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Sinsui debate papel das micotoxinas nas falhas reprodutivas de matrizes suínas

Apesar do avanço tecnológico e das melhorias nos indicadores zootécnicos da suinocultura nas últimas décadas, as falhas reprodutivas continuam sendo uma dor de cabeça recorrente para muitos produtores.

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Apesar do avanço tecnológico e das melhorias nos indicadores zootécnicos da suinocultura nas últimas décadas, as falhas reprodutivas continuam sendo uma dor de cabeça recorrente para muitos produtores. A origem multifatorial dos problemas, aliada à dificuldade de diagnóstico preciso, faz com que causas relevantes muitas vezes passem despercebidas, entre elas, a presença de micotoxinas nas dietas das matrizes.

O alerta é do médico-veterinário, mestre em Ciências de Alimentos e PhD em Zootecnia, Caio Abércio da Silva, um dos palestrantes do 17º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que acontece nesta terça (13) à quinta-feira (15) no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). Em sua apresentação intitulada Onde entram as micotoxinas nas falhas reprodutivas: ainda preciso me preocupar?, ele integra o painel Falhas reprodutivas na suinocultura: apesar do progresso, ainda temos gargalos!, e traz à tona um dos temas mais negligenciados da produção suinícola. “A gente costuma associar as falhas reprodutivas a problemas de manejo, sanidade, inseminação, ou até mesmo à ambiência, mas as micotoxinas têm um peso bastante grande, com efeitos que se estendem por toda a fase reprodutiva: da ovulação ao desmame”, afirma Silva, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Segundo ele, esses metabólitos tóxicos produzidos por fungos podem interferir desde a implantação embrionária até a lactação, passando pelo desenvolvimento fetal e a imunidade dos leitões.

Estresse oxidativo: elo entre micotoxinas e fêmeas hiperprolíferas

Um dos principais mecanismos pelos quais as micotoxinas afetam a reprodução suína é o estresse oxidativo, que já está presente de forma fisiológica em vários processos reprodutivos naturais, como ovulação e formação da placenta. O problema, destaca Silva, é que em fêmeas hiperprolíferas, como é o perfil genético das matrizes modernas, esse estresse tende a ser mais acentuado. A entrada das micotoxinas nesse cenário agrava ainda mais a situação. “Essas fêmeas têm uma capacidade aumentada de produzir compostos oxidantes, mas a resposta antioxidante nem sempre acompanha na mesma proporção. Ao somarmos isso aos efeitos pró-oxidantes das micotoxinas, temos uma potencialização dos danos”, alerta.

Entre as consequências estão a redução da produção hormonal, apoptose (morte celular), comprometimento do ambiente uterino, falhas na implantação embrionária e perdas gestacionais precoces. Além disso, os efeitos das micotoxinas extrapolam os limites do sistema reprodutivo. O comprometimento do tecido intestinal, por exemplo, reduz a absorção de nutrientes essenciais para sustentar uma gestação e lactação eficientes. “É um efeito em cascata, que afeta também a produção de leite e, consequentemente, a viabilidade e desempenho dos leitões”, reforça.

As mais prevalentes nas dietas brasileiras

De acordo com Silva, as micotoxinas mais comumente detectadas nas dietas para suínos no Brasil e na América do Sul são zearalenona, fumonisina, deoxinivalenol (DON), aflatoxina B1 e toxina T-2. Essas substâncias são frequentemente encontradas em ingredientes como farelo de trigo e DDGS, embora não exclusivamente. “A zearalenona, por exemplo, tem um efeito estrogênico importante, capaz de provocar alterações no aparelho reprodutivo, como vulva edemaciada em leitões recém-nascidos. Mas todas essas micotoxinas compartilham o efeito de induzir estresse oxidativo e imunossupressão, o que agrava o cenário sanitário e reprodutivo das granjas”, explica.

Ele ressalta que a imunossupressão pode também impactar a qualidade do sêmen dos machos, por meio de alterações da microbiota intestinal e reprodutiva. “Há uma comunicação entre o intestino e o trato reprodutivo, mediada por compostos inflamatórios e alterações na microbiota. Isso pode, inclusive, comprometer a taxa de concepção”, diz.

Diagnóstico difícil e risco subestimado

Médico-veterinário, mestre em Ciências de Alimentos e PhD em Zootecnia, Caio Abércio da Silva: “Alguns ingredientes têm risco clássico, como o DDGS e o farelo de trigo. Não significa que devam ser eliminados sempre, mas é preciso redobrar o cuidado, especialmente nas fases reprodutivas”
Foto: Divulgação

Um dos grandes desafios, segundo Silva, é que os sinais clínicos de falhas reprodutivas causadas por micotoxinas são muitas vezes confundidos com outras etiologias. Abortos, repetição de cio, baixo número de nascidos, crescimento intrauterino retardado e queda na produção de leite são manifestações que também podem ocorrer por erros de manejo, infecções virais ou bacterianas, entre outros fatores. “O diagnóstico é difícil porque os sinais são compartilhados por diferentes causas. Mas não considerar as micotoxinas como possíveis responsáveis pode ser um erro com alto custo produtivo”, afirma o especialista.

Para o PhD em Zootecnia, a conscientização ainda é desigual. Enquanto grandes empresas e produtores tecnificados estão mais atentos ao risco, muitos sistemas produtivos menores ainda negligenciam o problema.

Estratégias de controle e prevenção

Felizmente, existem formas viáveis de monitorar e mitigar os efeitos das micotoxinas sem grandes custos adicionais. Uma das primeiras ações é adotar um programa eficaz de análise de ingredientes, com uso de kits diagnósticos sensíveis que permitem detectar contaminações ainda em níveis abaixo dos críticos. “Não é um processo caro, e já permite afastar ingredientes mais contaminados. Embora o ideal seja zero contaminação, o mais importante é manter os níveis abaixo do limiar crítico para não causar prejuízos reprodutivos”, afirma.

Outra estratégia essencial é a escolha criteriosa dos ingredientes, priorizando fornecedores com histórico positivo no controle de micotoxinas. “Alguns ingredientes têm risco clássico, como o DDGS e o farelo de trigo. Não significa que devam ser eliminados sempre, mas é preciso redobrar o cuidado, especialmente nas fases reprodutivas”, pontua Silva.

O uso de adsorventes também é indispensável, desde que se opte por produtos com eficácia comprovada. “Há muitas opções no mercado, mas nem todas têm respaldo científico. A escolha deve ser baseada em evidências, e não apenas no preço”, recomenda.

Um problema silencioso, mas grave

Para Silva, o impacto das micotoxinas nas falhas reprodutivas precisa ser encarado com mais seriedade dentro da suinocultura. “Esse é um problema que se agravou nos últimos anos, especialmente porque a genética moderna já impõe um desafio natural, que é o estresse oxidativo elevado nas fêmeas hiperprolíferas. As micotoxinas atuam justamente nesse mesmo ponto, agravando um cenário já crítico”, ressalta.

A palestra no Sinsui 2025 reforça a necessidade de vigilância constante e manejo preventivo das dietas. Afinal, no universo de alta performance da suinocultura atual, pequenos detalhes fazem grandes diferenças e ignorar os efeitos silenciosos das micotoxinas pode custar caro em produtividade e rentabilidade.

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuita. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026

Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

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Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.

Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30  às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.

Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.

Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.

A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suinocultura enfrenta queda nas cotações em importantes estados produtores

Dados mostram retrações diárias e mensais, com exceção do Rio Grande do Sul, que apresenta leve avanço no acumulado do mês.

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Os preços do suíno vivo registraram variações negativas na maioria dos estados acompanhados pelo indicador do CEPEA, ligado à Esalq, conforme dados divulgados em 13 de fevereiro.

Em Minas Gerais, o valor do animal posto foi cotado a R$ 6,76 por quilo, com recuo diário de 0,29% e queda acumulada de 4,52% no mês. No Paraná, o preço do suíno a retirar ficou em R$ 6,65/kg, com retração de 0,30% no dia e de 2,06% no comparativo mensal.

No Rio Grande do Sul, o indicador apresentou leve alta no acumulado do mês, com valorização de 0,59%, alcançando R$ 6,80/kg, apesar da pequena queda diária de 0,15%. Já em Santa Catarina, o valor registrado foi de R$ 6,59/kg, com baixa de 0,60% no dia e retração de 1,79% no mês.

Em São Paulo, o suíno posto foi negociado a R$ 6,92/kg, apresentando redução diária de 0,57% e queda mensal de 2,40%.

Fonte: Assessoria Cepea
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Exportações sustentam desempenho da suinocultura brasileira no início de 2026

Embarques crescem mais de 14% e ajudam a equilibrar o setor, conforme análise da Consultoria Agro Itaú BBA, mesmo diante do aumento da oferta interna.

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O início de 2026 registrou queda significativa nos preços do suíno, reflexo da expansão da produção observada ao longo do ano anterior. Mesmo com a pressão no mercado interno, o setor manteve resultados positivos, sustentado pelo bom desempenho das exportações e pelo controle nos custos de produção, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

As cotações do animal vivo em São Paulo apresentaram forte recuo no começo do ano, passando de R$ 8,90/kg em 1º de janeiro para R$ 6,90/kg em 9 de janeiro, queda de 23% no período. Com o ajuste, os preços retornaram a níveis próximos aos registrados no início de 2024 e ficaram abaixo do observado no começo do ano passado, quando o mercado apresentou maior firmeza nas cotações, com valorização a partir de fevereiro.

O avanço da produção de carne suína ao longo de 2025 foi impulsionado pelas margens favoráveis da atividade. A expectativa é de que esse ritmo tenha sido mantido no primeiro mês de 2026, embora os dados oficiais de abate ainda não tenham sido divulgados.

No mercado externo, o setor iniciou o ano com desempenho positivo. Os embarques de carne suína in natura somaram 100 mil toneladas, volume 14,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os principais destinos, destacaram-se Filipinas e Japão, responsáveis por 31% e 13% das exportações brasileiras no mês, respectivamente.

Mesmo com os custos de produção sob controle, a queda de 5% no preço do animal na comparação entre janeiro e dezembro resultou na redução do spread da atividade, que passou de 26% para 21%. Ainda assim, o resultado por cabeça terminada permaneceu em nível considerado satisfatório, com média de R$ 206.

No comércio internacional, o spread das exportações também apresentou recuo, influenciado pela redução de 0,8% no preço da carne suína in natura e pela valorização cambial. Com isso, o indicador convergiu para a média histórica de 40%, após registrar 42% no mês anterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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