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Sistemas de ventilação: qual a melhor escolha para o seu aviário?

Um sistema de ventilação bem ajustado favorece um ambiente adequado ao desenvolvimento das aves, da mesma forma que falhas no sistema podem comprometer de forma significativa os resultados zootécnicos.

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A ventilação tem papel essencial na manutenção do conforto térmico e do bem-estar das aves ao longo do ciclo produtivo. Além de promover a qualidade do ar dentro dos aviários, removendo gases como amônia e dióxido de carbono, também contribui para o controle da umidade relativa e da sensação térmica, processo que é fundamental para reduzir a necessidade de termorregulação fisiológica pelas aves, o que resulta em melhor conversão alimentar e maior eficiência produtiva.

A adequação do sistema de ventilação é um dos desafios enfrentados pelos produtores de frangos de corte ao longo do ano. Com a diversidade climática do Brasil, caracterizada tanto por regiões de calor seco quanto por outras de calor úmido, a gestão eficiente da ambiência nos aviários é essencial para garantir o bem-estar animal e a produtividade.

Nos períodos de calor, a principal preocupação é a remoção do calor excessivo do ambiente. O estresse térmico reduz o consumo de alimento e, consequentemente, o ganho de peso das aves, além de favorecer desordens metabólicas que podem levar ao aumento da mortalidade. “Nessa fase, a eficiência do sistema de ventilação é fundamental, e os sistemas de resfriamento evaporativo devem ser utilizados com critério para otimizar o controle da sensação térmica”, ressaltou a médica-veterinária, especialista em Vigilância Sanitária de Alimentos, Gestão Estratégica de Agronegócio e Engenharia de Produção, Gabriela Pereira, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Já nos períodos de frio, o desafio está em manter a temperatura adequada para as aves e garantir a qualidade do ar. “O acúmulo de gases nocivos, como amônia e dióxido de carbono, compromete a saúde dos animais, tornando necessário um equilíbrio na ventilação. Nestes casos, a gestão eficiente evita correntes de ar frio, que impactam no conforto térmico, e controla a umidade relativa do aviário”, menciona a profissional, que vai tratar sobre ventilação e ambiência para frangos de corte durante o 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece nesta semana no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Outro aspecto importante, mencionado pela especialista, é a adaptação da ventilação conforme a idade das aves. “Animais jovens são mais sensíveis ao frio, exigindo uma ventilação mínima precisa. Com o crescimento, a taxa metabólica aumenta, demandando maior renovação de ar, sem que haja exposição a fluxos de ar frio”, detalha, ressaltando que para superar esses desafios, a automação e as estratégias de manejo são fundamentais. “O ajuste adequado dos sistemas de ventilação ao longo do ciclo produtivo e das condições climáticas externas permite garantir a ambiência ideal e a maximização dos resultados zootécnicos”.

Desempenho zootécnico

Um sistema de ventilação bem ajustado favorece um ambiente adequado ao desenvolvimento das aves, da mesma forma que falhas no sistema podem comprometer de forma significativa os resultados zootécnicos. “Quando as aves estão dentro da faixa de conforto térmico, a energia consumida é direcionada para crescimento e não para dissipar calor ou produzir calor, garantindo uma conversão alimentícia mais eficiente”, comenta Gabriela.

Por outro lado, quando submetidas a temperaturas altas, as aves tendem a reduzir o consumo de alimento para minimizar a produção de calor corporal, o que reflete diretamente no ganho de peso. Além disso, quando submetidas a estresse térmico, as aves podem aumentar a frequência respiratória em até 20 vezes, levando à alcalose metabólica, arritmia cardíaca, infarto e até morte súbita.

Impactos da ventilação deficiente

A ventilação desempenha um papel essencial na qualidade do ambiente dentro dos aviários, afetando diretamente a sanidade e o desempenho das aves. Quando inadequada, seja por excesso ou insuficiência, compromete a umidade da cama, a remoção de gases nocivos e a eficiência da produção.

A umidade elevada no interior dos aviários é um reflexo direto da ventilação ineficaz. A deficiência no fluxo de ar impede a evaporação da umidade acumulada, enquanto o excesso de ventilação, especialmente com ar frio, pode provocar condensação, mantendo a cama molhada. Além disso, a baixa taxa de renovação do ar favorece o acúmulo de gases nocivos, como amônia e dióxido de carbono. “Com a umidade elevada e o acúmulo de matéria orgânica temos a condição ideal para produção de amônia. Esse gás é irritante para as mucosas das aves, podendo causar lesões respiratórias e reduzir a imunidade, abrindo portas para outras patologias. Sob altas concentrações, pode provocar lesão ocular, levando as aves à cegueira, além de reduzir o consumo de alimento e o ganho de peso. Já o dióxido de carbono, proveniente da respiração das aves e da queima de combustíveis, quando em concentrações acima de 1.800 ppm, compromete o desempenho dos lotes, apesar da maioria dos manuais aceitarem até 3.000 ppm”, explica Gabriela.

Otimização da ventilação

A evolução tecnológica tem sido determinante para garantir maior precisão na ventilação dos aviários. Controladores modernos ajustam não apenas a temperatura, mas também a umidade e os gases presentes no ambiente. Sensores cada vez mais eficientes permitem monitoramento remoto em tempo real, otimizando a gestão climática. “Não podemos deixar de citar a sustentabilidade da atividade, que neste caso está relacionada com a eficiência energética dos equipamentos. O futuro aponta para sistemas cada vez mais autônomos, preditivos e sustentáveis, garantindo melhor controle ambiental e menor custo de produção”, pontua a profissional.

Diferenças entre os sistemas de ventilação

Os sistemas de ventilação em aviários podem ser classificados em três categorias principais: natural, positiva e negativa. Cada um apresenta características específicas que devem ser consideradas conforme as condições climáticas, infraestrutura e objetivos da produção.

Na ventilação natural, o ar entra de forma passiva, através de aberturas laterais nos aviários. Esse sistema não consome energia e tem baixa necessidade de manutenção, mas depende inteiramente das condições climáticas, se tornando ineficaz em regiões de clima quente e úmido ou em locais muito frios.

No sistema de ventilação positiva, ventiladores insuflam o ar para dentro do aviário, criando uma pressão interna maior do que a externa. Essa técnica permite certo controle da temperatura, sendo mais eficaz em regiões frias. “No entanto, em climas quentes, sua eficiência é limitada quando a temperatura externa ultrapassa de 8 a 10ºC acima da temperatura desejada. Além disso, o consumo de energia é elevado”, aponta Gabriela.

Na ventilação negativa, exaustores retiram o ar do aviário, criando uma pressão interna inferior à externa. Esse sistema é altamente eficiente no controle ambiental, permitindo a renovação precisa do ar e reduzindo o estresse térmico das aves. “Possui um sistema de resfriamento para baixar a temperatura do ar que entra, promovendo melhor uniformidade térmica. Entretanto, apresenta alto consumo de energia e requer manutenção constante, além de ser sensível às oscilações elétricas, demandando sistemas de segurança robustos, como geradores e backups”, salienta a especialista, enfatizando: “O sistema de ventilação negativa é, sem dúvida, o que favorece melhores resultados zootécnicos e maior eficiência por metro quadrado. No entanto, a escolha deve considerar o custo operacional, a densidade populacional e os objetivos da criação”, afirma Gabriela.

Mitigação do estresse térmico

Médica-veterinária, especialista em Vigilância Sanitária de Alimentos, Gestão Estratégica de Agronegócio e Engenharia de Produção, Gabriela Pereira: “O manejo correto do sistema de ventilação é essencial para garantir sua máxima eficiência e otimizar os resultados produtivos” – Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

A ventilação adequada desempenha um papel fundamental na mitigação do estresse térmico e no enfrentamento das ondas de calor, que podem comprometer o desempenho dos frangos de corte. “As aves possuem um sistema termorregulador com maior capacidade de reter calor do que dissipá-lo, o que as torna mais suscetíveis a altas temperaturas”, afirma Gabriela.

Com um sistema de ventilação bem dimensionado, é possível reduzir a temperatura do ar entrante e facilitar a remoção do calor metabólico gerado pelas aves, mantendo as condições térmicas adequadas às suas necessidades fisiológicas. “Além disso, o manejo correto do sistema de ventilação é essencial para garantir sua máxima eficiência e otimizar os resultados produtivos”, salienta.

Eficiência dos sistemas de ventilação

Para assegurar a eficiência dos sistemas de ventilação, os produtores devem adotar um rigoroso plano de manutenção e monitoramento. Gabriela destaca alguns cuidados essenciais para os sistemas de ventilação negativa, a fim de garantir a segurança e o bem-estar das aves, refletindo diretamente na produtividade e na sustentabilidade da atividade avícola.

  • Avaliação da capacidade de vedação do aviário a cada intervalo de lote;
  • Limpeza periódica dos motores;
  • Verificação de correias e polias dos exaustores;
  • Manutenção e limpeza da água do painel evaporativo;
  • Teste regular dos sistemas de segurança, especialmente dos geradores, que devem ser ativados pelo menos uma vez por semana, transferindo a carga para o aviário e permanecendo em operação por pelo menos 30 minutos.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Avicultura gaúcha resiste a crises, mantém relevância e freia expansão diante de incertezas

Mesmo entre pressões climáticas, custos elevados e desafios sanitários, setor mantém posição estratégica no cenário nacional, projeta crescimento moderado nas exportações e adota postura cautelosa para preservar competitividade e rentabilidade em 2026.

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A avicultura do Rio Grande do Sul vive um momento de transição, marcado pela necessidade de ajustar produção, custos e mercados em um cenário que combina instabilidade climática, incertezas sanitárias e mudanças no ambiente regulatório. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, traçou um panorama da atividade para 2026 e apontou os principais gargalos que limitam a competitividade do estado, apesar de sua tradição como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango e líder nacional nas exportações de ovos.

De acordo com o dirigente, o setor sofreu nos últimos três anos com situações atípicas que retardaram planos de expansão e reconfiguraram a estrutura produtiva. “As adversidades climáticas e os acontecimentos sanitários retardaram parcialmente o crescimento do setor”, frisa.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade” – Foto: Divulgação/Asgav

A perspectiva é de uma retomada gradual. Com os resultados de 2025 ainda sendo fechados, Santos projeta crescimento de 3% a 4% nas exportações de carne de frango, de 10% a 20% nas exportações de ovos, e de 2% a 3% na produção de carne de frango, mantendo uma postura cautelosa. No segmento de ovos, a expectativa é de manutenção da estabilidade na produção. “Havendo uma safra de grãos regular, o custo de produção poderá estabilizar e os ganhos e rentabilidade no mercado interno dependerão da disciplina do setor em analisar o cenário de oferta e procura”, avalia.

A análise do executivo revela uma preocupação central para a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico. Ele alerta que, mesmo com condições favoráveis de produção, a rentabilidade vai depender da capacidade do setor de controlar a oferta e de entender o comportamento do consumo.

Cautela para 2026

Em relação a 2026, Santos aposta em um comportamento ainda mais prudente. “O cenário econômico nacional, global e a geopolítica que se molda ultimamente no mundo, nos remete a uma cautela permanente”, pontua, enfatizando que a definição de rumos, seja para crescimento ou estabilidade, exige monitoramento constante do contexto internacional e doméstico. “A tendência é que o estado adote um modelo cauteloso e equilibrado na ampliação da produção”, salienta.

O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do país, mantém estabilidade no abate, com crescimento moderado. A decisão de não acelerar a expansão, segundo Santos, reflete a necessidade de evitar sobredimensionamento diante de um cenário que pode mudar de forma repentina, especialmente por fatores externos.

Exportações e mercados em recuperação

Os episódios sanitários recentes no estado, como a Influenza aviária e a Doença de Newcastle, tiveram impacto bem menor do que inicialmente se previa nas exportações gaúchas. “Tivemos uma queda de 0,77%, comparando 686,3 mil toneladas exportadas em 2025 com 691,6 mil em 2024”, informa, relembrando que em 2024 o estado sofreu redução do volume embarcado de 6,75% em relação a 2023, em um ano marcado por enchentes e o caso de Newcastle.

Para 2026, ele não aponta mercados específicos como puxadores da retomada, mas destaca que a consolidação e reabertura de mercados ainda exigem esforço contínuo, sobretudo na reestruturação de credibilidade e previsibilidade sanitária do estado.

Competitividade frente a Paraná e Santa Catarina

Foto: Rodrigo Felix Leal

O Rio Grande do Sul enfrenta, historicamente, forte concorrência interna com estados como Paraná e Santa Catarina. Santos destaca que o estado mantém sua posição de destaque há décadas, mas reconhece que o ambiente competitivo exige ações estruturais. “Infelizmente, no Rio Grande do Sul, a ‘guerra fiscal’ nos atropelou e a insuficiência de milho nos trouxe um custo de produção elevado”, lamenta.

Para o dirigente, a ausência de políticas de incentivo fiscal adequadas teria contribuído para a perda de competitividade. Ele aponta que o estado passou a se tornar atrativo para empresas de outros estados que direcionam volumes consideráveis de carne de frango para a região gaúcha. “Não obtivemos políticas de incentivo fiscal suficientes que nos ajudassem a reverter os danos da ‘guerra fiscal’. Mas apesar de todas as dificuldades que o Rio Grande do Sul enfrenta, o estado se manter entre os três principais em produção e exportação é algo que merece destaque”, menciona.

Santos ressalta que o estado mantém características favoráveis que podem sustentar o crescimento a médio e longo prazo, como mão de obra qualificada, empreendedorismo, sistema integrado e cooperativado bem-organizado. “Somado a estes fatores se houver o surgimento de uma gestão governamental que nos ofereça condições de maior competitividade vamos poder alavancar o crescimento de forma mais dinâmica da avicultura do Rio Grande do Sul”, projeta o executivo, ressaltando que o estado tem atraído novos investimentos e a manutenção de muitas indústrias de pequeno, médio e grande porte.

Pressões de custos

Além da guerra fiscal e do alto custo do milho, outros itens pressionam a competitividade. Grãos, energia, logística e mão de obra seguem como fatores críticos, mas Santos destaca novos pontos de atenção para 2026. Entre eles, a Reforma Tributária e propostas de mudanças na jornada de trabalho, que podem elevar os custos com pessoal. “São pontos de atenção que podem afetar o custo do setor, e principalmente temos que ficar muito atentos aos reais impactos da efetivação que a Reforma Tributária poderá trazer para a avicultura”, enfatiza Santos.

A leitura do dirigente sugere que o setor está atento ao risco de deterioração da margem produtiva por pressões regulatórias e fiscais, especialmente em um ano eleitoral, quando mudanças podem ser aceleradas ou postas em debate.

Comunicação ampla e contínua

Para o mercado doméstico, Santos acredita que há espaço para crescimento do consumo, mas não sem estratégia. Ele defende a necessidade de ações mais proativas para fortalecer a percepção da carne de frango como alimento essencial na dieta dos brasileiros, apontando para a necessidade de uma política de comunicação mais ampla e contínua, com recursos e estrutura adequados para sustentar campanhas de longo prazo. “Muitos acham que o que se faz hoje é suficiente, que a população já está ciente e saturada com muita informação sobre a carne de frango, mas essa visão não considera o contexto de transformação social e cultural, com muitos outros tipos de alimentos e dietas, novos conceitos e ideologias. O planejamento de algo audacioso, constante e criativo pode alavancar o consumo de carne de frango no Brasil, mas lógico que é preciso um bom investimento”, salienta.

Setor emergente no agro

O segmento de ovos é, para o dirigente, um dos principais vetores de crescimento e consolidação internacional do Rio Grande do Sul. O estado figura entre os principais nas exportações do produto, e Santos avalia que o segmento se tornou um exemplo de setor emergente no agro.

Ele destaca o Programa Ovos RS, que está em sua 13ª edição e reúne módulos técnicos e de promoção. “O programa possui módulos que dão um suporte importante para indústria e produtores, contando com módulo técnico que audita e orienta os estabelecimentos membros do programa a se qualificarem e manterem suas empresas dentro das diretrizes legais de produção”, explica, ressaltando que a iniciativa também promove ações permanentes de incentivo ao consumo de ovos.

Com base nesse modelo, Santos acredita que o estado gaúcho pode ampliar sua participação no mercado externo, desde que mantenha estabilidade nas exportações vigentes e fidelize os mercados importadores. “Com ações de aprimoramento constante, uma boa prospecção de mercados com apoio da ABPA e do Governo Federal, vamos poder ampliar ainda mais nossa participação no mercado externo”, diz, otimista.

Biossegurança como prioridade estratégica

Os episódios recentes de Doença de Newcastle e Influenza aviária reforçaram a importância de biossegurança, um tema que Santos considera central para reduzir riscos sanitários e garantir previsibilidade em 2026. Ele afirma que a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) tem trabalhado com máxima atenção para que o setor atenda aos procedimentos normativos vigentes, além de comunicar continuamente a importância da proteção dos plantéis.

A entidade também atua em iniciativas de conscientização e mobilização política. “Pensando em vulnerabilidade e aumentar a biossegurança no setor é que a Asgav apresentou na ABPA minuta de um Projeto de lei que institui o Dia Nacional da Biosseguridade na Produção Animal, com a proposta sendo aprovada por unanimidade no Conselho Diretivo da entidade e encaminhada à Câmara Federal. O objetivo do PL é evidenciar cada vez mais a importância da biosseguridade, estimular criação de políticas públicas para atender e orientar pequenos produtores de aves domésticas e outras criações de subsistência”, detalha.

Ele reforça ainda que as autoridades ligadas direta e indiretamente com o agro precisam entender o potencial prejuízo de surtos em larga escala e que é melhor investir em prevenção do que enfrentar perdas imensuráveis. “É melhor investir e disponibilizar recursos para prevenção e defesa sanitária, do que, em caso de uma catástrofe, o país sofrer prejuízos imensuráveis com os impactos diretos e indiretos com uma possível incidência expressiva de Influenza aviária”, ressalta.

Gargalos estruturais

Entre os principais obstáculos ao avanço da avicultura gaúcha, Santos destaca a dependência de milho de fora do estado e a falta de incentivos fiscais. Ele também aponta o acesso ao crédito e a necessidade de um fundo de apoio para modernização e adequações de indústrias e aviários como itens críticos para a competitividade. “A falta de incentivos fiscais nos deixam em desvantagem competitiva em relação a outras unidades produtivas da federação”, reforça, acrescentando que as tratativas com o governo do estado avançam lentamente, com dificuldades para liberação de créditos de ICMS e outros mecanismos que poderiam apoiar investimentos.

Orientação para o setor em 2026

Para 2026, a agenda da Asgav junto ao poder público se concentra em fortalecer programas de incentivo e ampliar a defesa sanitária do estado. Santos destaca a importância de um quadro técnico estruturado na defesa sanitária, capaz de executar suas atividades com eficiência.

Ao setor produtivo, ele recomenda cautela e atenção à gestão econômica e ao contexto político, sobretudo em um ano eleitoral. “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade”, alerta, lembrando que o setor avícola nacional tem forte presença no mercado externo e responde por quase 40% do fornecimento de proteína animal para o mundo, o que reforça a necessidade de previsibilidade e planejamento estratégico.

O executivo reforça ainda que a avicultura do Rio Grande do Sul mantém sua relevância nacional e internacional, mas enfrenta uma combinação de desafios que exigem adaptação e disciplina. “A recuperação das exportações, a consolidação de mercados, a promoção do consumo interno, a segurança sanitária e a necessidade de políticas públicas estruturadas aparecem como eixos centrais para que o setor retome um ritmo de crescimento mais robusto em 2026”, salienta Santos.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Portos do Paraná lideram exportação de frango e ampliam participação nacional

Com 47,6% dos embarques brasileiros em janeiro, a Portos do Paraná consolida o Porto de Paranaguá como principal corredor de proteínas do País.

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Os portos paranaenses foram responsáveis pela movimentação de 47,6% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil em janeiro de 2026. O volume reforça o título de maior corredor de exportação do produto no mundo. Ao longo de 2025, somente o Porto de Paranaguá exportou mais de 2,8 milhões de toneladas de frango congelado.

De acordo com dados atualizados do Comex Stat, no primeiro mês de 2026 foram enviadas 199 mil toneladas de carne de frango congelada, que totalizaram US$ 365 milhões em valor FOB (Free on Board — valor da carga no momento do embarque). Os principais destinos foram Emirados Árabes Unidos, África do Sul e China.

Foto: Ari Dias/AEN

O Paraná é o maior produtor nacional de frango, com um parque industrial composto por 36 frigoríficos de abate e beneficiamento. “Nossa inteligência logística e a posição estratégica para o escoamento de cargas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de países vizinhos, são fundamentais para atender à elevada produtividade brasileira”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

A estrutura portuária é outro diferencial oferecido aos frigoríficos. As carnes congeladas são transportadas em contêineres refrigerados (reefers), que exigem conexão contínua à energia elétrica para manutenção da temperatura. O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) possui o maior parque de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, com 5.268 tomadas.

“Os exportadores preferem enviar seus produtos pelo do Porto de Paranaguá pela confiabilidade da infraestrutura, alta capacidade de armazenagem com tomadas para os contêineres, além de possuir um calado operacional adequado”, destacou o diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, Gabriel Vieira.

Carne bovina

A carne bovina exportada pelos portos paranaenses também apresentou desempenho relevante no cenário nacional, alcançando o segundo lugar, com 27,7% de participação em janeiro. Foram 122 mil toneladas enviadas, principalmente para China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, movimentando US$ 690 milhões em valor FOB.

Os resultados positivos nas exportações de frango e carne bovina consolidam o Porto de Paranaguá como principal canal de exportação de proteínas do Brasil. Em janeiro, foram movimentadas 272 mil toneladas, representando 37,9% do volume nacional e US$ 728 milhões em valor FOB.

Soja

Foto: Shutterstock

A movimentação geral de cargas nos portos paranaenses em janeiro somou 5.288.747 toneladas, configurando o melhor janeiro da história da Portos do Paraná. O volume representa aumento de 12,3% em relação ao recorde anterior que havia sido registrado no ano passado, com 4.708.203 toneladas.

Foram embarcadas 811,9 mil toneladas de soja em grão, aumento de 98% em relação a janeiro de 2025. O milho registrou crescimento de 12%, com o envio de 387 mil toneladas.

Janeiro também apresentou aumento de 199% na movimentação de açúcar ensacado, totalizando 397 mil toneladas. No ano anterior, as exportações haviam sido impactadas pela quebra da safra de cana, pela elevada oferta internacional e pela formação de estoques elevados em países asiáticos.

Paranaguá iniciou 2026 mantendo a liderança nas exportações de óleos vegetais, com crescimento de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando 123,9 mil toneladas embarcadas.

Importações aquecidas

O Porto de Paranaguá recebeu 882 mil toneladas de fertilizantes em janeiro, crescimento de 9% em comparação com janeiro de 2025. Outros produtos também registraram avanços expressivos, como malte e cevada, com aumentos de 383% e 364%, respectivamente.

Crescimento consolidado

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Os portos paranaenses mantêm trajetória de crescimento consistente. Em 2025, registraram o maior crescimento percentual em volume de cargas entre os portos brasileiros, com alta de 10,1% em relação ao ano anterior. A movimentação passou de 66,7 milhões de toneladas, em 2024, para 73,5 milhões de toneladas, considerando exportações e importações.

A produtividade no cais também impactou o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá, que bateu recorde em 2025 ao receber 507.915 caminhões — aumento de 29,5% em relação a 2024 (392.214). O espaço, com 330 mil metros quadrados e mil vagas de estacionamento, é responsável pela organização, classificação e direcionamento dos granéis sólidos vegetais.

Fonte: AEN-PR
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Avicultura

Produção e exportações em alta marcam cenário da avicultura no início de 2026

Setor registra aumento nos abates, recorde nos embarques e leve elevação nos custos, mesmo com retração nos preços internos.

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Foto: Ari Dias

O início de 2026 começou com recuo nos preços da carne de frango, acompanhando o comportamento típico do período, marcado por menor demanda interna. Mesmo com a pressão sobre os valores e o aumento da oferta, o setor segue com margens sustentadas por exportações em níveis recordes e custos de produção controlados, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Os preços da proteína avícola registraram queda no começo do ano, diferente do observado nos dois anos anteriores, quando as cotações permaneceram mais firmes durante o primeiro trimestre. No Estado de São Paulo, a ave inteira congelada acumulou retração de 14% entre o início do ano e 9 de fevereiro, com leve recuperação nos últimos dias, alcançando valores próximos de R$ 7 por quilo. Movimento semelhante foi verificado na carne suína, enquanto as carcaças bovinas mantiveram preços firmes.

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Pelo lado da oferta, a produção segue em crescimento na comparação anual, impulsionada pelo forte ritmo de alojamento de pintos em dezembro, que ficou 8% acima do registrado no mesmo mês de 2024. No mercado externo, janeiro apresentou novo recorde para o período, com embarques de 459 mil toneladas, volume 3,6% superior ao de janeiro de 2025. O preço médio de exportação ficou próximo de US$ 1.905 por tonelada, avanço de 2,1% em relação ao ano anterior.

Já o spread do frango abatido, que mede a relação entre o preço no atacado e o custo de produção, apresentou recuo e voltou à média histórica de 36%, frente aos 42% registrados no mês anterior. A redução ocorreu em função da queda no preço da ave e da leve alta de 0,6% nos custos. Ainda assim, o indicador permanece em patamar positivo, com o setor beneficiado por custos de ração controlados, mesmo diante da ampliação da oferta.

Com a queda nas cotações desde o início do ano, a carne de frango também ganhou competitividade em relação ao dianteiro bovino. Em fevereiro de 2026, a proteína avícola ficou 24% mais vantajosa na comparação com o mesmo período do ano passado.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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