Bovinos / Grãos / Máquinas
Sistema de integração chega à bovinocultura de leite
Novidade no modelo de criação de gado de leite incentiva que produtores apostem na atividade com a segurança do apoio da cooperativa
Apostar em uma ideia nova nem sempre é algo totalmente seguro. Mas, segurança é um dos sinônimos de cooperativismo. E isso faz com que o produtor aposte naquilo que a cooperativa tem de novo a mostrar e fazer. Foi isso que os produtores Marcelo Eckstein, Marcos Eckstein e Valdecir Stadikoski, de Cafelândia, PR, fizeram quando a Copacol apresentou a eles o sistema de integração para vacas de leite. A ideia é simples: do mesmo modo que o suinocultor e o avicultor têm o sistema integrado com a cooperativa, agora também o pecuarista terá. A cooperativa entra com as novilhas e assistência técnica e o produtor com o espaço, dieta e produto final. Participando deste tipo de produção há dois anos, os produtores aprovam a novidade.
O trabalho na propriedade é em família. Os dois irmãos e o cunhado cuidam de 100 vacas holandesas, que atualmente produzem em média 26,5 litros de leite cada por dia. Eles foram os primeiros cooperados a apostar na atividade integrada. “A cooperativa nos convidou para participar do projeto piloto, nos apresentando como seria. Nós acreditamos no projeto e resolvemos apostar na ideia”, conta Marcelo. Antes, os três trabalhavam com agricultura, na plantação de soja e milho, além de avicultura e piscicultura. “Quando a Copacol nos convidou para participar, nós adotamos a ideia e passamos a fazer mais esta atividade”, complementa Marcos.
Com o convite feito, a família construiu então na propriedade o local para alojar os animais e iniciar a produção. “Nós trabalhamos com o sistema de confinamento free stall”, informa Marcos. Considerado o melhor sistema pela família, os irmãos e cunhado trabalham para oferecer aos animais o melhor conforto e bem estar possível. “Nós nos preocupamos principalmente com três coisas: dieta, água e conforto. Os animais que têm isso são menos estressados e assim dão resultados com mais produtividade e qualidade”, conta Marcelo.
Mas, mesmo com o apoio da cooperativa, no início a família ficou receosa em participar do projeto inovador. “Nós fomos os primeiros, então, não tínhamos onde olhar ou pegar como referência para ver como funcionava. Por conta disso, ficamos um pouco acanhados em iniciar o projeto”, comenta Marcelo. Porém, a cooperativa garantiu total apoio e suporte, o que fez com que os três apostassem na atividade. “A Copacol nos passou muita segurança. Sabíamos que com o apoio deles conseguiríamos fazer”, destaca.
O produtor conta que desde o início das outras atividades já eram cooperados da Copacol e, dessa forma, a confiança com a cooperativa já existia. “Entramos também na atividade para aumentar os ganhos na propriedade. Porque hoje em dia não é mais exclusivo você mexer somente com soja, milho ou trigo. É preciso diversificar para ter outra renda. E essa é uma das formas que encontramos para ter uma renda extra”, destaca Marcos.
Os três afirmam se considerarem sortudos pela cooperativa convidá-los a ser os primeiros a desenvolver o projeto piloto na propriedade. A família comenta ainda que mesmo com os altos e baixos que existem na atividade estão muito satisfeitos com os resultados que estão sendo obtidos. “Temos uma produção considerável e com alta qualidade. Todo mês é feita a análise pelos médicos veterinários da Copacol e estamos com uma quantidade excelente e também com qualidade, que é o mais importante”, afirma Valdecir. Os três destacam ainda que, conforme as últimas avaliações que foram feitas, a propriedade está entre as primeiras em produção e qualidade. “E é a assistência técnica ofertada pela cooperativa que nos permite alcançar estes números”, diz.
Além disso, o trio afirma que, se não fosse pelo apoio e suporte dado pela cooperativa, o mais provável é que nem estariam hoje na atividade. “É a segurança oferecida pela Copacol que nos incentivou também em apostar na bovinocultura de leite. Porque, se não tivéssemos o apoio deles, nós nem tentaríamos iniciar a produção”, informa Marcos. A família destaca também que com toda a assistência, a produtividade cresce gradativamente. “É um passo de cada vez, mas estamos aumentando a produção e a qualidade a cada mês, e no final temos a recompensa”, conta. Marcos comenta que com o acompanhamento feito pela cooperativa e a busca da família por novas tecnologias e atualização faz com que a parceria dê certo e seja bastante gratificante.
Os produtores dizem que agora, com a atividade já funcionando na propriedade, a intenção é aumentar o plantel e também as tecnologias utilizadas, principalmente para diminuir a mão de obra. Isso porque apostam no modelo. “Esse sistema de integração é um potencial e o produtor de leite vai investir mais nisso. Com a parceria da Copacol, a atividade se torna muito mais viável e fácil”, afirma. Para os três, a atividade tem tudo para dar certo e crescer na região e também no país. “É um projeto que dá muito mais segurança ao produtor, pelo suporte que ele oferece”, dizem.
Como Funciona
O presidente da Copacol, Valter Pitol, comenta que a ideia de fazer um sistema de integração de leite veio de uma necessidade para organizar, estruturar e dar melhores condições na integração para que os cooperados que já trabalhassem ou quisessem iniciar com a bovinocultura de leite pudessem avançar e também ter mais rentabilidade com a atividade. “Nós discutimos com os nossos técnicos da área que visitaram diversos sistemas de produção no Brasil e chegamos à conclusão de que este sistema de produção que estamos adotando é aquele mais coerente e que proporciona melhores condições de segurança para o produtor, que é o sistema de integração”, conta.
Pitol diz que o sistema funciona de forma bem simples. “Nós fizemos todos os projetos de liberação ambiental para começar. Assim, quando iniciamos, o produtor se preocupa com o investimento e a produção de alimentos e a cooperativa fornece as matrizes para a produção. A cooperativa faz ainda a reposição de todo esse plantel e assim o produtor tem uma receita equilibrada e bem uniforme no mês”, conta. A liderança informa que são planteis de 100 animais oferecidos aos produtores que são integrados no momento. Pitol diz que o produtor precisa ter a dedicação em relação à produção de alimentos e ter os resultados, e a cooperativa faz todo o processo de atendimento, entrega e reposição da matriz.
Mas, uma pergunta que pode surgir é: como o produtor paga por isso? Pitol esclarece que ele paga com a entrega do produto para a cooperativa. “12% do que é entregue a Copacol retém para a cooperativa para fazer todo esse processo de substituição, integração e produção das matrizes” conta.
Para o presidente, o principal é que com o sistema de integração há a garantia da comercialização do leite, nos preços adotados pela Central Cooperativa Frimesa, oferecendo maior segurança para o desenvolvimento da atividade. “O produtor tem a assistência técnica e sanitária, tem alimentação, ração, tem tudo. Então, é um sistema integrado que permite ao associado participar dessa atividade e ter rentabilidade econômica”, afirma. Pitol diz que é sabido que o leite dá bastante trabalho, mas com a integração todo mês o produtor tem receita. “O que estamos vendo hoje nesse sistema é que ele está crescendo muito. Temos este ano a previsão já liberada para construção para mil matrizes e já liberado para o ano que vem para continuarmos com esse processo de mais mil matrizes”, conta.
O projeto final para os próximos quatro anos é chegar a cinco mil matrizes, informa Pitol. A intenção, com o sistema de integração, é produzir em torno de 120 a 130 mil litros de leite por dia. “Damos segurança ao produtor, na produção e também na comercialização do produto via Frimesa”, destaca a liderança. Pitol conta que atualmente são três propriedades participando do sistema de integração efetivamente, “mas já temos outras seis, que vão completar os detalhes finais e começar com a produção até o final deste ano”, informa.
O sistema de produção de integração começou efetivamente há dois anos. “Já temos produtores que estão produzindo neste período e agora temos novos que irão começar. Então, este ano temos um número significativo que vai chegar a mil matrizes. E para o ano que vem já temos liberado para a produção de mais mil matrizes. Nossa meta, para os próximos quatro anos é chegar a cinco mil matrizes, que é a nossa expectativa para esse sistema de integração de leite”, conta.
O Papel da Cooperativa
Pitol informa que o papel da cooperativa é procurar oferecer ao produtor a atividade que ele possa ter rentabilidade, dando todo o suporte e também garantia de comercialização via Frimesa, além da industrialização do produto, oferecendo assim maior segurança ao produtor que ingressa neste sistema de produção. “É mais uma atividade que o produtor pode fazer e ter receita. Se ele tem mais receita tem resultados, e assim a vida dele é melhor. E esse é o nosso objetivo, e encontramos no leite uma maneira que entendemos que é bem prática com esse sistema que adotamos. Assim, damos oportunidade de crescimento ao nosso cooperado”, diz.
O presidente diz que a cooperativa ainda é iniciante na produção de leite, mas pretende aumentar o investimento nesta atividade. “Nós tínhamos dificuldade em encontrar uma maneira, um sistema de estimular o produtor a também produzir leite. Porque frango, suínos e peixe é tranquilo, o leite que era uma atividade que não andava. Mas, através dessa análise e discussão que tivemos, chegamos na cooperativa com esta ideia que é oportuna. Agora, estamos fazendo a constatação que é extremamente acertada, porque temos aqueles que estão produzindo e que vão produzir”, afirma. Pitol complementa, garantindo que o plano de sistema de integração lácteo já é um sucesso dentro da cooperativa.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
