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Soja encerra janeiro com preços mais fracos no mercado brasileiro
Expectativa de safra recorde, demanda interna limitada e valorização do real influenciam as cotações, segundo o Cepea.

Os preços da soja em grão seguiram enfraquecidos no mercado brasileiro no encerramento de janeiro. De acordo com pesquisadores do Cepea, a desvalorização do grão esteve associada às expectativas de oferta recorde no Brasil, à fraca demanda doméstica e à valorização do Real frente ao dólar.
Esse movimento cambial reduziu a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, afastando parte dos demandantes internacionais em favor da soja norte-americana. No campo, as atividades de colheita avançam gradualmente no Brasil.
No entanto, colaboradores consultados pelo Cepea apontam que os níveis de umidade do solo permanecem abaixo do ideal em áreas do Sul, especialmente em lavouras semeadas mais tardiamente, mantendo os produtores em estado de alerta. As previsões indicam chuvas mais abrangentes nos próximos dias, que, se confirmadas, tendem a melhorar o balanço hídrico e trazer alívio às lavouras.
Segundo a Conab, a colheita da soja atingiu 6,6% da área nacional até 24 de janeiro, acima dos 3,2% observados no mesmo período da safra passada. Mato Grosso segue liderando os trabalhos, com 19,7% da área colhida, contra 3,6% há um ano.

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Show Rural Coopavel deve receber delegações de todos os continentes
Produtores, técnicos e executivos de multinacionais do agronegócio estarão em Cascavel entre 09 e 13 de fevereiro para conhecer tecnologias e inovações do setor.

Produtores rurais, técnicos e diretores de empresas multinacionais do agronegócio estarão em Cascavel, de 09 a 13 de fevereiro, para prestigiar o 38º Show Rural Coopavel. “Temos a confirmação de várias delegações que se deslocarão até aqui para conhecer e ter contato com as tecnologias e inovações que os 600 expositores, nacionais e estrangeiros, apresentarão nesta edição”, comenta o presidente Dilvo Grolli.
O coordenador geral do Show Rural, Rogério Rizzardi, diz que, pelo número de confirmações, esse poderá ser o ano com recorde no número de recepções a caravanas, tanto nacionais quanto de países de todos os continentes. “O Show Rural é uma referência no mundo e essas visitas comprovam isso”, afirma ele.
Países
Entre os países com delegações já confirmadas, estão: Alemanha, França, Itália, Espanha, Moçambique, Estados Unidos, Paraguai, Argentina, China, México, Japão e Austrália. “E também receberemos delegações de praticamente todo o Brasil. Exemplo disso é uma comitiva formada por produtores e líderes do setor agropecuário de estados do Nordeste, que todos os anos há mais de duas décadas se deslocam a Cascavel para aprofundar conhecimentos sobre o agronegócio”, comenta o presidente Dilvo.
Com o tema A força que vem de dentro, o Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias, entre 360 mil e 400 mil visitantes. Entre os diferenciais do evento estão a não cobrança de ingresso para acessar o parque e gratuidade pelo uso de vagas do estacionamento.
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POD oficializa Manifesto da Ambição Regional durante o Show Rural Coopavel
Documento estabelece diretrizes para fortalecer a economia regional com foco em tecnologia, inovação e educação.

Um ato com a presença de autoridades e líderes dos mais diferentes setores produtivos e organizados da região, na quarta-feira, 11 de fevereiro, no Show Rural Coopavel, deverá entrar para a história do Oeste do Paraná. Na ocasião, o Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) fará a assinatura do Manifesto Ambição Regional, durante o Iguassu Valley Show, que vai reunir atores do ecossistema de inovação de municípios de todo o território no espaço do Show Rural Digital.
O presidente do POD, Alci Rotta Júnior, informa que o Manifesto está em estruturação há um bom tempo e envolveu inúmeras discussões com líderes e profissionais altamente qualificados. “Essa é a evolução da Diretriz Transformadora Massiva, e busca dar um norte, orientar e acompanhar, de forma técnica e gradual, os próximos passos do processo de fortalecimento da economia de toda a região”. A construção da ideia central do Manifesto da Ambição Regional do Oeste começou há alguns anos, com uma viagem técnica a Israel.
“Lá, protagonistas de áreas produtivas e presidentes de entidades da nossa região, puderam perceber, na prática, o que a tecnologia, o conhecimento e a inovação podem fazer pelo contínuo processo de desenvolvimento social e econômico de uma região e de um país inteiro. Esses são movimentos de forte impacto e transformação, então decidimos, conjuntamente, pensar um rumo ainda mais seguro para o futuro do Oeste”, comenta Alci. Integrando-se à condição de referência na produção de proteínas animais, o foco da Ambição Regional é fazer do Oeste líder global em tecnologias e inovações agregadas à cadeia da proteína, complementa o vice-presidente do POD, Clédio Marshall.
Educação
O POD, organismo formado por mais de 60 entidades, empresas, instituições de ensino, órgãos públicos, associações comerciais e cooperativas, definiu o cronograma para que essas mudanças possam, gradativamente, ser incorporadas à realidade regional. Alguns desses primeiros passos já foram dados, comenta Alci, citando recente viagem técnica à Alemanha e à Finlândia, referências em educação de excelência, e com a realização, em parceria com Caciopar e Amop, do 2º Fórum Econômico e Político do Oeste, que teve esse como tema central. “Melhorar a educação, a partir da base, é imprescindível para o sucesso desse projeto que deve ser abraçado por todos os oestinos”, afirma o presidente do POD.
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Saúde intestinal integrada impulsiona uso de monoglicerídeos em aves e suínos
Com ação antimicrobiana e imunomoduladora, compostos se destacam em sistemas produtivos mais sustentáveis e com menor uso de antibióticos.

Artigo escrito por Mariane Marques, mestre em Nutrição de Aves e Suínos e zootecnista do Departamento Técnico da Feedis
A produção moderna de aves e suínos enfrenta um ambiente sanitário cada vez mais desafiador, no qual fatores infecciosos, nutricionais e ambientais interagem de forma complexa. A retirada gradual dos antibióticos promotores de crescimento e o aumento da pressão por sistemas produtivos mais seguros e sustentáveis impulsionam a busca por alternativas que mantenham a eficiência zootécnica sem comprometer a segurança alimentar.
Nesse cenário, os monoglicerídeos vêm se destacando como moléculas de alta relevância técnica por sua capacidade de atuar simultaneamente no controle microbiano, na modulação imunológica e na integridade intestinal.
Os monoglicerídeos são compostos formados pela ligação de ácidos graxos específicos a uma molécula de glicerol. Essa estrutura confere propriedades anfipáticas, ou seja, a capacidade de interagir tanto com lipídios quanto com água. Tal característica permite que atravessem membranas celulares e exerçam ação antimicrobiana seletiva, desestabilizando a bicamada lipídica de microrganismos e levando à lise celular. Essa ação é especialmente eficaz contra bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e vírus envelopados, tornando essas moléculas ferramentas de amplo espectro e grande potencial de aplicação em sistemas de produção animal.
Além do efeito direto sobre microrganismos patogênicos, os monoglicerídeos apresentam propriedades imunomoduladoras, contribuindo para o equilíbrio da resposta inflamatória e para a manutenção da integridade da mucosa intestinal. Ao reduzir a inflamação subclínica, melhoram a absorção de nutrientes e favorecem o desempenho zootécnico, especialmente em fases de maior estresse fisiológico, como desmame, mudanças de dieta ou desafios sanitários persistentes. Essa atuação multifuncional reforça seu papel como uma das estratégias mais completas dentro do conceito de saúde intestinal integrada.

A diversidade estrutural dos monoglicerídeos, determinada pelo tamanho da cadeia e pelo grau de saturação do ácido graxo, confere funções complementares. As moléculas de cadeia curta possuem efeito trófico sobre os enterócitos e favorecem o equilíbrio da microbiota intestinal, contribuindo para um ambiente mais estável e funcional. Já as moléculas de cadeia média apresentam afinidade por membranas lipídicas de microrganismos, sendo reconhecidas por sua atividade antimicrobiana e antiviral. Essa combinação de mecanismos resulta em um espectro de ação ampliado e em um efeito sinérgico sobre a saúde digestiva e sistêmica.
Do ponto de vista produtivo, a estabilidade físico-química dos monoglicerídeos é um diferencial relevante. Diferentemente dos ácidos graxos livres, essas moléculas são estáveis em diferentes faixas de pH, o que assegura sua ação ao longo de todo o trato gastrointestinal. Essa estabilidade prolonga o efeito antimicrobiano e imunológico, resultando em uma ação contínua e previsível. Além disso, os monoglicerídeos não deixam resíduos e não possuem período de carência, o que permite sua utilização em programas de alimentação contínua, inclusive em dietas de terminação, garantindo desempenho e segurança até o abate.
Diversos estudos científicos sustentam sua eficácia. Antongiovanni et al. observaram melhora significativa no desempenho e no controle de Salmonella typhimurium em frangos de corte suplementados com monoglicerídeos. Manohar et al. demonstraram que a α-monolaurina apresentou atividade antimicrobiana superior à de antibióticos convencionais em microrganismos resistentes. Fortuoso et al. relataram redução expressiva na carga de Clostridium perfringens e Escherichia coli, associada à melhor integridade intestinal.
Mais recentemente, Li et al. demonstraram que o uso de monoglicerídeos pode modular positivamente a resposta imune e reduzir processos inflamatórios pulmonares em suínos desafiados por vírus respiratórios. Esses resultados reforçam que a ação dos monoglicerídeos vai além do trato intestinal, abrangendo também benefícios sistêmicos relevantes para a saúde animal.
A adoção de moléculas com ação antimicrobiana e imunomoduladora natural representa um avanço importante na transição para sistemas de produção mais responsáveis, eficientes e alinhados às exigências do mercado e da sociedade. A utilização de monoglicerídeos proporciona benefícios em contextos de desafios sanitários específicos ou como ferramenta preventiva para a estabilidade produtiva, contribuindo para o desempenho zootécnico, o bem-estar animal e a redução do uso de antibióticos promotores de crescimento.
Referências bibliográficas podem ser consultadas pelo e-mail mariane.marques@feedis.com.br.



