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Sistemas integrados fortalecem a pecuária bovina no Cerrado

ILP e ILPF elevam o desempenho produtivo, melhoram o solo e ampliam o bem-estar animal, segundo a Embrapa.

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Participantes conheceram a experiência da Fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO), com sistemas de integração e agricultura regenerativa - Foto: Alexandre Veloso

Os benefícios em produtividade e sustentabilidade dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), estratégias de produção da agricultura regenerativa, foram apresentados por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) durante visita de campo na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO), no último dia 6.

O evento encerrou a Capacitação Gratuita em Pecuária Bovina e Pastagem Regenerativas, promovida pelo LabAgroMinas, programa de agroinovação do centro de pesquisas e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), e pelo Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS).

Iniciada em 16 de setembro deste ano com o apoio da Secretaria de Estado Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) e da Emater-MG, a capacitação on-line foi estruturada em cinco módulos, totalizando 66 horas/aula. O objetivo foi difundir conhecimentos e soluções que aliam melhoria no desempenho produtivo, responsabilidade ambiental, resiliência climática e inovação, contribuindo para aumentar a competitividade da pecuária mineira. Participaram 840 produtores rurais, profissionais de assistência técnica, estudantes, pesquisadores e outros atores do setor agropecuário.

Benefícios do sinergismo dos componentes da ILP

Foto: Divulgação/Rede ILPF

O pesquisador Lourival Vilela apresentou resultados de pesquisas da Embrapa Cerrados com ILP que comprovam a sustentabilidade e a sustentabilidade desse sistema. De acordo com estudo da Embrapa, dos 177 milhões ha de pastagens no Brasil, 109 milhões ha têm algum nível de degradação e, desses, 28 milhões ha apresentam condições de logística, infraestrutura e topografia para serem recuperados com agricultura.

“A ILP explora o sinergismo das interações solo-planta-animal de áreas que integram as atividades de produção agrícola e pecuária”, explicou Vilela, apontando os três princípios desses sistemas – revolvimento mínimo do solo, cobertura permanente do solo e diversificação de espécies. “O solo é o compartimento centralizador dos processos da ILP. Os benefícios virão se houver balanço positivo de carbono, e este ocorre se os atributos químicos, físicos e biológicos do solo estiverem equilibrados”, disse, acrescentando que é preciso adotar sistemas mais biológicos para garantir a sustentabilidade da agricultura e a vida no planeta.

Entre os benefícios proporcionados pela ILP, estão a melhoria dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo, visando à saúde do solo; maior ciclagem e aumento da eficiência de uso de nutrientes; redução de pragas, doenças e plantas invasoras; mitigação do déficit de forragem na estação seca; bem-estar animal; mitigação de gases de efeito estufa (GEE); aumento da produção de grãos e forragem, bem como de carne e de leite; redução de risco pela diversificação de atividades; e intensificação e utilização racional dos fatores de produção.

Vilela mostrou dados de uma pesquisa com o sistema de ILP São Francisco, em que o capim é sobressemeado na soja em final de ciclo, comprovando maiores ganhos em peso dos animais durante a estação seca com o uso de diferentes forrageiras avaliadas.

Um estudo comparou a produção de palhada em milho solteiro e milho consorciado com capim, demonstrando a maior ciclagem de nutrientes no sistema em consórcio, com equivalente em ureia (fonte de nitrogênio) de 140 kg/ha, 230 kg/ha equivalentes em superfosfato simples (fonte de fósforo) e 90 kg/ha equivalentes em potássio.

Para comprovar o aumento da matéria orgânica do solo e a maior eficiência de uso de fósforo, o pesquisador apresentou uma pesquisa da década de 1970 na Embrapa Cerrados que comparou um sistema de rotação soja-milho com um sistema soja-milho que incluía capins braquiária em consórcio com o milho. A área com capim apresentou, além de maior teor de matéria orgânica do solo, mais kg de grãos por kg de fósforo residual, ou seja, utilizou menos fósforo que a área sem consórcio para obter a mesma produção de soja, demonstrando maior eficiência de uso do nutriente.

Outro estudo, comparando milho solteiro e milho consorciado com a forrageira Panicum maximum BRS Zuri, comprovou o melhor controle de plantas invasoras como a buva, com redução de 70% da ocorrência.

O pesquisador destacou intensificação dos usos dos fatores de produção ao longo do ano com a adoção dos sistemas de ILP. Quando a soja era plantada em monocultura, a terra era utilizada em apenas 42% do tempo de um ano agrícola. “À medida que fomos introduzindo o sistema, passamos a produzir o ano todo na fazenda, mantendo o solo coberto. Esse é um dos grandes benefícios desse sistema”, afirmou, mostrando dados de produtividade da soja em primeira safra, milho na segunda safra e animais na terceira safra, sendo a palhada para o Sistema Plantio Direto a quarta safra.

Em uma propriedade em Tocantins, foi feito um trabalho de rotação de soja e milho com Brachiaria brizantha cultivar Marandu e 780 cabeças de novilhas de corte em 139 ha na entressafra (período seco). Entre julho e setembro (55 dias), o animais obtiveram ganho de peso médio de 809 g/dia e 202 kg/cabeça/ha em peso vivo médio.

Foto: Gabriel Faria

Opção de ILP para o Oeste da Bahia, o Sistema Boi Safrinha, avaliado desde 2009 numa fazenda em Formosa do Rio Preto, constitui-se no plantio, após a soja, de milho consorciado com braquiária. De acordo com os dados obtidos entre 2013 e 2015, quando a pastagem formada é pastejada por bovinos, os rendimentos da soja na safra seguinte são superiores aos da soja cultivada após a pastagem sem pastejo. “No final dos três anos, houve uma diferença de 11 sc/ha. Multipliquem isso por hectare e pelo preço (da saca de soja)”, sugeriu Vilela, citando um estudo chinês que afirma que o pastejo é um fator crucial na estruturação das comunidades microbianas do solo por promover a mudança de um sistema dominado por fungos para outro dominado por bactérias. “Há muito o que aprender sobre a dinâmica de microrganismos no solo”, observou.

Segundo o pesquisador, a entrada do componente arbóreo nos sistemas de integração se deu em função do aumento da demanda por madeira para a produção de energia e, ao mesmo tempo, da pressão para não haver a abertura de novas áreas. Ele apresentou dados de um estudo realizado na Embrapa Agrossilvipastoril (MT) comparando pastagem solteira, ILP, ILPF com três linhas de árvores no renque e ILPF após desbaste de uma linha de árvores – esta última apresentou os melhores resultados em ganho de peso dos animais.

Vilela apresentou, ainda, dados da avaliação da temperatura superficial de vacas Gir e Girolando a pleno sol e à sombra durante as estações seca e chuvosa. O bem-estar animal proporcionado pela sombra resultou em maior taxa de reprodução dos animais, com produção de 81% mais ovócitos viáveis e de quatro vezes mais embriões in vitro em relação às vacas a pleno sol.

O pesquisador fez um histórico da implantação dos sistemas de integração na Fazenda Santa Brígida, iniciada em 2006, quando a propriedade praticava pecuária de baixa produtividade em pastagens degradadas e contava com apenas dois vaqueiros. Diferentes sistemas de integração foram então testados, gerando diversos dados que mostram, ao longo dos anos seguintes, os incrementos crescentes de matéria orgânica e do fósforo no solo, na produtividade de soja e de milho e na taxa de lotação dos animais e produtividade de carne. Na safra 2024/25, a soja cultivada em 1080 ha alcançou 78 sc/ha e o milho de primeira safra (255 ha) 195 sc/ha; na safrinha, o milho obteve 110 sc/ha em 185 ha, o girassol 41 sc/ha em 490 ha e o sorgo 86 sc/ha em 250 ha.

“A fazenda saiu de uma área de pastos degradados e chegou à condição atual de ter 20 funcionários registrados e com plano de saúde, e toda a equipe treinada. Hoje, podemos ver uma fila de caminhões que chegam para serem abastecidos com soja. Pensem no impacto disso na economia da região”, sintetizou Vilela. “Temos que intensificar de forma sustentável o uso de nossas áreas, sejam elas grandes ou pequenas”, finalizou.

Vantagens das árvores na ILPF

Fotos: Shutterstock

“Qualquer sistema integrado chama a atenção por três pontos: a diversificação de espécies, de investimentos e de renda; o balanço de carbono e a maior eficiência dos sistemas de produção agropecuários, sobretudo na questão da ciclagem de nutrientes”, destacou o pesquisador Kleberson de Souza ao falar sobre os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Para explicar o porquê da inserção de árvores num sistema que já é integrado (ILP), ele listou benefícios exclusivos do componente arbóreo: a ambiência animal promovida pelo sombreamento, que reduz o estresse térmico, melhora o bem-estar animal e pode aumentar a produtividade; a diversificação da produção como ferramenta de diminuição de riscos do sistema com o cultivo de espécies florestais, gerando renda adicional com madeira, frutos ou biomassa, energia, celulose, resinas amêndoas, entre outros; o aumento da biodiversidade, com a criação de habitats para fauna e flora, favorecendo o equilíbrio biológico; e sequestro de carbono, uma vez que as árvores capturam gás carbônico da atmosfera, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

Souza apresentou um gráfico da evolução do preço médio do metro cúbico da madeira do eucalipto no Mato Grosso do Sul, que valorizou cerca de 150% desde 2020, tendência que deve ser mantida para os próximos anos, assim como o aumento da demanda na região devido à instalação de usinas de etanol de milho, que utilizam a madeira como energia. Por outro lado, os preços do boi gordo têm sofrido grandes oscilações nos últimos 15 anos, enquanto os preços dos fertilizantes tiveram fortes aumentos. “Se conseguirmos diversificar a produção na propriedade, correremos menos riscos. Se precisarmos vender o boi a preços mais baixos do que compramos, uma poupança verde de madeira pode nos salvar. E, ao contrário do boi, que dá prejuízo se permanecer muito tempo no confinamento, a árvore só está ali crescendo”, observou.

Para a implantação do componente florestal na propriedade, alguns critérios devem ser observados: a arquitetura da copa da árvore tem que ser favorável (mais ereta); facilidade de estabelecimento para minimizar a quantidade de tratos culturais; crescimento rápido, para que os animais sejam colocados na área o quanto antes; ausência de efeitos tóxicos para os animais e de efeitos alelopáticos sobre as forrageiras e os cultivos agrícolas; tolerância a ataques de insetos e doenças; resistência ao vento, o que ajuda na manutenção de água no solo; ausência de raízes superficiais, diminuindo assim a competição com outras culturas; e a ausência de caráter invasor.

A forma de distribuição das árvores, segundo o pesquisador, depende da finalidade da produção – energia, serraria, construção civil; da declividade e da face de exposição; da proteção dos demais componentes do sistema; e, principalmente, da conservação de água e solo. A partir de resultados de pesquisas, recomenda-se que o espaçamento entre renques de árvores seja de não menos que 30 m; o alinhamento deve ser preferencialmente Leste-Oeste para maior incidência de radiação solar no espaço entre renques, reduzindo a competição por luz entre os componentes do sistema; e definir o espaçamento múltiplo dos implementos, colocando 1 a 2 m de faixa de segurança. A distância máxima entre os renques deve ser três a quatro vezes a altura das árvores para garantir os benefícios do componente florestal no sistema.

Souza lembrou que com o crescimento das árvores, o sombreamento aumenta e a quantidade de forragem diminui. Ele mostrou um estudo em que uma pastagem com 45% de sombra apresentou densidade volumétrica de 71,6 kg/cm.ha, e de 111,5 kg/cm.ha a pleno sol. “De fato, deve-se ter cuidado com a inserção do componente florestal”, comentou. Também citou uma pesquisa realizada em Sinop em que num sistema de ILPF com desbaste do componente florestal, reduzindo a densidade para 90 árvores/ha e com 37 m de distância entre renques, houve maior ganho de peso dos animais.

Quanto ao estoque de carbono no solo, a presença do componente arbóreo confere superioridade do sistema ILPF em relação ao sistema ILP, como mostrado em estudo que avaliou o acúmulo de carbono (mais 12%) e de nitrogênio (mais 24%) na camada de 0 a 100 cm em área experimental. A biomassa florestal total acumulada durante seis anos num sistema com 130 árvores/ha foi de 60 t/ha, sendo 79% nos troncos (47 t/ha). Considerando-se 50% em carbono no tronco, isso corresponderia a 23,5 t/ha de carbono, o que representa 86 tCO2 eq/ha ou 14 tCO2 eq/ha/ano, ou, ainda, 30 kg C/árvore/ano. “Se fizéssemos 4 milhões ha, que é menos de 10% da área plantada de soja no Brasil, com um sistema ILPF com 50 árvores/ha, seria mais que suficiente para sequestrar toda a emissão de GEE do País”, disse.

O pesquisador destacou a diversificação de renda proporcionada pelo sistema de ILPF – além das safras de soja, milho e animais, a quarta safra são os produtos do componente florestal e, a quinta, os serviços ambientais, entre eles o sequestro de carbono, cujo mercado ainda não está estabelecido no Brasil, e o armazenamento de água no solo.

Outro aspecto destacado é o balanço de carbono do sistema ILPF. Resultados de um estudo comparativo realizado na Embrapa Cerrados em que foram computados as emissões de metano entérico dos animais (sem as excretas), o sequestro de carbono no solo e a fixação de carbono nos troncos, o balanço de carbono do sistema ILPF (21,89 tCO2 eq/ha/ano acumuladas) foi bem superior ao do sistema ILP (0,86 tCO2 eq/ha/ano acumulada) e ao da pastagem de baixa produtividade (0,91 tCO2 eq/ha/ano emitida).

“Com isso, se uma propriedade fizer ILPF com eucalipto em 15% da área, ela vai mitigar todos os GEE dentro da fazenda, tamanho é o potencial de sequestro de carbono do componente arbóreo”, afirmou. “Esse é um sistema muito eficiente quanto ao uso dos recursos naturais e dos insumos utilizados”, completou.

Souza também abordou a questão da substituição versus adição de renda, componente de mercado que deve ser considerado ao se inserir a árvore no sistema de integração. Ele explicou que quando se implanta uma linha simples de árvores seguindo as recomendações da pesquisa, não há competição com o sistema agrícola nem com a pastagem, ocorrendo adição de renda, já que a venda da madeira não trará prejuízo na produção de forragem ou agrícola.

Já no caso de renques duplos de árvores, é preciso atenção ao mercado, pois ocorre uma substituição de renda, em que a venda da madeira ou do produto oriundo do componente florestal terá que compensar a perda com a diminuição da produção agrícola ou de forragem. E em sistemas com renques triplos, a competição das árvores com a parte agrícola ou a pastagem é ainda maior, sendo que a madeira da linha central tende a ter mais valor agregado (para serraria e construção civil) que as das linhas laterais (biomassa para energia, cercas e mourões).

Entre as alternativas ao eucalipto, o pesquisador citou algumas espécies nativas que têm sido avaliadas pela pesquisa em sistemas integrados, como o baruzeiro e as oliveiras.

Ele concluiu a apresentação salientando que demanda e mercado para inserção do componente florestal no sistema de produção são fatores chaves, mas é preciso haver estímulo por parte das instituições de fomento. Nesse sentido, o uso da madeira na serraria e na construção civil, segundo o pesquisador, poderiam ser incentivados devido ao carbono sequestrado.

Papel dos bioinsumos

Maurício Piccin, assessor técnico do GAAS, abordou o papel dos bioinsumos na estratégia de transição para a agricultura tropical regenerativa, modelo que visa transformar agroecossistemas tropicais em sistemas produtivos resilientes, mais eficientes e integrados às dinâmicas naturais, reconectando a agropecuária à natureza, reduzindo a dependência externa de insumos e conferindo maior rentabilidade ao produtor.

Nesse sentido, Piccin apontou como pilares da agricultura tropical regenerativa a manutenção do solo sempre vivo e coberto; a economia regenerativa, com viabilidade econômica sustentável em longo prazo; e o manejo integrado, no qual as tecnologias estão integradas aos processos naturais, como é o caso dos sistemas de ILP e ILPF.

Foto: Gabriel Faria

Ele trouxe a visão de agricultura regenerativa na qual a planta faz parte de um sistema chamado holobionte, em que todos os organismos estão conectados entre si. “Toda a micro, meso e macrofauna do solo está conectada à planta e esse sistema funciona em conjunto. É um único sistema, que precisa ser fortalecido com o aumento da presença desses organismos nos nossos sistemas produtivos. Essa visão traz consequências de manejo”, apontou.

Outra visão apresentada é a de cadeia alimentar do solo, em que os micro e macroorganismos se relacionam em cadeia: a planta produz energia e matéria orgânica, que é utilizada pelas bactérias, fungos e nematoides; os predadores desses organismos (artrópodes, protozoários, nematoides) liberam nutrientes que são prontamente disponibilizados às plantas; e esses predadores, por sua vez, servem de alimento a animais de níveis mais altos da cadeia (artrópodes, nematoides, pássaros, mamíferos).

“O problema na agricultura atual é que desarrumamos essa cadeia. O caminho é buscar reconstitui-la e temos estratégias para isso”, afirmou, citando os sistemas de integração e o uso de bioinsumos para potencializar a biodiversidade do solo no sistema produtivo.

Os bioinsumos podem ser produzidos pela multiplicação de uma comunidade de microrganismos, visando ao equilíbrio da vida no solo e à melhoria sistêmica; ou pela multiplicação de um microrganismo isolado, buscando um efeito específico e pontual, com consequências duradouras.

Piccin explicou como os microrganismos podem ser multiplicados em meios sólido e líquido; os diferentes tipos de comunidades microbianas formados por meio de soluções com mix de microrganismos, por matéria orgânica de plantas de cobertura ou por compostagem a partir de subprodutos da propriedade; e métodos de produção de comunidades de microrganismos.

Ele ponderou que a substituição de tratamentos químicos por biológicos é um processo que deve ser planejado e construído. “Não vamos a uma área que não tenha um processo de transição, de aumento da diversidade biológica e simplesmente substituímos (os produtos)”, afirmou.

Segundo o assessor técnico do GAAS, os bioinsumos cumprem alguns papéis na estratégia de transição para a agricultura regenerativa, como a recomposição da diversidade da biota do solo, potencializando a decomposição da matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes e a proteção das plantas; atuação funcional na rizosfera; redução do uso de químicos no sistema de produção e diminuição de custos.

A ideia, segundo Piccin, é olhar mais para os processos e menos para os produtos. “A onda dos bioinsumos vem com um apelo comercial de substituição de produtos químicos por biológicos, mas mantendo a mesma lógica, o que não funciona. Se só trocarmos o químico pelo biológico, ela vai até um ponto, mas não entregará tudo o que pode num processo de mudança manejo”, explicou, salientando o foco nos processos que definem um novo tipo de produção num novo sistema de produção.

Dessa forma, ele ressaltou que os produtos biológicos não são soluções mágicas, mas uma ferramenta de apoio ao manejo na transição que deve ser usada com critérios para evitar ou reduzir as práticas nocivas e recompor a diversidade biológica dos agroecossistemas. “Temos que fazer um diagnóstico do sistema de produção, avaliar qual estratégia utilizar e acertar olhando a diversidade e não a especificidade. É a diversidade que fará o processo de transição”.

Após as palestras, os participantes da capacitação conheceram, em campo, a experiência da Fazenda Santa Brígida, modelo de referência em sistemas de integração e em agricultura regenerativa, apresentada pelo consultor agrícola Roberto Freitas e pelo gerente operacional da propriedade, Alex da Silva.

Promoção da agricultura tropical regenerativa para a sustentabilidade

Ao fomentar práticas de agricultura sustentável em Minas Gerais, o programa LabAgroMinas busca incentivar a adoção, pelos produtores do estado, de novas tecnologias que reduzam as emissões de gases de efeito estufa, promovam a regeneração do solo e garantam alto desempenho das culturas em qualidade e produtividade. As operações do LabAgroMinas no Cerrado mineiro são executadas em sinergia com o programa LabCerrado, uma parceria entre a Embrapa Cerrados e a empresa de logística VLI S/A.

O chefe-geral da Unidade, Sebastião Pedro, lembrou que o LabAgroMinas promove a aceleração da agricultura regenerativa climaticamente inteligente. “Pela primeira vez entre instituições financeiras, o BDMG foi sensível a uma abordagem científica levada pela Embrapa Cerrados. Hoje, estamos mudando o paradigma: de uma agricultura e pecuária muito baseadas em insumos nos últimos 50 anos, para uma agricultura e pecuária de processos biológicos, porque o solo é químico, físico e biológico”, comentou, acrescentando que os solos agrícolas do Cerrado foram química e fisicamente corrigidos ao longo dos anos, mas podem estar ou não biologicamente saudáveis.

Ele explicou que o LabAgroMinas é um programa de aceleração por agregar todas as tecnologias já desenvolvidas e disseminá-las, acelerando o desenvolvimento do setor produtivo. “Temos mais de 750 tecnologias desenvolvidas na Embrapa Cerrados, mas elas não chegam ao agricultor e ao pecuarista sem investimento. Quem investe é o agente financeiro, e ele precisa acreditar. O BDMG é o exemplo disso no Brasil e no mundo”, disse, agradecendo ao Banco pela confiança.

Sebastião Pedro salientou ainda que, além da sustentabilidade social e ambiental, o setor primário brasileiro está buscando a sustentabilidade econômico-financeira, o que para ele sinalizaria o final de um ciclo, já que o País importa 85% dos fertilizantes e praticamente 100% das moléculas de agroquímicos, com elevados custos logístico e cambial.

“Viemos muito bem até aqui, só que a conta não está fechando mais. Está acontecendo na agricultura de commodities e vai acontecer na pecuária: à medida que adubarmos a pastagem e intensificarmos a produção com animais de ciclo curto, o investimento ficará caro. E talvez não estejamos usando bem o principal insumo, que é o capim. O consumidor hoje só fala em sustentabilidade, e estamos aqui trabalhando com um tema que visa à sustentabilidade”, concluiu.

Maria Isabel de Camargos, representante do BDMG, recordou que essa é a terceira capacitação em agricultura regenerativa promovida pelo programa LabAgroMinas. Em 2024, foi realizada uma capacitação focada em cafeicultura e, no ano anterior, o tema foi a introdução de novas tecnologias voltadas à agricultura de baixo carbono em Minas Gerais. “Nessas capacitações, alcançamos 2,4 mil pessoas. Neste ano, o BDMG recebeu um prêmio de inovação financeira da Alide (Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento) pelo LabAgroMinas”, disse, informando que o banco de fomento já aprovou 19 projetos de agricultura regenerativa, beneficiando 3,5 mil hectares.

“Precisamos desse trabalho de multiplicação e divulgação da agricultura regenerativa, que é algo novo e está revolucionando a nossa agricultura tropical sustentável”, afirmou Ronaldo Trecenti, membro do GAAS, representando o presidente Paulo Bufon.

Aluno da capacitação, o secretário de Agricultura de Ipameri, Plínio Machado, concorda que o atual ciclo da agricultura brasileira está chegando ao final e que, de agora em diante, é preciso pensar no uso das práticas de agricultura regenerativa para ser sustentável tanto do ponto de vista do solo como econômico, garantindo um futuro longevo. “Temos que tentar difundir essas práticas ao máximo possível (no município), aproveitando a bela vitrine que é a Fazenda Santa Brígida, que é pioneira. Muita gente já está se espelhando nela e, cada vez mais, temos que usar os exemplos daqui para que possamos ter sustentabilidade nos nossos negócios”.

Para Cristiano Barros, gestor de sementes na AgroBrasil, empresa com atuação em Minas Gerais, Goiás, Tocantins e no Sul do Pará, foi gratificante participar tanto das aulas curso como das palestras da visita de campo, por terem tratado de temas pontuais. “Estamos passando por um processo que precisa de sustentabilidade, como foi falado hoje. Precisamos de sistemas mais resilientes. O uso das pastagens, das florestas e dos animais foi muito bem abordado e acredito ser o caminho que temos que seguir”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados

Notícias No Paraná

Porto de Paranaguá se firma como principal corredor de carnes do Brasil

TCP movimenta 11,5 milhões de toneladas em 2025, amplia participação no embarque de bovinos e frango e reforça papel estratégico no comércio exterior.

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, atingiu em 2025 uma movimentação recorde de 11,5 milhões de toneladas de cargas. A soma do volume de exportações e importações, sem considerar o peso de contêineres, representa um crescimento de 7% frente às 10,8 milhões de toneladas registradas em 2024.

O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações, que chegaram a 8,290 milhões de toneladas de cargas, alta de 7%, enquanto as importações tiveram um aumento de 2%, totalizando um volume de 3,177 milhões de toneladas.

Os segmentos comerciais que mais tiveram destaque nas exportações ao longo do ano foram o de carnes e congelados (3,822 milhões de toneladas), madeira (1,394 milhões de toneladas) papel e celulose (991 mil toneladas), e agronegócio (393 mil toneladas).

Nas importações, a liderança foi do segmento químico e petroquímico (619 mil toneladas), seguido do automotivo (544 mil toneladas), de eletrônicos e maquinários (333 mil toneladas), e de construção e infraestrutura (233 mil toneladas). “Em um cenário global mais complexo, por conta da imposição de cotas de importação e tarifas a produtos brasileiros, o TCP se demonstrou um eixo fundamental para a corrente de comércio do país. Com uma alta concentração de serviços marítimos e maior capacidade de transporte por navio, após a ampliação do calado operacional, encerramos 2025 com uma movimentação recorde, o que reflete a confiança do mercado em operar por Paranaguá”, explica Carolina Merkle Brown, gerente comercial de Armadores e de Inteligência de Mercado do TCP.

Desde 2024, o calado operacional do canal de acesso ao Porto de Paranaguá já passou por três revisões, passando de 12,10 metros para 13,30 metros. O incremento da profundidade em 1,20 metros representa um aumento de capacidade de 960 TEUs cheios por navio.

O número de atracações no Terminal de Contêineres de Paranaguá teve um aumento de 3% em 2025, chegando a 1.019 navios. O TCP é o maior concentrador de linhas marítimas entre os terminais brasileiros, contando com 23 escalas semanais regulares de cobertura global (Ásia, Europa, Américas e África), além da Cabotagem.

Embarques de carne bovina têm nova máxima histórica

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que o Brasil exportou, em 2025, 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, uma alta de 20,9% em volume e que gerou uma receita de US$ 18,03 bilhões em receita total, alta de 40,1% em comparação com 2024.

No período, a TCP foi responsável pelo embarque de 1,034 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 53% em volume frente às 675 mil toneladas exportadas em 2024.

O crescimento do volume acima da média nacional representa um avanço do Terminal em participação de mercado, que passou de 23% para 29% entre 2024 e 2025. “O aumento da participação de mercado na exportação de carne bovina está diretamente relacionado ao aumento da confiança do mercado brasileiro na infraestrutura e na qualidade do atendimento oferecido pelo TCP para as indústrias exportadoras de carne. Com a maior área para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, o Terminal de Contêineres de Paranaguá se destaca como o maior corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, convertendo clientes de Norte a Sul”, destaca Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento do TCP.

Parque para armazenagem de contêineres

Em 2024, o TCP inaugurou o maior parque para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, após a conclusão da obra que ampliou o número de tomadas no pátio de operações de 3.624 para 5.268. No ranking nacional, o Terminal de Contêineres de Paranaguá possui um número de tomadas 32% superior ao segundo colocado.

Atualmente, o TCP é o maior corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, detendo uma participação de mercado de 39% no segmento.

Embarques de frango disparam no quarto trimestre

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Entre outubro e dezembro, o TCP embarcou 670 mil toneladas de carne de frango congelada, alta de 9% em comparação às 617 mil toneladas registradas no mesmo período de 2024. O resultado demonstra uma retomada nos embarques de carne de frango após um ano desafiador para as indústrias exportadoras.

Com a identificação de um foco de Influenza aviária em uma granja no município de Montenegro (RS), em maio, diversos compradores suspenderam temporariamente as importações do produto brasileiro, gerando impacto nos embarques. “Com a resolução rápida do caso e o Brasil se declarando livre de gripe aviária em junho, após 28 dias sem registrar novos casos, as restrições aos embarques foram gradativamente removidas. Com isso, o TCP alcançou um volume recorde na exportação de carne de frango no quarto trimestre e teve o melhor mês da série histórica em dezembro” comenta Guidolim.

De acordo com os dados levantados pelas Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), apenas no mês de dezembro, o Brasil exportou 510,8 mil toneladas de frango, o que representou uma alta de 13,9% frente ao desempenho do mesmo mês no ano anterior, gerando uma receita total de US$ 947,7 milhões.

No mesmo mês, o TCP registrou um novo recorde mensal para o embarque de carnes de frango, sendo responsável pela exportação de

Foto: Jonathan Campos

233,9 mil toneladas, alta de 19% em comparação ao desempenho de dezembro de 2024, que havia sido de 197,4 mil toneladas.

A ABPA também informou que, em 2025, o país embarcou 5,324 milhões de toneladas de frango, alta de 0,6% em volume, gerando uma receita total de US$ 9,790 bilhões. Já o TCP, maior corredor de exportação de carne de frango congelada do Brasil, foi responsável pelo embarque de 2,398 milhões de toneladas do produto, representando uma participação de mercado de 45% nas exportações.

O Paraná foi o estado de origem de mais de 70% do volume de frango exportado pelo TCP. Já os principais destinos das cargas foram Emirados Árabes Unidos (9,1%), África do Sul (8%) e Japão (6,7%).

Fonte: Assessoria TCP
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Capal reforça estrutura para receber safra de verão 2025/2026

Cooperativa reúne colaboradores para garantir recebimento seguro e preservação da qualidade dos grãos. Com ampliação de silos, capacidade de armazenamento da empresa soma 601 mil toneladas de grãos.

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Foto: Ana Claudia Pereira

A Capal Cooperativa Agroindustrial reuniu colaboradores em Arapoti (PR), na última semana, para um evento de sensibilização da safra de verão 2025/2026. O encontro marca a preparação para o recebimento da safra verão na matriz e nas unidades, com ênfase para as culturas de soja e milho, e promove um alinhamento entre os diversos setores da Cooperativa que atuam na frente operacional da recepção, beneficiamento e armazenagem dos grãos. Também estiveram presentes representantes das áreas de apoio diretamente relacionadas à recepção da safra.

Para a diretora industrial da Capal, Valquíria Demarchi, o envolvimento de todas as áreas no evento, do operacional ao administrativo, é importante para que a cooperativa possa se planejar para um recebimento assertivo e sem incidentes. “O objetivo é receber a safra com tranquilidade e atender o cooperado para que ele consiga realizar uma boa gestão da safra, colhendo no momento certo e preservando a qualidade dos grãos”, explica.

Os temas abordados na reunião incluem cenário do campo, logística, gestão de pessoas, segurança do trabalho, preservação ambiental, obrigatoriedades fiscais, planejamento no pós-colheita, beneficiamento e armazenagem dos grãos. Com a construção de uma nova bateria de silos em Arapoti, a capacidade de armazenamento da Capal passa a totalizar 601 mil toneladas, somadas todas as Unidades.

O engenheiro agrônomo Eliezer Fatiga Solda, do Departamento de Assistência Técnica – Agrícola da Capal, avalia que a safra atual está dentro das expectativas e que não teve muitas ocorrências em relação a pragas e doenças. “De maneira geral, o desenvolvimento das lavouras está muito bom. O que tem acontecido é uma irregularidade de chuvas, mas, em geral, os campos estão recebendo a quantidade de chuva necessária. O potencial produtivo está dentro do esperado, com exceção de casos específicos de déficit hídrico”, comenta.

Segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na semana passada, a soja já ocupa uma área de 4,8 milhões de hectares plantados no Paraná. A estimativa inicial é de que sejam colhidas 22 milhões de toneladas no estado.

Fonte: Assessoria Capal Cooperativa Agroindustrial
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Acordo com a União Europeia pode redesenhar presença do Brasil no comércio global

Presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirma que tratado abre mais de 500 frentes imediatas de exportação, fortalece a previsibilidade econômica e mantém ambiente favorável à ratificação apesar da judicialização no Parlamento Europeu.

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Foto: Claudio Neves

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, reafirmou o otimismo do governo brasileiro em relação ao futuro do Acordo Mercosul–União Europeia e destacou o potencial transformador do tratado para a inserção internacional das empresas brasileiras. Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira (22), na sede da Agência, em Brasília, Viana apresentou dados inéditos que apontam para mais de 500 oportunidades imediatas de exportação assim que o acordo entrar em vigor.

Foto: Claudio Neves

Politicamente concluído em 2024 e assinado em 2025, o acordo é tratado pela ApexBrasil como um marco histórico de abertura econômica. Segundo Viana, mesmo diante da apreensão gerada pela judicialização temporária do texto no Parlamento Europeu, o ambiente segue favorável à ratificação. “O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento”, afirmou.

O presidente da ApexBrasil avaliou que o envio do texto à instância judicial europeia não altera o entendimento estrutural entre os blocos. “Foi uma manobra política dos que eram contra e isso faz parte do jogo da política”, disse aos jornalistas. Ele ressaltou ainda a relevância da União Europeia como principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 464 bilhões, o equivalente a cerca de 41% de todo o Investimento Direto Estrangeiro (IED) no país.

Articulação política

Para avançar na aprovação do acordo, Viana informou que a ApexBrasil está intensificando a articulação com o Congresso Nacional e o diálogo diplomático com a Europa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Nelsinho Trad, aceitaram integrar uma comitiva brasileira que deverá ir ao Parlamento Europeu para ampliar as conversas sobre o tratado. “A missão agora é também o Congresso Nacional ajudar na interlocução com os outros parlamentos aqui do Mercosul para aprovar o quanto antes o acordo”, afirmou Viana, ao destacar a necessidade de coordenação política entre os países do bloco sul-americano.

Reposicionamento do Brasil na Europa

Paralelamente às articulações institucionais, a ApexBrasil prepara uma estratégia de comunicação voltada ao mercado europeu. O objetivo é melhorar a percepção sobre o Brasil, especialmente junto ao setor privado, por meio de uma campanha de reposicionamento internacional. “Vamos mostrar que o Brasil não é um bicho-papão”, disse Viana, ao citar reuniões, missões empresariais e encontros com parlamentares europeus previstos no planejamento da Agência.

O presidente da ApexBrasil também destacou os resultados positivos do fluxo comercial brasileiro em 2025, avaliando que o desempenho reflete a retomada do protagonismo do país no cenário internacional. “O Brasil voltou a ter um protagonismo que tinha perdido no governo passado”, afirmou.

Mais de 500 oportunidades mapeadas

Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana: “O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento” – Foto: Divulgação/ApexBrasil

Segundo levantamento da área de Inteligência da ApexBrasil, foram identificadas 543 oportunidades de exportação com desgravação tarifária imediata após a entrada em vigor do acordo. Esses produtos correspondem a um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia. Atualmente, o Brasil exporta apenas US$ 1,1 bilhão desses itens ao bloco.

 

Para Viana, os números evidenciam um amplo espaço para crescimento. “É um oceano de oportunidades” para empresas brasileiras de todos os portes, abrangendo setores industriais, agropecuários, tecnológicos e de bens de maior valor agregado.

As oportunidades estão distribuídas em 25 dos 27 países da União Europeia, com maior concentração na Europa Ocidental, que reúne 266 possibilidades de expansão. Também há espaço relevante na Europa Meridional, Oriental e Setentrional. Entre os setores com maior potencial estão máquinas e equipamentos de transporte, obras diversas, artigos manufaturados, produtos químicos, materiais em bruto e alimentos, além de segmentos estratégicos como motores, geradores elétricos, aeronaves, autopeças e produtos de base agrícola.

Agro com ganho de competitividade

Foto: Roberto Dziura Jr

Questionado sobre o impacto do acordo no agronegócio, Jorge Viana afirmou que o setor deverá registrar um salto competitivo, com previsão de eliminação tarifária gradual, ampliação de cotas e redução de barreiras. “Será um fluxo complementar e não concorrencial entre os blocos”, destacou.

O presidente da ApexBrasil reforçou ainda que o papel da Agência será preparar as empresas brasileiras para transformar o potencial identificado em negócios concretos. Segundo ele, a atuação seguirá integrada ao governo federal, ao Poder Legislativo, ao setor privado e a parceiros internacionais. “O Brasil está diante de uma das maiores janelas estratégicas para ampliar exportações das últimas décadas e o cenário, embora às vezes turbulento, segue favorável para o avanço das negociações”, enfatizou.

Fonte: O Presente Rural com ApexBrasil
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