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Soja sustentável ganha protagonismo nas discussões globais sobre clima
Na London Climate Week 2025, a Mesa Global da Soja Responsável apresentou planos de ação, engajou o mercado europeu e defendeu a agricultura regenerativa como caminho para a produção responsável.

A Mesa Global da Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy Association – RTRS) marcou presença na London Climate Action Week 2025, uma das mais relevantes agendas globais sobre sustentabilidade e clima, realizada no final de junho, em Londres, na Inglaterra.
Com atuação estratégica em diferentes frentes, a RTRS demonstrou seu protagonismo na articulação por uma cadeia da soja mais responsável, inclusiva e alinhada aos desafios climáticos.

Fotos: Divulgação/RTRS
Como parte desta agenda, foi organizada a Task Force Europe da RTRS 2025, encontro que reuniu 40 representantes de diversos elos do setor, como produtores, traders, instituições financeiras e organizações da sociedade civil de toda a Europa, membros da RTRS ou detentores de certificados RTRS.
“O objetivo desse evento foi promover a colaboração, a inovação e a definição de soluções concretas para o avanço da cadeia produtiva da soja sustentável, reforçando o compromisso da RTRS em impulsionar práticas de soja responsável na Europa”, afirma a diretora-executiva global da RTRS, Luiza Bruscato, que, na oportunidade, juntamente com a líder de Mercado e da RTRS na Europa, Martina Torma, apresentou o Plano de Trabalho da Associação para 2027 e o Plano de Trabalho específico Europeu para 2025.
Outro destaque do evento foi a apresentação do Programa de Agricultura Regenerativa da RTRS, um projeto que busca promover a transição para práticas agrícolas que restaurem e melhorem os ecossistemas e não apenas minimizem os impactos negativos. “Houve diversas discussões interessantes sobre como escalar essas iniciativas em todo o setor”, destaca a diretora.
Ainda no evento, foi promovida a sessão interativa World Cafe, que possibilitou um diálogo aprofundado sobre temas, como dinâmicas do mercado de carbono, estratégias para se buscar desmatamento e conversão zero, desenvolvimento de mercados emergentes e certificação de declarações e cadeia de custódia.
“Foi um encontro muito inspirador e um grande passo em direção a uma transformação mais profunda na forma como nos conectamos e interagimos com nossa rede. Criamos um espaço real para ouvir, trocar ideias e cocriar o futuro da RTRS”, realça Luiza.
Participação em fóruns globais relevantes

Além da realização da Task Force Europe 2025, a RTRS esteve presente em dois eventos estratégicos da Semana do Clima, em Londres. Um deles foi promovido pela Tropical Forest Alliance (TFA), com a presença de representantes do setor privado, financeiro e governamental. A sessão debateu como a combinação entre regulação eficiente, capital catalisador e colaboração intersetorial pode acelerar a transição para sistemas agrícolas sustentáveis.
O evento destacou ainda o papel do Brasil na liderança dessa agenda. A fala do Ministro-Conselheiro Felipe Bandeira de Mello, da Embaixada do Brasil no Reino Unido, reforçou que produção e conservação podem caminhar juntas, e que sustentabilidade não deve ser encarada como custo, mas como imperativo de sobrevivência.
O terceiro momento de destaque foi a participação da RTRS no encontro organizado pela Volans, empresa liderada por John Elkington, referência internacional em sustentabilidade. O debate avaliou o estágio atual das práticas sustentáveis no mundo.
“Observamos avanços importantes, mas ainda incrementais. É tudo evolucionário, mas não revolucionário como precisaria ser. Não temos mais tempo para não avançar. Precisamos de soluções criativas, de alto impacto e de escala”, avalia Luiza.
Consolidação da presença internacional da RTRS

Foto: Shutterstock
Com uma agenda robusta e multissetorial, a atuação da RTRS durante a Semana do Clima de Londres reafirma o posicionamento da associação como um dos principais articuladores globais na promoção de uma soja responsável. A organização segue comprometida com o fomento à inovação, à transparência nas cadeias de suprimento e à construção de soluções viáveis para produtores, compradores e consumidores em todo o mundo.
“A RTRS mostra que é possível conectar agricultura, mercado e clima com seriedade, diálogo e ação concreta. A força do nosso trabalho está justamente na diversidade de vozes que reunimos em torno de um propósito comum: uma cadeia da soja mais justa e sustentável”, finaliza a diretora-executiva da instituição.

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Governo atualiza regras de fiscalização de fertilizantes e cria nova faixa de infração
Decreto 12.858 regulamenta sanções previstas na Lei do Autocontrole, exige programas obrigatórios de autocontrole na cadeia de insumos e estabelece prazo de dois anos para adequação do setor.

O Governo Federal publicou, no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (25), o Decreto 12.858 que trata da alteração do Anexo do Decreto nº 4.954/2004, que regulamenta a Lei nº 6.894/80, que dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, ou biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas destinados à agricultura.

Foto: Claudio Neves
A atualização tem como objetivo compatibilizar o regulamento com a Lei nº 14.515/22 (Lei do Autocontrole), além de promover adequações ao rito processual previstas no Decreto nº 12.502/2025.
A principal alteração refere-se à regulamentação das sanções administrativas aplicáveis no âmbito da fiscalização de insumos agrícolas conduzida pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa) como medidas cautelares, infrações e penalidades, conforme previsto na Lei nº 14.515/2022.
Entre as mudanças, destaca-se a inclusão da classificação de infração de natureza moderada, que se soma às já existentes naturezas leve, grave e gravíssima. As faixas de multas passam a seguir os valores estabelecidos no Anexo da Lei nº 14.515/2022, considerando a classificação do agente administrado de acordo com seu porte econômico.
No que se refere aos programas de autocontrole, estes deverão ser implementados e executados pelos agentes das cadeias produtivas

Foto: Divulgação/SAA SP
abrangidas pelo Decreto. Os programas deverão conter procedimentos e controles sistematizados que permitam monitorar, verificar e corrigir as etapas do processo produtivo, desde a aquisição das matérias primas até a distribuição dos produtos.
O Decreto também regulamenta o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária, conforme previsto na Lei do Autocontrole. Enquanto o programa de autocontrole é obrigatório, o programa de incentivo será de adesão voluntária e concederá benefícios aos participantes, como a possibilidade de regularização por notificação nos casos de infrações classificadas como de natureza leve ou moderada. O regulamento estabelece ainda os objetivos do programa, os critérios de adesão, as obrigações para permanência e as hipóteses de suspensão e exclusão.
Os agentes registrados, cadastrados ou credenciados antes da regulamentação dos programas de autocontrole terão prazo de dois anos para se adequar às novas exigências.
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Com nova tarifa dos EUA, 46% das exportações brasileiras ficam livres de sobretaxa
Ordem executiva substitui alíquotas de até 50% por taxa uniforme, beneficia pescados, mel, tabaco e café solúvel e preserva quase metade da pauta embarcada ao mercado americano.

A ordem executiva publicada pelo governo dos Estados Unidos na última sexta-feira (20) alterou de forma significativa o regime tarifário aplicado às importações, com efeitos diretos sobre a pauta brasileira. Segundo nota técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 46% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, equivalentes a US$ 17,5 bilhões em 2025, deixam de estar sujeitas a qualquer sobretaxa adicional.

Foto: Divulgação
A medida revoga expressamente as ordens anteriores que impunham tarifas específicas de até 40% contra produtos brasileiros e também substitui as chamadas tarifas recíprocas por uma alíquota global de 10%, aplicável a todos os parceiros comerciais, com exceções pontuais. O governo norte-americano indicou a possibilidade de elevar esse percentual para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.
Pelos cálculos do MDIC, cerca de 25% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 9,3 bilhões,passam a estar sujeitas à nova tarifa uniforme de 10% (ou 15%, caso confirmada a elevação). Antes da mudança, aproximadamente 22% das vendas brasileiras enfrentavam sobretaxas que variavam de 40% a 50%.
Outros 29% das exportações, ou US$ 10,9 bilhões, permanecem submetidos às tarifas setoriais previstas na Seção 232 da legislação comercial norte-americana, instrumento aplicado com base em argumentos de segurança nacional e que incide de forma linear entre países, a depender do produto.
Ganho de competitividade
Na avaliação do ministério, o novo regime amplia a competitividade de segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano.

Foto: Allan Santos/PR
Entre os setores beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar alíquotas de até 50% e passam a competir sob tarifa isonômica de 10%.
No agronegócio, pescados, mel, tabaco e café solúvel também passam da alíquota de 50% para 10%, reduzindo a desvantagem frente a outros fornecedores internacionais.
Uma das mudanças mais relevantes envolve o setor aeronáutico. As aeronaves foram excluídas da incidência das novas tarifas e passam a contar com alíquota zero para ingresso no mercado norte-americano, antes sujeitas a 10%. O MDIC ressalta que o produto foi o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.
Relação comercial e ressalvas técnicas
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 82,8 bilhões, alta de 2,2% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Foto: Divulgação
O ministério observa que os números são estimativos, uma vez que os códigos tarifários foram divulgados na nomenclatura HTS (Harmonized Tariff Schedule) e posteriormente consolidados ao nível de seis díígitos do Sistema Harmonizado (SH6), o que pode gerar variações nos valores apurados. Além disso, a aplicação efetiva das tarifas nos EUA pode depender de critérios adicionais, como destinação específica ou uso final do produto.
Em manifestação recente, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que a redução das sobretaxas abre espaço para ampliar a parceria comercial com os Estados Unidos, destacando o peso do mercado norte-americano para produtos manufaturados brasileiros.
A nova configuração tarifária elimina o tarifaço direcionado ao Brasil, mas consolida um modelo de tributação uniforme que mantém parte relevante da pauta exportadora sob incidência adicional. Para o governo, o saldo é de recomposição de competitividade relativa, sobretudo na indústria de maior valor agregado.
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O que prevê o acordo Mercosul-União Europeia
Tratado cria área de livre comércio entre os blocos, estabelece cronograma de até 30 anos para cortes de impostos de importação e inclui capítulos sobre sustentabilidade, propriedade intelectual e solução de controvérsias.








