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Sindicato dos auditores agropecuários alerta que extinção de cargos pode afetar a fragilizada rede oficial de laboratórios
A situação já foi objeto de alerta do ANFFA em reunião com integrantes da equipe de transição, em dezembro.

A rede de laboratórios oficiais do Governo Federal (LFDAs) luta contra a redução orçamentária drástica e a defasagem crítica de pessoal há alguns anos. O clima ficou ainda mais tenso com a publicação do Decreto nº 11.332, em 01/01/2023, com a nova estrutura regimental e o quadro demonstrativo dos cargos em comissão e também das funções de confiança do Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (MAP), que indica a migração de divisões e serviços para os novos ministérios.
Responsável pelo controle de vacinas, medicamentos veterinários e defensivos fitossanitários, pela identidade e qualidade dos alimentos produzidos no País, além de participar ativamente do desenvolvimento e implantação de programas fundamentais do Ministério da Agricultura e Pecuária (agora MAP), entre diversos outros aspectos relacionados à defesa agropecuária nacional, os Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDAs) têm sofrido com as constantes reduções orçamentárias.
Mesmo diante desse cenário preocupante, o Decreto determina que o Departamento de Temas Técnicos (DTEC), que abriga a Coordenação-Geral de Laboratórios Agropecuários (CGAL), terá que ser reordenado a partir da retirada de todas as Divisões e de um número significativo de Serviços. Sendo assim, 25 cargos em Divisões Técnicas e Administrativas e 80 outros em áreas de Serviço foram extirpados do DTEC, dando lugar a cargos de menor expressão, como setores e núcleos.
“O desmembramento do ministério, sem levar em conta o quantitativo de servidores disponíveis, seus respectivos cargos, bem como a estrutura atual de suporte do Ministério (MAP) pode fragilizar de maneira relevante o ordenamento atual do Ministério, assim como as atividades desenvolvidas nos departamentos”, alertou o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA Sindical), Janus Pablo, quando esteve reunido com integrantes da equipe de transição de governo, em dezembro.
Para o Sindicato, após a análise das atribuições de cada setor, fica evidente que várias áreas podem sofrer sérios prejuízos se a redução de cargos imposta ao DTEC alcançar a rede de laboratórios. A inovação laboratorial defendida pelo próprio ministro recém-empossado, Carlos Fávaro, pode ser perdida, assim como a harmonização de procedimentos administrativos entre os Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária.
Riscos
O Sindicato também avalia que se o déficit de Affas na rede oficial de laboratórios já é alarmante, diante da complexidade do trabalho exercido por esses servidores, há também insuficiência de servidores das demais carreiras. Segundo o levantamento do DETEC, há necessidade de contratação imediata de 132 auditores agropecuários, 109 agentes administrativos, 81 auxiliares e 95 técnicos de laboratório. Totalizando, são 417 servidores necessários ao pleno funcionamento dos LFDAs.
A redução drástica de recursos tem gerado dificuldades em honrar contratos já firmados com fornecedores e prestadores de serviço, bem como a redução na aquisição de reagentes e de outros insumos laboratoriais, o que levou à adoção de medidas administrativas visando a redução de custos. Houve diminuição do número de contratos administrativos, enxugamento de contratos de manutenção, diminuição no consumo de energia elétrica com adoção de fontes alternativas e diminuição dos gastos com oficina de veículos, entre outras.
“Em uma situação de calamidade, estão sendo priorizadas ações relacionadas à biossegurança laboratorial, à segurança dos colaboradores, segurança da informação, aquelas relacionadas à suspensão iminente de ensaios críticos e aos riscos de elevado prejuízo ao patrimônio público, à exemplo da manutenção e calibração de equipamentos importados de alta complexidade” alerta o diretor de Comunicação do ANFFA, Antonio Andrade, que está lotado no LFDA-MG.
Muitas ações do Ministério da Agricultura que ganharam notoriedade na mídia têm a digital dos laboratórios. O caso da contaminação de cervejas, da contaminação de rações para pet, as sementes enviadas por correio e outros casos. Eles também atuam no combate às fraudes de medicamentos veterinários, agrotóxicos, azeites.
O ANFFA apurou que o valor de custeio dos Laboratórios Federais foi reduzido em 39,9% no período de 2015 a 2021, enquanto as exportações do agronegócio brasileiro aumentaram 36% no mesmo período, revelando um descompasso perigoso.
No último mês, o ANFFA noticiou a atualização da Portaria SDA/MAPA nº 695, de 8 de novembro de 2022, que dispunha sobre o quadro mínimo necessário de Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Affas) para a Coordenação-Geral de Laboratórios Agropecuários – CGAL e para os Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDAs). A atualização da Portaria se deu em virtude da necessidade de inclusão da demanda por Affas com formação em zootecnia dentre o quantitativo necessário ao funcionamento dos Laboratórios Federais.
Recentemente, o relatório do Grupo da Agricultura no governo de transição constatou o déficit de mais 300 profissionais nos LFDAs, assim como a “redução da capacidade de garantir a qualidade de insumos agropecuários, dos produtos de origem animal e vegetal e de identificação de pragas no País”. Atualmente a rede laboratorial, incluindo a CGAL, dispõe de 163 Affas. Segundo estudos realizados pelo DTEC, seriam necessários 295 Affas, o que dá um déficit de 132 auditores agropecuários.

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Tradição em Campo encerra com recorde de público
Evento da Cooperativa Agroindustrial Tradição mobiliza produtores, estudantes e parceiros em dois dias de palestras técnicas, vitrines tecnológicas e demonstrações práticas no Centro de Inovação e Tecnologia.

A edição 2026 do Tradição em Campo – Dia de Campo de Verão chegou ao fim consagrada como um grande sucesso de público, participação e geração de conhecimento. Durante os dois dias de programação, 3.075 mil visitantes passaram pelo Centro de Inovação e Tecnologia da Cooperativa Agroindustrial Tradição, em Pato Branco (PR), entre cooperados, produtores rurais, estudantes e parceiros.
Ao longo do evento, o CITT se transformou em um ambiente marcado por inovação, troca de experiências e fortalecimento do agronegócio regional. A ampla participação confirmou o interesse crescente por tecnologia, gestão e soluções estratégicas para o campo, reforçando a relevância do Tradição em Campo como um dos principais encontros técnicos do setor na região.
A programação técnica foi um dos grandes destaques. O biólogo Richard Rasmussen trouxe reflexões sobre sustentabilidade e os desafios do agronegócio, conectando produtividade e responsabilidade ambiental. O especialista Carlos Cogo abordou o cenário e as perspectivas do mercado agrícola, oferecendo uma análise estratégica sobre economia e tendências globais. Já Maria Iraclézia destacou a importância da gestão, liderança e sucessão familiar no campo, tema cada vez mais presente na realidade das propriedades rurais.
Além das palestras, os visitantes conheceram de perto as inovações apresentadas nos estandes da Tradição e de empresas parceiras, com foco em sementes, máquinas, pecuária e soluções tecnológicas voltadas à potencialização dos resultados no campo. Experiências como o bar suspenso, o test drive de quadriciclos, arena de drones e um espaço kids também foram diferenciais que atraíram o público e tornaram o ambiente ainda mais dinâmico.
Em seu pronunciamento de encerramento, o presidente da cooperativa, Julinho Tonus, agradeceu a presença dos cooperados, parceiros e estudantes, destacando a emoção ao ver o Centro de Inovação e Tecnologia movimentado e cumprindo seu propósito de ser um espaço permanente de aprendizado e evolução. “O Tradição em Campo mostra que, quando unimos conhecimento, tecnologia e cooperação, fortalecemos não apenas nossas propriedades, mas todo o agronegócio regional”, ressaltou.
Mais do que um evento técnico, o Tradição em Campo 2026 apresentou o compromisso da cooperativa com a inovação, a geração de valor ao produtor e o desenvolvimento sustentável do setor. A edição encerra com resultados expressivos e deixa a expectativa ainda maior para os próximos encontros.
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Goiás registra superávit de US$ 305 milhões na balança comercial em janeiro
Exportações goianas somaram US$ 721 milhões no primeiro mês do ano, enquanto as importações alcançaram US$ 416 milhões. Resultado representa crescimento de 33,4% no saldo em relação a janeiro de 2025.

Goiás iniciou 2026 com desempenho positivo na balança comercial. Em janeiro, o saldo foi de US$ 305 milhões, resultado de US$ 721 milhões em exportações e US$ 416 milhões em importações. O desempenho mantém o Estado entre os principais protagonistas do comércio exterior brasileiro, ocupando a 9ª posição no ranking nacional de exportações no mês e a 11ª colocação em importações. Os dados são da Superintendência de Comércio Exterior e Atração de Investimentos Internacionais, vinculada à Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC).

Na comparação com janeiro de 2025, as exportações goianas cresceram 5,51%. Com isso, o superávit apresentou alta expressiva de 33,43% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo foi de US$ 228,3 milhões. A corrente de comércio (soma de exportações e importações) totalizou US$ 1,13 bilhão em janeiro de 2026. “O resultado de janeiro confirma que Goiás inicia 2026 com bases sólidas no comércio exterior. Tivemos crescimento nas exportações e aumento expressivo de mais de 33% no saldo da balança comercial em relação ao ano passado. Esse desempenho reflete a força do nosso agronegócio, o avanço da indústria e da mineração, além do amadurecimento da política de atração de investimentos e de apoio ao setor produtivo. Goiás amplia sua participação nas exportações brasileiras e se consolida, cada vez mais, como um dos estados mais competitivos do país no cenário internacional”, destacou o titular da SIC, Joel de Sant’Anna Braga Filho.

Entre os produtos mais exportados em janeiro, o destaque foi o segmento de carnes, responsável por 31,65% das exportações estaduais no mês, com crescimento de 33,73% em relação a janeiro de 2025. As carnes bovinas lideraram o grupo, com alta de 44,43%. Também apresentaram desempenho relevante o complexo soja (16,77%), o complexo milho (15,96%), os minérios de cobre (9,31%), com crescimento expressivo de 193,78% na comparação anual, as ferroligas (8,70%) e o ouro (5,38%).
Os principais destinos das exportações goianas foram a China, que absorveu 20,62% do total exportado, seguida pelos Estados Unidos (9,58%), Bulgária (9,31%), Irã (6,78%), Vietnã (5,78%) e Canadá (5,52%). No ranking dos municípios exportadores, Rio Verde liderou, com US$ 107 milhões, o equivalente a 14,95% do total estadual, seguido por Alto Horizonte (9,31%), Mozarlândia (9,16%) e Jataí (6,91%). Já no que se refere às importações, o principal município foi Anápolis, responsável por 44,65% do total importado.
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Frísia anuncia aquisição de esmagadora de soja em Ponta Grossa
Complexo industrial terá cerca de 200 colaboradores na produção de óleo, farelo e lecitina de soja.

A Frísia Cooperativa Agroindustrial, com sede em Carambeí (PR), anuncia a assinatura do contrato de aquisição de uma esmagadora de soja em Ponta Grossa (PR). A planta tem capacidade de processamento de 3,4 mil toneladas de soja por dia.
O complexo industrial pertence à multinacional Louis Dreyfus Company (LDC). Os atuais colaboradores serão mantidos na estrutura.
“A aquisição dessa unidade industrial representa um avanço significativo para o cooperativismo paranaense, agregando valor para seus cooperados e impulsionando o desenvolvimento regional. A verticalização da produção, viabilizada por essa unidade, é um pilar fundamental do nosso Planejamento Estratégico para o ciclo 2025-2030. Ao integrarmos etapas produtivas, desde o recebimento da matéria-prima até a industrialização e comercialização dos derivados, ampliamos nossa eficiência, fortalecemos a competitividade e garantimos maior autonomia para enfrentar os desafios do mercado”, destaca o superintendente da Cooperativa Frísia, Mario Dykstra.
Localizada em um terreno de 58,08 hectares, a unidade tem como estrutura: área de recepção, beneficiamento e armazenamento de grãos, com capacidade estática de 300 mil toneladas; área de preparação da soja; extração de óleo e farelo; degomagem e envase de lecitina; e refinaria.
A esmagadora terá como foco a produção de óleo de soja degomado, destinado predominantemente à fabricação de biocombustíveis, e farelo de soja voltado tanto ao mercado interno quanto à exportação, além de outros produtos como lecitina e casca de soja, utilizados em indústrias de alimentos destinados ao consumo humano e à nutrição animal.
Para que a operação passe a ser administrada pela cooperativa, ainda é necessária a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a conclusão da transferência das licenças e autorizações. A estimativa é que esse processo seja finalizado até o segundo semestre de 2026.











