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“Sistema verticalizado representa o futuro da piscicultura brasileira”, sustenta presidente da Peixe BR

Integração e cooperativismo são caminhos para oferta de mais peixe de cultivo no mercado, destaca Francisco Medeiros. Atualmente, brasileiro come só 4 kg/per capita/ano de peixes criados em cativeiro.

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Fotos: Divulgação/Peixe BR

A produção e consumo de peixes de cultivo vem crescendo em níveis de botar inveja a outros produtores de proteína animal. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), entidade criada em 2014, que reúne os diferentes elos da cadeia produtiva dos peixes de cultivo, a piscicultura brasileira é a atividade de proteína animal que mais cresce nos últimos anos. Somente entre 2016 e 2020, diz a entidade, a produção aumentou 25%, passando de 640 mil toneladas para 803 mil toneladas. Em 2020, o crescimento foi de 5,93% sobre 2019 (758.006 t).

Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR: “A integração ainda não ganhou relevância, mas o sistema cooperativo é importante – especialmente no Oeste do Paraná, onde estão cooperativas importantes, como Copacol e C. Vale”

Apesar da evolução do mercado, hoje o brasileiro come muito pouco peixe. São apenas 10 kg/per capita/ano. Desses, apenas 4 kg são peixes de cultivo. O consumo baixo fica mais evidente se comparado a outras proteínas animais. “Há muito espaço para crescimento. Atualmente, o consumo de pescado no Brasil gira em torno de 10kg/hab/ano e apenas 4kg/hab/ano são de peixes de cultivo – especialmente tilápia. A título de comparação, o brasileiro come 16kg/hab/ano de carne suína, mais de 30kg de carne bovina e 46kg de carne de frangos”, menciona o presidente executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros.

Para ele, o modelo de integração e cooperativismo é que vão ser pilares para o crescimento desse modelo de negócio. “A piscicultura brasileira está presente em cerca de 230 mil estabelecimentos agropecuários, de acordo com último Censo do IBGE. Os produtores independentes representam a expressiva maioria. A integração ainda não ganhou relevância, mas o sistema cooperativo é importante – especialmente no Oeste do Paraná, onde estão cooperativas importantes, como Copacol e C. Vale. A Copacol, aliás, é a maior produtora de tilápia do Brasil. A Peixe BR entende que o sistema verticalizado, seja em cooperativas ou integrações, representa o futuro da piscicultura brasileira. Nesse caso, a atividade seguirá os passos da avicultura e da suinocultura como sistemas de produção”, destaca Medeiros. Nesse modelo, as agroindústrias oferecem insumos e assistência técnica para o produtor rural, além de garantir a compra, processamento e distribuição da produção. Em contrapartida, o produtor rural cria os peixes, arca com custos como energia elétrica e mão de obra, além de manutenção de tanques escavados.

Panorama

De acordo com Medeiros, a tilápia segue com o primeiro lugar no aumento da produção, com tendência de alta. “O crescimento da produção é liderado pela tilápia, que representa cerca de 60% da produção de peixes de cultivo no Brasil, seguida pelos peixes nativos – particularmente da região amazônica, com destaque para o tambaqui – que participam com cerca de 35% – e outras espécies. Com esse resultado, o Brasil está entre os quatro maiores produtores de tilápia do mundo, atrás de China (1,9 milhão t), Indonésia (1,9 milhão t) e Egito (0,94 milhão t)”, destaca o presidente da Peixe BR. “A Peixe BR concluirá o novo levantamento da produção de peixes de cultivo no Brasil em janeiro de 2022. Pelas análises preliminares, a entidade confia no aumento da piscicultura como um todo em linha com o avanço dos últimos anos, com destaque – mais uma vez – para a tilápia, que deve crescer em dois dígitos”, sustenta o dirigente.

O Brasil é privilegiado e a piscicultura está presente em todas as regiões do país. O Sul lidera com 31,1% da produção, seguido pelo Nordeste, com 18,8%, Norte (18,6%), Sudeste (17,6%) e o Centro-Oeste (13,9%). Os dados referem-se a 2020. Medeiros enumera condições favoráveis para o país ampliar a produção e o consumo de peixes de cultivo. “Considerando a extensão territorial, o clima, a água e o espírito empreendedor dos produtores brasileiros, temos muita confiança no aumento da produção e consequente maior consumo de peixes no Brasil, tendo em vista o crescimento também da indústria de processamento e o aumento da linha produtos”, evidencia.

Exportações

Mercado ainda muito tímido, mas que começa a chamar a atenção é o externo. Apesar de exportar somente cerca de 1% de tudo que produz, o país tem clientes importantes, como Estados Unidos, e espera o fim do embargo par a carne de peixe de cultivo do Brasil pela União Europeia.

“Praticamente 99% da produção é consumida internamente. As exportações ainda representam muito pouco, porém estão em rápido crescimento. O último relatório oficial de exportações refere-se ao terceiro trimestre de 2021.

Puxadas pela tilápia, as exportações da piscicultura atingiram U$S 5,6 milhões no período, com aumento de 71% em relação ao mesmo recorte de 2020. Na comparação direta com o segundo trimestre de 2021, o aumento também é expressivo: 43%. Entre janeiro e setembro de 2021, as exportações totalizam US$ 12,8 milhões. As informações são do Ministério da Economia, foram compiladas pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura”, frisa.

Uma observação adicional, lembra Medeiros, é que “o Brasil exporta peixes de cultivo para mercados premium, especialmente os Estados Unidos. Nosso país está, desde 2018, fora de outro mercado muito importante: o europeu. Isso ocorre por uma restrição da União Europeia ao pescado brasileiro – motivada por questões sanitárias de barcos de pesca. Ou seja, a piscicultura paga por algo que não tem culpa. A Peixe BR interage com a Secretaria da Aquicultura e Pesca (SAP), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para resolver a questão, mas até o momento não há resposta positiva da União Europeia”, explica.

Desafios e oportunidades

Para o presidente da Peixe BR, as regulamentações ainda são entrave para o crescimento mais acelerado do setor. De acordo com ele, projetos parados significariam a produção de 3,5 milhões de toneladas de peixes por ano. “A maior dificuldade da piscicultura como um todo é a regulamentação ambiental. Essa atribuição é dos estados e segue em ritmo aquém do necessário. Em termos federais, a Mapa /SAP vem acelerando a aprovação de áreas de cessão de águas da União para fortalecer a atividade. Aliás, todos os processos pendentes representam potencial de produção de 3,5 milhões de toneladas/ano”, cita.

Ele destaca as oportunidades para os próximos anos. “Tanto no mercado interno quando em termos globais, a piscicultura brasileira tem excelentes oportunidades de crescimento. Atualmente, a atividade movimenta cerca de R$ 7 bilhões por ano e gera 1 milhão de empregos diretos. Há potencial para muito mais e o crescimento ano após ano mostra que estamos no caminho certo. A produção deve continuar em crescimento nos mesmos níveis – com destaque para a tilápia. O consumo interno também deve crescer, devido especialmente à maior divulgação das qualidades nutricionais dos peixes de cultivo, além do aumento da oferta de diferentes produtos. Otimismo também em relação às exportações, com reabertura – em breve, esperamos – do mercado europeu.

Piscicultura mundial e o Brasil

De acordo com Medeiros, o mundo produz mais de 170 milhões de toneladas de pescado, sendo esta a principal proteína animal do planeta e o pecado brasileiro terá cada vez mais relevância. “Mais de 50% dessa produção são de aquacultura (criação em cativeiro). E esse percentual está em crescimento, mostrando que os peixes de consumo têm muito potencial nos próximos anos, inclusive porque é preciso dobrar a oferta de alimentos de origem animal para atender à crescente população mundial. Nesse cenário, o Brasil desponta com muitas condições de aumento da produção devido à autorização de novas áreas para produção, sem dizer as próprias condições de oferta de água, clima e dimensões do país – além dos diversos sistemas de produção e das dezenas de espécies com potencial econômico. O Brasil tem um tremendo potencial de crescimento da produção e do consumo. Em termos de produção, representamos muito pouco, mas as condições positivas permitem esperar rápido fortalecimento da cadeia produtiva e da representatividade em termos mundiais”, aponta o presidente da Peixe BR.

Para Medeiros, a aceitação da carne de peixe e sua ligação com uma alimentação saudável é que permite sonhar em uma evolução constante do setor de peixes de cultivo. “Podemos dizer que não há grupos que não aceitam o peixe em sua dieta. Afinal, é uma proteína saudável e nutritiva. Os peixes de cultivo são criados de acordo com rígidas normas de segurança, além de manejo alimentar e sanitário. Peixe faz bem para pessoas de todas as idades e, inclusive, são aceitos por grande parcela dos defensores dos produtos naturais”, frisa.

Suínos

Falta de mão de obra qualificada entra na pauta da suinocultura

18º SBSS debate formação de profissionais, retenção de talentos e desafios para manter a competitividade do setor.

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Foto: Shutterstock

A formação de profissionais qualificados e os impactos da escassez de mão de obra na competitividade da suinocultura estarão entre os temas debatidos no 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação” será ministrada pelo médico-veterinário Anderson Queirós, no dia 13 de agosto, às 11h10, durante o Painel Pessoas – Gestão e Performance, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Médico-veterinário Anderson Queirós

A dificuldade para atrair, desenvolver e reter profissionais qualificados tornou-se um dos principais desafios da cadeia produtiva. Em um cenário de crescente demanda por eficiência, inovação e tecnologia, a qualificação das equipes e a valorização do capital humano são fatores importantes para a sustentabilidade e o crescimento das empresas do setor. A palestra apresentará reflexões sobre esse novo contexto e discutirá caminhos para preparar profissionais e organizações para os desafios do mercado.

Anderson Queirós é técnico em Agropecuária pelo Colégio Agrícola La Salle e médico-veterinário formado pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), campus de Xanxerê. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas e Processos pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e é sócio-fundador da Atualtech Consultoria e Instrutoria.

Com mais de 20 anos de atuação profissional, sendo os últimos 13 dedicados à consultoria em suinocultura, Anderson desenvolve trabalhos voltados ao aprimoramento da gestão, da produtividade e da capacitação de equipes, acompanhando de perto os desafios enfrentados pelas empresas na formação e retenção de talentos.

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que discutir pessoas é discutir o futuro da produção animal. “A tecnologia evolui constantemente, mas são as pessoas que fazem toda a cadeia acontecer. Hoje, um dos maiores desafios das empresas é formar profissionais preparados para lidar com sistemas cada vez mais modernos e complexos. Por isso, o SBSS encerra sua programação científica reforçando a importância do desenvolvimento humano para a sustentabilidade da suinocultura”, afirma.

Para o presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, o tema reflete uma realidade vivida por todo o setor. “A escassez de mão de obra qualificada é um desafio que impacta diretamente a produtividade e a competitividade das empresas. Mais do que identificar esse cenário, é preciso discutir estratégias para desenvolver pessoas, fortalecer lideranças e preparar equipes capazes de atender às demandas da suinocultura moderna. Esse é um debate que envolve toda a cadeia produtiva”, ressalta.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral

18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura
17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura:
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber

12h00 às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h00: Coffee Break

16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuiti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h00 – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h00: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-feira (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h00 – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos

Suinocultura catarinense enfrenta desequilíbrio entre oferta e rentabilidade

Mesmo com recordes de exportação, produtores acumulam perdas com aumento da produção e queda nas margens.

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Foto: Ari Dias

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, alertou para a grave crise financeira que atinge os produtores do estado. Apesar de Santa Catarina manter a excelência mundial em sanidade e bater recordes de exportação, o suinocultor amarga prejuízos devido à disparidade entre o alto custo de produção, a baixa remuneração repassada pela indústria e o excesso de oferta de carne no mercado.

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Losivanio Luiz de Lorenzi: “Agora não adianta achar culpado. Nós temos que nos abraçar, poder ter essa transparência e saber sentar numa mesa e mostrar os números reais para que essa suinocultura continue pujante, mas, acima de tudo, para que o produtor continue com qualidade de vida”

Atualmente, o custo para produzir um quilo de suíno atinge a marca de R$ 6,23, enquanto o produtor recebe em média apenas R$ 5,05. Esse déficit inviabiliza a continuidade da atividade nas propriedades rurais, do Sul ao Extremo-Oeste catarinense. “Nós pensávamos que tinha chegado ao fundo do poço, mas infelizmente descobrimos que estamos encontrando alguns alçapões que estão levando cada vez mais nós para esse fundo, onde a margem de lucro não existe”, afirma Lorenzi.

Fatores macroeconômicos, como a cotação baixa do dólar e a queda do poder de compra do consumidor brasileiro, contribuem para o cenário. No entanto, o presidente da ACCS aponta o incentivo desordenado ao crescimento por parte de indústrias e cooperativas como o principal agravante. O mercado foi inundado por um aumento abrupto na oferta, impulsionado pelo acréscimo de 105 mil matrizes, que são as fêmeas reprodutoras. Houve também a elevação dos índices de produtividade e do peso de abate, que ultrapassa os 130 quilos por animal.

Para a entidade, o descompasso atual poderia ter sido evitado com um planejamento mais rigoroso. “É inadmissível de um ano para outro aumentar 105 mil matrizes em um plantel. Se nós tivéssemos uma produção menor, sem dúvida, nós continuaríamos com a margem dentro da propriedade rural e dentro da indústria”, destaca o presidente. Ele ressalta ainda que a desvalorização do suíno no campo não tem chegado às gôndolas dos supermercados. Com exceção de promoções pontuais aos finais de semana, o consumidor final continua pagando preços elevados pela carne suína.

Foto: O Presente Rural

Somado ao desequilíbrio do mercado, o setor é pressionado por cobranças tributárias retroativas. O governo estadual passou a exigir o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) referente aos últimos cinco anos para produtores que venderam animais para fora do Estado. A ACCS critica a falta de orientação anual por parte do fisco, o que gerou dívidas milionárias sem que os suinocultores tivessem a chance de se adequar.

O produtor lida também com os custos das novas normativas de biosseguridade, um conjunto rigoroso de medidas para prevenir a entrada de doenças nas granjas. Assinados no ano passado, durante um período de projeções financeiras otimistas, os protocolos agora exigem investimentos que o suinocultor não tem condições de bancar.

A recuperação do setor, segundo a associação, exige uma ação coordenada e imediata de toda a cadeia produtiva, incluindo a redução do plantel por indústrias, cooperativas e produtores independentes. A ACCS alerta que a crise não será resolvida apenas por governos e cobra o fim da omissão de dados reais de expansão por parte de algumas empresas.

“Agora não adianta achar culpado. Nós temos que nos abraçar, poder ter essa transparência e saber sentar numa mesa e mostrar os números reais para que essa suinocultura continue pujante, mas, acima de tudo, para que o produtor continue com qualidade de vida”, conclui Lorenzi.

Fonte: Assessoria ACCS
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Suínos

ABCS lança plataforma de inteligência de mercado durante a Suinfair

Ferramenta reúne dados da cadeia suinícola e foi apresentada em um dos principais eventos da suinocultura independente do país.

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Foto: O Presente Rural

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) marcou presença em  Ponte Nova (MG), para prestigiar a realização da Suinfair 2026, promovida pela Associação dos Suinocultores do Vale do Piranga (Assuvap), contribuinte do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS). Nos dias 1º e 2 de julho,  a Assuvap reuniu produtores, técnicos, empresas, cooperativas e lideranças em um dos principais encontros da suinocultura independente do país, reforçando o compromisso com o fortalecimento da cadeia produtiva e o desenvolvimento sustentável da atividade.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “O ABCSData Insights nasce para oferecer inteligência de mercado à cadeia da suinocultura, reunindo, em um único ambiente, dados confiáveis sobre produção, mercado e o impacto econômico da atividade”

Com o conceito “Suinocultura em Movimento”, a edição de 2026 marcou uma nova fase da feira, com um formato mais estratégico, enxuto e qualificado, voltado à geração de negócios, ao compartilhamento de conhecimento e ao fortalecimento das conexões entre os diferentes elos da cadeia suinícola. Realizado na sede da Assuvap e da Coosuiponte, o evento foi pensado para aproximar produtores, empresas e especialistas em um ambiente favorável à construção de parcerias, à apresentação de soluções e à troca de experiências entre profissionais que participam diretamente das decisões do setor.

Para o presidente da Assuvap, Rodrigo Torres, a Suinfair representa um importante espaço de atualização e fortalecimento da cadeia produtiva. “A feira reúne o que há de mais moderno para a suinocultura, desde genética, nutrição, sanidade e manejo até máquinas e equipamentos. Mais do que apresentar tecnologias, é um ambiente que promove conhecimento, relacionamento e visão de futuro, permitindo que produtores e empresas compartilhem experiências e fortaleçam a atividade”, destacou.

A programação contou com um Seminário Técnico dedicado aos principais desafios e oportunidades da suinocultura. Entre os destaques estiveram palestras sobre mentalidade de alta performance no agro e  perspectivas do mercado, custos e margens da atividade, conduzidas pelo escritor, Eduardo Shinyashiki e  pelo professor, Sergio De Zen, a uma palestra técnica de José Henrique Piva, seguida pela participação do empresário e influenciador digital, Netão Bom Beef, que abordou estratégias para agregar valor à carne suína, aproximando a produção do consumidor e discutindo formas de ampliar a demanda pela proteína no mercado brasileiro.

Além do conteúdo técnico, a Suinfair reuniu empresas de diversos segmentos da cadeia produtiva, incluindo genética, nutrição, sanidade, equipamentos para granjas, fábricas de ração, softwares de gestão, rastreabilidade, transporte, projetos, construções e tratamento de água e efluentes, e promoveu a Bolsa de Suínos. A diversidade de expositores proporcionou aos produtores acesso a novas tecnologias, serviços e soluções voltadas ao aumento da eficiência, da produtividade e da competitividade da atividade.

Realizada no Vale do Piranga, região que concentra cerca de 35% do rebanho suíno de Minas Gerais e é reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do país, a Suinfair reafirmou seu papel como um ambiente estratégico para conectar produção, mercado e consumo. O apoio da ABCS à iniciativa reflete o compromisso da entidade em fortalecer suas associações afiliadas, incentivar a capacitação dos produtores e promover ações que contribuam para o crescimento e a valorização da suinocultura brasileira. Na ocasião, a entidade apresentou o ABCSData Insights, uma plataforma de mercado inédita que reúne dados de todo o setor.

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apresentar a plataforma durante a Suinfair reforça o compromisso da entidade em democratizar o acesso a informações estratégicas para o setor. “O ABCSData Insights nasce para oferecer inteligência de mercado à cadeia da suinocultura, reunindo, em um único ambiente, dados confiáveis sobre produção, mercado e o impacto econômico da atividade. Trazer essa ferramenta para Minas Gerais, um dos principais polos da suinocultura brasileira, é uma oportunidade de colocar essas informações nas mãos de quem toma decisões e fortalecer ainda mais a competitividade do setor”, afirmou.

Fonte: Assessoria ABCS
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