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Sistemas integrados de produção fortalecem a pecuária no Cerrado e na Amazônia
Estudos da Embrapa e Banco Mundial mostram que ILPF e SAFs aumentam produtividade, reduzem custos e oferecem maior retorno financeiro ao pecuarista.

Estudos de caso sobre sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e agroflorestais (SAFs) no Cerrado e na Amazônia mostram ganhos em produtividade, segurança alimentar, conservação ambiental e resiliência climática, além de gerar empregos e renda. Com base nesses levantamentos, pesquisadores da Embrapa elaboraram, em parceria com o Banco Mundial, uma síntese que reúne as evidências econômicas e traz recomendações para superar barreiras e ampliar a adoção de sistemas de produção sustentáveis.
“As informações sobre o desempenho econômico de sistemas integrados de produção na Amazônia e no Cerrado servirão de subsídio para as políticas do Banco Mundial. Além disso, podem contribuir para inserir esses sistemas nas políticas nacionais de crédito, como o Plano Safra da Agricultura Familiar. O documento evidencia ainda que, principalmente na Amazônia, existe a necessidade de ampliá-los”, declara o pesquisador da Embrapa Acre (AC) Judson Valentim.
Para o economista agrícola sênior do Banco Mundial em Brasília, Leonardo Bichara Rocha, o trabalho traz evidências importantes para orientar políticas públicas e instrumentos financeiros que promovam o uso mais inclusivo, intensivo e ambientalmente sustentável da terra. “O estudo é inovador ao mostrar que, além dos benefícios ambientais e agronômicos, os sistemas de ILPF e os SAFs trazem maiores retornos econômicos e financeiros ao agricultor e ao pecuarista, comparados aos dos sistemas tradicionais. Foi um passo importante no novo marco de colaboração do Banco Mundial com a Embrapa, assinado em 2024”, conclui.

Foto: Priscila Viudes (SAF)
Os sistemas de ILPF integram diversas atividades produtivas – agricultura, pecuária e floresta – numa mesma área por meio de sucessões, consórcios ou rotações de culturas, visando à sinergia entre os componentes do agroecossistema, o que permite maior produtividade, intensificação do uso da terra e redução da necessidade de abertura de novas áreas, entre outros benefícios.
Já os SAFs (foto à esquerda) se adequam à agricultura familiar pelo menor nível de mecanização e uso de mão de obra intensiva. Eles associam, na mesma área e em períodos determinados, espécies perenes (como árvores frutíferas ou madeireiras), cultivos semiperenes (como banana, abacaxi, mandioca e algumas espécies de forrageiras) e plantios de ciclo curto, como grãos.
Segundo Valentim, os dados atualmente disponíveis são limitados, considerando a diversidade ambiental, social e econômica da Amazônia, que corresponde a 60% do território nacional. “Conseguimos avaliar cinco sistemas que possuíam dados sistematizados, e isso foi importante porque organizamos as informações sobre o que existe e as lacunas para a pesquisa agropecuária”, afirma.
Análises econômicas abrangeram diferentes municípios dos dois biomas
A síntese mostra resultados da análise econômica comparativa entre um sistema de ILPF (ILPF-A), em Nova Canaã do Norte (MT), na Amazônia Legal; outro (ILPF-C), em Nova Xavantina (MT), região de Cerrado; e as duas estratégias de uso da terra mais representativas em Mato Grosso: um sistema de lavoura em grande escala e outro de pecuária extensiva. Também são apresentados resultados econômicos de quatro modelos de SAFs com diferentes estratégias de diversificação de cultivos no bioma amazônico, sendo dois (BR SAF RO 1 e BR SAF RO 2) em Nova Califórnia, distrito de Porto Velho (RO), no Projeto RECA e dois (SAF 3 e SAF 4) em Tomé-Açu (PA), trabalhados no Projeto Tipitamba (veja infográfico abaixo).

Arte: Wellington Cavalcanti
“São estudos de caso representativos de sistemas ILPF, ILP (Integração lavoura e pecuária) e SAFs, que comprovam seu potencial de adoção por agricultores de pequeno, médio e grandes porte nos dois biomas”, complementa o pesquisador Júlio César dos Reis, da Embrapa Cerrados (DF), responsável pelo trabalho. Além dele e de Valentim, também participaram, pela Embrapa, os pesquisadores: Mariana de Aragão Pereira, da Embrapa Gado de Corte (MS), e Flávio Wruck, da Embrapa Agrossilvipastoril (MT).
ILPF mostra melhor desempenho econômico no Cerrado e na Amazônia
Os sistemas de ILPF tiveram desempenho econômico mais favorável (tabela 1). O lucro bruto foi maior no ILPF-C, sendo 8% maior que o da fazenda de lavoura e mais que o dobro da fazenda de pecuária, devido, segundo os pesquisadores, ao elevado rendimento do componente florestal associado à estratégia de comercialização de gado, aproveitando a vantagem logística proporcionada pela localização da fazenda, próxima à divisa com Goiás. Já o alto custo de produção do sistema ILPF-A e a demanda limitada por madeira na região reduziram o lucro bruto. Ainda assim, a taxa de retorno interna e o retorno sobre o investimento foram superiores aos das fazendas de agricultura e de pecuária extensiva (tabela 2).

Os indicadores de viabilidade econômica mostram que o sistema ILPF-C é o mais atrativo financeiramente, apresentando um Valor Presente Líquido Anual (VPLA) 13 vezes maior que o da fazenda de lavoura e 41 vezes maior que o da fazenda de pecuária, além do maior índice de lucratividade – 1,36 ou 36 centavos de lucro para cada dólar investido. A fazenda de lavoura, apesar do investimento inicial semelhante ao do sistema ILPF-C, apresentou retorno 35% inferior e índice de lucratividade de 1,03 devido a riscos econômicos e de mercado, mesmo em cenários favoráveis de preços. Por outro lado, o sistema de pecuária extensiva gerou apenas dois centavos de lucro para cada dólar aportado, sendo o menos lucrativo.

“Os resultados demonstram que os sistemas de ILPF são mais resilientes, reduzem os custos unitários de produção, promovem o uso mais eficiente dos recursos ambientais e podem contribuir para políticas de redução do desmatamento. O componente agrícola tem menor dependência de insumos externos e a produtividade animal é superior devido à melhor qualidade das pastagens”, comenta Reis.
SAFs com cultivos de maior valor agregado são mais rentáveis
Valentim explica que nos anos iniciais dos SAFs o gasto é maior devido ao uso de insumos, mão de obra e equipamentos para o estabelecimento das culturas, além da menor diversificação dos produtos comercializados. “Para um SAF se manter rentável ao longo dos anos, é preciso considerar o tempo para cada componente produzir, bem como possibilitar uma safra de ciclo rápido, de baixo custo e que mantenha um fluxo de caixa positivo”, afirma, acrescentando que o período de análise econômica precisa ser longo para que as receitas das espécies principais, geralmente florestais nativas, sejam consideradas – como ocorreu com as avaliações dos SAFs BR SAF RO 01 (15 anos), BR SAF RO 02 (20 anos) e SAFs 3 e 4 (30 anos).
No SAF BR RO 1, as vendas de milho, arroz, mandioca e feijão garantiram as receitas nos primeiros anos, papel assumido pelas sementes de pupunha e pelos frutos do cupuaçu a partir do quarto ano. No SAF BR RO 2, a banana respondeu por 60% da receita do sistema nos três primeiros anos, sendo sucedida pelo palmito de pupunha, que predominou a partir do quarto ano e foi substituído pela andiroba e pela pupunha para sementes ao longo dos anos seguintes. A pimenta-do-reino foi a principal geradora de receita nos anos iniciais dos SAFs 3 e 4, com a diversificação ocorrendo a partir do quinto ano com as vendas de cupuaçu (principal receita), açaí e madeira de paricá no SAF 3; de amêndoas de cacau a partir do sétimo ano e, principalmente, do açaí a partir do oitavo ano no SAF 4.
Os quatro sistemas foram capazes de cobrir os custos de produção nos períodos avaliados. Os SAFs 3 e 4 apresentaram os maiores lucros (tabela 3) devido aos custos de produção inferiores e à venda de produtos de maior valor agregado, como o açaí e o cacau.

De acordo com os índices de viabilidade econômica para um período de 15 anos (veja tabela 4), o BR SAF RO 1 obteve lucro líquido anual de US$ 1720, 49/ha e retorno de US$ 2,50 para cada dólar investido. Apesar do investimento inicial 1,8 vez maior, o BR SAF RO 2 obteve lucro 60% inferior, mas ainda se apresentou competitivo, com retorno de US$ 1,75 por dólar gasto. O SAF 3, com US$ 636,11/ha de investimento inicial, retornou US$ 5,60 para cada dólar investido, enquanto no SAF 4 o investimento foi de US$ 1819,24/ha, retornando US$ 9,20 por dólar gasto, devido à venda do açaí e da amêndoa do cacau.

Para Valentim, os resultados demonstram que as políticas de financiamento, principalmente para os SAFs, devem prever um tempo de carência mais longo. “Estimamos em seis anos o retorno positivo para que os produtores consigam pagar os financiamentos. Os SAFs são um instrumento importante de diversificação dos sistemas produtivos e de aumento da resiliência frente às mudanças climáticas porque, se em um ano, uma lavoura apresenta um preço ruim, há um segundo produto que pode ter um preço melhor. Isso aumenta a resiliência do produtor, que não vai depender de apenas um produto”, explica, concluindo que o estudo é uma base importante para a implementação de políticas públicas de crédito rural, sobretudo para a produção familiar na Amazônia.

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Brasileiro busca carne sustentável sem abrir mão de sabor e qualidade
Pesquisa com mais de mil consumidores mostra que 78% consideram importante a produção responsável. Redução do impacto ambiental, segurança e maciez estão entre as prioridades, e supermercados se tornam palco estratégico para comunicação das práticas.

A sustentabilidade deixou de ser um atributo opcional na decisão de compra de carne no Brasil. Segundo a pesquisa O que o brasileiro pensa sobre a carne, 78% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que o produto seja produzido de forma sustentável, sendo que 44% avaliaram o aspecto como “muito importante” e 34% como “importante”.
Ao mesmo tempo, 34% afirmaram não saber se a pecuária brasileira avançou nessas práticas, indicando uma lacuna entre a expectativa do consumidor e a visibilidade das ações no campo.

Fotos: Shutterstock
O levantamento, encomendado pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizado pelo Instituto Qualibest com 1.021 pessoas, mostra que a confiança na qualidade da carne brasileira permanece alta: 80% avaliam o produto como bom ou ótimo. Além disso, 91% dos entrevistados associam o consumo de carne a benefícios à saúde, com 82% destacando seu valor como fonte de proteínas e 57% citando aporte de ferro e vitaminas.
Os resultados indicam uma dupla demanda: práticas de produção sustentáveis e comunicação clara sobre essas ações. Segundo especialistas, produtores e indústrias que apresentarem evidências, como rastreabilidade, certificações, controles de bem-estar animal e relatórios de sustentabilidade, poderão agregar valor ao produto e reduzir a incerteza do consumidor. “O brasileiro continua consumindo carne, mas passou a exigir mais responsabilidade, transparência e eficiência. A carne do futuro, na percepção do consumidor, está ligada à forma como ela é produzida e à confiança na cadeia”, mencionam os pesquisadores no estudo.
Prioridades para a carne do futuro

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Quando questionados sobre o que esperam da carne do futuro, os consumidores apontaram múltiplas prioridades. Entre as opções, 47% citaram a redução do impacto ambiental como principal exigência. Segurança e qualidade foram destacadas por 40%, enquanto 37% mencionaram sabor e maciez.
Os dados indicam que o consumidor brasileiro busca simultaneamente responsabilidade ambiental e alto padrão sensorial. “Ele não quer abrir mão do sabor nem da qualidade em nome da sustentabilidade”, aponta a pesquisa, reforçando a necessidade de equilibrar práticas responsáveis com atributos sensoriais percebidos no produto final.
Intenção de consumo
Apesar da preocupação crescente com sustentabilidade, a pesquisa mostra estabilidade no consumo. Setenta e dois por cento dos entrevistados afirmam que manterão o mesmo nível de consumo de carne bovina nos próximos seis meses; 12% pretendem aumentar, e outros 12% reduzir. Apenas 1% declarou intenção de abandonar completamente o consumo. “O mercado se mostra fundamentalmente estável, mas cerca de 24% dos consumidores ainda podem alterar hábitos de acordo com percepção sobre sustentabilidade, preço ou qualidade”, observa o levantamento.
Para a indústria, isso representa uma oportunidade estratégica: marcas que comprovarem práticas responsáveis têm potencial de conquistar consumidores, enquanto as que não se adequarem correm o risco de perdê-los.
Canais de compra e preferência de raça

O estudo também mapeou os canais de aquisição e preferências de produto. Supermercados são o local mais usado para comprar carne, apontados por 69% dos entrevistados, à frente de açougues e boutiques especializadas. Isso transforma o ponto de venda em palco estratégico para comunicação de práticas sustentáveis: rótulos, selos, painéis informativos e campanhas nos balcões são ferramentas eficazes para traduzir ações do campo em percepção concreta do consumidor.
Quanto à preferência por raça, 37% dos entrevistados optam pela carne Angus, reforçando o valor de atributos reconhecidos pelo mercado, como sabor e maciez, aliados à reputação da marca e da cadeia produtiva.
A pesquisa completa está disponível no site do Movimento A Carne do Futuro é Animal.
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Congresso Mundial do Brangus gera mais de R$ 8 milhões em negócios
Evento reuniu 600 animais em julgamentos, leilões internacionais e giras técnicas, reforçando o crescimento da raça e sua importância estratégica na pecuária brasileira.

O Brasil consolidou sua posição no cenário internacional da pecuária ao sediar, em março, o Congresso Mundial da raça Brangus, com etapas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e participação de representantes de 13 países.
A etapa de Londrina, no Paraná, destacou-se como um dos principais momentos do evento, reunindo mais de 3 mil pessoas ao longo da programação, que incluiu julgamentos de animais, leilões, palestras técnicas e interação entre criadores, autoridades políticas, técnicos e empresas do setor. A organização foi conduzida pela Associação Brasileira de Brangus (ABB).
Ao todo, cerca de 600 animais participaram dos julgamentos de argola e rústicos, atraindo criadores e interessados para acompanhar o alto nível técnico e a vitrine internacional da raça.
“Conseguimos ocupar o parque com uma única raça, o que mostra o momento que o Brangus vive. Os criadores saem daqui valorizados, com visibilidade internacional e reconhecimento pelo trabalho que vêm desenvolvendo”, afirmou João Paulo Schneider (Kaju), presidente da ABB, sobre a etapa paranaense.
Ele destacou ainda a atuação do jurado internacional Marcos Borges Júnior, brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de duas décadas. “A condução do julgamento em três idiomas, com explicações claras sobre os critérios, contribuiu para ampliar o entendimento sobre a seleção genética brasileira e reforçou o caráter global do evento”, acrescentou Schneider.
O congresso demonstrou a capacidade do Brasil de reunir conhecimento técnico, inovação genética e projeção internacional, consolidando o Brangus como uma das raças de maior destaque no país e no exterior.
Papel estratégico do Brangus na pecuária
As palestras técnicas do Congresso Mundial da Brangus reforçaram o desempenho da raça na produção de carne de qualidade e na adaptação a diferentes regiões. “Tanto nas fazendas, como nas palestras técnicas, ficou evidente a diversidade da raça e sua contribuição, com resultados nos diversos biomas e tipos de clima, mostrando todo seu potencial de produção”, ressaltou Ladislau Lancsarics, presidente do congresso, destacando que o público manteve alta adesão do início ao fim das apresentações.
De acordo com o diretor de Marketing da ABB, Sebastião Garcia Neto, a programação técnica contou com grande participação internacional, alto nível técnico e engajamento dos criadores, reafirmando o papel da raça como ferramenta estratégica para o avanço da pecuária brasileira. “Mostramos que temos a capacidade de produzir carne de qualidade aliada à eficiência produtiva”, salientou.
Ambiente de negócios
Além das pistas e palestras, o ambiente de negócios se mostrou intenso.Os estandes atraíram criadores e empresas, com destaque para negociações internacionais. “Foi um congresso surpreendente, com vendas para o Paraguai e para a Argentina, e muitos outros negócios encaminhados”, afirmou Gabriel Hauly.
Durante quatro leilões, os negócios movimentaram R$ 8,686 milhões, com animais vendidos para diversas regiões do Brasil e para outros países da América do Sul.
Giras técnicas

Foto: Douglas Salgueiro
O evento também contou com giras técnicas nas propriedades, onde criadores puderam mostrar o manejo e o desempenho da raça Brangus em sistemas distintos de produção. As visitas começaram no Rio Grande do Sul, seguiram pelo Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, percorrendo cerca de 5.000 quilômetros e reunindo aproximadamente dois mil participantes, entre inscritos, convidados, patrocinadores e equipe da ABB.
As atividades práticas permitiram observar a adaptação da raça a diferentes biomas, reforçando a avaliação de especialistas de que o Brangus se consolidou como ferramenta estratégica para modernizar e valorizar a pecuária brasileira, tanto em produtividade quanto em qualidade da carne.
Números do Brangus no Brasil
A Associação Brasileira de Brangus atravessa um período de crescimento consistente e fortalecimento institucional, sustentado por um processo contínuo de profissionalização da raça no país. Em apresentação às federações de 13 países, o Brasil destacou números expressivos: são 357 sócios distribuídos em 18 estados, 20 inspetores técnicos credenciados e cerca de 20 mil registros anuais de animais.
No mercado de reprodução, o Brangus se consolida como uma das principais raças do país. Segundo dados do setor de inseminação, a raça ocupa a terceira posição em vendas de sêmen, com 874 mil doses comercializadas no último ano, acompanhando a retomada do cruzamento industrial na pecuária brasileira. “A atuação da associação está focada em aumentar a competitividade do setor, indo além de indicadores tradicionais e avançando em áreas estratégicas como qualidade de carne, avaliação de carcaça, seleção genômica e eficiência alimentar, com provas realizadas em diferentes regiões do país”, informou o gerente executivo da ABB Roberto Grecellé.
O Paraguai será o país sede da próxima edição do Congresso Mundial da Raça Brangus, programada para 2028.
Conheça os campeões do Congresso Mundial do Brangus 2026
O Congresso Mundial do Brangus 2026 premiou os destaques da raça em diversas categorias, reunindo animais de alto padrão genético e criadores reconhecidos nacionalmente. Confira os vencedores.
- Grande Campeão do Mundial
- Grande Campeã do Mundial
Argola Terneiros
- Grande Campeã Top Terneira: Élio Roque Ottoni
- Grande Campeão Top Terneiro: Cabanha Floripana
Argola
- Grande Campeã: Genética Vacacaí | Fazenda Ramada | Cesar Augusto Dagios de Siqueira e Giovani Lizot
- Grande Campeão: Ricardo Bastos Tellechea
Individual Terneiro
- Grande Campeã Individual Rústica Top Terneira: Genética Vacacaí
- Grande Campeão Individual Rústico Top Terneiro: Élio Roque Ottoni
Individual
- Grande Campeão Individual Rústico: Élio Roque Ottoni
Trio Terneiro
- Trio Grande Campeão Top Terneiras: Fazenda VR
- Melhor Fêmea Rústica Top Terneira: Luiz Antonio Venker Menezes
- Trio Grande Campeão Top Terneiro: Agropecuária Guapiara Ltda
- Melhor Macho Rústico Top Terneiro: Agropecuária Guapiara Ltda
Trio
- Trio Grande Campeão de Fêmeas: Agrícola Anamélia Ltda – La Bellaca de Zuza – Estância Itamainó
- Melhor Fêmea Rústica: Agrícola Anamélia Ltda – La Bellaca de Zuza – Estância Itamainó
- Trio Grande Campeão: Genética Vacacaí
- Melhor Macho Rústico: Brangus Brawir
Grande Campeonato
- Suprema – Top Terneira: Élio Roque Ottoni
- Supremo – Top Terneiro: Cabanha Floripana
- Suprema Grande Campeã: Genética Vacacaí | Fazenda Ramada | Cesar Augusto Dagios de Siqueira e Giovani Lizot
- Supremo Grande Campeão: Ricardo Bastos Tellechea
O evento destacou a diversidade genética e o nível técnico elevado dos criadores brasileiros, consolidando o país como referência na raça Brangus no cenário internacional.
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Queijarias do Oeste do Paraná transformam leite em produtos premiados e de alto valor agregado
Produção autoral, venda direta ao consumidor, certificações sanitárias e turismo rural sustentam a consolidação de quatro agroindústrias familiares na região.

No Oeste do Paraná, a produção artesanal de queijos deixou de ser atividade complementar e passou a operar com padrão técnico, regularidade e mercado definido. Em propriedades familiares de Palotina e Toledo, quatro agroindústrias estruturaram processos que envolvem padronização da matéria-prima, controle de maturação, conformidade sanitária e venda direta ao consumidor.
Os resultados aparecem com presença recorrente em premiações estaduais, expansão de canais de comercialização, maior valor agregado ao litro de leite e diversificação de receita com visitação e experiência gastronômica no meio rural.

Alcelio e Tatiane comandam a Granja Santo Expedito – Foto: Divulgação/Granja Santo Expedito
Na Granja Santo Expedito, a produção que começou na cozinha de casa em 2012 evoluiu para uma agroindústria formalizada, equipada com câmaras frias e controle técnico de maturação. Em pouco mais de dois anos de operação estruturada, a queijaria acumula 18 premiações para um portfólio de 20 tipos de queijos autorais.
A estratégia adotada pelos proprietários, Alcelio e Tatiane Bombacini, foi reduzir o rebanho de 40 para 20 vacas para priorizar a qualidade e a padronização do leite. “Com menos animais, conseguimos controlar melhor a alimentação, a sanidade e a qualidade da matéria-prima. Quando transformamos o leite em queijo fino, o ganho pode ser de quatro a seis vezes maior”, afirma Alcelio.
Para reduzir a dependência de intermediários, a família abriu uma loja própria no centro de Palotina e mantém a propriedade aberta para visitação. Com o selo do Serviço de Inspeção Federal, a marca ultrapassou as fronteiras regionais e já planeja presença em pontos comerciais de Curitiba e São Paulo. Entre os queijos estão criações autorais como o Faraó, com olhaduras e interior alaranjado, a Múmia, maturado em manteiga ghee e envolto em faixa micropore, e o Bombom de Dubai, recheado com castanhas.

Queijos e doces são os destaques da Queijaria Della Pasqua – Foto: Divulgação/Queijaria Della Pasqua
Produtos de maior valor agregado
Já em Toledo, a Queijaria Della Pasqua construiu outro caminho de valorização. A família tem mais de 20 anos de experiência com geleias, doces e laticínios, mas decidiu migrar para produtos de maior valor agregado. A formalização no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte permitiu a comercialização em todo o Paraná.
A produção ocorre em uma área que preserva 15 alqueires de mata nativa e cachoeiras, cenário que passou a integrar a estratégia de turismo rural. “Percebemos que o consumidor quer conhecer a origem do alimento. O turismo trouxe uma nova fonte de renda e aproximou o cliente da nossa história”, relata Andreia Della Pasqua.
A divisão de funções é familiar: Andreia cuida dos doces; a filha Ana Carolina dos queijos; os filhos e o genro da produção de leite; enquanto o marido auxilia na gestão e na lavoura. Entre os produtos estão o Jack Cheese, medalha de bronze no Prêmio Queijos do Paraná, o Belos Campos, um gouda maturado por seis meses, e o tradicional queijo coalho artesanal.
Tradição familiar em modelo de negócio
A experiência da Atani Queijaria combina memória afetiva e estratégia comercial. A fundadora, Cirlei Rossi dos

Cirlei e a família tocam a Queijaria Atani, que promove jantares especiais aos sábados – Foto: Divulgação/Queijaria Atani
Santos, transformou a tradição familiar em um modelo de venda direta por assinatura e eventos gastronômicos. Aos sábados, a propriedade recebe jantares de mesa posta, eliminando atravessadores e garantindo controle total sobre o preço.”Quando o cliente vem até aqui, ele entende o processo, prova o produto no ambiente onde ele nasce e valoriza muito mais o que está consumindo”, afirma Cirlei.
A queijaria integra a Rota do Queijo Paranaense e envolve os filhos em todas as etapas, do manejo dos animais ao design da loja. Entre os destaques estão o Nonna Lucia, maturado por 90 dias, o Tipo Morbier Café e o Tipo Saint Paulin, além do autoral Donna Rossi, comercializado em versões de 10 e 30 dias de maturação.
Referência
E na Queijaria Vila Belli, Gelir Maria Giombelli demonstra que escala não é condição para lucratividade. Em apenas três alqueires, com produção de cerca de 600 quilos de leite por mês, a produtora atua em um nicho em que o consumidor aceita pagar até cinco vezes mais por queijos com identidade e origem.

Gelir empreende junto da família na Queijaria Villa Belli – Foto: Divulgação/Queijaria Villa Belli
Após uma missão técnica na Itália e premiações voltadas ao empreendedorismo feminino, Gelir investiu na modernização da ordenha para garantir sanidade e qualidade do leite. “A qualidade do queijo começa na ordenha. Sem isso, não existe maturação que resolva”, resume.
O portfólio inclui o Tomme Negro d’Oeste, inspirado no paladar regional, o Colonial nas versões fresca e maturada e o autoral Belagio, maturado com erva-cidreira.
Produto de identidade
Apesar de trajetórias distintas, as quatro queijarias compartilham profissionalização da produção, domínio técnico da maturação, certificações sanitárias e proximidade com o consumidor. O leite deixa de ser vendido como commodity e passa a ser transformado em produto de identidade, história e alto valor agregado.
O movimento já chama atenção de outras regiões do estado, interessadas em replicar o modelo que alia tradição familiar, técnica e visão de mercado para transformar pequenas propriedades em agroindústrias rentáveis.





