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Sistema inédito de biorreatores monitora processos de compostagem em laboratório
A compostagem é o principal método para produção de fertilizantes orgânicos, cujo mercado está em alta no Brasil, com crescimento superior a 60% ao ano.

A pesquisa agropecuária desenvolveu um sistema de biorreatores de bancada interligados que permite analisar com rapidez e precisão a eficiência de processos de compostagem, principal método para produção de fertilizantes orgânicos. O projeto já foi validado no laboratório de biorreatores e bioprocessos da Embrapa Solos (RJ) com resultados bastante fortes, e agora o ativo tecnológico está disponível para parceria com empresas incentivadas em desenvolver interface e design mais efeitos e atrativos para ofertá-lo ao setor produtivo ( veja mais detalhes no quadro abaixo) .
Um dos diferenciais do equipamento é a capacidade de realizar testes rápidos em laboratório na mistura que está sendo preparada para a compostagem. Com 1 Kg de uma combinação de resíduos é possível saber, em questão de horas, o seu potencial para os bioprocessos.
O laudo mostra o potencial do material atingir temperaturas entre 50 e 65 graus Celsius, ideais para o processo de compostagem, bem como a taxa de aeração (suprimento de oxigênio) exigida pela atividade de biodegradação. De acordo com o pesquisador, mesmo os experimentos mais complexos podem ser considerados em menos de dois meses.
“Biorreatores como esses existem em outros projetos e modelos, mas, no nosso caso, participam da fachada inédita de ter 12 reatores em funcionamento ao mesmo tempo e em linha, com sensores de oxigênio e gás carbônico e controle de temperatura, tudo integrado. Um dos diferenciais desse sistema é que, com no máximo um volume de 50 litros de mistura de resíduo, é possível fazer um experimento completo, com combinação, tratamento e repetições, coisa que a campo seria impossível”, explica o pesquisador Caio Teves Inácio , líder do projeto que criou o sistema na Embrapa Solos.
Inácio enfatiza que a geração de resíduos na agricultura e na agroindústria cresce na mesma proporção que a produção desses setores. Portanto, reaproveitar esses resíduos para o processo de compostagem, por exemplo, é importante para o meio ambiente e traz lucro aos produtores. “É uma questão de sustentabilidade. Nesse cenário, a tecnologia dos biorreatores de bancada ganha ainda mais proteção”, complementa.
Esses sistemas oferecem ainda um controle maior de todo o desenvolvimento experimental, permitindo pesquisar com mais segurança e celeridade temas como degradação de agrotóxicos, perda de exibição e eficiência do uso de inoculantes microbianos durante a compostagem.
Avanços tecnológicos ampliam o uso de biorreatores

Foto: Fernando Grégio
Biorreatores são equipamentos amplamente utilizados em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de biomedicina, biofármacos, bioenergia, biorremediação de resíduos e outros bioprocessos.
Inácio aponta que avanços na biotecnologia, em conexão com as tecnologias digitais e engenharia de equipamentos, permitirão nos últimos anos inovações importantes no campo tecnológico dos biorreatores, impulsionadas pela tendência de uso de fontes biológicas, orgânicas, renováveis e recicláveis em substituição à matéria-prima de origem não renovável, como os procedentes de matrizes fósseis e inorgânicas, que apresentam potencial elevado de negativos ao meio ambiente.
O maior aproveitamento dos recursos biológicos e das bandeiras bioativas de origem animal e vegetal tem representado importante potencial de inovação para a agricultura. No caso do reúso de resíduos rurais e da agroindústria para a produção de fertilizantes, por exemplo, indústria e agricultura estão integrados em uma cadeia de produção de insumos de base biológicos e renováveis.
“O emprego da matéria orgânica, como insumo fertilizante e condicionante de solo, muito embora corresponda a uma prática tradicional na agricultura, tem demandasdo inovações para atender ao crescente interesse da indústria, dos agricultores e dos consumidores finais na obtenção de produtos com melhor efeito em termos de nutrição e desempenho”, ressalta o pesquisador.
O aproveitamento mais eficaz dos resíduos orgânicos provenientes da agropecuária e da agroindústria passou a exigir processos de biotransformação para a produção de nutrientes vegetais com maior valor proteico e energético, além de comprovadamente seguros ao meio ambiente e à saúde humana. Com isso, aumentou o emprego dos biorreatores aeróbicos e anaeróbicos nos chamados bioprocessos, sejam de equipamentos de porte industrial ou de escala piloto e de bancada, como é o caso do ativo desenvolvido pela Embrapa.
Teves explica que biorreatores em escala adequada à pesquisa e experimentação possibilitam a simulação de bioprocessos – como a compostagem aeróbica de resíduos orgânicos – que ocorrem em grandes leiras (canteiros) dispostos no meio ambiente. Por meio de equipamentos em escala de bancada, é possível simular, em ambiente controlado de laboratório, a repetição de um sistema complexo de fatores compreendidos por temperatura, níveis de oxigênio, atividade biológica e grau de acidez ou alcalinidade – potencial hidrogeniônico (pH).
“Equipamentos em escala de laboratório permitem também estabelecer métodos de avaliação e de monitoramento da geração de subprodutos, com o objetivo de perfeição, em escala industrial, a qualidade e eficiência energética e ambiental de compostos de base orgânica e biológica”, completa o pesquisador.
O que a Embrapa espera da parceria?
Ao disponibilizar para parceria o ativo Biorreator de bancada para monitoramento da compostagem em laboratório, a Embrapa espera criar uma interface de dados interessante para o fornecimento dos resultados das análises, além de um design atrativo e inovador para o produto. É o que explica o analista Igor Dias , supervisor de prospecção e avaliação de tecnologias da Embrapa Solos.
“O parceiro deve desenvolver o codesenvolver o ativo com foco nos aspectos de interface de dados e de design. Deve também se engajar na busca de clientes que possam se interessar pela adoção desta tecnologia, seja junto à comunidade acadêmica, ao setor produtivo ou em outros grupos de interesse identificados pela empresa”, completa Dias.
A Embrapa espera que o biorreator de bancada possa ser oferecido ao setor produtivo pelo parceiro por meio de venda de unidades físicas do produto ou prestação de serviço. O modelo de negócio referente à adoção do ativo pelo mercado deve ser fruto de negociação entre a Embrapa e o parceiro.
Os interessados na parceria devem entrar em contato com a Embrapa Solos pelo e-mail cnps.chtt@embrapa.br .
Produção brasileira de fertilizantes especiais em alta
A tecnologia dos biorreatores de bancada pode trazer ganhos importantes para a inovação nos processos de compostagem e, consequentemente, para a produção de fertilizantes orgânicos, que está em alta no Brasil.

Foto: Nátia Élen Auras
De acordo com dados divulgados pelo Anuário de 2022 da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal ( Abisolo ), as vendas do setor de fertilizantes especiais (que incluem os minerais especiais, os organominerais e os orgânicos) atingiram R$ 16,6 bilhões em 2021, apresentando um crescimento de 65% sobre o resultado de 2020.
As três categorias tiveram crescimento robusto, sendo que as vendas de fertilizantes orgânicos apresentaram a maior variação percentual (131%), seguidas pelos organominerais (68%) e pelos minerais especiais (58%).
Em 2021, as vendas de fertilizantes minerais especiais atingiram R$ 11.943 bilhões, ante R$ 3.298 bilhões dos organominerais e R$ 1.419 bilhão dos orgânicos.

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Dia de Campo de Verão 2026 reúne tecnologia, mercado e inovação
Evento da Cooperativa Agroindustrial Tradição acontece nesta semana em Pato Branco (PR), com palestras, mais de 80 expositores, arena de drones e lançamentos para a safra.

A Cooperativa Agroindustrial Tradição promove nesta semana, entre quarta (25) e quinta-feira (26), o Tradição em Campo – Dia de Campo de Verão 2026, um dos principais encontros técnicos do calendário agro regional. A programação acontece das 08 às 17 horas, no Centro de Tecnologia e Inovação Tradição (CITT), em Pato Branco (PR), reunindo cooperados, parceiros e produtores em dois dias dedicados à difusão de tecnologia, atualização de mercado e apresentação de lançamentos para a nova safra.
As inscrições são gratuitas e obrigatórias, mediante cadastro no site da cooperativa.
Nesta edição, o evento amplia a grade de conteúdo com três palestras centrais. No dia 25, às 14h30, o biólogo Richard Rasmussen abordará os desafios contemporâneos do agronegócio. No dia 26, o consultor Carlos Cogo apresentará análise do cenário agrícola global e brasileiro, com foco em tendências de mercado. À tarde, Maria Iraclézia tratará de gestão, liderança e empreendedorismo no setor.
Além das palestras, o Dia de Campo trará estações técnicas sobre soja, milho e feijão, além de apresentar novidades em máquinas, pecuária, TRR e cooperativismo. Mais de 80 expositores estarão presentes com soluções voltadas à produtividade e à eficiência no campo. “Estamos finalizando todos os preparativos para receber as famílias dos cooperados”, afirma o gerente técnico comercial da cooperativa, Carlos Francisco Marquezi.
Entre as novidades está a criação de um espaço kids com monitores, permitindo que as famílias participem do evento com maior conforto. “Será um espaço planejado para acolher as crianças, permitindo que os pais visitem a feira com tranquilidade”, reforça Marquezi.

A programação inclui ainda uma arena exclusiva para demonstrações de drones agrícolas, ampliando o acesso a tecnologias de agricultura de precisão. O setor de máquinas contará com pista para test drive de quadriciclos, proporcionando experiência prática aos visitantes.
Como atração especial, cooperados que visitarem os estandes parceiros e completarem o mapa da feira poderão concorrer ao sorteio de um quadriciclo, mediante cumprimento das regras estabelecidas pela organização.
Outra estrutura inédita será o bar suspenso, oferecendo visão panorâmica de unidades estratégicas da cooperativa, como a nova Indústria de Óleo e Farelo de Soja, a Unidade de Beneficiamento de Sementes e a Unidade de Grãos.
Com foco em inovação, integração e desenvolvimento sustentável, o Tradição em Campo consolida-se como vitrine tecnológica e espaço de relacionamento estratégico para o agronegócio regional.
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Presidente da Copagril reforça protagonismo do cooperativismo paranaense em reunião estratégica do Sistema Ocepar
Eloi Darci Podkowa participou do encontro em Curitiba em que foi aprovado o balanço de 2025, definido metas para 2026 e debatido o cenário econômico, climático e agenda internacional do setor.

As diretorias da Ocepar e da Fecoopar realizaram na última quarta-feira (19), em Curitiba, a primeira reunião presencial de 2026. A Copagril foi representada pelo diretor-presidente, Eloi Darci Podkowa.
O encontro foi dedicado à avaliação dos resultados de 2025 e à definição das diretrizes estratégicas para o cooperativismo paranaense em 2026. Entre os itens da pauta esteve a apresentação e deliberação do Balanço Patrimonial do Sistema Ocepar, formado por Fecoopar, Ocepar e Sescoop/PR, referente ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. Após a aprovação da ata anterior, também foi validado o Plano de Trabalho para 2026, com a definição de metas e prioridades de atendimento às cooperativas.
Durante a reunião, a diretoria analisou ainda o Projeto 27 do Plano Paraná Cooperativo (PRC300), voltado à formação de alianças estratégicas entre cooperativas, com foco na ampliação da competitividade e da eficiência operacional no mercado global.
Temas internacionais também estiveram em discussão, como os desdobramentos do acordo entre Mercosul e União Europeia e os reflexos para o agronegócio. Foi apresentado, ainda, um balanço da participação paranaense na feira Gulfood, realizada em Dubai.
A reunião contou com a participação da presidente-executiva da OCB, Tânia Zanella, que apresentou as principais frentes de atuação e prioridades do cooperativismo brasileiro para 2026.
A presença da Copagril no encontro integra as discussões estratégicas do sistema cooperativista estadual e acompanha as definições que orientarão o setor ao longo do ano.
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Soja sobe no mercado interno com demanda externa aquecida e clima irregular no Sul
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta prêmios de exportação mais atrativos e postura cautelosa de produtores diante da estiagem.

Os preços internos da soja subiram na semana passada. Pesquisadores do Cepea apontam que esse movimento se deve à aquecida demanda externa, em decorrência da maior atratividade dos prêmios de exportação no Brasil, e à postura cautelosa de produtores brasileiros, especialmente os do Sul, diante das incertezas relacionadas à irregularidade das chuvas.
No campo, colaboradores consultados pelo Cepea relatam redução de produtividade em áreas afetadas pela estiagem. Por outro lado, as chuvas recentes favoreceram lavouras ainda em desenvolvimento no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
De acordo com a Conab, até 14 de fevereiro, a colheita nacional de soja atingia 24,7% da área, abaixo dos 25,5% registrados no mesmo período do ano passado e dos 27,1% da média dos últimos cinco anos.



