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Sindicato Rural de Guarapuava festeja 50 anos em grande estilo
Cerca de 450 pessoas prestigiaram o evento alusivo à data
Um jantar de celebração marcou, na última quinta-feira (07), no Spazio Vecchia, em Guarapuava, PR, os 50 anos de fundação do Sindicato Rural. O evento, que relembrou o surgimento da entidade, em 18 de outubro de 1967, contou com a presença de 450 produtores associados à entidade, membros da atual diretoria e de gestões anteriores, instituições e empresas parceiras, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e de autoridades. A ocasião foi também espaço para dirigentes da entidade e convidados enfatizarem a importância do setor rural para a economia, no passado e na atualidade, nos níveis local e nacional.
Na abertura da programação de comemoração, em seu pronunciamento de saudação, o presidente do Sindicato Rural, o agrônomo e agropecuarista Rodolpho Luiz Werneck Botelho, destacou o papel do sindicato. Em seguida, teve lugar a apresentação de um video institucional da entidade, apresentando atividades e conquistas ontem e hoje. Em poucos minutos, o filme mostrou como os produtores rurais, unidos em torno de uma instituição de representação, podem obter avanços importantes para suas atividades.
Representando a FAEP, o diretor secretário Livaldo Gemin também se dirigiu ao público e enalteceu o jubileu da entidade. Em entrevista, disse que participar da celebração do jubileu do Sindicato Rural de Guarapuava era uma obrigação, em agradecimento aos produtores rurais que, através de sua entidade, apoiam a Federação da Agricultura. “Agora, cada vez mais, precisamos de que o produtor rural venha, se congregue, esteja junto com o seu sindicato, pois os desafios estão aí e virão mais ainda numa época difícil do nosso país”, afirmou.
Em nome do município, o prefeito de Guarapuava, Cezar Filho, saudou a diretoria do sindicato e aos produtores rurais presentes. Ele observou que atualmente, no entanto, com o fim da Contribuição Sindical, é necessário que o segmento mantenha o apoio a suas entidades de representação, como os sindicatos rurais. “Aproveitei o momento para dar meu testemunho do quanto faz diferença ter uma entidade respeitada, que tem legitimidade e competência para representar os interesses dos seus sindicalizados. Esta é a marca dos sindicatos rurais por todo o Brasil. Graças a esta força e a estas condições, temos hoje um agronegócio forte, que tem grande capacidade de interlocução junto aos governos. É importante que isso se mantenha”, comentou. Para o prefeito, mais do que nunca, se coloca neste momento “a importância da consciência dos agricultores de que precisam se manter bem representados”.
Lançamento
A programação da noite reservava ainda mais emoções para quem conhece a história de Guarapuava, cujo surgimento remonta à primeira década do século XIX. Num município que teve no setor rural, com a pecuária, uma de suas primeiras atividades, o Sindicato Rural decidiu, neste ano de seu jubileu, apoiar o lançamento da 3ª edição, revista e ampliada, de um livro que busca resgatar todo aquele passado: “Guarapuava – Seu território, sua gente, seus caminhos, sua história”, do ex-prefeito Nivaldo Krüger. Mas a diretoria da entidade decidiu fazer uma surpresa para o próprio autor: além de convidá-lo para o jantar e homenageá-lo, realizou na ocasião um pré-lançamento do livro. Krüger recebeu, das mãos do presidente do sindicato, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, um exemplar de sua obra. “Esta é expressão da generosidade das pessoas. Fiquei emocionado”, declarou ele após a homenagem. O presidente do Sindicato Rural voltou a dirigir a palavra ao público e fez questão de enfatizar que “ninguém faz nada sozinho”. Com isso, abriu a etapa final do protocolo, de reconhecimento ao trabalho das diretorias que estiveram à frente da entidade e do apoio dos associados. Para receber homenagem, em nome dos ex-diretores, Botelho chamou os ex-presidentes presentes ao evento, Cláudio Marques de Azevedo e Armando Araújo; e representando os sócios mais antigos, o presidente da Coamig, Edson Bastos.
Ao final do cerimonial, os associados puderam conferir o cardápio sofisticado de um jantar à altura do momento, assinado por Kiko Dalla Vecchia. E para harmonizar com os sabores apresentados pelo chef e sua equipe, a programação de comemoração dos 50 anos do Sindicato Rural de Guarapuava trouxe uma atração musical de destaque: a música de Yassir Chediak. Violeiro, cantor, compositor, apresentador de TV, produtor e ator, ele criou em 1998 o site violacaipira.com.br para os amantes do gênero e, como autor de trilhas sonoras e ator, participou de filmes e novelas (Globo), tendo entre alguns de seus sucessos sua versão de “Anunciação” (Alceu Valença) e “Estradas”, no seriado Carga Pesada. O músico participa ainda de programas como Brasil Caminhoneiro (SBT). O resultado não podia ser outro: com seu jeito simples, de quem conhece bem o interior de que fala em suas canções, Chediak encantou o público com um som ao mesmo tempo campeiro e moderno, emoldurando com poesia uma noite que também entrará para a história de quem dela participou.
Ao comentar em entrevista este meio século de história do Sindicato Rural de Guarapuava, o presidente da entidade considerou que o momento se destaca devido à própria atuação da entidade, sublinhou que a ocasião mostra que os produtores estão unidos e comentou que o jantar foi uma forma de agradecer e valorizar os associados e as parcerias: “Esta comemoração de 50 anos é uma data marcante, principalmente pelo serviço que o Sindicato Rural tem feito durante estas cinco décadas. É marcante também porque mostra a união do setor, da classe rural em prol dos seus objetivos. Este jantar é uma maneira do sindicato celebrar esta data com seus associados, com produtores e parceiros”.
Ele completou que o sindicato se tornou importante em Guarapuava e no Paraná e assinalou a necessidade dos produtores continuarem dando suporte à entidade. “O apoio do sócio, da classe produtora rural, das demais entidades, é de fundamental importância. Isso tem demonstrado nestas últimas décadas o crescimento e o respeito que o Sindicato Rural tem ganho perante a sociedade, as entidades e também a seu quadro de sócios. Cada vez mais o sindicato tem uma representação firme, forte e atuante, não só em nível municipal, como regional, mas também estadual. O Sindicato Rural hoje é uma entidade que é escutada. São levadas em consideração as suas demandas, seus questionamentos. Cada vez mais, acho que precisamos dessa integração entre produtores, sócios, e entidades representativas”, disse.
Botelho mencionou que também dentro do Sistema Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), o Sindicato Rural de Guarapuava tem representado os produtores rurais ao tomar parte nas comissões técnicas estaduais da entidade: “O sindicato está tendo um respaldo muito grande dentro da própria Federação da Agricultura, participando das comissões. Em várias comissões estaduais, o sindicato está participando e sempre levando o nome de Guarapuava e região, sempre representando bem os seus setores”.
O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava completou que, na atualidade, a capacitação e a difusão de conhecimentos, há muitos anos proporcionada pela entidade, se tornou ainda mais importante, diante de duas realidades: de um lado, as transformações da tecnologia e da economia; de outro, a demanda dos produtores por conhecimento. Ele sublinhou que, por meio de parcerias com instituições como o SENAR-PR, na viabilização de cursos, ou com universidades e empresas do agronegócio, em eventos técnicos da agropecuária, o sindicato visa contribuir para que o produtor tenha melhores resultados econômicos e também melhor qualidade de vida: “Capacitação nunca é demais e, num mundo competitivo, acho que essa informação, essa tecnologia, esses sistemas de gestão, são primordiais para o produtor rural. A capacitação é também muito importante para os colaboradores e para os familiares. Temos uma pareceria muito grande com o SENAR-PR. Estes cursos são gratuitos, estão abertos para os produtores e seus colaboradores e precisamos que, cada vez mais, toda esta parte técnica seja profissional”.
Com este mesmo objetivo, completou o presidente do sindicato, a entidade também vem difundindo conhecimento ao apoiar e/ou receber, no transcorrer de sua história, encontros técnicos da agropecuária que promove em parceria com diversas instituições e empresas do agronegócio. Ele assinalou que, além disso, o sindicato tem sediado eventos regionais de iniciativas estaduais para o setor rural, como a reunião do Plano Pecuária Moderna que aconteceu em outubro de 2015, no anfiteatro, para definir seu comitê regional, e o curso que o plano lançou depois para padronizar o conhecimento entre diferentes profissionais da assistência técnica. Conforme acrescentou, o sindicato recebeu, já em 2017, outro evento importante, no dia 30 de maio, quando foi um dos locais de lançamento regional do programa Pró-Solo (do governo do Estado e cerca de 20 parceiros), que visa conscientizar e divulgar no meio rural técnicas de produção que preservem o maior bem das propriedades. Botelho recordou que sindicato e parceiros têm até mesmo lançado iniciativas, como o Simpósio Regional da Bovinocultura de Leite, cujas edições, em 2015 e 2017, ocorreram no anfiteatro da entidade e em propriedades da região. “A grande questão hoje é que informação existe. O que se precisa é fazê-la chegar ao produtor rural. O sindicato faz a sua parte, de tentar divulgar esta informação para produtores e técnicos e com isso levar a região de Guarapuava a alcançar melhores índices e resultados, quer sejam financeiros ou sociais”, contextualizou.
Revista do Produtor Rural
Outra tendência que o sindicato percebeu foi a da importância que a informação ganharia entre os séculos XX e XXI. Primeiro, a entidade, que já publicava o boletim Informe Rural, deu início, em junho de 2007, na gestão liderada por Cláudio Marques de Azevedo, a uma inovação: o boletim foi substituído pela Revista do Produtor Rural. Editada a cada dois meses e direcionada aos associados, a revista nasceu com a missão de abordar, em nível regional, notícias e reportagens sobre os mais diversos aspectos do setor rural. Aos poucos, se firmou como referência em informação agropecuária no Paraná e agora já marca sua presença em 10 dos 50 anos de história do Sindicato Rural de Guarapuava. “A Revista do Produtor Rural é uma ferramenta de divulgação, não só dos assuntos relacionados diretamente com o Sindicato Rural, mas também uma maneira de levar informações de pesquisadores, de cientistas, empresas. É hoje reconhecida uma das revistas de ponta em nível estadual, senão em nível nacional”, analisou Botelho.
Tendências
Como o tempo não apenas segue em frente mas traz transformações por vezes inimagináveis, o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava destaca que a entidade também pensa no amanhã. Qual seria o quadro do agronegócio no curto e no médio prazo? Prever com exatidão é impossível, mas ele elencou algumas tendências a seu ver relevantes e o papel de uma entidade de representação dos produtores, como o sindicato, que faz parte do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná. “O mundo vem com mudanças, como o país também. Precisamos nos adaptar e ser capazes de nos transformar para poder acompanhar estas mudanças. As empresas que não tiverem capacidade de se adaptar podem desaparecer. Para o produtor, é a mesma coisa”, alertou.
O próprio destaque que o setor agrícola adquiriu no Brasil, por ter se tornado uma força de destaque na economia, exige, para Botelho, que os produtores e suas entidades reforcem ainda mais sua união. “O setor do agronegócio há mais de uma década vem sustentando o crescimento do Brasil. Por isso, tem muita gente de olho neste filão: empresas que querem participar do mercado ou o governo, que quer participar deste lucro também, com aumento de impostos. Estamos entrando num período em que os produtores, as entidades, têm de estar extremamente unidos. Ninguém gosta de perder posições conquistadas. Para isso, precisamos estar unidos, porque unidos somos mais fortes”, concluiu.
Fonte: Assessoria

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Brasil abre quase 100 novos mercados para aves e suínos e reforça posição global, diz Luis Rua no SBSA

Em meio a guerras, instabilidade logística e rearranjos no comércio global de alimentos, o Brasil segue ampliando espaço no mercado internacional de proteínas animais. A avaliação é do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, que concedeu entrevista exclusiva ao O Presente Rural durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC). Segundo ele, o país vem acumulando recordes sucessivos nas exportações e consolidando uma posição rara no cenário global: a de fornecedor com escala, sanidade, competitividade e regularidade de oferta ao mesmo tempo.
“O Brasil tem batido recordes sucessivos, seja na carne bovina, seja na carne de aves, na carne suína, nos pescados”, afirmou. Na entrevista, Rua também chamou atenção para o avanço dos pescados, que, segundo ele, já despontam como “uma nova estrela nesse rol das proteínas animais”.
Articulação
O secretário atribuiu parte desse desempenho à articulação entre governo e entidades setoriais para destravar acessos comerciais e ampliar destinos para a produção brasileira. Ao tratar especificamente das cadeias de aves e suínos, ele afirmou que o trabalho inclui tanto carne quanto genética e ressaltou o alcance dos resultados mais recentes. “Nós abrimos próximo dos 100 mercados para essas duas cadeias produtivas”, disse.
No recorte mais amplo do agronegócio, Rua informou que o Brasil abriu 574 mercados nos últimos três anos e três meses. Dentro desse total, aproximadamente 100 estão ligados à proteína animal, com destaque para avicultura e suinocultura. Para ele, esse movimento não se resume a uma conquista diplomática ou comercial. Tem impacto direto na base produtiva do país. “Isso gera oportunidades, gera renda e gera emprego onde a gente mais precisa, que é no interior do nosso país”, afirmou.
Cadeias fortes
A fala dialoga diretamente com regiões como o Oeste catarinense e o Oeste paranaense, onde aves e suínos estruturam cadeias industriais, cooperativas, empregos e arrecadação. Ao participar do SBSA, Rua destacou a força econômica do segmento e a relevância estratégica da proteína animal dentro da pauta exportadora brasileira.
Mundo
Ao comentar o ambiente geopolítico, o secretário reconheceu o peso das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o humor dos mercados e as rotas comerciais. “Naturalmente é um clima de incerteza”, afirmou. Ainda assim, sustentou que o Brasil chega a esse cenário com atributos que poucos concorrentes conseguem reunir. “O Brasil tem algumas características que tornam ele, se não o único, uma das poucas geografias do mundo que podem apoiar nesse momento.”
Ele ainda enumerou os fatores que, na sua visão, explicam essa vantagem comparativa: “O Brasil pode apoiar porque tem qualidade, porque tem sanidade, porque tem quantidade, porque tem estabilidade no fornecimento, porque tem competitividade, tem sustentabilidade”. A leitura do secretário é de que, em tempos de conflito e incerteza, essa combinação pesa mais do que nunca na decisão de compra dos mercados importadores.
Frango
Rua usou o desempenho recente da carne de frango para exemplificar a capacidade de reação do setor brasileiro. Segundo ele, mesmo com o Oriente Médio entre os principais destinos da proteína avícola nacional e ao mesmo tempo no centro das tensões internacionais, o Brasil ampliou embarques em março. “O Brasil aumentou, inclusive, suas exportações”, declarou. De acordo com o secretário, a alta foi de 7% sobre março do ano passado, com volume de 490 mil toneladas.
Para ele, o dado reforça uma característica estrutural da cadeia. “Isso mostra que é um setor resiliente”, resumiu. E avançou: “É um setor que está acostumado a lidar com dificuldades, com desafios e faz isso com muita resiliência, com muito trabalho e com uma atuação coordenada entre o setor público e o setor privado.”
Mensagens
A entrevista de Luis Rua no SBSA reforça, portanto, três mensagens centrais do governo para o setor: o Brasil segue abrindo mercados em ritmo acelerado, as proteínas animais continuam entre os motores mais dinâmicos dessa expansão e, apesar das turbulências externas, o país tem conseguido transformar instabilidade global em oportunidade comercial. No caso de aves e suínos, a aposta é que essa combinação de acesso, oferta e credibilidade internacional continue sustentando a presença brasileira nos principais fluxos globais de proteína.
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Rede de monitoramento de CO₂ em áreas agrícolas no Sul do Brasil abre caminho para crédito de carbono
Projeto da UFSM mede emissões e captura em tempo real e indica potencial de monetização no campo. Dados mostram redução de gases com manejo e estimam receita de até US$ 33 milhões ao ano no Pampa.

Uma rede de monitoramento instalada em áreas agrícolas no Sul do Brasil está produzindo dados inéditos sobre a relação entre produção agropecuária e emissões de gases de efeito estufa. O sistema, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), utiliza torres de fluxo, tecnologia considerada a mais precisa para medir, de forma contínua, a troca de carbono entre o solo, as plantas e a atmosfera.

Foto: Ricardo Bonfanti
A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.
À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam que o diferencial está na consistência dos dados ao longo do tempo. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, ressaltam.
Ao todo, nove torres estão distribuídas em diferentes sistemas produtivos, incluindo lavouras de soja, milho, trigo e arroz irrigado, além de áreas de pastagem natural no bioma Pampa, nos municípios gaúchos Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.
Os equipamentos realizam até 10 medições por segundo, registrando se o sistema está emitindo ou absorvendo dióxido de carbono (CO₂), além de variáveis como temperatura, radiação solar e precipitação. Na prática, o monitoramento permite calcular o chamado fluxo de carbono, o saldo entre o que é capturado pelas plantas durante a fotossíntese e o que é liberado por processos naturais. Esse acompanhamento contínuo mostra, em tempo real, quando uma área agrícola funciona como fonte ou como sumidouro de carbono.
Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-

Professora do Departamento de Física do CCNE da UFSM, Débora Roberti: “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo” – Foto: Arquivo pessoal
graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.
De meia em meia hora, por três anos
Como as medições são contínuas, com os dados gerados a cada 30 minutos, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano a dinâmica de emissão e absorção de carbono em cada área monitorada. Com uma série anual completa, já é possível estimar o balanço de carbono de sistemas agrícolas, pecuários ou naturais e identificar quais práticas ampliam a captura ou intensificam as emissões.
Para aumentar a confiabilidade das análises, no entanto, o monitoramento precisa abranger períodos mais longos, já que a variabilidade climática entre safras interfere diretamente nos resultados. Por isso, os pesquisadores trabalham com um horizonte mínimo de três anos de coleta contínua de dados. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, afirma Débora.
Manejo define se área emite ou captura carbono
Os resultados já apontam diferenças relevantes entre sistemas de produção. Em áreas de arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. Em lavouras com soja e trigo, a adoção de plantas de cobertura pode elevar em até três vezes a capacidade de captura de carbono por hectare.
No bioma Pampa, o manejo adequado das pastagens permite que a produção pecuária atue como captadora de carbono, compensando parte das emissões de metano dos bovinos. Por outro lado, áreas sem cobertura vegetal, como lavouras em pousio, tendem a se tornar emissoras.

Professor do Departamento de Solos do CCR da UFSM, Rodrigo Jacques: “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono” – Foto: Arquivo pessoal
Os dados reforçam que o impacto climático da agropecuária depende diretamente das práticas adotadas no campo. Sistemas bem manejados podem inverter a lógica tradicional que associa produção rural apenas à emissão de gases de efeito estufa.
Além do aspecto ambiental, os resultados abrem espaço para monetização. Estimativas do próprio projeto indicam que, se metade das pastagens naturais do Pampa fosse direcionada à geração de créditos de carbono, o volume poderia chegar a 3,3 milhões de créditos por ano. A preços médios de US$ 10 por crédito, isso representaria cerca de US$ 33 milhões anuais.
O projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas, como Física, Agronomia e Meteorologia, e envolve investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Os dados já começam a integrar bancos internacionais e são utilizados por grupos de pesquisa de outros países, ampliando a inserção do Brasil nas discussões globais sobre clima e produção de alimentos.
A expectativa é que, após três anos de monitoramento contínuo, período mínimo para consolidação dos dados, o sistema avance para novas culturas e projetos-piloto de crédito de carbono, com aplicação direta no campo.
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Biometano: da produção à distribuição é tema de fórum do setor
Especialistas discutem oportunidades e desafios no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR)

Uma abordagem integrada, que vai da produção à distribuição de biometano, será destaque no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR). Com o tema Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído, o evento reunirá especialistas para discutir os principais avanços, desafios e oportunidades do setor.
A programação contempla painéis temáticos sobre produção, políticas públicas, mobilidade, investimentos, relação com o gás natural e perspectivas de mercado. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, integrante da comissão organizadora, o debate ganha relevância diante das novas oportunidades abertas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que amplia a inserção do biometano na matriz energética brasileira. Outro ponto de destaque é o potencial do biometano na cadeia de proteína animal. “O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário, especialmente pela capacidade de geração a partir dos resíduos da produção animal. É uma oportunidade estratégica que precisa ser melhor explorada, sobretudo pelas oportunidades que se criam para substituir o óleo diesel pelo biometano em soluções de logística nestas cadeias”, afirma Kunz.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis (diesel evitado) e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
Como já é tradição, o evento contará com uma programação prévia, que será realizada no dia 13, como reuniões técnicas, encontros e palestras. Já, a abertura oficial será no dia 14, seguindo com programação até dia 15, onde haverá espaço de negócios com mais de 70 empresas já confirmadas, momento startups de biogás, premiação “Melhores do Biogás”, vários painéis de debates sobre temas de interesse ao biogás. O dia 16 será dedicado a quatro roteiros de visitas técnicas.
A Embrapa é co-realizadora do evento e participa com especialistas na moderação e apresentação de painéis, além da organização de reuniões técnicas. Entre os destaques estão os painéis “O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas”, com participação de Airton Kunz; “Biogás na Prática”, com moderação de Ricardo Steinmetz; e “Oportunidades e Desafios Setoriais”, com a participação de Fabiane Goldschmidt Antes.
O FSBBB é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindústria (SBERA). Para maiores informações acesse: biogasebiometano.com.br.
Reunião técnica discutirá transporte no agronegócio
Como atividade pré-evento do FSBBB e com um olhar mais direcionado à distribuição, será realizada a Reunião Técnica Transporte a Biometano no Agronegócio, no dia 13 de abril, das 14 às 16 horas, no Hotel Bourbon Cataratas Resort, como atividade pré-evento. O encontro abordará temas como corredores rodoviários sustentáveis, descarbonização da cadeia agroindustrial, novas tecnologias e o uso de caminhões a gás e modelos dual fuel.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
A reunião também apresentará casos práticos, incluindo uma unidade rural produtora de biometano com abastecimento de caminhões e experiências no transporte de proteína animal. A iniciativa é organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Fetranspar, Embrapa, Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). Gratuito, o encontro pré-evento é voltado a produtores de biogás e biometano, além de profissionais das áreas de logística, transporte e gestão de frotas. As inscrições podem ser feitas pelo link.
Trilha de atualização conecta especialistas e laboratórios de biogás
Outro momento que antecede a programação oficial do FSBBB é a Trilha de Atualização para Laboratórios de Biogás e Biometano, marcada também para o dia 13, das 8 às 17 horas. A trilha reunirá profissionais vinculados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Biogás, participantes de ensaios de proficiência, representantes de laboratórios, pesquisadores, estudantes e demais interessados. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências e ao compartilhamento de informações entre os atores que atuam na área.
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 10 de abril, pelo link do evento, com vagas limitadas a 50 participantes. A atividade será presencial. O encontro ocorrerá no Itaipu Parquetec (Av. Tancredo Neves, 6731, bairro Jardim Itaipu, em Foz do Iguaçu). A iniciativa é promovida pelo CIBiogás, Embrapa Suínos e Aves, Senai/SC, Inmetro e Universidade de Caxias do Sul, com fomento do NAPI Biogás.
A programação da manhã será marcada por apresentações voltadas à avaliação de substratos e ao uso de ensaios interlaboratoriais como ferramenta de controle de qualidade, além de discussões sobre novas rodadas de ensaios de proficiência. Também serão abordadas as principais fontes de erro na medição de biometano. O período da manhã inclui ainda uma visita técnica ao laboratório do CIBiogás.
À tarde, os temas se concentram em ferramentas microbiológicas para eficiência energética, relatos práticos sobre processos de acreditação de laboratórios e o uso de calculadoras científicas na otimização da digestão anaeróbia. A programação se encerra com uma mesa redonda sobre a jornada de acreditação, seguida de alinhamentos para ações futuras.
