Avicultura
Sindiavipar: presença estratégica na história da avicultura paranaense
Desde 1992, sindicato atua como elo entre empresas, governo e produtores, impulsionando avanços técnicos, institucionais e comerciais no setor avícola

A avicultura no Paraná teve seu impulso inicial nas décadas de 1970 e 1980 com a chegada das empresas integradoras, que estabeleceram um modelo de produção colaborativa, fornecendo insumos, assistência técnica e garantindo a compra da produção dos aviários. Esse sistema modernizou a atividade e impulsionou o estado ao protagonismo nacional. A partir dos anos 1990, cooperativas agroindustriais ingressaram na atividade, fato que promoveu inclusão de pequenos produtores e distribuição dos benefícios econômicos entre seus associados. Esse movimento fortaleceu a economia regional e fomentou práticas sustentáveis, como o aproveitamento de resíduos para bioenergia e fertilizantes, a gestão eficiente da água e o investimento em bem-estar animal.

Fotos: Shutterstock
“A união entre integradoras e cooperativas consolida o Paraná como líder na avicultura brasileira, com destaque não só pela produtividade e exportação, mas também por um modelo sustentável que equilibra crescimento econômico com distribuição de renda no campo e nas cidades do estado com responsabilidade social, preservação ambiental, segurança alimentar e oferece carne de frango sustentável e com qualidade para mais de 140 países”, destaca o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Roberto Kaefer.
No início, o Sindiavipar enfrentou uma série de desafios importantes na avicultura paranaense. “O Brasil passava por uma instabilidade econômica intensa, com alta inflação e mudanças nos planos econômicos. Isso afetava diretamente os custos de produção (ração, insumos, energia) e a previsibilidade dos preços de venda”, lembra kaefer. “A avicultura mundial começava a se modernizar, e os produtores paranaenses precisavam investir em tecnologia para melhorar a produtividade e garantir a competitividade, o que nem sempre era viável financeiramente. A questão sanitária ganhava importância crescente. O controle de doenças como a Newcastle e a Salmonella era um grande desafio, especialmente com a necessidade de se adequar às normas mais rigorosas para exportação”, lembra.
“O Paraná já despontava como um grande produtor, mas ainda havia gargalos logísticos – estradas, transporte e armazenagem – que dificultavam o escoamento da produção para outros estados e países”, amplia Kaefer.
Outro gargalo era o acesso a mercados internacionais. “As exportações de carne de frango estavam em ascensão, mas o setor enfrentava barreiras tarifárias e sanitárias, especialmente na Europa e na Ásia. O Sindiavipar trabalhava para apoiar a abertura de novos mercados”, lembra, ampliando. “O setor precisava se estruturar melhor em termos de integração entre produtores, frigoríficos e indústrias de ração. O Sindiavipar desempenhava um papel crucial em mediar essas relações e fortalecer a cadeia produtiva”, relembra o presidente.
Marcos históricos

O Sindiavipar tem desempenhado papel importante no desenvolvimento da avicultura paranaense desde a sua fundação. “Em 19 de novembro de 1992, o Sindiavipar foi estabelecido com o objetivo de representar os abatedouros e incubatórios de produtos avícolas do Paraná e promover o crescimento e a sustentabilidade do setor no estado. Ao longo das décadas seguintes, o Paraná se firmou como o principal produtor de carne de frango do Brasil, hoje é responsável por aproximadamente 35% da produção nacional e mais de 40% das exportações brasileiras”, resume.
Em julho de 2022, o então presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues, e diretores do Sindiavipar, juntamente com outras lideranças empresariais, reuniram-se com ministros do governo federal para discutir e buscar soluções para os entraves na importação de milho paraguaio, essencial para a cadeia produtiva avícola.
Bandeiras
O Sindiavipar atua com diversas prioridades para promover e representar a avicultura paranaense. As principais áreas de atuação inclui representatividade e relações governamentais, intermediando o relacionamento entre as indústrias avícolas e os representantes do governo e outras entidades, a sanidade avícola, priorizando a manutenção e aprimoramento dos padrões sanitários, o desenvolvimento sustentável, promovendo práticas sustentáveis na avicultura, a infraestrutura e logística, preocupação constante para facilitar o escoamento da produção e reduzir custos operacionais. Além disso, atua na busca de soluções para desafios relacionados à energia elétrica e conectividade no campo, além de apoio às exportações, participando de missões internacionais e estabelecendo parcerias para impulsionar as exportações de produtos avícolas paranaenses.
A atuação política e institucional do Sindiavipar é como um escudo e uma ponte ao mesmo tempo, protegendo o setor de ameaças e abrindo caminhos para mais crescimento e competitividade.
O Sindiavipar tem desempenhado um papel fundamental para que as indústrias avícolas paranaenses mantenham sua posição de destaque na produção e exportação de carne de frango no Brasil. Suas principais contribuições incluem participação em missões empresariais internacionais, como a realizada na África, promoção da neoindustrialização, modernização e inovação no setor avícola, além de apoio contínuo a indústrias na produção e exportação. “Graças ao trabalho conjunto do Sindiavipar com as indústrias associadas, o Paraná tem mantido sua posição de líder na produção e exportação de carne de frango, respondendo por 35% da produção nacional e mais de 40% das exportações brasileiras”, reforça Kaefer.
Sustentabilidade
A sustentabilidade na avicultura paranaense tem sido promovida por meio de diversas iniciativas que abrangem aspectos ambientais, sociais e de governança. As principais ações implementadas incluem programas de integração com pequenos produtores. “Empresas do setor têm desenvolvido programas que oferecem suporte técnico e financeiro aos pequenos produtores, fortalecendo a cadeia produtiva e promovendo a inclusão social. Essa colaboração impulsiona a geração de renda em muitos municípios do Paraná, fortalecendo a economia regional”, destaca o presidente.
Outra iniciativa é a adoção de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança). “A avicultura paranaense incorporou estratégias de ESG em suas operações, focando na gestão ambiental responsável, promoção social e governança eficiente. Isso inclui o tratamento adequado de resíduos, eficiência energética e logística reversa, visando a sustentabilidade do setor”, cita, destacando ainda parcerias institucionais para sustentabilidade. “O Sindiavipar, em conjunto com o Sistema Faep/Senar-PR, tem alinhado ações de sustentabilidade no meio rural, fortalecendo os pilares ESG na cadeia produtiva da avicultura do Paraná”.
Kaefer destaca que a modernização das instalações avícolas, com a adoção de tecnologias avançadas e automação, tem contribuído para aumentar a eficiência produtiva e reduzir o impacto ambiental.
Desafios e futuro
Apesar de sua posição de destaque na produção nacional, o Paraná enfrenta atualmente diversos desafios que impactam sua competitividade e sustentabilidade. “O aumento nos preços de insumos essenciais, como milho e farelo de soja, tem pressionado as margens de lucro dos produtores. Essa elevação nos custos compromete a rentabilidade e exige estratégias eficazes de gestão para mitigar os impactos financeiros. Embora o Paraná seja referência em biosseguridade, a ameaça constante de doenças como a Influenza Aviária requer vigilância contínua e investimentos em medidas preventivas para proteger os plantéis e manter a reputação sanitária do estado. Além disso, a eficiência no transporte de insumos e produtos finais é crucial. Desafios relacionados à infraestrutura rodoviária e portuária podem aumentar os custos logísticos e afetar a competitividade das exportações paranaenses”, enumera o presidente.
Outros desafios, cita Kaefer, incluem flutuações cambiais e dependência de mercados externos, a crescente demanda por práticas sustentáveis quem impõe ao setor o desafio de equilibrar a expansão produtiva com a responsabilidade ambiental, além dos conflitos geopolíticos internacionais. “Para enfrentar esses desafios é fundamental que o setor avícola paranaense invista em inovação tecnológica, diversificação de mercados, fortalecimento de práticas sustentáveis e manutenção de elevados padrões de biosseguridade”, menciona.
Futuro da avicultura no Paraná e no Brasil
Kaefer explica que o Sindiavipar vislumbra um futuro promissor para a avicultura paranaense e brasileira no cenário global, fundamentado em estratégias de inovação, sustentabilidade e expansão de mercados. As principais perspectivas incluem “manutenção da liderança global de exportações, expansão para novos mercados, investimento em biosseguridade para a preservação do status sanitário do Brasil, adoção de tecnologias inovadoras e foco na sustentabilidade. “A gente acredita quer, ao continuar investindo nessas áreas, a avicultura paranaense e brasileira consolidará sua liderança global, atendendo às demandas de um mercado internacional cada vez mais exigente e diversificado”, cita.
Workshops e o Alimenta
Um evento que demonstre o protagonismo das indústrias avícolas do Paraná possibilita fortalecer o setor e demonstrar o desenvolvimento e a organização do setor. O Workshops Sindiavipar serve como uma plataforma estratégica para a atualização técnica, promoção de inovações e fortalecimento de parcerias no setor. “O evento reúne especialistas e profissionais renomados que abordam temas relevantes, proporcionando aos participantes insights sobre tendências, desafios e oportunidades no setor avícola”.
Com iniciativas como a Arena de Inovação, o workshop destaca tecnologias disruptivas e soluções inovadoras, incentivando a modernização e a competitividade das empresas. “Ao congregar diversos atores da cadeia produtiva, o evento facilita o networking e a formação de alianças estratégicas, essenciais para o crescimento sustentável do setor”, menciona.

Presidente do Sindiavipar, Roberto Kaefer: “A gente acredita quer, ao continuar investindo nessas áreas, a avicultura paranaense e brasileira consolidará sua liderança global, atendendo às demandas de um mercado internacional cada vez mais exigente e diversificado” – Divulgação/Sindiavipar
O Sindiavipar decidiu reformular o tradicional Workshop Sindiavipar, ampliando-o para o Alimenta – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal, com o objetivo de consolidar e fortalecer a representatividade da indústria de proteína animal do Paraná. “Essa mudança foi motivada pela necessidade de unificar diversos eventos dispersos pelo estado em uma única plataforma abrangente, que englobasse todas as cadeias produtivas de proteínas animais, incluindo frango, suíno, boi, ovos e peixes. O Alimenta visa destacar a importância estratégica do setor na geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico, além de posicionar o Paraná como líder não apenas na produção avícola, mas também em outros segmentos de proteína animal. O evento busca promover debates sobre temas cruciais como automação, inteligência artificial e políticas econômicas, visando otimizar custos e garantir a competitividade no mercado global”, sustenta.
Além disso, a parceria com o Sistema Fiep para sediar o evento no Campus da Indústria em Curitiba reflete o reconhecimento da relevância do setor para a economia paranaense e a intenção de proporcionar um ambiente propício para discussões e inovações que impulsionem ainda mais a indústria de proteína animal no estado.
A transição do tradicional Workshop Sindiavipar para dentro do Alimenta representa uma evolução significativa no formato do evento, ampliando seu escopo e impacto. “A expectativa é que o evento seja uma oportunidade para consolidar o Paraná como protagonista global na produção de proteínas animais, abrangendo não apenas a avicultura, mas também as cadeias produtivas de suínos, bovinos e peixes. O Sindiavipar espera que o Alimenta contribua significativamente para o fortalecimento da representatividade e competitividade da indústria de proteína animal”, menciona Kaefer.
Histórias e personagens
Ao longo de sua trajetória, o Sindiavipar contou com a contribuição de diversas personalidades que desempenharam papéis fundamentais no fortalecimento da avicultura paranaense. Algumas das figuras mais notáveis incluem:
- Domingos Martins: Como presidente do Sindiavipar, liderou iniciativas que consolidaram o Paraná como líder nacional na produção e exportação de carne de frango.
- Claudio de Oliveira: Atuou como vice-presidente, contribuindo significativamente para o desenvolvimento estratégico do setor avícola no estado.
- Olavio Lepper: Exerceu a função de secretário, participando ativamente na organização e representação das indústrias avícolas paranaenses.
- Roberto Pelle: Como tesoureiro, foi responsável pela gestão financeira do sindicato, assegurando recursos para projetos e ações em prol do setor.
- Inácio Kroetz: Exerceu a função de diretor executivo e participou ativamente de reuniões estratégicas com autoridades governamentais para fortalecer a avicultura no estado.
- Irineo da Costa Rodrigues: Eleito presidente do Sindiavipar em 2019, Irineo trouxe sua vasta experiência no setor cooperativista para liderar o sindicato.
- Dilvo Grolli:Reconhecido por sua atuação como suplente no Conselho Fiscal do Sindiavipar, Dilvo contribuiu significativamente para o desenvolvimento estratégico do setor avícola paranaense.
- Valter Pitol: Como presidente da Copacol, Pitol foi homenageado pelo Sindiavipar em 2022 com o troféu Destaque Pioneirismo na Avicultura, reconhecendo sua liderança e inovação no setor.
- Alfredo Lang: Atuou como membro efetivo do Conselho Fiscal do Sindiavipar, além de ser diretor-presidente da C. Vale, onde defendeu a transformação de grãos em proteínas animais como estratégia para o agronegócio brasileiro.
- Adroaldo Paludo: Exerce a função de conselheiro fiscal do Sindiavipar, destacando-se por sua preocupação com as questões sanitárias e pela continuidade do trabalho desenvolvido com os produtores.
- Sidnei Donizete Bottazzari: Participou ativamente como suplente no Conselho Fiscal do Sindiavipar, contribuindo para as decisões estratégicas da entidade.
- Roberto Kaefer: Atual presidente do Sindiavipar, tem enfatizado a importância do corporativismo e do trabalho conjunto para manter o Paraná na vanguarda da produção e exportação avícola.
- José Antônio Ribas Junior: Vice-presidente na gestão atual, colabora estreitamente com a Presidência para fortalecer as políticas e ações do sindicato.
- Ricardo Santin: Embora não faça parte diretamente do Sindiavipar, foi homenageado pelo sindicato em reconhecimento à sua dedicação e liderança no fortalecimento da avicultura brasileira no mercado global.
Contribuições
A contribuição dos presidentes e diretores do Sindiavipar foi – e continua sendo – essencial para transformar o Paraná em uma potência da avicultura. Cada liderança deixou sua marca, adaptando o sindicato às necessidades da época e guiando o setor em meio a desafios e oportunidades. “Presidentes como Irineo da Costa Rodrigues trouxeram uma visão empresarial moderna, fortalecendo o diálogo com o governo e entidades internacionais para abrir mercados. Durante sua gestão, Irineo trabalhou para manter o Paraná à frente mesmo em momentos difíceis, como crises sanitárias e mudanças no mercado global. Nesta gestão a construção de pontes com o governo, influenciou políticas públicas que beneficiaram o setor. Essa gestão foi peça-chave na modernização da estrutura do Sindiavipar, trazendo uma postura mais técnica e focada em resultados”, frisa Kaefer.
Líderes como Alfredo Lang e Valter Pitol, que também comandam grandes cooperativas, trouxeram a experiência de gestão empresarial para dentro do Sindiavipar.
Roberto Kaefer, atual presidente do Sindiavipar, tem enfatizado a importância do corporativismo e do trabalho conjunto para manter o Paraná na vanguarda da produção e exportação avícola.
Mensagem
“A mensagem que gostaria de deixar aos produtores, empresários, parceiros, governo estadual, serviço de defesa sanitária e a todos que integram a indústria avícola no estado do Paraná é uma de reconhecimento, união e visão de futuro. A indústria avícola paranaense, ao longo dos últimos 30 anos, se tornou um verdadeiro exemplo de resiliência, inovação e compromisso com a qualidade e sustentabilidade. Todos vocês têm sido peças essenciais na construção dessa história de sucesso, e juntos demonstramos a força de um setor que alimenta o Brasil e o mundo”.
“Mas, apesar das conquistas extraordinárias até aqui, o futuro da avicultura paranaense exige mais colaboração, mais inovação e mais esforço conjunto. A indústria precisa continuar a se adaptar às mudanças globais, seja no campo da sustentabilidade, das exigências sanitárias ou da integração com novos mercados”.
“A todos os produtores que trabalham diariamente para garantir qualidade e produtividade, aos empresários que investem em tecnologia e inovação, aos parceiros que apoiam e colaboram para o crescimento do setor, ao governo estadual que tem se mostrado um aliado fundamental nas políticas públicas, e aos serviços de defesa sanitária que garantem a confiança internacional em nossos produtos, o meu reconhecimento e agradecimento”.
“Em um mundo cada vez mais dinâmico, é fundamental que todos nós sigamos juntos, com união, respeito e uma visão clara de um setor que continua sendo protagonista, gerando emprego, renda e prosperidade para o Paraná e para o Brasil. O caminho à frente é promissor, mas exige que continuemos a trabalhar em colaboração, sempre buscando a sustentabilidade, o desenvolvimento tecnológico e a melhoria contínua em todas as áreas da produção. Que possamos continuar a crescer, fortalecer nossa posição no mercado global e, acima de tudo, garantir que a avicultura paranaense siga sendo uma fonte de orgulho para todos nós. Vamos seguir juntos, sempre em busca de mais e melhores resultados para nossa indústria avícola e para o Paraná!”
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Avicultura
Como anda a exportação de frango com a crise no Oriente Médio?
Embarques para países impactados pelo Conflito do Oriente Médio seguem recebendo produtos, ainda que parcialmente, mesmo com fechamento do Estreito de Ormuz

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 504,3 mil toneladas em março, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número supera em 6% o total exportado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 476 mil toneladas.
A receita mensal das exportações também registrou recorde. Ao todo, foram US$ 944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação aos US$ 889,9 milhões no mesmo período de 2025.
No ano (janeiro a março), o volume embarcado pelo setor chegou a 1,456 milhão de toneladas, superando em 5% o total exportado no primeiro trimestre de 2025, com 1,387 milhão de toneladas. O crescimento é ainda mais expressivo em receita, com US$ 2,764 bilhões neste ano, resultado 6,9% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,586 bilhões no ano passado.
China retomou o ritmo das importações praticadas antes de maio de 2025 (quando ocorreu um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade na produção comercial do Brasil, situação que já foi superada), com total de 51,8 mil toneladas em março deste ano (+11,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior). No ranking dos principais destinos estão o Japão, com 42,1 mil toneladas (+41,3%), a Arábia Saudita, com 38,7 mil toneladas (-5,3%), a África do Sul (+21,4%), com 33,1 mil toneladas e a União Europeia, com 30,7 mil toneladas (+33,7%).
Em uma análise dos efeitos da Guerra no Golfo Pérsico e o fechamento do estreito de Ormuz, as exportações para os países do Oriente Médio que são destinos da carne de frango do Brasil registraram queda de 19,8% nos volumes embarcados em março deste ano na comparação com o mês de fevereiro, anterior ao conflito.
“Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas. São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. As gestões de facilitação realizadas pelo Ministério da Agricultura e pelo setor têm sido efetivas, garantindo oferta de alimentos para as áreas hoje atingidas pela Guerra do Golfo. No restante dos mercados, a demanda segue crescente, em especial, nos principais destinos da Ásia”, analisa o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Principal estado exportador, o Paraná embarcou 202 mil toneladas, número 5,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão Santa Catarina, com 109 mil toneladas (+2,7%), Rio Grande do Sul, com 70,7 mil toneladas (+11,9%), São Paulo, com 32,5 mil toneladas (+22,6%) e Goiás, com 26 mil toneladas (+14,8%).
Avicultura
Modelo tradicional de cálcio e fósforo perde precisão na dieta de aves, diz especialista
Estudos indicam que formulação baseada em valores totais de minerais não reflete a absorção real, exigindo modelos mais precisos para melhorar desempenho, reduzir custos e minimizar impactos ambientais.

O equilíbrio nutricional das dietas de frangos de corte, especialmente na relação entre cálcio (Ca) e fósforo (P), passou a ter impacto direto não apenas no desempenho produtivo, mas também no custo da ração e na carga ambiental da atividade. Em um cenário de maior exigência técnica, estudos conduzidos pela pesquisadora Roselina Angel, doutora em Nutrição de Aves e professora da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, indicam que a forma como esses minerais vêm sendo tradicionalmente utilizados na formulação já não atende plenamente às demandas atuais da avicultura intensiva.

Pesquisadora Roselina Angel apresenta durante o 26º SBSA evidências de que o modelo tradicional de formulação com cálcio total e fósforo disponível não reflete o aproveitamento real dos minerais em frangos de corte e pode comprometer eficiência produtiva e custo da dieta
A temática será detalhada pela especialista durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece entre os dias 07 e 09 de abril em Chapecó (SC), com foco na necessidade de revisão dos parâmetros utilizados na formulação de rações. Ela possui ampla atuação científica internacional, com sete capítulos de livros publicados, mais de 180 artigos científicos revisados por pares e mais de 265 resumos científicos, além de ter ministrado mais de 300 palestras em diversos países.
Seu trabalho recente se concentra na otimização da nutrição de fósforo por meio da compreensão da interação com cálcio, desenvolvendo ferramentas que aumentam a eficiência econômica da utilização de nutrientes e reduzem o impacto ambiental da produção avícola. Sua pesquisa tem contribuído diretamente para avanços na sustentabilidade ambiental e econômica da indústria avícola.
Em um dos estudos conduzidos pela pesquisadora aponta que a formulação baseada em cálcio total (tCa) e fósforo disponível (AvP) não reflete a fração efetivamente absorvida no trato digestivo. Como alternativa, Roselina propõe o uso de coeficientes de digestibilidade ileal padronizada (SID) para ambos os minerais, permitindo estimar com maior precisão o aproveitamento real na ave. Essa abordagem reduz a necessidade de margens de segurança elevadas na formulação, que frequentemente resultam em excesso de minerais na dieta.
Variabilidade do calcário
Outro ponto crítico identificado nos estudos de Roselina está na variabilidade do calcário, principal fonte de cálcio utilizada na avicultura e responsável por até 75% do Ca das dietas.
Em pesquisas publicadas recentemente, a autora demonstra que diferenças de solubilidade, granulometria e origem geológica interferem diretamente na digestibilidade, o que pode gerar respostas produtivas distintas mesmo em dietas com níveis semelhantes de cálcio. Essa variabilidade amplia o risco de desequilíbrios nutricionais quando a formulação se baseia apenas em valores totais.
Interação com fitato limita aproveitamento de minerais
A interação entre cálcio e fitato aparece nos estudos como um dos principais fatores que limitam o aproveitamento de minerais. Presente em ingredientes vegetais como milho e farelo de soja, o fitato forma complexos insolúveis com o cálcio, reduzindo a disponibilidade tanto de Ca quanto de P.
Dados experimentais apresentados pela pesquisadora indicam que níveis elevados de cálcio intensificam essa ligação, comprometendo a digestibilidade dos minerais e de outros nutrientes, como aminoácidos e lipídios. Esse mecanismo contribui para perdas nutricionais e aumento da excreção de fósforo.
Melhoria da eficiência nutricional

Nesse contexto, o uso de fitase tem papel relevante na melhoria da eficiência nutricional. A enzima atua na quebra do fitato, liberando o fósforo ligado e reduzindo sua interação com o cálcio. Resultados observados nos estudos conduzidos por Roselina mostram aumento consistente na digestibilidade do fósforo e ganhos variáveis na disponibilidade de cálcio, especialmente em dietas com maior teor de fitato. A adoção dessa estratégia permite reduzir a inclusão de fosfatos inorgânicos e melhorar o aproveitamento global da dieta.
Apesar dos benefícios da fitase, os próprios estudos indicam que sua eficiência está diretamente relacionada ao nível de cálcio presente na dieta. O excesso de Ca reduz a ação da enzima e limita o aproveitamento dos nutrientes. Além disso, níveis elevados de cálcio podem interferir negativamente na digestibilidade de gordura, aminoácidos e microminerais, afetando a conversão alimentar.
Precisão nutricional reduz custos e perdas ambientais
Do ponto de vista econômico, análises derivadas dessas pesquisas mostram que a maior precisão na formulação permite reduzir custos com ingredientes minerais e melhorar a eficiência produtiva.
A redução da excreção de fósforo também tem impacto direto na gestão ambiental, especialmente em regiões com alta concentração de produção avícola, onde o acúmulo de nutrientes pode comprometer a qualidade da água e do solo.
A evolução genética das aves intensifica esse cenário ao aumentar a sensibilidade a desequilíbrios nutricionais. Linhagens modernas apresentam maior potencial produtivo, mas exigem maior precisão na oferta de nutrientes. Nesse contexto, a substituição de modelos baseados em teor total por sistemas fundamentados em digestibilidade e interação entre nutrientes tende a se consolidar como referência técnica na formulação de dietas.
Os resultados apresentados nos estudos de Roselina indicam uma mudança de abordagem na nutrição mineral de frangos de corte, com foco em eficiência de utilização, redução de perdas e maior controle sobre os fatores que influenciam o desempenho produtivo.
Avicultura
Genética mais eficiente reduz margem para erros no manejo de frangos
Aves mais responsivas exigem controle ambiental rigoroso, biosseguridade elevada e decisões rápidas para manter desempenho e sanidade.

A evolução genética do frango de corte elevou a produtividade da avicultura a patamares inéditos, mas também reduziu a margem para erros no manejo dentro das granjas. Com ciclos produtivos cada vez mais curtos, falhas operacionais que antes tinham impacto diluído passaram a comprometer diretamente o desempenho, a uniformidade dos lotes e a rentabilidade do sistema.
De acordo com o médico-veterinário Rodrigo Tedesco Guimarães, o avanço genético foi determinante para consolidar a carne de frango como a proteína animal mais consumida no mundo, mas trouxe novas exigências ao setor. “Evoluímos muito em genética, nutrição, manejo e biosseguridade, mas o grande desafio agora é equilibrar eficiência produtiva com bem-estar animal, sustentabilidade ambiental, qualidade da carne e segurança alimentar”, enfatizou em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Médico-veterinário Rodrigo Tedesco Guimarães: “O mercado não exige soluções mirabolantes. Exige um sistema equilibrado, com desempenho consistente em toda a cadeia, da reprodução ao abate”
Ele vai tratar do tema no Painel Manejo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, programado para ocorrer entre os dias 07 e 09 de abril, em Chapecó (SC), onde deve abordar a relação entre potencial genético, ambiente e execução de manejo nas granjas.
Para o profissional, a ave moderna responde de forma mais intensa às condições oferecidas no campo, o que amplia tanto o potencial de desempenho quanto os riscos associados a falhas. “O frango de corte moderno é extremamente responsivo ao ambiente. Se eu forneço boas condições, ele expressa seu máximo potencial genético. Se erro, o impacto aparece rapidamente”, afirma.
Guimarães ressalta que a redução do tempo entre a eclosão e o abate é um dos principais fatores que elevam a sensibilidade do sistema produtivo. “O manejo passou a ser um processo sequencial e irreversível, no qual cada etapa influencia diretamente o resultado final. O tempo entre a eclosão e o abate é curto, o que reduz a margem para correções. Um erro de um dia em um ciclo de 42 dias representa quase 2,5% da vida do animal. Em ciclos mais curtos, esse impacto é ainda maior”, explica.
Nesse contexto, práticas consideradas básicas ganham peso estratégico. Controle de temperatura, ventilação, densidade, qualidade de cama, iluminação e acesso a água e alimento deixaram de ser rotinas operacionais e passaram a determinar a conversão do potencial genético em resultado produtivo. “Atualmente apenas bons índices zootécnicos não são suficientes. Não adianta ter sanidade sem nutrição adequada, nem nutrição sem ambiência de qualidade. O manejo precisa integrar todos esses fatores”, ressalta.
Ambiente define consumo, saúde intestinal e desempenho
A interação entre temperatura, ventilação e qualidade do ambiente tem efeito direto sobre o consumo alimentar, o desenvolvimento intestinal e a resposta imunológica das aves.
Na fase inicial, o desafio central é garantir condições que estimulem o consumo. “Temperatura sozinha não resolve. É preciso combinar temperatura adequada com qualidade de ar, controle de umidade e níveis corretos de gases. Isso estimula o consumo de ração e água, que é fundamental para o desenvolvimento intestinal”, salienta Guimarães, enfatizando que os primeiros dias de vida são determinantes para a formação do trato gastrointestinal. “Entre 4 e 10 dias ocorre crescimento intestinal acelerado. Um intestino bem desenvolvido melhora a resposta imunológica e o desempenho ao longo do ciclo”, diz.
Na fase final, o desafio muda para a dissipação de calor. “Quando não conseguimos retirar o calor do aviário, o animal entra em estresse térmico e reduz o consumo de alimento. Isso gera desequilíbrio, piora a condição intestinal e compromete o desempenho”, pontua.
Falhas básicas persistem

Apesar dos avanços tecnológicos, erros simples de manejo ainda são recorrentes nas granjas. Entre os principais, o especialista cita falhas no ajuste de temperatura sem considerar umidade e velocidade do ar, além de problemas na regulagem de comedouros e bebedouros. “Não podemos mais falar apenas de temperatura. Precisamos considerar sensação térmica, o que o animal está sentindo. Muitas vezes o produtor tem a informação, mas não executa corretamente o manejo”, menciona o profissional.
Ele destaca que a avicultura comercial em grande escala exige atenção constante aos detalhes, especialmente em sistemas mais industrializados. “A diferença está no nível de cuidado. O produtor que se destaca vai além do básico e entende o sistema como um todo”, destaca.
Pressão sanitária exigem rigor operacional
Além do manejo, o cenário sanitário reforça a necessidade de controle rigoroso nas granjas. A manutenção da biosseguridade em níveis elevados é apontada como prioridade, especialmente diante do risco de Influenza aviária e da circulação de outros patógenos. “Nosso principal desafio é manter a biosseguridade elevada. Não podemos baixar a guarda. O objetivo é impedir a entrada de qualquer patógeno”, frisa.
O médico-veterinário também cita impactos econômicos associados a enfermidades como bronquite infecciosa e reovírus, que têm gerado aumento de condenações em frigoríficos. “Muitas vezes o problema não aparece no campo, mas reduz o aproveitamento no abate e compromete a margem”, expõe.
A intensificação da produção em regiões com alta concentração de granjas também amplia o risco sanitário, especialmente quando há redução de intervalos entre lotes ou aumento de densidade. “Quando pressionamos o sistema produtivo, o resultado cai. O ganho de volume pode vir acompanhado de perdas”, aponta.
Tecnologia exige uso efetivo dos dados
O avanço de sensores, automação e monitoramento amplia a capacidade de controle nas granjas, mas o uso eficiente dessas informações ainda é um desafio. “A coleta de dados é fundamental. Primeiro coletamos, depois analisamos e então tomamos decisões. O problema é que muitas vezes o setor coleta muito e utiliza pouco essas informações”, ressalta Guimarães.
Segundo ele, a tendência é de sistemas mais integrados e responsivos, com uso crescente de automação e inteligência artificial para interpretar dados de ambiente e comportamento animal. “A integração entre sensores e análise de comportamento deve permitir ajustes mais rápidos e precisos no ambiente”, diz.
Equilíbrio produtivo e execução definem resultado
Para o profissional, não há soluções simplificadas para os desafios da avicultura comercial. O foco deve estar na execução consistente do manejo e no equilíbrio entre produtividade, sanidade e bem-estar. “O mercado não exige soluções mirabolantes. Exige um sistema equilibrado, com desempenho consistente em toda a cadeia, da reprodução ao abate”, afirma, ressaltando que o avanço genético amplia a necessidade de precisão técnica. “O ganho de peso diário continua aumentando e a idade de abate reduzindo. Isso aumenta a velocidade do sistema e o impacto dos erros. O manejo bem executado é o que garante resultado”.



