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Suínos Suinocultura brasileira em foco

SNDS 2025 reúne 300 lideranças em evento histórico

Em comemoração ao aniversário de 70 anos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, o Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura discutiu inovação, tecnologia, comunicação e tendências de mercado durante dois dias Em Bento Gonçalves (RS).

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A suinocultura brasileira viveu momentos de intensa troca de conhecimento e celebração no Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (SNDS) 2025, realizado entre os dias 03 e 05 de setembro, reunindo 300 participantes, entre autoridades e lideranças do setor, vindas de todo o país. Com o tema “Conexões que nos aproximam”, o encontro foi marcado por debates estratégicos, palestras inspiradoras e atividades culturais que ressaltaram a importância do setor para a economia e para a sociedade.

Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Logo na abertura oficial, a energia dos participantes tomou conta da plenária. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, recebeu a todos com alegria, ressaltando a presença de uma força impressionante da suinocultura brasileira.  “Reunimos mais de 10 frigoríficos, incluindo a maior indústria de proteína do mundo, cinco grandes grupos do varejo. Os 12 presidentes do Sistema ABCS, três regionais e o nosso conselho. Mulheres líderes e suinocultores de mais de 15 estados, além de 10 empresas parceiras e empresas de genética, nutrição, sanidade, consultoria e tecnologia, o Sistema CNA/Senar, mais de 10 veículos de comunicação e os mais renomados palestrantes nacionais e internacionais, somando mais de 300 lideranças que fazem a nossa cadeia acontecer todos os dias”, enfatizou.

Para compor a produção de conhecimento, a programação do evento trouxe nomes de peso do cenário nacional e internacional, que discutiram inovação, tecnologia, comunicação e tendências de mercado.

Palestras e debates de alto impacto

Entre os destaques esteve a palestra do economista Marcos Jank, doutor em economia de agronegócio global, que analisou os impactos da nova geopolítica no agro brasileiro, apontando desafios e oportunidades em um cenário global em transformação. Jank trouxe um contexto histórico para diversos conflitos mundiais que impactam o mercado atual, falou sobre exportação, produção e relações internacionais, trazendo boas perspectivas para a suinocultura nacional, já que a carne suína é a segunda carne mais produzida no mundo, (um crescimento de 1,4% ao ano), e a mais consumida no mundo também. “Vivemos um bom momento em relação aos custos de produção, temos condição de crescer em produtividade, e de ter acesso a novos mercados, principalmente na ásia”, frisou.

A inovação também esteve no centro das discussões. O especialista Arthur Igreja apresentou a palestra “Conveniência é o nome do negócio: IA e tecnologia redefinindo o agro”, trazendo uma visão sobre como as novas ferramentas digitais moldam o futuro do setor. Ele destacou que o futuro da IA está na análise de dados, na mensuração, e no aumento da qualidade da informação e processamento numa capacidade sobre-humana. “A IA é incrível, mas ela é uma co-pilota, o piloto continua sendo o ser humano”, destacou.

Outro momento marcante foi a fala do palestrante Romeu Bellon Junior, que destacou as oportunidades no

foodservice e a crescente demanda por conveniência e qualidade no consumo de proteínas. Ele trouxe as dimensões desse mercado e também seus desafios, destacando o papel do consumidor que busca por conveniência, qualidade, padronização, experiência sensorial, personalização e conexão emocional.

Já o especialista Daniel Boer, expert global em proteína animal e agronegócio sustentável, apontou as principais tendências para o segmento de foodservice, conectando inovação e sustentabilidade. Ele destacou a necessidade de conectar o consumidor ao campo, levantar dados e  padronizar a indústria de proteínas para atender ao food service, trazendo soluções para os consumidores

A última palestra ficou a cargo do palestrante internacional Charlie Arnot, que falou sobre a nova comunicação do agro com o mundo. Ele explicou as mudanças de estratégia de comunicação do agro norte-americano, que costumava de ser de contra-ataque, e agora busca engajar e conectar os consumidores através de experiências e valores compartilhados. Segundo ele, o declínio das grandes mídias, e da queda da confiança em fatos, e nas instituições, abriu um novo espaço de comunicação através das redes sociais e de influenciadores digitais.

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Ele deixou ainda um importante direcionamento: “A confiança é o mais importante ativo em uma instituição, e segundo nossas pesquisas valores conectam mais que fatos, a conexão possibilita a informação. Conectem os influenciadores, criem experiências e oportunidades de aprendizado com engajamento com base em valores, comece ouvindo sem julgamento, ouça e pergunte primeiro, e compartilhe a sua perspectiva depois. Construir confiança exige um engajamento consistente”, evidenciou.

A programação foi encerrada com chave de ouro através de um debate sobre comunicação de impacto, com a participação de representantes do varejo nacional e da indústria, como José Antônio Ribas Jr., Elias Zydek, Mário Faccin, Fábio Casanova, David Buarque e Luiz Baruzzi, mostrando o que a suinocultura pode aprender com esses segmentos para ampliar sua presença junto aos consumidores, concluindo que a comunicação para fora do setor segue sendo o maior desafio do agronegócio.

A ABCS também aproveitou a ocasião para lançar dois novos manuais que falam sobre bem-estar animal e uso racional de antimicrobianos, demonstrando o compromisso da Associação com o futuro do setor.

Cultura, história e celebração

O SNDS 2025 não foi apenas um evento de promoção de conhecimento de alto valor, mas também uma imersão

cultural ao local de berço da ABCS. O público participou de momentos de confraternização, como um café colonial e um show de cultura gaúcha, que homenageou as raízes da ABCS com música e danças locais, além de uma apresentação com o humorista Jair Kobe, o Guri de Uruguaiana, além de um tradicional jantar típico que trouxe aos participantes um gostinho do Rio Grande do Sul. Outro ponto alto foi a comemoração aos 70 anos da ABCS, que emocionou os presentes ao relembrar a trajetória da entidade na defesa e valorização da suinocultura brasileira, e homenagear pessoas que marcaram a história da Associação.

O ex-presidente da ABCS, Adão Braun, que esteve à frente da Associação entre 1999 a 2005, relembrou os desafios enfrentados pela suinocultura na época, de melhoramento genético ao sanitário. “Podemos apontar a suinocultura brasileira antes e depois da ABCS, e vemos como ela prosperou com a proteção de uma entidade séria, e com uma credibilidade que poucas instituições possuem, há 70 anos proporcionando desenvolvimento a milhares e milhares de municípios Brasil afora”, concluiu.

O SNDS contou ainda com momentos de fala dos patrocinadores ouro, como a Zoetis, a Agroceres Pic, a Danbred e a CNA/Senar e terminou com um clima de otimismo e união, reforçando a missão da ABCS de aproximar produtores, indústria, varejo e consumidores. Os participantes deixaram o encontro com novos aprendizados, conexões valiosas e a certeza de que a suinocultura brasileira segue firme na construção de um futuro cada vez mais inovador, sustentável e conectado.

Fonte: Assessoria ABCS

Suínos

Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Foto: Divulgação/Acrismat

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer,

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer: “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor” – Foto: Divulgação/Acrismat

apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações.

Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins: “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção” – Foto: Divulgação/Acrismat

o mercado interno. “Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho: “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas” – Foto: Divulgação/Acrismat

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Suínos

Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Foto: Divulgação

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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Suínos

Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
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