Avicultura
Sindiavipar: presença estratégica na história da avicultura paranaense
Desde 1992, sindicato atua como elo entre empresas, governo e produtores, impulsionando avanços técnicos, institucionais e comerciais no setor avícola

A avicultura no Paraná teve seu impulso inicial nas décadas de 1970 e 1980 com a chegada das empresas integradoras, que estabeleceram um modelo de produção colaborativa, fornecendo insumos, assistência técnica e garantindo a compra da produção dos aviários. Esse sistema modernizou a atividade e impulsionou o estado ao protagonismo nacional. A partir dos anos 1990, cooperativas agroindustriais ingressaram na atividade, fato que promoveu inclusão de pequenos produtores e distribuição dos benefícios econômicos entre seus associados. Esse movimento fortaleceu a economia regional e fomentou práticas sustentáveis, como o aproveitamento de resíduos para bioenergia e fertilizantes, a gestão eficiente da água e o investimento em bem-estar animal.

Fotos: Shutterstock
“A união entre integradoras e cooperativas consolida o Paraná como líder na avicultura brasileira, com destaque não só pela produtividade e exportação, mas também por um modelo sustentável que equilibra crescimento econômico com distribuição de renda no campo e nas cidades do estado com responsabilidade social, preservação ambiental, segurança alimentar e oferece carne de frango sustentável e com qualidade para mais de 140 países”, destaca o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Roberto Kaefer.
No início, o Sindiavipar enfrentou uma série de desafios importantes na avicultura paranaense. “O Brasil passava por uma instabilidade econômica intensa, com alta inflação e mudanças nos planos econômicos. Isso afetava diretamente os custos de produção (ração, insumos, energia) e a previsibilidade dos preços de venda”, lembra kaefer. “A avicultura mundial começava a se modernizar, e os produtores paranaenses precisavam investir em tecnologia para melhorar a produtividade e garantir a competitividade, o que nem sempre era viável financeiramente. A questão sanitária ganhava importância crescente. O controle de doenças como a Newcastle e a Salmonella era um grande desafio, especialmente com a necessidade de se adequar às normas mais rigorosas para exportação”, lembra.
“O Paraná já despontava como um grande produtor, mas ainda havia gargalos logísticos – estradas, transporte e armazenagem – que dificultavam o escoamento da produção para outros estados e países”, amplia Kaefer.
Outro gargalo era o acesso a mercados internacionais. “As exportações de carne de frango estavam em ascensão, mas o setor enfrentava barreiras tarifárias e sanitárias, especialmente na Europa e na Ásia. O Sindiavipar trabalhava para apoiar a abertura de novos mercados”, lembra, ampliando. “O setor precisava se estruturar melhor em termos de integração entre produtores, frigoríficos e indústrias de ração. O Sindiavipar desempenhava um papel crucial em mediar essas relações e fortalecer a cadeia produtiva”, relembra o presidente.
Marcos históricos

O Sindiavipar tem desempenhado papel importante no desenvolvimento da avicultura paranaense desde a sua fundação. “Em 19 de novembro de 1992, o Sindiavipar foi estabelecido com o objetivo de representar os abatedouros e incubatórios de produtos avícolas do Paraná e promover o crescimento e a sustentabilidade do setor no estado. Ao longo das décadas seguintes, o Paraná se firmou como o principal produtor de carne de frango do Brasil, hoje é responsável por aproximadamente 35% da produção nacional e mais de 40% das exportações brasileiras”, resume.
Em julho de 2022, o então presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues, e diretores do Sindiavipar, juntamente com outras lideranças empresariais, reuniram-se com ministros do governo federal para discutir e buscar soluções para os entraves na importação de milho paraguaio, essencial para a cadeia produtiva avícola.
Bandeiras
O Sindiavipar atua com diversas prioridades para promover e representar a avicultura paranaense. As principais áreas de atuação inclui representatividade e relações governamentais, intermediando o relacionamento entre as indústrias avícolas e os representantes do governo e outras entidades, a sanidade avícola, priorizando a manutenção e aprimoramento dos padrões sanitários, o desenvolvimento sustentável, promovendo práticas sustentáveis na avicultura, a infraestrutura e logística, preocupação constante para facilitar o escoamento da produção e reduzir custos operacionais. Além disso, atua na busca de soluções para desafios relacionados à energia elétrica e conectividade no campo, além de apoio às exportações, participando de missões internacionais e estabelecendo parcerias para impulsionar as exportações de produtos avícolas paranaenses.
A atuação política e institucional do Sindiavipar é como um escudo e uma ponte ao mesmo tempo, protegendo o setor de ameaças e abrindo caminhos para mais crescimento e competitividade.
O Sindiavipar tem desempenhado um papel fundamental para que as indústrias avícolas paranaenses mantenham sua posição de destaque na produção e exportação de carne de frango no Brasil. Suas principais contribuições incluem participação em missões empresariais internacionais, como a realizada na África, promoção da neoindustrialização, modernização e inovação no setor avícola, além de apoio contínuo a indústrias na produção e exportação. “Graças ao trabalho conjunto do Sindiavipar com as indústrias associadas, o Paraná tem mantido sua posição de líder na produção e exportação de carne de frango, respondendo por 35% da produção nacional e mais de 40% das exportações brasileiras”, reforça Kaefer.
Sustentabilidade
A sustentabilidade na avicultura paranaense tem sido promovida por meio de diversas iniciativas que abrangem aspectos ambientais, sociais e de governança. As principais ações implementadas incluem programas de integração com pequenos produtores. “Empresas do setor têm desenvolvido programas que oferecem suporte técnico e financeiro aos pequenos produtores, fortalecendo a cadeia produtiva e promovendo a inclusão social. Essa colaboração impulsiona a geração de renda em muitos municípios do Paraná, fortalecendo a economia regional”, destaca o presidente.
Outra iniciativa é a adoção de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança). “A avicultura paranaense incorporou estratégias de ESG em suas operações, focando na gestão ambiental responsável, promoção social e governança eficiente. Isso inclui o tratamento adequado de resíduos, eficiência energética e logística reversa, visando a sustentabilidade do setor”, cita, destacando ainda parcerias institucionais para sustentabilidade. “O Sindiavipar, em conjunto com o Sistema Faep/Senar-PR, tem alinhado ações de sustentabilidade no meio rural, fortalecendo os pilares ESG na cadeia produtiva da avicultura do Paraná”.
Kaefer destaca que a modernização das instalações avícolas, com a adoção de tecnologias avançadas e automação, tem contribuído para aumentar a eficiência produtiva e reduzir o impacto ambiental.
Desafios e futuro
Apesar de sua posição de destaque na produção nacional, o Paraná enfrenta atualmente diversos desafios que impactam sua competitividade e sustentabilidade. “O aumento nos preços de insumos essenciais, como milho e farelo de soja, tem pressionado as margens de lucro dos produtores. Essa elevação nos custos compromete a rentabilidade e exige estratégias eficazes de gestão para mitigar os impactos financeiros. Embora o Paraná seja referência em biosseguridade, a ameaça constante de doenças como a Influenza Aviária requer vigilância contínua e investimentos em medidas preventivas para proteger os plantéis e manter a reputação sanitária do estado. Além disso, a eficiência no transporte de insumos e produtos finais é crucial. Desafios relacionados à infraestrutura rodoviária e portuária podem aumentar os custos logísticos e afetar a competitividade das exportações paranaenses”, enumera o presidente.
Outros desafios, cita Kaefer, incluem flutuações cambiais e dependência de mercados externos, a crescente demanda por práticas sustentáveis quem impõe ao setor o desafio de equilibrar a expansão produtiva com a responsabilidade ambiental, além dos conflitos geopolíticos internacionais. “Para enfrentar esses desafios é fundamental que o setor avícola paranaense invista em inovação tecnológica, diversificação de mercados, fortalecimento de práticas sustentáveis e manutenção de elevados padrões de biosseguridade”, menciona.
Futuro da avicultura no Paraná e no Brasil
Kaefer explica que o Sindiavipar vislumbra um futuro promissor para a avicultura paranaense e brasileira no cenário global, fundamentado em estratégias de inovação, sustentabilidade e expansão de mercados. As principais perspectivas incluem “manutenção da liderança global de exportações, expansão para novos mercados, investimento em biosseguridade para a preservação do status sanitário do Brasil, adoção de tecnologias inovadoras e foco na sustentabilidade. “A gente acredita quer, ao continuar investindo nessas áreas, a avicultura paranaense e brasileira consolidará sua liderança global, atendendo às demandas de um mercado internacional cada vez mais exigente e diversificado”, cita.
Workshops e o Alimenta
Um evento que demonstre o protagonismo das indústrias avícolas do Paraná possibilita fortalecer o setor e demonstrar o desenvolvimento e a organização do setor. O Workshops Sindiavipar serve como uma plataforma estratégica para a atualização técnica, promoção de inovações e fortalecimento de parcerias no setor. “O evento reúne especialistas e profissionais renomados que abordam temas relevantes, proporcionando aos participantes insights sobre tendências, desafios e oportunidades no setor avícola”.
Com iniciativas como a Arena de Inovação, o workshop destaca tecnologias disruptivas e soluções inovadoras, incentivando a modernização e a competitividade das empresas. “Ao congregar diversos atores da cadeia produtiva, o evento facilita o networking e a formação de alianças estratégicas, essenciais para o crescimento sustentável do setor”, menciona.

Presidente do Sindiavipar, Roberto Kaefer: “A gente acredita quer, ao continuar investindo nessas áreas, a avicultura paranaense e brasileira consolidará sua liderança global, atendendo às demandas de um mercado internacional cada vez mais exigente e diversificado” – Divulgação/Sindiavipar
O Sindiavipar decidiu reformular o tradicional Workshop Sindiavipar, ampliando-o para o Alimenta – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal, com o objetivo de consolidar e fortalecer a representatividade da indústria de proteína animal do Paraná. “Essa mudança foi motivada pela necessidade de unificar diversos eventos dispersos pelo estado em uma única plataforma abrangente, que englobasse todas as cadeias produtivas de proteínas animais, incluindo frango, suíno, boi, ovos e peixes. O Alimenta visa destacar a importância estratégica do setor na geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico, além de posicionar o Paraná como líder não apenas na produção avícola, mas também em outros segmentos de proteína animal. O evento busca promover debates sobre temas cruciais como automação, inteligência artificial e políticas econômicas, visando otimizar custos e garantir a competitividade no mercado global”, sustenta.
Além disso, a parceria com o Sistema Fiep para sediar o evento no Campus da Indústria em Curitiba reflete o reconhecimento da relevância do setor para a economia paranaense e a intenção de proporcionar um ambiente propício para discussões e inovações que impulsionem ainda mais a indústria de proteína animal no estado.
A transição do tradicional Workshop Sindiavipar para dentro do Alimenta representa uma evolução significativa no formato do evento, ampliando seu escopo e impacto. “A expectativa é que o evento seja uma oportunidade para consolidar o Paraná como protagonista global na produção de proteínas animais, abrangendo não apenas a avicultura, mas também as cadeias produtivas de suínos, bovinos e peixes. O Sindiavipar espera que o Alimenta contribua significativamente para o fortalecimento da representatividade e competitividade da indústria de proteína animal”, menciona Kaefer.
Histórias e personagens
Ao longo de sua trajetória, o Sindiavipar contou com a contribuição de diversas personalidades que desempenharam papéis fundamentais no fortalecimento da avicultura paranaense. Algumas das figuras mais notáveis incluem:
- Domingos Martins: Como presidente do Sindiavipar, liderou iniciativas que consolidaram o Paraná como líder nacional na produção e exportação de carne de frango.
- Claudio de Oliveira: Atuou como vice-presidente, contribuindo significativamente para o desenvolvimento estratégico do setor avícola no estado.
- Olavio Lepper: Exerceu a função de secretário, participando ativamente na organização e representação das indústrias avícolas paranaenses.
- Roberto Pelle: Como tesoureiro, foi responsável pela gestão financeira do sindicato, assegurando recursos para projetos e ações em prol do setor.
- Inácio Kroetz: Exerceu a função de diretor executivo e participou ativamente de reuniões estratégicas com autoridades governamentais para fortalecer a avicultura no estado.
- Irineo da Costa Rodrigues: Eleito presidente do Sindiavipar em 2019, Irineo trouxe sua vasta experiência no setor cooperativista para liderar o sindicato.
- Dilvo Grolli:Reconhecido por sua atuação como suplente no Conselho Fiscal do Sindiavipar, Dilvo contribuiu significativamente para o desenvolvimento estratégico do setor avícola paranaense.
- Valter Pitol: Como presidente da Copacol, Pitol foi homenageado pelo Sindiavipar em 2022 com o troféu Destaque Pioneirismo na Avicultura, reconhecendo sua liderança e inovação no setor.
- Alfredo Lang: Atuou como membro efetivo do Conselho Fiscal do Sindiavipar, além de ser diretor-presidente da C. Vale, onde defendeu a transformação de grãos em proteínas animais como estratégia para o agronegócio brasileiro.
- Adroaldo Paludo: Exerce a função de conselheiro fiscal do Sindiavipar, destacando-se por sua preocupação com as questões sanitárias e pela continuidade do trabalho desenvolvido com os produtores.
- Sidnei Donizete Bottazzari: Participou ativamente como suplente no Conselho Fiscal do Sindiavipar, contribuindo para as decisões estratégicas da entidade.
- Roberto Kaefer: Atual presidente do Sindiavipar, tem enfatizado a importância do corporativismo e do trabalho conjunto para manter o Paraná na vanguarda da produção e exportação avícola.
- José Antônio Ribas Junior: Vice-presidente na gestão atual, colabora estreitamente com a Presidência para fortalecer as políticas e ações do sindicato.
- Ricardo Santin: Embora não faça parte diretamente do Sindiavipar, foi homenageado pelo sindicato em reconhecimento à sua dedicação e liderança no fortalecimento da avicultura brasileira no mercado global.
Contribuições
A contribuição dos presidentes e diretores do Sindiavipar foi – e continua sendo – essencial para transformar o Paraná em uma potência da avicultura. Cada liderança deixou sua marca, adaptando o sindicato às necessidades da época e guiando o setor em meio a desafios e oportunidades. “Presidentes como Irineo da Costa Rodrigues trouxeram uma visão empresarial moderna, fortalecendo o diálogo com o governo e entidades internacionais para abrir mercados. Durante sua gestão, Irineo trabalhou para manter o Paraná à frente mesmo em momentos difíceis, como crises sanitárias e mudanças no mercado global. Nesta gestão a construção de pontes com o governo, influenciou políticas públicas que beneficiaram o setor. Essa gestão foi peça-chave na modernização da estrutura do Sindiavipar, trazendo uma postura mais técnica e focada em resultados”, frisa Kaefer.
Líderes como Alfredo Lang e Valter Pitol, que também comandam grandes cooperativas, trouxeram a experiência de gestão empresarial para dentro do Sindiavipar.
Roberto Kaefer, atual presidente do Sindiavipar, tem enfatizado a importância do corporativismo e do trabalho conjunto para manter o Paraná na vanguarda da produção e exportação avícola.
Mensagem
“A mensagem que gostaria de deixar aos produtores, empresários, parceiros, governo estadual, serviço de defesa sanitária e a todos que integram a indústria avícola no estado do Paraná é uma de reconhecimento, união e visão de futuro. A indústria avícola paranaense, ao longo dos últimos 30 anos, se tornou um verdadeiro exemplo de resiliência, inovação e compromisso com a qualidade e sustentabilidade. Todos vocês têm sido peças essenciais na construção dessa história de sucesso, e juntos demonstramos a força de um setor que alimenta o Brasil e o mundo”.
“Mas, apesar das conquistas extraordinárias até aqui, o futuro da avicultura paranaense exige mais colaboração, mais inovação e mais esforço conjunto. A indústria precisa continuar a se adaptar às mudanças globais, seja no campo da sustentabilidade, das exigências sanitárias ou da integração com novos mercados”.
“A todos os produtores que trabalham diariamente para garantir qualidade e produtividade, aos empresários que investem em tecnologia e inovação, aos parceiros que apoiam e colaboram para o crescimento do setor, ao governo estadual que tem se mostrado um aliado fundamental nas políticas públicas, e aos serviços de defesa sanitária que garantem a confiança internacional em nossos produtos, o meu reconhecimento e agradecimento”.
“Em um mundo cada vez mais dinâmico, é fundamental que todos nós sigamos juntos, com união, respeito e uma visão clara de um setor que continua sendo protagonista, gerando emprego, renda e prosperidade para o Paraná e para o Brasil. O caminho à frente é promissor, mas exige que continuemos a trabalhar em colaboração, sempre buscando a sustentabilidade, o desenvolvimento tecnológico e a melhoria contínua em todas as áreas da produção. Que possamos continuar a crescer, fortalecer nossa posição no mercado global e, acima de tudo, garantir que a avicultura paranaense siga sendo uma fonte de orgulho para todos nós. Vamos seguir juntos, sempre em busca de mais e melhores resultados para nossa indústria avícola e para o Paraná!”
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Avicultura
Após caso de Influenza aviária, Coesa reforça alinhamento sanitário no Paraná
Reunião do Coesa no Show Rural alinha estratégias entre serviço oficial e iniciativa privada, diante de mais de 20 mil ações sanitárias e impactos comerciais.

Mesmo quando não há crise instalada, a sanidade avícola nunca sai da pauta. O registro do primeiro caso de Influenza aviária no Brasil, em 2025, alterou definitivamente o nível de atenção do setor e reforçou uma lógica conhecida pelos técnicos, mas nem sempre perceptível fora dos bastidores: reuniões de sanidade são permanentes. São rotineiras na agenda, mas jamais tratadas como rotina.
Foi nesse contexto que o Comitê Estadual de Sanidade Avícola (Coesa) promoveu mais um encontro durante o Show Rural. A reunião integrou o calendário regular do comitê, voltado ao alinhamento de estratégias, avaliação de cenários e coordenação entre o serviço oficial, universidades e representantes da iniciativa privada.
Entre os pontos apresentados, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) destacou o volume de ações realizadas ao longo de 2025. Segundo os dados compartilhados, foram mais de 20 mil atividades executadas no período, incluindo mais de 3 mil fiscalizações em propriedades de subsistência.
A pauta sanitária também contemplou os desdobramentos do episódio de influenza aviária registrado no Rio Grande do Sul. Representantes do setor produtivo relataram que reflexos comerciais ainda persistem em determinados mercados internacionais, especialmente em operações que envolvem vínculos com a origem gaúcha.
Durante o encontro, integrantes da iniciativa privada reforçaram a necessidade de manutenção e fortalecimento contínuo das práticas de biossegurança, destacando o papel preventivo das medidas sanitárias na proteção da cadeia produtiva.
O Coesa atua como instância técnica de articulação, reunindo diferentes elos institucionais para monitoramento, análise de riscos e definição de diretrizes sanitárias. As reuniões ocorrem de forma sequencial ao longo do ano, compondo a estrutura de vigilância e coordenação da sanidade avícola no estado.
Avicultura
Qualidade dos ingredientes molda microbiota intestinal e desempenho das aves, aponta especialista
Estudos indicam que nutrição influencia imunidade, eficiência alimentar e sustentabilidade na avicultura.

Em um setor onde cada grama de ração representa custo e desempenho, o intestino das aves desponta como o centro de uma revolução silenciosa. Mais do que um órgão digestivo, ele abriga interações complexas entre nutrientes e microrganismos, que interagem e influenciam desde a eficiência alimentar até a imunidade do animal. Nos últimos anos, pesquisadores e indústrias têm voltado os olhos para esse universo microscópico, buscando entender como a qualidade dos ingredientes utilizados nas rações pode moldar essa microbiota e, consequentemente, o potencial produtivo das aves.
A doutora em Zootecnia e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Cinthia Eyng, tem se dedicado a investigar essa relação. Segundo ela, compreender o papel dos ingredientes na microbiota intestinal é essencial para garantir saúde, desempenho e sustentabilidade à avicultura. “A microbiota intestinal é composta por diversos microrganismos que interagem com o hospedeiro e os nutrientes ingeridos. Os tipos de ingredientes e, principalmente, a qualidade deles, modulam essa comunidade de maneira distinta”, explica em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Doutora em Zootecnia e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Cinthia Eyng: “Monitorar é investir. É o primeiro passo para garantir uma produção de qualidade e previsível” – Foto: Arquivo Pessoal
Essa modulação, afirma, interfere tanto na composição taxonômica (quais microrganismos estão presentes) quanto no perfil metabólico, ou seja, como eles desempenham suas funções e quais metabólitos produzem.
Quando a ração apresenta ingredientes de baixa qualidade, seja por variação na composição nutricional, presença de fatores antinutricionais, contaminantes ou processamento inadequado, o impacto é imediato. “Esses fatores podem alterar a integridade da mucosa intestinal, modificar o desempenho e comprometer o resultado produtivo”, observa Cinthia.
Micotoxinas, por exemplo, ou ingredientes com baixa digestibilidade proteica, criam um ambiente intestinal propício à proliferação de microrganismos patogênicos. “A nutrição vai muito além de fornecer nutrientes ao animal. Ela molda a microbiota, promovendo o desenvolvimento de microrganismos benéficos e limitando os patogênicos”, resume.
A difícil tarefa de medir qualidade
O desafio começa ainda antes da formulação das rações: avaliar a qualidade das matérias-primas. Cinthia lembra que o controle da composição dos ingredientes é um dos pontos mais críticos do sistema. “Avaliar qualidade vai muito além de determinar porcentagem de proteína, umidade ou lipídios. O grande desafio é a variação de composição entre os ingredientes”, diz, enfatizando que um milho colhido no Sul pode ter valor nutricional completamente diferente de outro produzido no Nordeste, com teores distintos de amido, energia ou mesmo micotoxinas.
A professora destaca o papel das tecnologias preditivas, como o infravermelho próximo (NIR), que permitem análises rápidas e mais completas dos ingredientes. “Hoje é indispensável monitorar continuamente os fornecedores e incluir, nas rotinas analíticas, indicadores de digestibilidade. Isso reduz a incerteza e aumenta a previsibilidade do desempenho e do impacto desses ingredientes na microbiota intestinal”, expõe.
Inimigos ocultos da eficiência

Dentro dessa equação, os fatores antinutricionais são vilões muitas vezes invisíveis. Taninos, fitatos e inibidores de tripsina estão naturalmente presentes em vários grãos e, quando não controlados, afetam diretamente a digestão e a microbiota intestinal. “Grande parte do sistema imunológico está no trato gastrointestinal, e a microbiota responde diretamente aos nutrientes que são fornecidos”, pontua Cinthia.
Um exemplo clássico é o inibidor de tripsina, comum no farelo de soja mal processado. “Esse inibidor reduz a atividade das enzimas proteolíticas, levando a uma menor digestão e absorção de proteínas. O nutriente não digerido chega ao intestino grosso, favorecendo fermentações proteolíticas e alterando o pH intestinal”, diz. Esse ambiente, mais favorável à proliferação de bactérias patogênicas como o Clostridium perfringens, desencadeia processos inflamatórios e perdas metabólicas significativas. “O animal passa a gastar energia para combater inflamações em vez de convertê-la em ganho de peso e desempenho produtivo”, ressalta.
Aliadas de grande impacto
Entre as ferramentas nutricionais capazes de reverter esse cenário estão as enzimas exógenas, cuja eficácia já é amplamente comprovada. “Diversos estudos mostram que as enzimas podem modular positivamente a microbiota intestinal”, destaca a especialista.
De acordo com a docente, a ação principal dessas enzimas é melhorar a digestibilidade dos nutrientes, reduzindo o substrato não digerido que serviria de alimento a bactérias indesejáveis. “Mas elas fazem mais do que isso, algumas enzimas, como a xilanase, ao quebrar polissacarídeos, geram xilooligossacarídeos, compostos com efeito prebiótico. Eles servem de substrato para bactérias benéficas, como lactobacilos e bifidobactérias”, salienta.
Com isso, as enzimas não apenas aumentam a eficiência nutricional, mas também estabilizam o ambiente intestinal, reforçando a integridade da mucosa e reduzindo inflamações. “A suplementação enzimática deve ser vista não só como ferramenta nutricional, mas como moduladora da microbiota. Ela contribui para o equilíbrio intestinal e para o desempenho zootécnico”, menciona.
Ingredientes de origem animal
A discussão sobre o uso de ingredientes de origem animal nas dietas de aves é antiga, mas novos estudos têm ajudado a desmistificar o tema. “Um trabalho recente, publicado em 2025, mostrou que não houve diferença significativa na microbiota intestinal ao incluir ingredientes de origem animal, como farinhas, desde que fossem de boa qualidade”, afirma Cinthia.
O ponto crítico, mais uma vez, está na qualidade. “Se a farinha animal for bem processada, com estabilidade lipídica e baixa carga microbiana, não há prejuízo. Mas produtos de baixa qualidade podem aumentar a carga bacteriana e favorecer a produção de compostos tóxicos, como aminas e amônia”, reforça.
Custo versus qualidade
No cenário de margens apertadas da avicultura, equilibrar custo e qualidade dos ingredientes é um desafio constante. Porém, a doutora em Zootecnia adverte que baratear a ração nem sempre reduz custos reais. “Reduzir o custo usando ingredientes de baixa digestibilidade ou alta variabilidade compromete o desempenho e eleva o custo final da produção”, alerta.
O caminho, segundo ela, é monitorar continuamente a qualidade, investir em tecnologias analíticas e padronizar processos de compra e armazenamento. “Custo-benefício e sanidade precisam caminhar juntos. Ingredientes de qualidade são um investimento, não um gasto”, enfatiza.
Monitorar é investir em produtividade
Os programas de monitoramento ainda são um gargalo na indústria, que muitas vezes se limita a análises básicas. “Focar apenas em proteína bruta, lipídios ou umidade é insuficiente. Precisamos de uma visão mais ampla, que inclua digestibilidade e fatores antinutricionais”, defende Cinthia.
Esses parâmetros adicionais, segunda ela, permitem uma leitura mais fiel de como os ingredientes influenciam a microbiota e, por consequência, o desempenho das aves. “Monitorar é investir. É o primeiro passo para garantir uma produção de qualidade e previsível”, destaca.
Via de mão dupla
A interação entre microbiota e sistema imunológico é hoje uma das áreas mais fascinantes da Zootecnia. Cinthia lembra que o trato gastrointestinal abriga uma parte expressiva das células imunes do organismo. “Um ingrediente de boa qualidade, com digestibilidade adequada, favorece uma fermentação benéfica, resultando na produção de ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que tem função anti-inflamatória e fortalece a barreira intestinal”, aponta.
Quando essa fermentação é substituída por processos indesejáveis, devido a ingredientes de baixa qualidade, surgem compostos tóxicos, como aminas biogênicas, que danificam o epitélio intestinal e desencadeiam inflamações. “Essas inflamações consomem energia e aminoácidos que poderiam ser direcionados ao crescimento. A microbiota equilibrada é, portanto, essencial para o bom funcionamento do sistema imune”, sustenta.
Avanços tecnológicos
A chegada de tecnologias analíticas rápidas está transformando o manejo nutricional. “O uso do NIRS, por exemplo, permite avaliar em minutos a composição nutricional dos ingredientes, viabilizando a nutrição de precisão”, explica Cinthia.
Além disso, ferramentas de análise de microbioma possibilitam mapear a funcionalidade dos microrganismos, identificando as vias metabólicas ativas em resposta à dieta. “Com isso, conseguimos formular dietas cada vez mais personalizadas e eficientes, ajustadas não só à genética, mas também à microbiota das aves”, enaltece.
Papel do zootecnista
Para a professora, o zootecnista tem hoje um papel estratégico na transição para uma nutrição integrada e sustentável. “É preciso escolher ingredientes de alta digestibilidade, que promovam fermentações benéficas e mantenham uma microbiota estável”, orienta, acrescentando que isso inclui o uso de enzimas e aditivos, mas também um olhar mais amplo sobre a formulação. “Nutrição, imunidade e microbiota não são áreas separadas. Elas formam um sistema, e toda decisão nutricional impacta esse equilíbrio.”
A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.
Avicultura
Sistema Faep reinaugura aviário escola e amplia capacitação no Oeste do Paraná
Nova estrutura permite o dobro de turmas por curso, capacitando mais profissionais e produtores na atividade que o Paraná é expoente.

O Sistema Faep reinaugurou, na segunda-feira (09), o seu aviário escola no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) de Assis Chateaubriand, na região Oeste do Paraná. O evento contou com a presença de 100 pessoas, entre autoridades, líderes do setor e parceiros, como o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Márcio Nunes; secretário da Agricultura e Proteína Animal de Toledo, Luiz Carlos Bombardelli; secretário de Agricultura e Transportes de Assis Chateaubriand, Clóvis Antônio Boni; e os presidentes dos sindicatos rurais de Marechal Cândido Rondon e Assis Chateaubriand, Edio Luiz Chapla e Valdemar Bellato, respectivamente.
A obra de reforma e ampliação modernizou a unidade utilizada para capacitar profissionais da área, produtores e trabalhadores rurais com as mais recentes técnicas e tecnologias da avicultura disponíveis no mercado. A estrutura, que possui 1.040 m² e capacidade para alojar até 19,7 mil aves, serve como unidade demonstrativa, replicando todas as etapas da produção de frango de corte, com foco em biosseguridade, bem-estar animal, manejo e sustentabilidade.
Com investimento de R$ 500 mil, proveniente de recursos do Sistema Faep, a reforma priorizou a obra civil. A principal mudança envolve a construção de uma nova sala de aula, permitindo a realização de dois cursos simultaneamente. A obra também incluiu dois banheiros no local e a expansão da área para instalação de equipamentos, garantindo maior comodidade e eficiência logística.
Os equipamentos de última geração instalados no local como silos, comedouros, bebedouros, sistema de climatização com inlets e exaustores, fornos e painéis controladores, foram obtidos por meio de comodato e/ou doação de empresas do setor.
“A modernização do aviário escola é um investimento estratégico no setor que move o Paraná, uma superpotência nacional na avicultura. Manter a liderança exige capacitação constante. Esta reforma amplia nossa capacidade de formar profissionais e produtores, disseminando as melhores práticas que garantem produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar. É um legado para o fortalecimento contínuo da nossa cadeia produtiva”, afirmou o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
“Esse é o momento simbólico. O governador Ratinho Junior e o Secretaria Estadual de Agricultura apoiam essa parceria estreita com o Sistema Faep, pois sabemos da importância para qualificar os produtores rurais para que o Paraná continue caminhando para ser o supermercado do mundo. Parabéns ao Sistema Faep pelo trabalho excelente”, destacou Márcio Nunes, secretário estadual da Agricultura e Abastecimento.
Atualmente, o Paraná responde por um terço dos abates de frangos do Brasil, com produção de 2,3 bilhões de cabeças em 2024, movimentando aproximadamente R$ 31 bilhões, conforme dados do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio (Agrostat) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As exportações atingiram volume de 2,1 milhões de toneladas e valor de US$ 3,7 bilhões em 2025.
No cenário estadual, a região Oeste, onde está localizado o aviário escola, é a principal produtora: Toledo, com 66,3 mil toneladas e Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 917,6 milhões e Assis Chateaubriand com 52,5 mil toneladas e VBP de R$ 795 milhões, segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Palestra
Ainda durante o evento de reinauguração do aviário escola, os participantes acompanharam a palestra do professor doutor Luiz Felipe Caron sobre biosseguridade na avicultura de corte. O profissional destacou que a biosseguridade deve seguir a ordem dos três “P’s”: pessoas, processos e produtos. Segundo o especialista, biosseguridade significa criar barreiras, e isso envolve higiene, organização e análise diária de riscos para identificar possíveis fontes de contaminação e evitar a disseminação de doenças. O conceito é ao mesmo tempo estrutural, operacional e conceitual, com medidas simples, porém inegociáveis, exigindo investimento contínuo por parte das empresas. Caron também abordou a vacinação como ferramenta essencial no controle sanitário, explicando seu funcionamento e estratégias de uso para prevenir enfermidades.
Demanda crescente
O espaço, inaugurado em outubro de 2014, já recebeu mais de 640 cursos ao longo dos últimos 11 anos, capacitando mais de 7,5 mil alunos. A crescente demanda por treinamentos motivou a reforma, que focou na ampliação da estrutura física para dobrar a capacidade de atendimento.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “A modernização do aviário escola é um investimento estratégico no setor que move o Paraná, uma superpotência nacional na avicultura. Manter a liderança exige capacitação constante”
“A estrutura é utilizada para cursos que equilibram eficiência produtiva com responsabilidade ambiental e social, focando em bem-estar animal, uso eficiente de recursos como água e energia solar, e gestão de resíduos”, explica Alcione Mazur, gerente do Departamento de Organização e Gestão da Execução do Sistema Faep.
A nova estrutura permite otimizar a oferta de cursos que já estavam em expansão. Desde 2024, o CTA tem ampliado seu portfólio, incluindo os treinamentos de ‘Ambiência na Avicultura’, ‘Elétrica para Aviários’, ‘Manejo de Frangos de Corte’ e ‘Manutenção Preventiva de Equipamentos’. Agora, com a reforma, será possível realizar essas capacitações com o dobro de turmas, atendendo uma demanda crescente.
A programação dos próximos cursos do aviário escola no CTA de Assis Chateaubriand do Sistema Faep está disponível no site da entidade, acesse clicando aqui, e nos sindicatos rurais. Todas as capacitações da entidade são gratuitas e contam com certificado.



