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Soja Baixo Carbono começa a estabelecer diretrizes da certificação

A jornada de inovação setorial para a construção do protocolo será compartilhada no 1º Fórum Soja Baixo Carbono, que está sendo realizado nesta terça-feira (11), em Londrina (PR).

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Iniciativa está criando um protocolo para certificar áreas produtoras de soja com baixa emissão de gases de efeito estufa - Foto: ANeto/Arquivo Embrapa

O Programa Soja Baixo Carbono (PSBC) está avançando para a fase de proposição das diretrizes do protocolo que irá atestar a sustentabilidade da produção de soja brasileira, por meio da concessão do selo Soja Baixo Carbono (SBC) a sistemas de produção de soja que adotem tecnologias e práticas agrícolas que reduzam a intensidade de emissão de gases de efeito estufa (GEEs). Ainda no primeiro semestre de 2023 serão concluídas as diretrizes da metodologia que começará a ser validada na safra 2023/24 e continuará nesse processo por mais duas safras.

A jornada de inovação setorial para a construção do protocolo será compartilhada no 1º Fórum Soja Baixo Carbono, que está sendo realizado nesta terça-feira (11), em Londrina (PR). O Fórum marca o início das atividades conjuntas entre a Embrapa e as empresas apoiadoras do programa: Bayer, Bunge, Cargill, Coamo, Cocamar, GDM e UPL.

O Programa finalizou, em março de 2023, a série de oficinas técnicas internas com o envolvimento de, aproximadamente, 70 especialistas de 15 Unidades da Embrapa, onde foram levantados os temas relevantes e os desafios técnicos para a construção das diretrizes técnicas do programa. Também foram realizadas oficinas com as empresas-apoiadoras, visando identificar questões relevantes de mercado e de oportunidades para produtos soja baixo carbono. Com base nessas informações mapeadas, o programa entra agora na fase de definição das diretrizes técnicas e, no início do segundo semestre de 2023, inicia-se o processo de validação a campo do protocolo.

As diretrizes trarão “o que medir e avaliar”, ou seja, o que as áreas candidatas precisam adotar para obter o selo SBC. Durante a validação a campo, vamos fazer os ajustes sobre o “como medir” para implementar as diretrizes e assim ter uma metodologia bastante assertiva, explica. A adesão ao selo será voluntária e o protocolo aplicado via certificação privada e de empresas especializadas (certificação de 3ª parte).

De acordo com o pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, a metodologia está focada na possibilidade de pagamento de serviços ambientais que poderão ser obtidas com eventuais bonificações advindos do selo SBC, financiamentos com taxas de juros mais atrativas, entre outros benefícios. “As mesmas práticas que reduzem as emissões de GEEs são as práticas que aumentam a produtividade e reduzem os custos, o que mostra que o produtor terá ganhos consequentemente”, destaca Debiasi, acrescentando: “O desafio técnico é que o custo de implantação seja compatível com benefícios. E que possamos atender as demandas de sustentabilidade do mercado”.

Do ponto de vista da pesquisa, Debiasi destaca que outro desafio está relacionado ao fato da metodologia não ser apenas de verificação de conformidade – certificar que o produtor utilize boas práticas agrícolas – mas estabelecer parâmetros para comparar as áreas candidatas com o modal da região. “Outro desafio da metodologia é possibilitar que essas áreas sejam auditáveis, ou seja, demonstrem em números, de fato, o que é declarado em termos de redução das emissões ”, diz.

Validação a campo

De acordo com a pesquisadora Roberta Carnevalli, da Embrapa Soja, o protocolo passará por validação em, pelo menos, cinco lavouras-piloto em cada uma das cinco macrorregiões sojícolas, o que representa aproximadamente 25 áreas de diferentes regiões produtoras do Brasil. A partir da validação dos critérios do protocolo, será elaborado um memorial descritivo, em forma de normativa, para registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária ou órgão indicado. “O processo de validação precisa ser realizado com bastante critério, ao longo das três safras, para dar credibilidade às ações que devem ser implementadas pelos sistemas de produção candidatos a receber o selo SBC”, explica. “O protocolo precisa ser mensurável, reportável e verificável, com base em ciência, e ter aceitação internacional”, ressalta Carnevalli

A validação do protocolo será concluída em meados de 2026, seguida da operacionalização do selo SBC no mercado, fase que irá avançar paralelamente à obtenção dos resultados da validação dos critérios a campo. O escopo do PSBC prevê que a redução das emissões de GEEs na área candidata seja quantificada, utilizando-se como referência (linha de base) os sistemas de produção típicos (modal) de cada região. Esses sistemas, que contemplam as principais culturas agrícolas utilizadas e as práticas de produção adotadas na região já foram definidos e caracterizados pelo PSBC.

O pesquisador Henrique Debiasi explica que o sistema modal na região de Londrina (PR), por exemplo, utiliza a soja no verão e o milho na segunda safra. De acordo com o pesquisador, nessa região, os registros mostram pouca utilização de rotação de culturas e sistema plantio direto (SPD) com ocasionais preparos de solo.“Assim, um sistema de produção candidato ao selo SBC nessa região, ao adotar o sistema plantio direto (SPD) em sua plenitude – sem revolvimento do solo e com maior aporte de palha e raízes – irá acumular mais carbono no solo, na forma de matéria orgânica, do que o sistema modal. Esse aumento do carbono estocado no solo em relação ao modal será um dos critérios considerados no protocolo para atribuição do selo”, explica Debiasi.

“De qualquer forma, é importante destacar que não queremos criticar o sistema de produção praticado nas regiões produtoras, mas estimular a adoção das boas práticas agrícolas, o que consequentemente trará redução nas emissões de GEEs e fixação de carbono no solo”, defende.

Histórico de dados

A Embrapa já possui um histórico de dados com a quantidade de carbono estocado no solo em sistema de produção típicos de soja nas principais regiões produtoras do grão no Brasil. Nessa fase, o PSBC está quantificando a média desses estoques.  “A partir desse número regional parametrizado, as áreas que conseguirem ter valores mais altos de estoque de carbono que o modal da região, já são candidatas à obtenção do selo SBC”, diz Debiasi.

O Programa está contemplando ainda o tipo e a quantidade de insumos utilizados e outras boas práticas de manejo a campo, o que também impactam nas emissões de CO2. A proposta é que todas as boas práticas sejam contabilizadas e auditadas para serem comparadas com o modal da região. “Além do SPD, há um conjunto de tecnologias acessíveis aos produtores e que, quando adotadas, reduzem as emissões de GEEs em relação aos sistemas modais, sem prejuízo algum à produtividade, mostrando a adicionalidade necessária para concessão do selo SBC”, explica o pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja.

De acordo com Nogueira, são exemplos de tecnologias sustentáveis, as boas práticas para o uso eficiente de fertilizantes, a substituição parcial ou total de insumos químicos por bioinsumos, as cultivares mais produtivas e com tolerância/resistência a estresses bióticos e abióticos, o manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas e a  fixação biológica do nitrogênio (FBN). “A aplicação de nitrogênio mineral na soja, prática desnecessária, mas que ainda é encontrada em parte do sistema de produção modal de algumas regiões, pode implicar na emissão de mais de 100 kg/ha de CO2-equivalente. Essa prática deve ser substituída pela adoção plena da FBN, o que é mais um exemplo de adicionalidade que será computada no protocolo SBC”, salienta Nogueira.

Outra prática mitigadora é o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e de doenças (MID). Levantamento realizado pela Embrapa em parceria com o Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) comprova que as áreas que adotam o conjunto de práticas do MIP e MID conseguem reduzir em 30% a aplicação de inseticidas e fungicidas, respectivamente. “Um menor número de aplicações implica em menor consumo de diesel por hectare, reduzindo de forma direta as emissões de GEEs. O menor consumo de agrotóxicos também diminui indiretamente as emissões, pois há produção de GEEs na fabricação, armazenamento e transporte desses produtos”, explica Nogueira.

A Embrapa Soja e Embrapa Meio Ambiente têm dados que mostram que a intensidade de emissões de efeito estufa (IGEE) relacionadas às operações mecanizadas (uso de diesel) e o uso de insumos químicos (fertilizantes e agrotóxicos) nos sistemas de produção típicos (modais) estão em torno de 400 kg de CO2-equivalente por tonelada de grãos produzidos.

O PSBC estima que o potencial de redução das emissões de GEEs poderá ser de até 50%, ao se adotar as tecnologias sustentáveis preconizadas pelo PSBC.  “Vale destacar que a soja brasileira, mesmo no sistema de produção modal, é mais sustentável que a de outros países produtores. O selo SBC sinaliza a intenção do Brasil de melhorar ainda mais os aspectos de sustentabilidade, o que certamente irá agregar valor à soja produzida”, diz Nogueira.

Inovação setorial na cadeia da soja

O Programa Soja Baixo Carbono (PSBC) teve início em 2021 e foi concebido para ser uma iniciativa de inovação setorial. “Estamos em consonância com as demandas mundiais de redução das emissões de gases de efeito estufa em cadeias e produtos”, declara o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, ampliando: “Neste sentido, entendo ser preciso um esforço de inovação setorial para estimular a mitigação, o sequestro de carbono e captura e estocagem de carbono no processo produtivo de soja. Nossa proposta é reconhecer os produtores rurais brasileiros que já vem utilizando as tecnologias sustentáveis, assim como ampliar a adoção de sistemas pautados pela sustentabilidade”.

Em termos metodológicos, Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologias da Embrapa soja,  explica que o PSBC foi estruturado em duas frentes. “Uma delas alinhada com as premissas da rota tecnológica do projeto (escopo da marca, requisitos para quantificar as reduções de GEEs no sistema de produção e soja, entre outras questões)”, detalha Carina.

A outra rota procurou capturar a visão do mercado e as oportunidades de agregação de valor para o produtor. “Por isso, buscamos construir parcerias público-privada com diferentes elos da cadeia produtiva da soja, como cooperativas, traders de grãos, genética, indústrias químicas e de bioinsumos”, ressalta.

“O programa pretende trazer uma abordagem que atenda, de forma multidisciplinar, diferentes setores, e não fique restrita a apenas um segmento, por isso, há a visão de inovação setorial e construção de vantagem competitiva para a cadeia da soja frente aos desafios climáticos e de sustentabilidade para negócios”, defende Carina.

O Programa Soja Baixo Carbono adotou um modelo de inovação setorial e conta com parcerias de sete empresas apoiadoras: Bayer, Bunge, Cargill, Coamo, Cocamar, GDM e UPL, que estão trazendo diferentes contribuições por serem de diferentes ramos de atividades no agronegócio. “Além de financiarem a execução das ações necessárias para a construção e divulgação da marca, essas empresas estão contribuindo para trazer a visão do mercado na discussão dos critérios para a construção do protocolo do PSBC”, destaca Carina.

Segundo Henrique Debiasi, o selo SBC visa diferenciar os produtores de soja que adotam práticas agrícolas que comprovadamente ajudam a mitigar as emissões de GEE por meio de protocolo MRV (mensurável, reportável e verificável) com certificação privada e de terceira parte e, consequentemente, contribuir para frear os efeitos indesejáveis das mudanças climáticas.  “Com essa diferenciação, abre-se possibilidades de agregação de valor à soja baixo carbono, por meio de pagamento por serviços ambientais, acesso a financiamentos com taxas de juros menores, penetração em mercados mais restritivos, entre outros”, diz Debiasi.

O pesquisador afirma que a adesão dos produtores à marca será voluntária e irá requerer o atendimento a critérios de elegibilidade como atendimento à legislação ambiental e trabalhista e a adoção de boas práticas agrícolas, como o sistema plantio direto, a utilização das bactérias fixadoras de N e promotoras do crescimento e manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, entre outros critérios.

Fórum Soja Baixo Carbono

A Embrapa Soja e as empresas apoiadoras do Programa Soja Baixo Carbono (Bayer, Bunge, Cargill, Coamo, Cocamar, GDM, UPL) realizam, nesta terça-feira (11), o 1º Fórum Soja Baixo Carbono, durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, para debater o panorama mundial e a conjuntura brasileira no contexto da agricultura de baixo carbono.

O evento reúne aproximadamente 150 lideranças do agronegócio para promover intercâmbio de informações e discussões que colaborem com a sustentabilidade nos processos produtivos. Para abordar as oportunidades, as perspectivas e as tendências de produção no âmbito da agricultura de baixo carbono, o Fórum contará com a palestra de Fabiana Villa Diretora do Departamento de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas e Indicações Geográficas, do Mapa.

A programação técnica estará composta também da palestra sobre o Programa Soja Baixo Carbono, tema a ser abordado pelo pesquisador Henrique Debiasi. O pesquisador irá descrever os principais desafios técnicos encontrados no processo de inovação que engloba a construção da certificação da soja produzida em sistemas sustentáveis no Brasil.

Outro destaque da programação do Fórum Soja Baixo Carbono é o Talk Show sobre “Sustentabilidade, inovação setorial e estratégia de negócio nas cadeias de valor: a visão das empresas sobre o Programa Soja Baixo Carbono”. Neste Talk Show participam os representantes das sete empresas apoiadoras do PSBC.

A proposta é que os participantes compartilhem as estratégias que vêm adotando em termos de sustentabilidade nos sistemas de produção, assim como descrevam sua participação na construção de um protocolo de boas práticas agrícolas brasileiro e ainda de que forma o Programa Soja Baixo Carbono poderá contribuir com os avanços de todos os elos da cadeia produtiva da soja.

São eles: Alexandre Nepomuceno, chefe geral da Embrapa Soja; Fabio Passos, diretor de Carbono para a América Latina da Bayer; Pamela Moreira, gerente de Sustentabilidade América do Sul da Bunge; Letícia Kawanami, diretora para Sustentabilidade para Latam da Cargill; Aquiles Dias, diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Cooperativa Coamo; Renato Watanabe, gerente executivo da Cooperativa Cocamar; Tiago Gonçalves, gerente global de novos negócios da GDM e Rogerio Melo, gerente de carbono e sustentabilidade da UPL. A moderação será feita por Giovani Ferreira, jornalista e diretor de conteúdo do Canal Rural.

PSBC: construção do protocolo SBC com apoio multi-setorial 

O diretor do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina, Fabio Passos, diz que tem visto um desejo crescente por parte dos produtores em aprimorar manejos sustentáveis e tornar o agro parte da solução para os desafios climáticos. “É preciso ciência, transparência e colaboração, por isso a Bayer uniu esforços com diversos parceiros, incluindo a Embrapa, para a construção de um ecossistema de carbono no setor. Sem dúvidas, esta iniciativa será valiosa para apoiar quem adota boas práticas e viabilizar a descarbonização da indústria”, salienta.

Por sua vez a gerente de Sustentabilidade América do Sul da Bunge, Pamela Moreira, ressalta que a companhia entende que a agricultura do futuro é de baixo carbono. “Queremos ser o parceiro estratégico de clientes e produtores nesta jornada de transição, apoiando-os para aproveitarem as oportunidades advindas deste cenário. Nesse sentido, o selo SBC se alinha à nossa estratégia ao criar para o produtor um mecanismo de mensuração e valorização de práticas que reduzam as emissões de GEE e, assim, abrir a possibilidade para que diferentes modelos de negócios sejam estabelecidos com a finalidade de diferenciar e agregar valor à soja produzida com o uso integrado de práticas e tecnologias sustentáveis que reduzam o potencial de aquecimento global”, destaca.

Já a diretora de Sustentabilidade da Cargill, Leticia Kawanami, afirma que são necessárias amplas parcerias para direcionar o setor da soja a um futuro sustentável e para criar a transformação que aspiramos coletivamente. Estar neste projeto junto a importantes players é essencial para elevarmos o setor a um novo patamar. “Esta iniciativa inédita da Embrapa ampliará nosso entendimento técnico sobre impactos ambientais associados à cadeia da soja, principalmente os relacionados às emissões de gases de efeito estufa, e sobre como a agricultura pode ser parte da solução no combate à mudança do clima. Com o desenvolvimento de um protocolo de certificação com base científica e reconhecimento internacional, esperamos poder incentivar a adoção de práticas e tecnologias de baixo carbono, evidenciar aspectos qualitativos e quantitativos de sustentabilidade da soja brasileira e agregar valor ao produto produzido com práticas que reduzam a emissão de carbono por tonelada de grão produzida”, ressalta.

O diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo, Aquiles de Oliveira Dias, e o gerente de Assistência Técnica, Marcelo Sumiya, destaca que nos 51 anos de existência da Coamo foram consolidadas as diretrizes que guiaram as ações da cooperativa, com foco no desenvolvimento dos seus associados e das comunidades das suas regiões de atuação. E grande parte desse desenvolvimento, e do sucesso das propostas do cooperativismo de resultados, se deve à cultura da soja. “Obteve-se uma crescente média de desempenhos e resultados, que proporcionaram muitas melhorias na qualidade de vida e no desenvolvimento do quadro social, sempre com os cuidados elementares na preservação dos recursos naturais. Mas o momento atual exige algo mais, pois a missão de produzir alimentos para o mundo deve ser combinada com o compromisso da preservação deste planeta para as futuras gerações, e o PSBC, vai ao encontro deste novo compromisso”, avaliam.

Enquanto que o gerente Executivo da cooperativa Cocamar, Renato Watanabe, destaca que a cooperativa tem entre seus principais papeis assegurar o acesso de pequenos e médios produtores a oportunidades como esta. “O Pagamento por Serviços Ambientais na agricultura é uma forma de reconhecermos os produtores que adotam as melhores práticas de agricultura conservacionista. Cada vez mais, a longa cadeia do agronegócio é cobrada por produzir mais em quantidade e qualidade, otimizando o uso de recursos naturais no processo produtivo. Desta forma, temos de um lado os produtores que merecem reconhecimento pelas boas práticas que adotam, e de outro lado os consumidores que querem saber a história por traz do seu alimento. Nossa expectativa é que o Protocolo Soja Baixo Carbono possa ser esse elo. Com transparência e credibilidade necessária, junto com o grupo, queremos cada vez mais reconhecer e incentivar a adoção de práticas que aumentem a produtividade e tragam ganhos ambientais. Queremos também trazer tranquilidade a todos os consumidores que a agricultura tropical é sustentável e conduzida por agricultores responsáveis”, expõe.

O gerente Global de Novos Negócios da GDM,Tiago Gonçalves, evidencia que o Programa Soja Baixo Carbono vai trazer diversos benefícios à produção de soja brasileira do ponto de vista ambiental e econômico. “É uma iniciativa que vai fortalecer nosso mercado, tornando um dos principais ativos mais valorizado e competitivo, ao atestar que a soja brasileira pode ser produzida de maneira sustentável e eficiente, adotando práticas e utilizando recursos que contribuem para a redução de emissões de gases de efeito estufa, além de promover os cuidados necessários com o meio ambiente. Ao unificar o conhecimento estratégico de diversas instituições do agronegócio, o programa ajuda aos agricultores a identificar as oportunidades envolvidas na produção de soja com baixo carbono. Já o selo assegura o cumprimento das diretrizes em respeito ao meio ambiente, além de manifestar aos mercados internacionais sobre o pioneirismo do Brasil em tornar a produção de soja mais qualificada. Sem dúvida, para nós é um privilégio fazer parte do PSBC e contribuir com os nossos 40 anos de conhecimento em genética de plantas. Estamos comprometidos em construir um programa que posicione o Brasil como referência em sustentabilidade ambiental a nível mundial”, reforça.

E o gerente de carbono e food value chain da UPL Brasil, Rogério Melo, revela que participar do 1º Fórum Soja Baixo Carbono é motivo de muito orgulho. “Temos a honra de ser uma das sete empresas rigorosamente selecionadas para integrar o programa SBC, cuja metodologia de certificação dialogará com nossa meta global, que é reimaginar a sustentabilidade na produção de alimentos. Temos a convicção de que essa união de forças contribuirá para o aumento da produção brasileira, com benefícios para o país e para os agricultores, bem como para a sociedade, tendo em vista que por meio de lavouras eficientes poderemos cada vez mais contribuir para o futuro do planeta”, afirma.

Fonte: Assessoria Embrapa Soja

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Paraná será polo de produção de insumos para a saúde animal do Brasil

Previsão é que até o início de 2027 sejam disponibilizados os lotes-piloto fabricados no Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários do Tecpar, que está em construção. A unidade produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina.

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Foto: Hedeson Alves/Tecpar

O Paraná caminha para se consolidar como um polo estratégico na produção de insumos para a saúde animal no Brasil. Isso porque avançam as obras do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV) do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A unidade, que está em construção em Curitiba, produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina, doenças infecciosas que afetam o gado e são um risco à saúde pública e ao agronegócio.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

O mercado veterinário brasileiro aguarda com expectativa a inauguração da nova planta que já está em contagem regressiva para iniciar as operações. A previsão é que os lotes-piloto sejam produzidos até o início de 2027. A entrega da obra atende a uma antiga solicitação do segmento. Atualmente, parte da demanda brasileira pelos insumos é atendida com importação.

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, enfatiza que o instituto pretende suprir essa necessidade do mercado, fornecendo produtos com qualidade e em quantidade para todo o Brasil, a um custo menor. “A retomada da produção de insumos veterinários vai beneficiar toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira, contribuindo para o fim da dependência dos insumos importados, e promovendo a independência tecnológica do país. Além disso, os consumidores de produtos de origem animal também serão beneficiados, já que o custo da importação é repassado para o valor final do produto na prateleira”, ressalta Marafon.

Referência em saúde animal desde a sua fundação, o Tecpar produziu testes sorológicos que abasteceram a demanda nacional por três

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

décadas, porém, para atender a novos requisitos de biossegurança, a planta iniciou um projeto de atualização das práticas de fabricação.

A conclusão da obra é aguardada por representantes de toda a cadeia de usuários de insumos para diagnóstico de brucelose e tuberculose, evidenciando como cada segmento contribui para a eficácia dos diagnósticos e fortalecimento das ações de controle sanitário no País.

Segundo o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, os diagnósticos de brucelose e tuberculose serão o próximo desafio para a sanidade animal no Brasil, e isso exige a produção dos antígenos para o diagnóstico dos rebanhos. “Esse novo laboratório vai trazer para todos nós, que trabalhamos com sanidade animal, uma tranquilidade em relação à produção de antígenos, que estarão à disposição dos profissionais que fazem o diagnóstico em todo o Paraná”, menciona.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

“Estamos ansiosos para que essa produção aconteça, e que possamos dizer para todo o Brasil que aqui temos antígeno suficiente para atender todo o rebanho bovino do País”, salienta Martins. “É um momento muito importante em que o Governo do Estado, investindo esse recurso junto ao Tecpar, que é um órgão de excelência, vai poder fornecer os insumos necessários à pecuária bovina brasileira e, quiçá, também à pecuária bovina do Exterior”, complementa.

Leiteira

O médico-veterinário e superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), Altair Valloto, confirma que existe uma grande expectativa do setor pecuário, principalmente da cadeia produtiva do leite, para a retomada da produção dos insumos para kit diagnóstico.

O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma produção anual de 4,5 bilhões de litros, além de possuir uma grande população de animais da pecuária leiteira e ser um grande exportador de genética para os outros estados.

Para Valotto, os kits diagnósticos são a base para animais saudáveis, para que produzam alimentos seguros e de qualidade. “A retomada da

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

produção pelo Tecpar é muito importante, porque temos uma necessidade muito grande, e precisamos exportar leite e animais para os outros países. E como vamos exportar se não tivermos como comprovar sanidade de nossos rebanhos? A associação tem trabalhado intensamente, monitorando a tuberculose e a brucelose, duas doenças que têm um impacto significativo na produção. Sem os kits, isso não é possível, por isso eles são o grande pilar da sanidade animal”, ressalta.

Sem atraso

A produção dos insumos veterinários no Paraná também vai facilitar o trabalho do médico veterinário Pedro Paulo Benyunes Vieira, sócio-proprietário de uma clínica especializada em reprodução e produção de bovinos do município de Carambeí, que atende toda a região dos Campos Gerais.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

Segundo ele, a produção local favorece a questão logística, fazendo que os produtos cheguem ao usuário final com mais rapidez do que se viessem de outros lugares, principalmente quando o insumo é importado. “Nossa expectativa em relação ao retorno da produção de insumos para kits diagnósticos pelo Tecpar é que possamos ter uma constância maior de produtos nas lojas e cooperativas onde compramos os insumos, para que possamos atender à demanda e não fiquem exames em atraso”, ressalta o médico-veterinário, que está entre os profissionais habilitados no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal.

Produtos

Ao todo, sete insumos serão produzidos pelo Tecpar: tuberculina PPD bovina, tuberculina PPD aviária, antígeno acidificado tamponado (AAT), prova lenta (PL) em tubos, anel do leite Ring Test (RT), kit para diagnóstico da brucelose ovina e kit para diagnóstico da leucose bovina.

Esses produtos integram o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), vinculado ao

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de abastecer o Paraná, o foco é a comercialização destes insumos junto aos demais estados que possuem maior rebanho leiteiro do País: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“O Tecpar vem atualizando o seu processo produtivo frequentemente, alcançando novos patamares de qualidade. O conhecimento e a expertise adquiridos em mais de sete décadas de atuação capacitam o instituto para tratar de um projeto de elevada complexidade. Esse investimento terá reflexos diretos na exportação agropecuária, que precisa atender às exigências sanitárias cada vez mais altas por parte dos países importadores”, destaca a gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo.

A área total do CIV será de 3 mil metros quadrados e a capacidade produtiva prevista da planta é de 40 milhões de doses ao ano. O investimento do Governo do Estado na construção é de R$ 41,5 milhões, e mais R$ 30 milhões em equipamentos técnicos. Os recursos são do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

Fonte: AEN-PR
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Nova cultivar amplia controle de plantas daninhas e atende mercado de soja não transgênica em Mato Grosso

Material de ciclo médio a tardio reúne tolerância a sulfonilureias, resistência a nematoides e alternativa ao uso exclusivo do glifosato no centro-norte do estado.

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Foto: RRRufino

A Embrapa Soja (PR) e a Caramuru Alimentos lançam a cultivar de soja BRS 579, que alia alto potencial produtivo à alternativa para o manejo de plantas daninhas em sistemas convencionais de cultivo.

A nova variedade é indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso (região edafoclimática sojícola REC 402) que buscam cultivares de ciclo médio a tardio, o que corresponde aos grupos de maturação (GM) entre 7.0 e 9.0+. A cultivar pertence ao GM 7.9 e, portanto, tem “um ciclo condizente com o sistema de produção da região, podendo ser utilizado para escalonamento da colheita e para a semeadura no início da safra”, explica o pesquisador Roberto Zito, da Embrapa Soja.

A BRS 579 se destaca pela sanidade, com moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica) e resistência às raças 3 e 14 do nematoide de cisto da soja, importantes patógenos na região de cultivo.

Escudo genético

A BRS 579 possui também a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias). As sulfoniluréias são um grupo químico de herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase). Herbicidas dessa categoria já são registrados e utilizados na soja com restrições, especialmente de dose, pois podem provocar fitotoxicidade para a cultura, o que não ocorre para as cultivares de soja STS, como a BRS 579.

O pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, explica que a fitotoxicidade é um dano que um herbicida causa na soja. Pode ocorrer devido a diversos fatores, como erro de dosagem, condições climáticas adversas, estresse das plantas, entre outros. Entre os prejuízos possíveis, estão: amarelecimento, necrose, deformações e atraso no crescimento da planta

A tecnologia STS funciona como um “escudo genético”. Enquanto a soja pode sofrer severas perdas de produtividade ao entrar em contato com herbicidas do grupo das sulfoniluréias, as variedades STS possuem tolerância natural a essas moléculas. “Isso permite que o agricultor aplique o produto em pós-emergência (quando a soja já está crescida), eliminando as infestantes que competem por nutrientes e luz”, pontua Adegas.

“Com essa nova solução tecnológica, entregamos ao produtor não apenas uma semente, mas produtividade associada a uma ferramenta de manejo capaz de trazer mais tranquilidade e rentabilidade no final da safra”, complementa Zito.

Para os pesquisadores, o grande diferencial da soja STS é oferecer alternativa ao uso exclusivo do glifosato, principal herbicida utilizado nas cultivares transgênicas que estão no mercado. A tecnologia possibilita o controle eficaz de plantas de difícil manejo e resistentes a outros produtos no campo, mantendo o vigor e o crescimento inalterados enquanto garante alta produtividade.  “Essa nova cultivar pode ser integrada a diferentes sistemas de manejo, sendo uma ferramenta essencial para a rotação de princípios ativos, o que prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis no mercado”, reforça Adegas.

Fonte: Assessoria Embrapa Soja
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Governo zera imposto de importação de 970 itens e inclui insumos agrícolas para controle de pragas

Medida aprovou alíquota zero para itens sem produção nacional ou com oferta insuficiente.

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Foto: Claudio Neves

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu no fim de março zerar a alíquota do Imposto de Importação para 970 produtos que não têm produção nacional equivalente ou cujas ofertas internas são insuficientes para atender a demanda do mercado. A deliberação foi comunicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Foto: Claudio Neves

A medida contempla itens classificados como bens de capital e bens de informática e telecomunicações, muitos dos quais já tinham tarifa zero renovada, e também produtos estratégicos de outros setores, incluindo fungicidas e inseticidas usados no controle de pragas na agricultura, um dos pontos de maior interesse para o agronegócio nacional.

A lista de produtos beneficiados abrange ainda medicamentos usados no tratamento de diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia, além de insumos da indústria têxtil, lúpulo para fabricação de cerveja e produtos usados em nutrição hospitalar.

Fontes setoriais mencionam que a inclusão de fungicidas e inseticidas tem impacto direto no custo de insumos que dependem de importação para manter a oferta interna e a competitividade da produção agrícola brasileira. No caso desse tipo de defensivo, parcelas significativas da oferta no mercado nacional historicamente vêm do exterior, dado que parte dos ingredientes ativos ou formulações não são produzidos na indústria local em escala suficiente.

Do total de 970 itens, parte já contava com isenção prévia que foi renovada pelo MDIC, enquanto outra parte resultou da reversão de aumentos de tarifa aplicados em fevereiro, com concessão temporária de alíquota zero por até quatro meses para produtos específicos.

O governo federal afirmou que a medida integra um conjunto de ações voltadas à redução de custos de produção e ao atendimento de gargalos de abastecimento, com foco em setores que dependem fortemente de insumos importados para manutenção de suas cadeias produtivas.

Contexto tributário recente

A decisão ocorre pouco após uma elevação de tarifas de importação aplicada em fevereiro deste ano a mais de mil produtos de tecnologia e equipamentos industriais, medida que gerou críticas de setores produtivos por pressionar custos.

A reversão desses aumentos para parte da lista é parte do esforço do governo para ajustar políticas tarifárias frente a essas reclamações.

Impactos esperados

Analistas de comércio exterior indicam que a redução tarifária pode amortecer custos de produção em segmentos como agricultura e indústria, podendo refletir em melhor disponibilidade de produtos importados essenciais.

Para insumos agrícolas como fungicidas e inseticidas, a tarifa zero pode reduzir a pressão sobre os custos de formulações e ampliar o fornecimento interno, ainda que o impacto final no preço ao produtor dependa de variáveis logísticas e de câmbio.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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