperativas agroindustriais, os gastos a mais com essas novas contratações devem ser de R$ 2,5 bilhões.
Bancada questiona ministro sobre pontos sem definição
A sessão com o ministro também serviu para que deputados da FPA apresentassem dúvidas sobre a forma como o governo pretende implementar a proposta, caso ela seja aprovada. O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) questionou, por exemplo, o risco de demissões.
“Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”, indagou o parlamentar ao indicar que jornada de trabalho diminuirá a produtividade das empresas e isso deve restringir a manutenção dos empregos.

Deputado federal Luiz Gastão: “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”
A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) classificou como “contrassenso” a posição do governo sobre o tema. Segundo ela, o governo tem elevado impostos para bancar o aumento dos gastos públicos, ao mesmo tempo em que defende a redução da jornada de trabalho. “O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”, afirmou.
Ainda sobre o aspecto tributário, o deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) destacou que os custos estimados pelos setores são superiores aos apresentados pelo governo e alertou para o risco maior sobre empresas de menor porte. “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”, disse.
Quem também cobrou uma resposta do governo foi a deputada federal Gisela Simona (União-MT). O questionamento foi sobre a intenção do Executivo de inserir as alterações sobre jornada e escala na Constituição Federal. “Eu gostaria de entender, de forma bem objetiva, a posição do governo com relação àquilo que efetivamente se quer colocar nesse texto constitucional”, perguntou.

Deputada federal Gisela Simona: “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”
Nas respostas, o ministro disse que há estudos que apresentam ganho de produtividade com menos horas de trabalho. “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”, ponderou.
Além disso, Marinho afirmou que a ideia do governo não é enviar um projeto de lei para tratar do tema, mas avançar com PEC ou com outros projetos de lei que também abordam o assunto. Ainda conforme o ministro, essa articulação está sendo feita junto ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
Novas discussões
A audiência de terça-feira foi a primeira de um ciclo de audiências aprovadas para serem realizadas na CCJC. O requerimento para as audiências foi feito pelo relator da matéria na comissão, deputado federal Paulo Azi (União – BA).
Ao todo serão quatro audiências públicas. As seguintes devem ser:
- com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad;
- com representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
- com representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Relembre
O tema da redução da jornada de trabalho e modificação da escala 6×1 tomou corpo neste ano. Em movimento liderado pela FPA junto com a Coalizão de Frente Produtivas, parlamentares têm pedido que a discussão ocorra sem precipitação e com a participação dos diferentes setores.
Na semana passada, mais de 100 entidades representativas da economia brasileira emitiram um manifesto no qual defendem o debate da modernização da jornada de trabalho, com diretrizes consideradas essenciais para a discussão.
Uma delas seria a preservação do emprego formal, além de uma atuação com políticas e estratégias para mitigar a informalidade. Outro aspecto trazido pelas entidades é a adoção de medidas para aumentar a produtividade. Além disso, o reconhecimento da heterogeneidade setorial e dos ajustes por meio de negociações coletivas também são apontados como pontos centrais para o debate.
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Regras para proteger consumidores do Mercosul são aprovadas no Senado
Novas normas devem tornar contratos internacionais mais previsíveis e ampliar participação do país nas cadeias de consumo.

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) aprovou por unanimidade, na terça-feira (10), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 170/2022), que moderniza e harmoniza o ambiente regulatório do Mercosul, com foco na circulação de bens, serviços e informações entre os países do bloco.
Segundo a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), a proposta estabelece normas comuns para contratos internacionais de consumo e deve tornar o mercado regional mais integrado, previsível e seguro.

Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS): “Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo” – Foto: Divulgação/FPA
A aprovação ocorre poucos dias depois do Senado Federal dar aval ao acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações. O acordo provisório prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia.
Tereza Cristina destacou que a iniciativa começou ainda em 2010, no contexto da construção de um marco ampliado de direitos para os cidadãos do Mercosul, que culminou no Estatuto da Cidadania do Mercosul, adotado em 2021.
A senadora explicou que, especificamente na proteção do consumidor, o projeto cria um Sistema de Defesa do Consumidor do Mercosul, com regras claras para o tratamento jurídico de contratos internacionais de consumo. “Foi nesse contexto que se chegou ao instrumento de proteção ao consumidor do Mercosul que discutimos e conseguimos aprovar. Trata-se de uma construção voltada a um mercado mais integrado, previsível e seguro, criando condições para o fortalecimento do comércio eletrônico, do turismo intrarregional e das novas modalidades de serviços digitais. Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo”, afirmou.
O projeto agora segue para análise do Plenário do Senado.
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Workshop de Bioinsumos reúne mercado e inteligência de dados em São Paulo
Pela primeira vez aberto ao público, evento será realizado nos dias 17 e 18 de março, com foco em análises estratégicas, dados inéditos e projeções sobre o mercado brasileiro e internacional.

A Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) está com as inscrições abertas para a 3ª edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, que será realizado nos dias 17 e 18 de março, em Campinas (SP).
Em um momento marcado pelos desdobramentos regulatórios da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070) e pela forte expansão do setor no país, o evento se propõe a ser um espaço estratégico de análise e interpretação desse novo ambiente de mercado, reunindo representantes da indústria, especialistas e profissionais do setor, além de demais agentes da cadeia de bioinsumos, para discutir tendências, desafios e oportunidades, com base em dados e projeções sobre o cenário brasileiro e internacional.
Consolidado como um espaço qualificado de acesso a dados exclusivos e discussões de alto nível, esta edição contará com um número maior e mais diversificado de apresentações, tendo como foco a inteligência de mercado.
A programação, que será combinada a momentos de debate e networking entre os participantes, trará análises sobre o panorama global dos bioinsumos, incluindo projeções e tendências para os próximos anos, o cenário das commodities agrícolas e seus impactos sobre o setor, os desafios de adoção das tecnologias biológicas no campo, além de um retrato atualizado do mercado brasileiro, com detalhamento de segmentos como inoculantes e biodefensivos.
A participação é aberta aos associados da ANPII Bio e, pela primeira vez, profissionais não associados também poderão participar, mediante inscrição prévia. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas por meio de formulário online.



