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Sistemas ILP e Plantio Direto completam 30 anos no Brasil
Para apresentar alguns resultados de pesquisa da área do experimento de longa duração, a Embrapa Agropecuária Oeste vai abrir seu Centro de Pesquisa para uma visita técnica no dia 04 de fevereiro.

Em 2025, produtores rurais, técnicos da assistência técnica e extensão rural, pesquisadores, acadêmicos e demais interessados terão a oportunidade participar da Visita Técnica “30ª Safra de Soja – Integração Lavoura-Pecuária e Sistema Plantio Direto”, um experimento de longa duração da Embrapa Agropecuária Oeste que completa 30 anos de condução pela pesquisa da Embrapa, em Dourados (MS). O evento será em 04 de fevereiro, das 07h30 às 11h30 (horário de Mato Grosso do Sul), sendo a abertura e apresentação das atividades no auditório e, logo após, o deslocamento para o campo experimental do Centro de Pesquisa da Embrapa. O evento é gratuito.
Os pesquisadores Júlio Cesar Salton e Michely Tomazi serão os responsáveis por apresentar um breve histórico do experimento e explicar alguns dos resultados do experimento com matéria orgânica e carbono no solo, taxa de infiltração, monitoramento da água no solo x sistemas de manejo, qualidade física do solo e produtividade da soja x manejos do solo.
Os participantes conhecerão os diferentes sistemas de produção que vêm sendo monitorados desde a implantação do experimento na safra de 1995/1996. Os sistemas originais são os seguintes: Sistema Convencional (SC) em que há monocultivo de soja, sem rotação de culturas e com preparo do solo por gradagens; Sistema Plantio Direto (SPD), que tem rotação de culturas tanto no verão (soja e milho) quanto no inverno ( aveia, trigo e nabo ); Sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), em que a lavoura de soja se alterna com a pastagem de braquiária, em ciclos de dois anos; e sistema de pastagem permanente sem agricultura, ou seja, a pastagem contínua.
“Esses sistemas foram implantados e continuados durante 26 anos, quando em 2021, nós conseguimos, através de projetos novos, fazer uma adequação do experimento, inserindo novos tratamentos para simular a realidade existente nas áreas dos produtores rurais, atendendo às demandas da agricultura atual. A partir de 2021, foram introduzidas uma série de alternativas, diz Salton. Ele explica, por exemplo, que em área onde havia somente pastagem passou-se a fazer o cultivo das lavouras, assim como área de agricultura agora recebe pastagem; o local onde há Sistema Plantio Direto recebe preparo do solo com grades ou com o uso de escarificador, assim como o Sistema Convencional tornou-se Plantio Direto.
Com a aquisição de sensores, os pesquisadores também conseguem realizar estudos detalhados com relação à água no solo. “Temos informações extremamente relevantes e oportunas, uma vez que, novamente, estamos enfrentando veranicos em Mato Grosso do Sul, e percebemos como o tipo de manejo do solo adotado altera tanto a infiltração da água da chuva no solo nos diferentes sistemas de manejo, quanto a conservação dessa água no solo e, consequentemente, o aproveitamento pelas plantas”, garante o pesquisador, que complementa: “Isso impacta muito na questão de tolerância das culturas aos veranicos. Não resolve 100% do problema, mas pode amenizar. E o produtor precisa fazer de tudo para diminuir os custos de produção e as perdas das culturas, uma vez que o veranico faz parte do nosso ambiente”.
Os pesquisadores Michely e Salton também apresentarão resultados quanto à umidade volumétrica no perfil do solo conforme o tipo de sistema adotado no experimento, quanto às diferentes formas de matéria orgânica, além da questão do carbono, da física do solo, além de demonstrar os equipamentos que estão sendo usados para fazer tais medidas. Em relação às produtividades, Salton diz que a intenção do experimento não é bater recordes de produtividade, mas encontrar sistemas de produção que permitam oferecer maior estabilidade de produtividade das culturas. “Quanto mais estável for a produtividade, melhor, porque oferece mais segurança ao produtor”, diz o pesquisador.
Ao longo dos 30 anos, Salton garante que existem produtores que adotam algumas das práticas estudadas e recomendadas pela pesquisa da Embrapa, como o Sistema Plantio Direto e a Integração Lavoura-Pecuária, se não de forma plena, mas de uso pelo menos parcial, estes sistemas preservam a cobertura do solo além de proporcionarem inúmeros outros benefícios. Convidamos, então, a todos os interessados a vir conhecer o experimento na Embrapa Agropecuária Oeste para difundirmos, ainda mais, as tecnologias que são desenvolvidas em prol da agropecuária”, conclama o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.

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Fertilizantes sobem em março com impacto de conflitos e gargalos logísticos
Tensões no Oriente Médio elevam custos de energia e frete, pressionando nitrogenados e fosfatados no mercado global.

O mercado de fertilizantes registrou alta nos preços ao longo de março, influenciado por tensões geopolíticas e limitações logísticas no cenário internacional. O conflito no Oriente Médio impactou diretamente a produção e o transporte de insumos, especialmente em países do Golfo Pérsico, pressionando custos de energia e frete.

Os fertilizantes nitrogenados seguiram em trajetória de valorização entre março e o início de abril. A ureia acumulou forte alta no período, alcançando cerca de US$ 760 por tonelada CFR em 10 de abril, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA. A combinação de oferta restrita, petróleo e gás natural em níveis elevados e maior incerteza global mantém o mercado volátil no curto prazo.
No segmento de fosfatados, o cenário também foi de pressão. Além do impacto do conflito, a alta do enxofre, insumo essencial para a produção, elevou os custos. No Brasil, os preços subiram cerca de 7% nas últimas semanas, com o MAP atingindo aproximadamente US$ 890 por tonelada CFR. Mesmo com a demanda agrícola avançando de forma gradual, os preços seguem sustentados.
Já os fertilizantes potássicos apresentaram comportamento mais estável em comparação aos demais. A oferta internacional permanece equilibrada, com Rússia e Belarus mantendo volumes relevantes no mercado global. Apesar da menor volatilidade, os preços seguem firmes, acompanhando o aumento dos custos logísticos e o ambiente de incerteza.
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Brasil exporta 23,5 milhões de toneladas de soja no início do ano
Ritmo acelerado de embarques mantém país à frente no mercado internacional e amplia vantagem sobre concorrentes.
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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná
Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.
O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.
Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.
A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.
O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.
No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.
Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.
Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.
Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.






