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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia no Campo

Sistema Antecipe diminui riscos de plantio para milho safrinha

Sistema Antecipe promete incrementar a produção do milho safrinha, que já responde por mais de 70% da produção nacional

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Décio Karam

Um sistema inédito de produção de grãos, desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), promete incrementar ainda mais a produção da soja e do milho safrinha.  Trata-se do Antecipe, um método de cultivo intercalar que possibilita a redução dos riscos causados pelas incertezas do clima durante a segunda safra. Resultado de 13 anos de pesquisas, a tecnologia é composta por três pilares: um sistema inédito de produção de grãos, uma semeadora-adubadora exclusiva e um aplicativo para auxiliar o produtor a tomar as melhores decisões.

O pesquisador Décio Karam, líder do projeto, explica que “o Antecipe foi desenvolvido e aprimorado por pesquisas e validado em várias regiões do País que adotam a safrinha, como Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso”. De acordo com ele, os resultados têm sido promissores, tanto nas operações de plantio intercalar do milho, como na colheita da soja e no desenvolvimento do milho após a colheita dessa leguminosa. 

Para o chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Durães, o Antecipe é um sistema em franca evolução, na parceria público-privada, com grande potencial de impactar o desenvolvimento da agricultura brasileira. “É uma inovação que envolve conhecimento e ativos tecnológicos tangíveis e intangíveis”, afirma.

Como funciona o Sistema Antecipe? 

Na prática, o Sistema Antecipe começa com a semeadura mecanizada da cultura do milho nas entrelinhas da soja, quando a leguminosa está na fase de enchimento de grãos, a partir do estádio R5.

Na hora da colheita, o milho é cortado junto com a soja, ficando apenas um pequeno caule de cada planta de milho.  Só que, nesse momento, toda a lavoura de milho já está implantada, com raízes em pleno desenvolvimento e pronta para continuar crescendo.

Com o sistema, o produtor pode antecipar o plantio do milho safrinha em até 20 dias e diminuir os riscos de perda de produtividade em função de condições climáticas adversas, que ocorrem no fim do verão e início do outono. Dessa forma, a lavoura de milho pode se desenvolver em época com precipitação mais favorável, o que possibilita ganhos em produtividade e rentabilidade.

Segundo Karam, “essa antecipação do plantio do milho possibilita ainda redução no custo de produção da soja, já que não é mais necessário fazer a dessecação dessa cultura para antecipar a colheita, o que traz benefícios operacionais, econômicos e ao meio ambiente”. Além disso, em regiões com maior experiência em safrinha, é possível o uso de cultivares de soja de ciclo mais longo, notadamente mais produtivas do que as cultivares precoces, sem prejuízo em produtividade do milho na sequência.

Outra oportunidade de uso da tecnologia é a implantação do milho safrinha em regiões agrícolas onde a segunda safra ainda não foi plenamente estabelecida, abrindo janelas de cultivo que antes eram limitadas ou inviáveis.

A semeadora-adubadora

Patenteada pela Embrapa, a semeadora-adubadora representa um novo conceito para o mercado brasileiro. A máquina faz o plantio e a adubação do milho, nas entrelinhas da soja, sem que haja danos mecânicos, amassamento, perda de área foliar ou outro prejuízo que comprometa a produtividade dessa oleaginosa.

Além da adaptação específica para o cultivo intercalar, a máquina também faz todas as operações de semeadora-adubadora para plantios convencionais.

Em 2019, a Embrapa e a Jumil, empresa de implementos agrícolas, iniciaram uma parceria para a construção industrial do primeiro protótipo dessa semeadora-adubadora.

Já nesta safra 2020/2021, o implemento passará por ajustes finos em ambientes reais de produção a fim de cumprir as exigências dos protocolos para sua fabricação em escala e comercialização a partir da safra 2021/2022.

O diretor-presidente da Jumil, Fabrício Rosa de Morais, explica que, nesta primeira fase do projeto, a semeadora-adubadora foi desenvolvida pensando nos pequenos e médios produtores, dando a eles a oportunidade de competir em resultados, diminuir riscos e ampliar a produtividade.  Morais destaca ainda o sucesso e a velocidade do desenvolvimento desse protótipo, que, mesmo com a pandemia, conseguiu cumprir todos os cronogramas planejados.

 O aplicativo

O aplicativo Antecipe é um serviço estratégico para o novo sistema, pois facilita a tomada de decisões no campo. O produtor poderá realizar não só o acompanhamento dos estádios fenológicos da lavoura de soja, mas também obter orientações sobre o momento adequado para a implantação da lavoura de milho, dentro das premissas técnicas do Sistema Antecipe.  O aplicativo já está em fase final de testes.

O analista de sistemas Pedro Gomide, da Embrapa Milho e Sorgo, explica que “esse aplicativo armazena também os dados inseridos pelo produtor sobre o cultivo da soja e do milho, além de informações das análises de solos realizadas, os tratos culturais e adubação”. Assim, além de enviar mensagem de texto avisando a hora para a realização das práticas, o aplicativo servirá também para o produtor ter um histórico da sua lavoura.

Como o milho mantém a produtividade no Antecipe

No Sistema Antecipe, quando é feita a colheita da soja, o milho também é cortado, ficando apenas com um pequeno caule. Mesmo assim essa cultura não tem sua produtividade comprometida por esse estresse. Como isso ocorre? Um dos pontos-chave do conhecimento gerado ao longo das pesquisas é o momento adequado de cada operação agrícola.

O pesquisador Paulo César Magalhães, da Embrapa Milho e Sorgo, explica que, com a desfolha precoce das plantas de milho no estádio V4-V5, naturalmente, ocorre a perda total de 3 a 4 folhas completamente expandidas e a perda parcial de 3 a 4 folhas que ainda estão em desenvolvimento e se encontram no cartucho da planta. “Logo após a desfolha, o milho rebrotará, recuperando-se daquele estresse, emitindo novas folhas a partir do cartucho danificado e retomando o seu crescimento normal. Isso acontece porque o ponto de crescimento [tecido meristemático] ainda se encontra abaixo da superfície do solo”, complementa.

Magalhães afirma que resultados experimentais de um grande número de trabalhos demonstram que a produtividade do milho não deve ser influenciada por essa perda inicial de folhas. “A explicação se deve ao fato de que essas folhas são pequenas em tamanho e o seu grau de contribuição para a produção de grãos é muito reduzido. Sendo assim, essa pequena perda da fonte de fotoassimilados em V4-V5 será insignificante nas fases mais decisivas para a produção de grãos, como por exemplo o período de enchimento”, pontua.

Relevância do Sistema Antecipe para a produção de milho no Brasil

Na safra 2019/2020, o Brasil superou o volume de 100 milhões de toneladas de milho. Desse total, 74 milhões de toneladas são provenientes da segunda safra, semeada após a colheita da soja. Embora esse resultado seja impactante, condições climáticas adversas, principalmente na região centro-sul, reduziram o potencial produtivo do milho safrinha neste ano agrícola.

Na safra 2020/2021, o cenário climático pode ser ainda mais severo, com a presença do fenômeno conhecido como La Niña, que influencia a distribuição de chuvas em todas as regiões do Brasil.

O pesquisador Emerson Borghi, da Embrapa Milho e Sorgo, diz que neste início de safra “muitas áreas em quase todos os estados produtores de soja das regiões Centro-Oeste e Norte já estão sofrendo com o atraso de chuvas e tendo o plantio muito prejudicado. Em algumas regiões, para recuperar a área cultivada, o produtor está tendo que trabalhar quase 24 horas por dia para conseguir plantar a soja”.

Plantios tardios aumentam o risco de chuvas ou geadas na hora da colheita da soja e, com isso, ocorre maior atraso na implantação do milho safrinha. Mas os problemas no plantio da soja não são causados apenas pelos atrasos.Produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins têm iniciado o plantio da soja antes do período chuvoso ou imediatamente após a primeira chuva.

Os produtores esperam, com isso, realizar o plantio do milho safrinha mais cedo, logo após a colheita da leguminosa. Essa prática, entretanto, pode prejudicar não só a germinação e a emergência da planta de soja – já que a semente não encontra água suficiente no solo –, mas também a própria produtividade da cultura.

Borghi explica que essa é uma das vantagens do Antecipe, pois “o produtor vai poder antecipar o cultivo do milho em até 20 dias, antes da colheita da soja. Com isso, ele vai trazer a soja para a época ideal de cultivo na sua região e diminuir os riscos de implantação do milho safrinha”.

O pesquisador alerta, porém, que a Embrapa não está recomendando a mudança do sistema de cultivo de milho safrinha que hoje existe no Brasil. “O Antecipe é uma tecnologia para diminuir riscos. Ou seja: aquele milho que estava sendo plantado fora da época recomendada, agora, volta para a janela ideal plantio”, destaca.

Dessa forma, o Sistema Antecipe demonstra enorme relevância para redução de riscos na safrinha, que é responsável por mais de 70% da produção nacional de milho e tem potencial de continuidade de expansão.

Além disso, esse sistema de cultivo está alinhado às principais diretrizes estratégicas do governo brasileiro na redução da emissão de gases de efeito estufa e com a Política Nacional de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC).

Karam espera que, “após o lançamento comercial do Antecipe, em 2021, novas pesquisas adaptativas envolvendo outras espécies e regiões possam atender pequenos e médios produtores, especialmente no Nordeste brasileiro”.

Principais impactos que o Antecipe pode trazer para a agricultura brasileira

  • Estabelecimento precoce da cultura do milho, com redução de riscos de frustração por perda de produtividade na safrinha, em função das condições climáticas adversas no fim do período do verão e início do outono;
  • Possibilidade do cultivo de milho em sequência ao da soja, mesmo para cultivares de soja de ciclo mais longo, com ganhos consideráveis no sistema de sucessão e/ou rotação;
  • Possibilidade de redução do custo com a operação de produtos químicos (herbicidas para dessecação da cultura da soja e herbicidas pós-emergência do milho);
  • Otimização do uso de insumos com adubação para altas produtividades do sistema;
  • Expansão do cultivo do milho para regiões antes limitadas pelo Zoneamento de Risco Climático (Zarc), com maio estabilidade na safrinha, em função da redução de riscos de frustração;
  • Possiblidade de desenvolver novos modelos de cultivos consorciados, iniciando pelo sistema soja/milho, mas podendo ser validado posteriormente, com alto potencial de impacto para outras culturas, como sorgo, trigo, milheto etc., além da possibilidade do cultivo de gramíneas forrageiras para composição de novas modalidades de cultivo para a integração lavoura-pecuária.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Vacinas recomendadas para período de cria de bovinos e protocolos de sanidade reprodutiva

Depois do manejo nutricional o manejo sanitário de um rebanho é de extrema importância e, a vacinação é a primeira ferramenta a ser lembrada

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito Reuel Luiz Goncalves, médico veterinário e gerente Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó

Utilizar vacinas na pecuária se tornou rotina, por ser uma medida preventiva contra doenças infecciosas, por reduzir perdas e a necessidade do uso de antibióticos para os tratamentos nos animais de produção, o que diminui os custos e também os resíduos de fármacos em produtos de origem animal. A vacinação visa prevenção, controle e até mesmo a erradicação de doenças, melhoria da saúde pública e aumento dos índices produtivos e reprodutivos dos rebanhos. Depois do manejo nutricional o manejo sanitário de um rebanho é de extrema importância e, a vacinação é a primeira ferramenta a ser lembrada.

Vacinar é o mesmo que imunizar?

Não! O ato da vacinação é uma prática simples, mas que requer alguns cuidados especiais e conhecimentos para imunizar bem os animais e evitar prejuízos aos produtores, danos ao rebanho e para que o processo de imunização tenha maior chance de ser bem sucedido.

Devemos sempre observar vários fatores para que a eficiência da imunização desencadeada pela aplicação da vacina não seja prejudicada. Esses fatores podem estar relacionados ao transporte, conservação (cadeia de frio), manuseio das vacinas e execução da vacinação propriamente dita.

Os principais objetivos da vacinação são:

  • Proteger o rebanho e evitar surtos de doenças infecciosas;
  • Proteger o indivíduo (animal) de doenças infecciosas associadas à mortalidade e evitar sequelas de longo prazo que possam interferir no desempenho ou, até mesmo, interromper o período de vida produtiva/reprodutiva de um animal ou de todo um rebanho;
  • Controlar e, até mesmo, erradicar doenças infecciosas como Aftosa, Brucelose, Raiva, etc.

Planejamento

Uma anamnese detalhada da fazenda deve ser feita antes de se montar um Calendário Sanitário Vacinal. Induzir proteção de rebanho pelo uso da vacinação deve levar em conta o tipo de sistema da propriedade, se é cria, recria, engorda, ou ciclo completo, a manifestação ou não de doenças, relatos de casos de doenças endêmicas na região e relatórios informativos sobre o diagnóstico e a prevalência de doenças contagiosas publicados por órgãos oficiais de vigilância sanitária regionais. Em seguida, deve ser montado um calendário de vacinação, onde estarão definidas as vacinas a serem utilizadas, categorias que receberam e a melhor época para a aplicação de cada uma delas. Este calendário deverá ser definido em conjunto com o médico-veterinário responsável pelo rebanho, o gerente da propriedade e o proprietário, para que todos estejam cientes das necessidades vacinais do rebanho.

As vacinas obrigatórias dos bovinos devem ser incluídas inicialmente no calendário anual de vacinação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) define um calendário oficial para a vacina de febre aftosa, em que os meses mais adequados para vacinação são definidos segundo o Estado, geralmente nos meses de maio e em novembro. Em algumas regiões endêmicas se faz também com a vacinação contra Febre Aftosa a vacina de Raiva, sendo essa uma orientação estadual.

Outra vacina oficial importante é contra brucelose, não existe uma data definida com calendário oficial de vacinação, entretanto o que fica definido são o sexo e a idade do animal em que a vacina deve ser administrada (vacinar apenas fêmeas entre três e oito meses de idade).

Definidas as datas das vacinas obrigatórias, o produtor em conjunto com o veterinário e o gerente da fazenda deve incluir as vacinas produtivas para proteger os animais contra determinadas doenças, utilizando uma ou mais das dezenas de vacinas disponíveis no mercado.

Para definir o calendário vacinal, pensado na reprodução, devemos identificar quando é a Estação de Monta (EM) da propriedade, na maior parte do país inicia-se no primeiro dia de novembro, terminando ao final de janeiro (90 dias) ou de fevereiro (120 dias).

Estabelecido a EM, fica fácil de determinar a Estação de Nascimento (EN), sendo possível organizar a vacinação das fêmeas em atividade reprodutiva nas mais diversas categorias da propriedade (Nulíparas, Primíparas, Secundíparas, Pluríparas e Vacas solteiras).

Umas das vacinas mais antigas utilizadas em fêmeas de cria é a contra o paratifo (Salmonelose) e para colibacilose (E. coli), vacinas estas feitas no 8º mês de gestação das mesmas. Hoje, estas vacinas foram substituídas pelas contra Diarreias Neonatais, onde além da proteção contra E. coli e Samonella spp pela cepa J5, elas possuem em sua composição além da cepa J5 os Vírus G6 e G10 de Rotavírus.

Outra vacina muito importante e que muitas vezes é negligenciada nas matrizes são as vacinas Clostridiais (Policlostrigen), contra carbúnculo sintomático, gangrena gasosa e enterotoxemias e também contra o botulismo. Por quê? Lembremos sempre que os animais de cria estão sujeitos a desafios diferentes que os de engorda e também precisam produzir um colostro de qualidade para seus produtos, principalmente para protegê-los nos primeiros 60 a 90 dias de vida.

Depois das vacinas massais (Clostridiose, Botulismo e Raiva), devemos dar atenção às vacinas especiais reprodutivas, que são contra Rinotraqueite Infecciosa Bovina (IBR 1 e 5), Diarreia Viral Bovina (BVD 1 e 2), Campylobacteirose (C. fetus subsp. venerealis e C. fetus subsp fetus) e Leptospirose.

As vacinas reprodutivas devem ser feitas preferencialmente antes da EM, no mês de setembro ou outubro anualmente e, reforço semestral para vacina de Leptospirose.

Em propriedades com alto desafio para quadros respiratórios o uso de vacina respiratória conjugada (Vírus e Bactérias) deve ser implementado de preferência antes dos meses mais frios do ano (sendo maio uma boa data).

Atenção!

Vacinas produzidas com organismos vivos (vacinas vivas atenuada) merecem atenção especial, principalmente a contra brucelose, que pode causar doença em humanos (zoonose) ou apresentar reações não conformes. Portanto, o manuseio desses produtos deve ser criterioso e realizado com cautela por um profissional qualificado (médico-veterinário ou vacinador treinado, atuando sob responsabilidade do profissional de Veterinária).

Todos devem saber que a resposta imunológica dos animais (proteção) após a aplicação de uma vacina não é imediata e seus efeitos podem aparecer somente após, pelo menos, 15 dias. Sendo assim, animais vacinados recentemente ainda podem apresentar a doença, pois já poderiam estar infectados antes de serem vacinados ou terem entrado em contato com o patógeno nesta fase entre a vacinação e a imunização do animal. Os animais sadios e bem nutridos têm melhor resposta imunológica às vacinas do que os doentes ou mal alimentados.

Muitas das doenças que acometem rebanhos de cria já estão nas propriedades e, portanto, a utilização dessas vacinas em animais acometidos busca diminuir os sintomas das doenças como morte embrionária precoce, repetição de cio e abortos, portanto a adoção das vacinas reprodutivas busca minimizar os problemas advindos destes patógenos até que o status imunológico esteja consolidado após 2 a 3 vacinações.

Praticamente todas as vacinas (inativadas ou vivas atenuadas), já que nem todas são totalmente vivas atenuadas, na primo-vacinação (primeira vacinação) exigem a aplicação de uma dose de reforço, normalmente três a quatro semanas após a primeira dose. Os reforços de vacinação são para garantir que houve estimulação adequada do sistema imunológico e formação de células de memória. Lembrando que interrompendo-se a vacinação por mais de um ano, devemos recomeçar a vacinação com dose e reforço.

Vale a pena mencionar que animais que não recebem a dose de reforço na primo-imunização, mesmo que posteriormente sejam revacinados no intervalo correto para determinada vacina, podem nunca se tornar protegidos.

Concluindo

Quando realizada adequadamente, a vacinação é a principal ferramenta para manter o status sanitário de um rebanho para as principais doenças reprodutivas e produtivas, alcançando os melhores resultados possíveis, entretanto, a utilização de vacinas como medida única de controle de doenças não é eficaz, pois várias enfermidades infecciosas e parasitárias ainda não dispõem de vacinas para um controle adequado das infecções, tomemos como exemplo a neosporose. Portanto, além das vacinas, um bom manejo aliado a nutrição e a utilização adequada de antimicrobianos e antiparasitários deve sempre minimizar as quedas na imunidade dos animais. Hoje apor meio de vários trabalhos publicados sabemos que a utilização de programas vacinais associados à suplementação mineral e vitamínica produzem um aumento no status imunológico das propriedades de cria.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Como controlar e combater a mastite ambiental?

Introdução de um plano para o controle das mastites é muito importante, no qual o médico veterinário tem grande destaque

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Guilherme Luiz Gomes da Silva, médico veterinário e analista de marketing/comunicação científica da J.A. Saúde Animal; e Eduardo de Castro Rezende, médico veterinário e coordenador de marketing/comunicação científica da J.A. Saúde Animal

A bovinocultura brasileira tem grande relevância na produção láctea mundial, gerando desenvolvimento econômico e muitos empregos diretos e indiretos. Porém determinadas patologias podem causar altos prejuízos como é o caso da mastite.

A mastite é um processo inflamatório da glândula mamária, que causa queda acentuada na produção e alterações na composição do leite. É a doença mais incidente e prevalente no rebanho leiteiro nacional, ocasionando prejuízos que vão desde a queda na produção leiteira, acréscimos nos custos de serviços e medicamentos veterinários, perdas de tetos, descarte prematuro e até a morte do animal. É considerada uma alteração complexa e multifatorial, que envolve vários patógenos, sendo o ambiente e fatores inerentes ligados ao animal.

Além disso, vale ressaltar que a mastite representa risco à saúde pública, podendo prejudicar o consumidor de leite e derivados. Nesse sentido, a introdução de um plano para o controle das mastites é muito importante, no qual o médico veterinário tem grande destaque, pois ele irá introduzir programas de melhoria da qualidade do leite, protocolos de tratamento para animais que apresentam algum tipo de patologia e métodos de prevenção. Uma pesquisa realizada identificou que, entre 180 produtores que faziam parte de um programa de qualidade do leite, somente 24% destes procuravam um veterinário para o auxílio e planejamento de melhoria da qualidade do leite.

Contagiosa e ambiental

Epidemiologicamente, as mastites podem ser classificas em mastite contagiosa e ambiental. A primeira é ocasionada por microrganismos advindos do próprio animal e, a segunda, por agentes infecciosos provenientes do ambiente. A mastite ambiental caracteriza-se por ser uma infecção de curta duração, manifestando geralmente sinais clínicos mais severos e, em alguns casos, até mesmo causar a morte da vaca. Por incrível que pareça, rebanhos bem manejados e com baixos índices de Contagem de Células Somáticas (CSS) possuem maior incidência desse tipo de mastite, visto que os agentes responsáveis pelas mastites contagiosas subclínicas competem com os da mastite ambiental, conferindo certo tipo de proteção.

Existem algumas medidas que podem e devem ser tomadas para a prevenção dos casos de mastite ambiental, sendo um dos pontos principais o cuidado com a higiene do ambiente onde os animais são mantidos. É preconizado a diminuição do contato direto das extremidades dos tetos aos patógenos ambientais, que estão presentes no solo, fezes e água contaminada. As instalações como free-stall ou compost barn devem ser bem manejadas. O arraçoamento após a ordenha é uma medida fundamental, visto que dessa forma impede-se que as vacas se deitem rapidamente com o esfíncter do teto aberto e, consequentemente, facilitar a entrada de microrganismos pelo canal do teto.

A qualificação técnica da equipe, a educação sanitária e a delegação de responsabilidades são fatores que influenciam diretamente no sucesso do plano de controle dessa enfermidade, sendo necessário um trabalho conjunto, englobando não somente o veterinário, mas todos os envolvidos na ordenha.

A linha de ordenha necessita ser estabelecida de modo que primeiramente sejam ordenhados os animais sadios e, por último, aqueles que apresentam mastite, diminuindo a contaminação dos animais sadios. O manejo de higienização dos tetos com o pré e pós-dipping deve ser rotina na ordenha da propriedade, procedimentos esses que têm como função a prevenção da mastite e a manutenção da qualidade do leite.

Os patógenos que causam as mastites são diversos, dentre eles podemos destacar as bactérias, que são os agentes de maior relevância, atingindo em torno de 80% dos casos. O tratamento deve ser fundamentado no tipo de microrganismo que está provocando a doença, sendo necessário a realização de testes periódicos no rebanho. Por sua vez, deve-se utilizar medicamentos eficazes e os mais indicados para cada caso, que sejam de alta permeabilidade na glândula mamária, associados a terapia antimicrobiana e anti-inflamatória sistêmica, quando necessário.

Uma das classes de antimicrobianos mais utilizadas para o controle das infecções intramamárias em bovinos é a dos Penicilinicos, na qual se inclui a Amoxicilina, um tipo de Penicilina sintética. Por sua vez, os Penicilínicos sozinhos possuem eficácia limitada a determinadas bactérias, devido ao fato de algumas delas produzirem enzimas conhecida como beta-lactamases, que destroem a Penicilina. Entretanto, quando se associa a Amoxicilina com o Clavulanato de Potássio, há a inibição das beta-lactamases, permitindo com que a Amoxicilina consiga combater de forma muito eficaz os agentes patogênicos da mastite resistentes aos Penicilínicos. Outra grande vantagem da Amoxicilina é o seu alto potencial de difusão na glândula mamária da vaca, visto sua característica físico-química de ser um ácido fraco, atributo ideal na terapia intramamária.

Concluindo, a mastite é impactante na bovinocultura leiteira e causa grandes perdas econômicas, tornando-se relevante conhecer suas causas, tratamentos, controles e seus métodos de prevenção. Neste último caso, o treinamento nas propriedades é o procedimento mais indicado para a redução de novos casos.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Sanidade Vegetal

Análise do Mapa mostra que sementes recebidas por brasileiros contêm pragas que não existem no país

Parte das amostras analisadas até o momento apresentaram risco fitossanitário ao país

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Divulgação

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) analisou, até o momento, 36 amostras de pacotes de sementes não solicitadas que chegaram via Correios na casa dos brasileiros e foram encaminhadas ao Mapa. As análises realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA-GO), referência em sanidade vegetal, indicam que parte das amostras contem a presença de mais de uma praga em seu conteúdo.

No total, 47% das amostras já analisadas apresentaram risco fitossanitário ao país. Após avaliação de risco fitossanitário, realizada pela área técnica do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Mapa, foi identificado que uma amostra continha a espécie Myosoton aquaticum, praga ausente no Brasil e com potencial para ser considerada quarentenária, ou seja, com risco de estabelecimento no país e de causar danos fitossanitários. Essa espécie apresenta resistência a herbicidas, o que torna seu controle difícil. A introdução dessa planta daninha no país pode ter impacto econômico negativo.

Em quatro amostras foram identificadas uma espécie quarentenária ausente – Descurainia sophia – considerada como planta daninha nos Estados Unidos e Canadá, além de planta invasora no México, Japão, Coreia, Chile e Austrália. Já a Myosoton aquaticum é considerada daninha nos campos de trigo da China.

Outras 15 amostras continham gêneros que tem espécies quarentenárias ou espécies com potencial quarentenário, como sementes de Cuscuta; de Brassica; de Chenopodium; de Amaranthus; e dos fungos Cladosporium; Alternaria; Fusarium; e Bipolaris.

“Após análises laboratoriais, pode-se avaliar que a introdução de material propagação (sementes ou mudas), mesmo em pequenas quantidades, sem atender aos requisitos fitossanitários e de qualidade estabelecidos pelo Mapa, coloca em risco a agricultura brasileira”, ressalta o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Carlos Goulart.

A importação de material de propagação vegetal, incluindo sementes e mudas, é autorizada pelo Mapa somente das origens para as quais o Brasil já tenha estabelecido exigências fitossanitárias que devem ser atendidas. As regras estabelecidas pelo Ministério se aplicam para qualquer modalidade de compra e aquisição, incluído a compra eletrônica com entrega via remessa postal.

A lista de produtos com importação autorizada está disponível para livre consulta no endereço eletrônico: http://mapas.agricultura.gov.br/ddiv/arp/oracle/pvti2.asp

Orientações 

O Mapa mantém o alerta aos cidadãos brasileiros para que tenham cuidado e não abram encomendas recebidas pelos correios de pacotes de sementes não solicitadas.

Caso o cidadão venha a receber em casa sementes provenientes do exterior, o Ministério orienta a entrega do material para uma das unidades do Mapa em seu estado  ou órgão estadual de defesa. O pacote não deve ser aberto ou descartado no lixo, a fim de evitar o contato das sementes com solo e prejuízos para as áreas agrícolas e o meio ambiente.

A orientação também vale para o cidadão que recebeu e plantou as sementes. Neste caso, entre em contato com o Mapa ou o órgão estadual de defesa para agendar o recolhimento do material.

Fonte: MAPA
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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