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Soja em sucessão à aveia-preta e ao trigo pode ter produtividade 54% maior

Hipótese é que desempenho se deve às raízes e palhas dos cereais, que permanecem no campo formando matéria orgânica para a cultura seguinte

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João Leonardo Fernandes Pires

Semear aveia-preta e trigo no sul Brasil, durante o outono/inverno, pode aumentar em 54% a produtividade da soja, em comparação com áreas deixadas em pousio. Essa é uma das constatações do artigo Performance da soja em sucessão à aveia-preta e ao trigo, publicado em junho de 2020 na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), produzido por pesquisadores da Embrapa e de quatro universidades.

O experimento foi conduzido no outono/inverno de 2017 e de 2018 e foram aplicados sete tratamentos: pousio (1); palha de aveia-preta ou de trigo, sem raízes (2 e 3); parcelas com raízes de aveia-preta ou trigo, sem palha (4 e 5); e parcelas com palha e raízes de aveia-preta ou trigo (6 e 7). De acordo com o pesquisador da Embrapa Alvadi Balbinot, o desempenho da soja foi estimado a partir das variáveis: densidade de plantas; índice de área foliar; teor de clorofila, estimado pelo índice SPAD; matéria seca acumulada, produtividade de grãos e componentes do rendimento.

“Comprovamos que os efeitos das raízes da aveia-preta e do trigo mostraram-se tão importantes quanto os da cobertura de palha deixadas no solo para explicar os aumentos de produtividade de 1.467 kg/ha, ou seja, 54% superior ao das áreas que ficaram em pousio no outono/inverno”, destaca Balbinot. “O desempenho agronômico da soja é melhor na presença combinada de raízes e de palha de aveia-preta ou trigo, quando comparamos com as áreas deixadas em pousio”, enfatiza.

Plantio direto e diversificação de culturas

Para os autores do artigo, o sistema de plantio direto na palha apresenta benefícios econômicos e ambientais, quando comparado ao preparo convencional, principalmente quando se consegue manter a diversidade de plantas e produção de biomassa. Mesmo assim, áreas agrícolas em pousio entre duas safras de soja, de março a setembro, ainda são comuns no Brasil.  “Entendemos que os sistemas de cultivo com baixa diversidade de plantas e consequente baixa adição de biomassa são a principal causa da degradação do solo sob plantio direto”, detalha o pesquisador.

Segundo os autores, a aveia-preta tem grande capacidade de produção de matéria seca, resultando em cobertura adequada do solo sob plantio direto, alta ciclagem de nutrientes e supressão de plantas daninhas. Além disso, os autores dizem que a espécie pode ser facilmente dessecada para o plantio das safras subsequentes.

As raízes podem melhorar a qualidade física do solo, favorecendo a infiltração e a retenção de água e ainda a liberação de nutrientes para as safras subsequentes. Por outro lado, a palha reduz a taxa de evaporação da água no solo, os picos de aquecimento do solo, a infestação de ervas daninhas e a ocorrência de erosão do solo.

Quanto à remoção de aveia-preta ou de trigo para produção de silagem ou feno, pode reduzir os benefícios dessas culturas no rendimento subsequente da soja. “Por isso, o produtor deve considerar essas informações no processo de tomada de decisão”, avalia o cientista.

Relação de palha e raízes com a falta de água

Na safra 2017/2018, a disponibilidade de água foi adequada ao longo do ciclo de desenvolvimento da soja. Em 2018/2019, houve déficit hídrico durante a floração e o enchimento dos grãos. Nessa safra, as culturas de aveia-preta e trigo beneficiaram a soja, em relação ao pousio. “Portanto, é possível inferir que os efeitos positivos da palha e das raízes na produtividade da soja estão principalmente associados à redução do estresse hídrico observado durante o período de enchimento dos grãos”, destaca. “Desse ponto de vista, os efeitos positivos das raízes da aveia-preta ou do trigo na produtividade da soja ocorrem em grande parte pela melhoria da estrutura do solo”, avalia.

Ele explica ainda que o crescimento das raízes, de safras anteriores, contribuiu para fraturar camadas compactadas do solo e criar uma rede complexa de bioporos contínuos e estáveis​. “É bem conhecido que bioporos produzidos por safras anteriores desempenham um papel importante no aumento da infiltração de água no solo, condutividade hidráulica e difusão de gás, proporcionando maior disponibilidade de água e oxigênio para as raízes das culturas subsequentes”, destaca o pesquisador. Além disso, a estrutura melhorada do solo facilita o enraizamento da soja e a absorção de água das camadas mais profundas

Balbinot aponta ainda que a palhada também favorece o armazenamento de água no solo, pois reduz as perdas por evaporação e o escoamento. “Portanto, a palha na superfície do solo provavelmente aumentou a disponibilidade de água para as plantas de soja, amenizando os impactos negativos dos períodos de déficit hídrico de 2018/2019 na produtividade da leguminosa.”

Outra vantagem da retenção da palha, segundo ele, é a redução da temperatura do solo, proporcionando um melhor ambiente para o crescimento e funcionamento da raiz da soja, o que aumenta a eficiência do uso da água pela planta e rendimento de grãos.

Efeito na Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) 

Outro fator provavelmente relacionado aos efeitos positivos da aveia-preta ou trigo no desempenho da soja é o aumento da FBN. Isso porque, segundo os autores, tanto o déficit hídrico quanto as altas temperaturas do solo prejudicam a eficiência das bactérias usadas na FBN em condições tropicais. “Como as raízes e a palha contribuem para melhorar a qualidade física do solo, espera-se que estresses ambientais sejam menores nesses solos, aumentando, consequentemente, a produtividade da soja”, conclui.

Os autores do trabalho

A autoria é dos pesquisadores da Embrapa Soja Alvadi Antonio Balbinot Junior, Julio Cezar Franchini dos Santos e Henrique Debiasi; e dos alunos de pós-graduação Antônio Eduardo Coelho, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Moryb Jorge Lima da Costa Sapucay, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Felipe Bratti, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Jorge Luiz Locatelli, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Fonte: Embrapa Soja
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Taninos e saponinas na ração podem reduzir a emissão de metano dos bovinos

Testes realizados em vacas leiteiras confirmaram que taninos e saponinas têm efeito positivo, com influência sobre bem-estar ruminal, redução de protozoários e redução de CH4.

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Arquivo/OP Rural

O metano entérico (CH4) influencia a pegada climática da produção de leite entre 44% a 50%. É o que afirmou o professor da Universidade de Bologna, Itália, Andrea Formigoni, durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido pela JBS, em parceria com a SilvaTeam, em São Paulo (SP). No evento, Formigoni palestrou sobre as emissões de metano em vacas leiteiras.

Professor da Universidade de Bologna, na Itália, Andrea Formigoni: “Seleção de vacas mais eficientes tem um potencial significativo de mitigação de CH4” – Foto: Reprodução

Segundo ele, a intensidade na redução do metano no rebanho é a chave para as vacas serem mais eficientes em produtividade (por quilo de leite). “A seleção de vacas mais eficientes tem um potencial significativo de mitigação de CH4, considerando a possibilidade de reduzir o número de animais por rebanho”, ressalta Formigoni.

Um estudo que compara a emissão de metano ao reduzir a idade do primeiro parto com a frequência de descarte, o número de substituições necessárias e as emissões de metano entérico por unidade de ECM no rebanho inteiro evidencia que uma vaca com gestação de 22 semanas emite 19,6% de metano entérico, enquanto que com 28 semanas aumenta para 33,2%. “Isso mostra que podemos mudar o nosso sistema de produção para controlar melhor a eficiência de cada animal, reduzindo assim a quantidade de metano produzida”, frisa.

Estudo

Em relação à evolução da produção leiteira em uma fazenda italiana, Formigoni expõe que em um rebanho com 85 vacas da raça Friesian, cada animal produzia em 2010 cerca de 9,1 toneladas de leite ao ano, com concentração de 3,7% de gordura e 3,3% de proteína. Cinco anos depois, com um rebanho de 95 vacas, a produção unitária passou para 9,5 toneladas/ano, com 3,6% de gordura e 3,2% de proteínas. Já em 2021, um rebanho com 118 animais produziu por cabeça 10,71 toneladas/ano da bebida láctea, contendo 3,8% de gordura e 3,3% de proteína. “Entre os 50 principais rebanhos de Friesian na Itália, a produção leiteira alcança uma média de 20 toneladas/vaca/ano”, mencionou o professor de Bologna, ampliando: “Para garantir cada vez mais eficiência é preciso fazer a seleção dos animais com uma abordagem genômica, além de oferecer controle de fatores de estresse, manejo de precisão e bem-estar animal”, pontua.

Taninos e saponinas 

Para testar a adição na ração de uma mistura de taninos e saponinas em vacas leiteiras de alta produção, alimentadas com uma dieta à base de feno seco picado, foram acrescentadas duas fontes lipídicas de origens diferentes: megagordura (saturada) e gordura integral de soja (insaturada). “O grau de instauração dos lipídios pode influenciar na produção ruminal de metano”, destacou o palestrante italiano.

Conforme Formigoni, os taninos são polifenóis naturais de plantas utilizados também na criação de ruminantes como promotores de crescimento e saúde, com alta capacidade antioxidante. “A edição de taninos tem efeitos positivos nas proteínas de passagem e na modulação da fermentação ruminal, com consequências positivas na qualidade do leite e na emissão de metano”, menciona.

As saponinas são consideradas substâncias naturais para mitigar as emissões de metano em ruminantes, como gado, cabras e ovelhas.

Para o experimento, foram separadas oito vacas leiteiras que, durante 21 dias, receberam uma dieta balanceada com quatro rações diferentes, em que foram analisadas ingestão diária de DMI e água, peso corporal, tempo de ruminação e pH reticular, líquido ruminal, fezes e urina, rendimento e composição do leite, propriedades de fabricação de queijo e medição das emissões de CH4 usando o equipamento Laser Methane Mini oito vezes a cada 06 horas.

“Não foi encontrado nenhum efeito negativo na ingestão de matéria seca, de taninos ou de gordura na produção de leite, ou de ácidos graxos na composição do leite, bem como o efeito foi positivo de taninos no pH ruminal e na produção de AGV. E dentro do rúmen, o efeito também foi positivo de taninos no número de protozoários, que apresentou a menor produção de metano, e na temperatura corporal”, elencou Formigoni, ampliando: “Os resultados nas propriedades de fabricação de queijo também foram satisfatórios, comprovando que o uso de taninos na dieta é seguro para a produção de queijo”.

Descobertas sobre a emissão de metano

Após o experimento, o docente da Universidade de Bologna constatou que a emissão de CH4 registrada no teste foi relativamente baixa em comparação com a previsão teórica média (<13g/kg/CMS vs 19g/kg/CMS). “A ração à base de feno pode ser um motivo para a baixa emissão de metano”, supõe Formigoni.

O professor evidencia ainda que não foram detectadas diferenças entre os tratamentos de ração ofertada. Também constatou que usando a análise de Cluster as vacas são divididas de acordo com o CH4 diário, com isso as emissões de metano foram reduzidas a 260 gramas/dia, e três das oito vacas que participaram do teste apresentaram emissores de metano de 258 g/dia, não houve efeito negativo de taninos e/ou fonte de gordura, porém, cinco vacas emitiram 314 g/d de CH4.

Em outro estudo com taninos, comprovou-se o que pesquisas científicas já haviam demonstrado anteriormente, que os polifenóis de origem vegetal reduziram a emissão de metano em altos emissores (gorduras saturadas e insaturadas) em 30 g/d.

Formigoni conclui que as medições de CH4 em condições de campo ainda são um desafio e que no futuro será muito importante produzir mais dados de experimentos para ter uma previsão ainda melhor dos benefícios dos taninos. “Apesar de termos diferentes equações de emissão teórica, são necessários mais ensaios com diferentes tipos de ração, contudo, os testes realizados confirmaram que taninos e saponinas têm efeito positivo, com influência sobre bem-estar ruminal, redução de protozoários e redução de CH4”, enfatiza.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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“É muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global”, afirma especialista

Para o pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta.

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Arquivo/OP Rural

Com capacidade de retenção de calor superior a do dióxido de carbono (CO2), a redução das emissões de metano (CH4) pode ter um impacto significativo e muito rápido no controle do aquecimento global, pois, apesar da sua curta vida na atmosfera – pouco mais de dez anos – é 28 vezes mais potente que o CO2 como gás de efeito estufa em um período de 100 anos. Dessa forma, sua captura poderia contribuir para esfriar o planeta, se contrapondo ao CO2, que permanece na atmosfera por cerca de um milênio.

Chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner: “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos” – Foto: Reprodução

É o que afirmou o chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido no mês de maio pela JBS, em parceria com a Silva Team, em São Paulo (SP).

Essa comparação entre os gases feita pelo pesquisador norte-americano ilustra os cálculos do GWP 100 (Potencial Global de Aquecimento), medida adotada mundialmente para mensurar as emissões globais de gases do efeito estufa, no entanto, esse sistema considera apenas o potencial dos gases e não o período de vida útil de cada um. “É importante entendermos que o metano é muito diferente de outros gases”, ressalta, acrescentando: “Esse sistema tem sido usado nos últimos 30 anos, apesar dos cientistas já terem alertado sobre outros fatores que devem ser levados em consideração neste cálculo, porque o metano tem um alcance bem maior em sua vida útil”, pontua Mitloehner.

Para ele, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta. “O GWP* é uma nova maneira de caracterizar os gases de efeito estufa de curta duração, ele não é apenas responsável pela curta vida útil do metano, mas também pela sua remoção atmosférica. Ao contrário do GWP 100 que superestima o impacto do aquecimento do metano por um fator quatro vezes maior do que realmente é, ignorando sua capacidade de induzir o resfriamento quando as emissões de CH4 são reduzidas. Por isso, reafirmo, é muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global e o GWP100 não faz isso”, expõe Mitloehner.

Segundo o professor PhD, anualmente mais de 558 milhões de toneladas de metano são produzidas no mundo, emitidas não apenas pelo agronegócio, mas também através da produção de combustíveis fósseis, da energia elétrica, do desmatamento, dos aterros sanitários, das indústrias de carvão e gás natural. Desta quantidade, segundo Mitloehner, cerca de 548 milhões de toneladas são destruídas na atmosfera pela reação com o radical livre hidroxila (OH). “Isso significa que há um processo de remoção atmosférica para o metano, ou seja, não está apenas sendo produzido, mas também está sendo destruído”, pontua.

De acordo com o chefe do Clear, se num horizonte de dez anos as emissões de metano permanecerem constantes no rebanho bovino, a pecuária de corte contribuirá para o aumento da temperatura do planeta somente na primeira década, porque após esse período a quantidade emitida será a mesma que está sendo destruída, ou seja, o CH4 não será adicionado à atmosfera, consequentemente o aquecimento será neutralizado. “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos, com isso o metano não mais vai aquecer a terra, no entanto, se aumentar a quantidade de animais na pecuária não será possível conseguir essa neutralização”, expõe.

“O metano é um gás do efeito estufa poderoso e que nós queremos reduzir, mas é importante pensar em todas as suas propriedades para entender que o metano não é apenas um problema, mas também uma oportunidade de buscarmos a solução. O metano é basicamente energia, pode ser queimado, pode virar eletricidade, combustíveis, nós não queremos perder o metano, para isso precisamos mudar a maneira como pensamos neste gás, é essa a mensagem que quero passar para vocês”, salientou.

Neste sentido, o pesquisador destacou que as tecnologias existentes para reduzir as emissões da pecuária, como aditivos alimentares para melhorar a eficiência de digestão dos animais que podem contribuir, inclusive, para resfriar a atmosfera e compensar as emissões de outros gases.

Agropecuária e o metano

Por ano são criados mais de 70 bilhões de animais para consumo humano. Entre as principais fontes de emissão de metano na agropecuária estão o estrume e a fermentação entérica – um processo digestivo natural que acontece em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras – responsáveis por cerca de 40% das emissões da agropecuária nas últimas duas décadas.

O esterco no pasto libera óxido nitroso, um gás de efeito estufa cuja contribuição, por tonelada, para o aquecimento global é 265 vezes mais potente do que a do dióxido de carbono. Esses dois processos da pecuária correspondem a mais da metade das emissões totais da produção agrícola. O cultivo de arroz e os fertilizantes sintéticos também são fontes emissoras de CH4, cada um representa mais de 10% das emissões do setor.

Nos EUA, em 2021 a produção de carne bovina foi de 12,6 milhões de toneladas e a produção total de leite registrou 102,5 bilhões de quilos, enquanto o Brasil produziu 10,3 milhões de toneladas de carne bovina e mais de 34 bilhões de litros de leite. “De 114 mil cabeças de gado na década de 70, os EUA chegaram próximo de 92 milhões de cabeças no ano passado, mas, apesar deste crescimento, as emissões se mantiveram estáveis”, relata.

Origem das emissões

Mitloehner explica que o sistema de emissões da pecuária começa pelo pasto, que utiliza o gás carbônico (CO2) presente no ar para fazer a fotossíntese. Em seguida, essa pastagem é consumida pelo gado, que transforma o CO2 em metano durante a digestão, liberando-o na atmosfera. “Ou seja, o metano volta a se transformar em gás carbônico, que novamente será utilizado pelas plantas. Dessa forma, concluímos que a origem das emissões de metano por bovinos é decorrente do carbono, que já estava presente na atmosfera”, frisa.

O que acontece quando aumenta, estabiliza ou diminuiu o metano?

Mitloehner nos convida a imaginar três cenários com o CH4 em um horizonte de 30 anos. No primeiro, com aumento da emissão de metano em 35% – isso aconteceu nos países em que a produção de gado está crescendo ano após ano; no segundo, com perspectiva de diminuição em 10% e no terceiro com uma hipótese em que as emissões sejam reduzidas a 35%. “Ao diminuir levemente o metano na pecuária não terá nenhum aquecimento adicional, ou seja, seu resultado será negativo para o aquecimento, e é isso que estamos buscando. Mas, se diminuir fortemente o metano estará tirando muito carbono do ar e terá um aquecimento negativo. Agora, se diminuir o metano constantemente, mesmo que pouco, não teremos nenhum aquecimento e é isso que estamos buscando fazer”, sugere o pesquisador.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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Boas práticas de manejo de gado

Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades

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Foto: Assessoria

A pecuária é uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil e do mundo e, cada vez mais, a demanda por alimentos de origem animal aumenta. Nesse contexto, é necessário adotar boas práticas de manejo de gado, seja ele de corte ou leite, em pasto ou em confinamento.

Todas as fases da vida do animal devem ser observadas atentamente, do nascimento ao abate. Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades.

Quando se trata de animais de corte, para que o manejo seja o melhor possível se faz necessário contribuir fortemente com o bem-estar animal e, assim, garantir a qualidade de vida dos animais enquanto se produz mais e melhor. No entanto, antes de saber o que fazer exatamente para melhorar os resultados, é preciso identificar o que está errado.

Segundo o coordenador Técnico da Premix, André Pastori D’Aurea, além de estressar o gado, o manejo inadequado dos animais os deixa agitados e dificulta a atividade como um todo. Barulhos causados pelas instalações, como portões, ferrolhos e bretes de contenção podem gerar ruídos que incomodam os animais, assim como gritos e movimentos bruscos podem assustá-los. Da mesma forma, o número de acidentes com os animais e colaboradores tende a aumentar nesse cenário.

“Em propriedades onde o manejo é ineficaz, é comum encontrar animais doentes ou lesionados com fraturas, torções, cortes e hematomas, por exemplo, o que, além de afetar o bem-estar dos bovinos, interfere na qualidade da carne após o abate”, explica D’Aurea.

Em poucas palavras, com manejo inadequado, o pecuarista não produz de maneira lucrativa e apenas arca com os prejuízos da falta de cuidado.

Já o manejo de gado adequado leva em conta a forma como o pecuarista lida com os animais, além da atenção à segurança do trabalho dos profissionais envolvidos no processo. Os cuidados começam desde o nascimento do bezerro, passando pelo transporte dos animais de corte até ao abate, como é exemplificado nas etapas abaixo:

– Recepção e destinação;

– Identificação dos animais;

– Pesagem individual;

– Vermifugação e vacinação do rebanho;

– Monitoração do consumo e do desempenho do gado;

– Leitura de cocho para o ajuste da alimentação;

– Condições adequadas de cocho e de água.

“Os bovinos devem ter acesso a um bom manejo em cada uma dessas etapas. Os animais devem ser conduzidos sempre ao passo, sem correrias e sem gritos e o vaqueiro deve trabalhar sempre à frente do lote que está conduzindo, atuando como ponteiro”, ressalta o coordenador.

 

Bem-estar animal

Como já destacado, um bom manejo de gado passa pela atenção ao bem-estar animal. Por isso, o criador deve cuidar para que os animais tenham comida e água disponíveis, estejam livres de qualquer tipo de desconforto, libertos de dor, doença e injúria, tenham facilidade para expressar seu comportamento natural e não sofram com estresse e medo.

Para cumprir todos os requisitos, é necessário contar com uma equipe treinada e alinhada com os propósitos da fazenda. “É importante capacitar os funcionários sobre as boas práticas de manejo de gado no curral em relação à sanidade, alimentação e outras atividades realizadas diariamente na propriedade. Assim, a equipe vai compreender a importância de tratar bem o rebanho”, orienta D’Aurea.

 

Conforto térmico

Além de tudo o que já foi dito sobre manejo de gado, é importante estar atento ao conforto térmico, já que boa parte do estresse animal pode ocorrer devido ao calor.

Para minimizar a temperatura, podem ser utilizadas sombras naturais provenientes de árvores, por exemplo. O esquema utilizado pela ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta) possui esse grande benefício, já que os animais usam o sistema arbóreo natural para obter conforto.

Caso a propriedade não disponha de sombra natural, é possível utilizar sombras artificiais para proporcionar maior conforto aos animais em confinamento.

 

Dicas de manejo

Veja algumas dicas práticas para fazer um manejo racional e fornecer condições para o bem-estar dos animais:

– Profilaxia (prevenção) e tratamento de doenças são sempre necessários;

– Forneça quantidade e qualidade adequadas de alimento e água;

– Forneça espaço de cocho correto para o tipo de dieta e categoria animal;

– Avalie os comportamentos individuais da mesma forma que os em rebanho;

– Não utilize materiais pontiagudos na condução dos animais;

– Auxilie o manejo de gado durante as pesagens para que não ocorra pisoteio e lesões;

– Evitar aglomeração de pessoas nos currais durante o manejo;

– Evite gritos. Essa atitude estressa o animal e dificulta o manejo, além de afetar a qualidade da carne.

Para finalizar, é importante ressaltar que todos os manejos, quando bem executados, contribuem para a qualidade de vida e promovem melhor desempenho dos animais.

 

André Pastori D’Aurea – coordenador técnico da Premix

Fonte: Assessoria
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