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Simpósio do Leite de Erechim apresenta propostas para melhorar produção e qualidade no setor

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Produtores, técnicos e estudantes vindos de vários estados brasileiros participaram entre a terça e quarta-feira da 11ª edição do Simpósio do Leite de Erechim. O evento que agregou ainda discussões no Fórum Nacional de Lácteos além da Mostra de Trabalhos Científicos, terminou de forma bastante positiva, de acordo com o coordenador e presidente da Associação dos Médicos Veterinários do Alto Uruguai, Walmor Vanz.
De acordo com ele o público presente e a qualidade das palestras e discussões feitas, já eram esperadas. “Foram palestras bastante valiosas, levaram conhecimento aos presentes, um grande público que transforma nosso evento em sucesso”, salientou Vanz. “O retorno que tivemos durante o próprio evento já se mostrou positivo, as pessoas gostaram muitos dos temas tratados e debatidos. Tivemos uma grata satisfação referente a Mostra de Trabalhos, com ampliação significativa de pesquisas participantes o que mostra a importância que nosso evento está tendo no setor”, acrescentou Vanz.
E de acordo com ele, os trabalhos para a 12ª edição do Simpósio reiniciam em pouco tempo. “Nos próximos 30 dias já estaremos iniciando os trabalhos para o evento do próximo ano. Vamos trabalhar para manter o mesmo formato e a qualidade4 dos debatedores e palestrantes, que tem sido uma marca em nosso evento”, frisou.
O Simpósio do Leite de 2015 já tem data definida. Vai ser realizado entre os dias 23 de 24 de junho, novamente no Pólo de Cultura, junto ao Parque da Accie em Erechim. Vanz agradeceu ainda os patrocinadores e parceiros envolvidos no Simpósio deste ano. “Os próprios patrocinadores e importantes cooperativas fizeram questão de trazer seus técnicos e produtores para participar do evento. Isso é muito significante para nós organizadores”, completou Vanz.
Fizeram parte do evento deste ano discussões sobre irrigação de pastagens e a sucessão na propriedade familiar, dentro do Fórum Nacional de Lácteos, na última terça-feira. Nesta quarta, segundo e último dia do evento, também foram premiados os vencedores da Mostra de Trabalhos Científicos, além da realização de cinco importantes palestras técnicas, todas ligadas a produção e qualidade do leite brasileiro.
Camas de compostagem
A qualidade do leite em sistema de cama de compostagem foi tema de palestra proferida pelo professor, epidemiologista, especialista em qualidade do leite, José Pantoja, da Faculdade de Medicina da Unesp, SP. De acordo com ele, o alojamento de vacas livres em camas manejadas pelo sistema de compostagem (“compostbedded pack”) tem crescido rapidamente ao redor do mundo. “Pesquisas realizadas na América do Norte indicaram que as principais razões para a adoção do sistema foram o conforto dos animais, aumento da longevidade (diminuição de problemas de casco e lesões em geral), facilidade em completar tarefas diárias de manejo e menor custo de implantação quando comparado aos freestalls tradicionais. Uma das principais motivações para a implantação seria também a redução drástica na quantidade de dejetos animais eliminados no meio ambiente, o que poderia contribuir substancialmente para a sustentabilidade da pecuária leiteira”, destacou o professor.
Segundo ele, o sistema de compostagem é iniciado com uma camada de cerca de 40 cm de uma base orgânica como serragem ou maravalha espalhada em um galpão coberto. Uma vez que as vacas comecem a defecar e urinar sobre a cama, a atividade das bactérias composta o material e produz calor, o que provoca um aquecimento da camada profunda (temperaturas entre 40 e 60 graus centígrados são observadas a 20 cm de profundidade). “A cama deve ser aerada com subsoladores e/ou enxadas rotativas duas a três vezes ao dia (durante o intervalo entre ordenhas) para que ocorra incorporação dos dejetos animais e descompactação do material. A presença de ar é fundamental para a eficiência do processo. Cama nova é normalmente adicionada em intervalos regulares para controle da umidade e adição de substrato para os microrganismos. Após um período de seis meses a um ano a cama pode ser substituída e usada ou vendida como fertilizante”, frisou Pantoja. 
De acordo com o palestrante, é importante notar que, em geral, a cama em compostagem não deve ser considerada como uma ferramenta para a melhoria da qualidade do leite. “A cama é apenas um fator entre vários que influenciam a ocorrência de mastite, como o manejo dos animais, higiene de ordenha, equipamento de ordenha, e muitos outros. A cama em compostagem é de natureza orgânica e portanto um bom substrato para o crescimento de bactérias causadoras de mastite. Entretanto, quando a cama é bem manejada, há pouca aderência do material à pele das vacas, as quais permanecem em ótimas condições de higiene e conforto. Dessa forma, o impacto da cama na qualidade do leite é relativo. Em comparação a sistemas de semi-confinamento, nos quais as vacas são geralmente alojadas em péssimas condições de higiene, o confinamento no sistema de compostagem poder ser uma alternativa extremamente beneficial. Por outro lado, camas bem manejadas de areia contém uma concentração muito menor de bactérias causadores de mastite. A decisão de mudança de sistema dever ponderar vários fatores como custo, impacto ambiental, manejo e objetivos de qualidade do leite e saúde animal”, acrescentou.
Índices Zootécnicos 
Os índices zootécnicos, numa leitura que de acordo com o palestrante, doutor Rodrigo de Almeida, da Universidade Federal do Paraná, o produtor deveria saber, foi o tema de uma das palestras do Simpósio do Leite nesta quarta-feira, em Erechim. O professor e doutor destaca que os Índices Zootécnicos são parâmetros técnicos que produtores e profissionais podem e devem usar no seu dia a dia em busca de um incremento da atividade. “Embora existam centenas de índices zootécnicos, nesta palestra vou me restringir aos 10 que considero mais relevantes. Estes índices são parâmetros que toda fazenda leiteira, independente do seu tamanho e do seu grau de tecnificação, deveriam seguir ou pelo menos se preocupar em busca da viabilidade do seu negócio”, salienta Rodrigo.
Para ele, a principal razão na utilização destes índices é que a grande maioria dos rebanhos leiteiros não fazem controle leiteiro oficial. “Embora existam programas estaduais de gerenciamento de rebanhos leiteiros nos principais estados produtores, infelizmente não há uma cultura entre os produtores brasileiros de gerir o seu negócio profissionalmente. Se a adesão do produtor de leite a um programa de controle leiteiro oficial não é uma possibilidade (por razões econômicas, por exemplo), temos que ao menos estimular o produtor a gerar ele próprio estes índices, dentro da sua fazenda”, acrescenta o professor e palestrante do Simpósio do Leite. 
“Cada um destes índices tem as suas metas ou valores ideais. Quando um produtor calcula o seu índice zootécnico, ele pode comparar o índice obtido no seu rebanho com este valor ideal. Ele também pode comparar seus índices com os rebanhos da sua região, permitindo uma competição salutar entre os produtores de uma determinada bacia leiteira. Após fazer esta comparação, e ao constatar que algo deve ser melhorado, ele pode buscar auxílio de um técnico em busca dos valores desejáveis”, enfatiza Rodrigo, que atua no Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Paraná. 
Silagem com grão úmido
O uso da silagem de grão úmido na produção de leite foi tema da palestra proferida pelo médico veterinário, consultor em nutrição animal e doutor Luiz Zampar. A intenção de Zampar foi conseguir levar ao produtor e técnicos ligados ao setor, as vantagens desta técnica, os conceitos, a forma de uso e manejo além das vantagens que ela leva a propriedade. “Basicamente passei ao produtor as vantagens em utilizar a silagem de grão úmido em substituição ao milho seco nas dietas para gado de leite, destacando principalmente o aumento da digestibilidade. Outro aspecto a ser abordado, foi como obtemos uma silagem de grão úmido de alta qualidade, destacando os passos essenciais para sua confecção, maquinários necessários e manejo ideal para seu uso”, explica o consultor e palestrante do Simpósio.
Para ele, o produtor pode ter ganhos significativos ao usar este tipo de silagem. “A maior rentabilidade é verificada pelo menor custo do milho ensilado na propriedade, em detrimento se ele compra o milho seco no mercado ou colhe e armazena em silos de terceiros.Consequentemente, as dietas ficam mais baratas.Também ganhamos com o aumento da produção de leite”, acrescenta Zampar.
Ele cita ainda as principais vantagens que o produtor pode ter ao usar a silagem de grão úmido. “As principais vantagens são econômica (exemplo: não paga taxas e fretes), desocupa a área antes, o que favorece o estabelecimento de uma nova cultura, maior digestibilidade, menor ou nenhum ataque de roedores além do aumento da produção de leite”, pontua o palestrante.
Neste sentido ainda há desafios e avanços a ser buscados. “Os desafios para os produtores são inúmeros, principalmente se ele começar a gastar mais tempo para pensar a sua atividade, identificar, por exemplo, que é na nutrição do rebanho, um fator direto e de maior impacto nos custos de produção. O produtor tem que entender, que o mais importante, não é o preço recebido pelo leite, e sim o modo de como toca o seu negócio. Aqui, buscamos o máximo de eficiência”, completa Luiz Zampar.
Afecções de casco de gado leiteiro
Afecções de casco em gado de leite, pelo doutor Emerson Alvarenga, foi tema de outra palestra técnica durante o Simpósio do Leite de Erechim, nesta quarta-feira.  De acordo com Alvarenga, as perdas de produtividade, relacionadas aos problemas de casco, são representadas por baixa produção leiteira, diminuição do peso corporal, baixo desempenho reprodutivo, tratamento dos animais doentes e descarte. “Cada vez mais, animais estão sendo descartados mais cedo por problemas de casco. Antes dessa decisão, as perdas e custos já se fizeram presentes de maneira impactante”, destaca Alvarenga.
O estresse causado pela dor leva a diminuição da produção de leite. “Um menor consumo de alimentos, que de maneira geral ocorre em casos de doenças, é exacerbada nos problemas de cascos, já que o animal evita se locomover. Tudo isso, acarreta em perda de condição corporal, que prejudica ainda mais a produção. Animais com afecções de casco não realizam a monta, o que prejudica a identificação do cio. A concepção em animais mancos é menor além do que os animais passam mais tempo deitados, muitas vezes em locais inadequados”, pontua o médico veterinário e palestrante.
Ele explica ainda que o tratamento exige alto custo com medicamentos, descarte de leite com resíduos, necessidade de mão de obra especializada, aumento da mão de obra na rotina. Ele também abordou maneiras de combater as afecções podais de bovinos. “A cada dia esta pergunta gera mais inquietudes entre funcionários de fazendas, gerentes, produtores e técnicos. Os problemas dos cascos em bovinos é uma das mais prevalentes e dispendiosas doenças. Depois das mastites e dos problemas reprodutivos, as afecções podais são consideradas como uma das condições mais importantes, que afetam a produção e a produtividade dos rebanhos bovinos. A atuação em afecções podais deve ter como base a gestão de um programa de saúde. Envolver, primeiramente, o conceito de gestão, ou seja, a organização de pessoas com atitude em busca de um objetivo comum. Segundo, atuar com um programa de saúde efetivo, que trabalhe a prevenção e o tratamento das lesões que impactam a viabilidade do sistema de produção”, enfatiza o médico veterinário.
Desempenho da vaca leiteira no periparto
O professor Cassio Brauner apresentou aos presentes no Simpósio do Leite de Erechim, o desempenho da vaca leiteira no periparto, os desafios e alternativas para o aumento de produtividade. De acordo com ele este é um período situado próximo a três semanas antes do parto e três semanas após o parto.
Segundo cassio, este é um período importante que implica na quantidade de leite que a vaca vai produzir, na qualidade, na saúde do animal e também na eficiência reprodutiva. Cassio explica que o produtor tem que ficar atento a este período. “É um momento em que podem surgir várias doenças e isso vir a prejudicar a produção do leite, a qualidade e também o animal. Por isso é importante estar atento as movimentações e alerta quanto a necessidade de tratamentos e cuidados, fazendo com que a vaca passe por este período da melhor maneira possível”, completou o professor.

Fonte: Ass. Imprensa do Simp. do Leite de Erechim

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Financiamentos para pecuária leiteira ultrapassam R$ 164 milhões em um ano no Paraná

Recursos liberados pelo BRDE superam média histórica e reforçam modernização e expansão da cadeia leiteira no Estado.

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Foto: Arquivo pessoal

Com linhas específicas e condições diferenciadas para o segmento, incluindo operações com juro subsidiado, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) direcionou R$ 164,5 milhões a 1.627 contratos de financiamento para a pecuária leiteira paranaense nos últimos 12 meses. O volume representa um patamar 84% superior à média anual registrada nos últimos cinco anos e reforça uma aceleração dos investimentos em criação e beneficiamento do leite no Estado. Desde 2021, as operações de crédito do BRDE para essa cadeia produtiva somam R$ 471,3 milhões.

O movimento acompanha a fase de expansão do setor no país. Em 2025, a produção brasileira registrou crescimento estimado de 7,2% em relação ao ano anterior, com impactos diretos sobre a oferta e sobre o ambiente de mercado para 2026, de acordo com análise da Embrapa. No recorte estadual, o Paraná detém a segunda posição no ranking nacional e responde por quase 13% do total produzido, conforme dados oficiais organizados a partir de estatísticas do IBGE.

Foto: Fernando Dias

Além das linhas tradicionais de financiamento, produtores e agroindústrias do setor também podem acessar operações por meio do Banco do Agricultor Paranaense, programa do Governo do Estado lançado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em abril de 2021, com juros subsidiados para incentivar investimentos, modernização e ganho de competitividade no campo.

Para o diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, o avanço do crédito reflete uma mudança de perfil na atividade. Segundo ele, a pecuária leiteira do Paraná busca cada vez mais qualidade de gestão e de produto, mais tecnologia e uma preocupação crescente com eficiência e previsibilidade. “O papel do BRDE é dar escala a esse salto, com financiamento de longo prazo e foco em produtividade, sustentabilidade e renda no campo. Esses ganhos de produtividade ajudam a reduzir custos e ampliam a capacidade de competir, inclusive no mercado externo”, afirma.

Entre os produtores atendidos pelo BRDE está Marius Bronkhorst, de Arapoti, nos Campos Gerais. Ele iniciou a atividade leiteira em 1982 com 20 vacas e, ao longo de quatro décadas, ampliou a estrutura até alcançar 600 vacas em lactação e uma produção diária de 18 mil litros. Há cerca de 15 anos, acessou uma linha de crédito do BRDE, com juros de 2,5% ao ano, que possibilitou modernizar a propriedade, investir em confinamento total do rebanho e em tecnologias de ordenha e monitoramento. A produção saltou de 6 mil para 18 mil litros por dia, com expectativa de atingir 7 milhões de litros no ano.

“Antes do apoio do BRDE conseguíamos viver bem, mas era sem estrutura e perspectiva de crescimento. Com o crédito, passamos a crescer de forma gradativa e sustentável, com ganhos na produção e na satisfação dos funcionários”, diz Bronkhorst.

Além das operações voltadas à produção primária, o banco também fechou 25 contratos direcionados ao beneficiamento e à industrialização do leite nos últimos cinco anos, com R$ 59 milhões em recursos. A avaliação do BRDE é que essa segunda frente — agregação de valor, qualidade industrial e logística — é decisiva para sustentar o ciclo de investimentos na fazenda e melhorar a resiliência do setor em momentos de oscilação de preços.

Regiões

Foto: Shutterstock

Dentro do Estado, as mesorregiões Centro-Sul Paranaense e Sudoeste Paranaense concentram mais de 50% dos contratos firmados pela Agência Paraná do BRDE. A maior parte das operações é voltada à criação de bovinos para produção de leite, e 99,44% dos financiamentos têm como beneficiários produtores rurais.

O diretor-administrativo do BRDE, Heraldo Neves, observa que a capilaridade do crédito ajuda a explicar a consistência do avanço. “Não se trata apenas de financiar uma compra pontual. O que vemos é um ciclo de modernização. Quando o investimento chega na ponta com condições adequadas, ele vira produtividade e estabilidade para a propriedade”, afirma.

A série histórica recente indica dois momentos de maior aceleração no crédito para o setor leiteiro. O primeiro ocorreu entre 2022 e 2023, quando o volume contratado passou de R$ 51,8 milhões para R$ 94,9 milhões. Um novo avanço foi registrado entre 2024 e 2025, com alta de R$ 100 milhões para R$ 150,7 milhões, o maior valor anual do período de cinco anos. Em 2026, apenas nos dois primeiros meses, já foram formalizados 246 contratos, que somam R$ 24,8 milhões.

Foto: Pablo Aqsenen/Adapar

O superintendente da Agência do BRDE no Paraná, Paulo Starke, avalia que os números traduzem uma mudança de patamar. “O que observamos é um movimento consistente de profissionalização da atividade leiteira. O produtor está investindo em tecnologia, eficiência e escala”, disse Starke. “E o crédito é um instrumento para viabilizar essa transição, especialmente quando combinado a mecanismos de juro subsidiado, que reduzem o custo financeiro do investimento e aceleram a adoção de tecnologia, permitindo ganho de produtividade e maior estabilidade econômica para as propriedades”, afirma.

Produtores interessados em acessar os recursos do Banco do Agricultor Paranaense devem procurar uma das cooperativas de crédito conveniadas ao BRDE. A lista completa de instituições está disponível no site do BRDE:

Projetos com valor acima de R$ 800 mil podem ser submetidos diretamente pelo internet banking do BRDE.

Confira as linhas de financiamento:

– Pronaf Mulher: juro zero

– Cooperativas da agricultura familiar: juro zero

– Agroindústria familiar: juro zero

– Produção, captação e armazenamento de água: juro zero

– Erva-mate, pinhão, seda, café, orgânicos, apicultura e horticultura: juro zero

– Turismo rural: juro zero

– Pecuária de corte e leite: juros de 1% a 4%

– Piscicultura: juros de 1% a 4%

– Projetos de energia renovável: juro zero para projetos de até R$ 500 mil. Acima desse valor, juros variam de 2% a 5,5%

– Biogás: juro zero para projetos de até R$ 2 milhões para pessoas físicas e de até R$ 20 milhões para CNPJs. Acima desses valores, juros de 5%

– Projetos de irrigação: juro zero para projetos de até R$ 1 milhão para pessoa física e de até R$ 4,5 milhões para pessoa jurídica. Acima desses valores, os juros variam de 3% a 5,5%

– Demais linhas do Pronaf: redução de cinco pontos percentuais nos financiamentos, cujas taxas variam de 8,5% e 10,5%, devendo ficar entre 3,5% e 5,5%.

Fonte: AEN-PR
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Mulheres fortalecem a pecuária com gestão, técnica e inovação

Participação feminina amplia influência nas decisões das propriedades e em entidades ligadas ao setor.

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Foto: Shutterstock

A presença feminina na pecuária de Mato Grosso tem se ampliado nos últimos anos, com mulheres assumindo funções de gestão, decisões técnicas e posições estratégicas dentro das propriedades rurais e das entidades do setor. Além de atuar na administração das fazendas, elas também estão presentes em áreas como medicina veterinária, zootecnia, agronomia, comercialização e gestão financeira.

Na propriedade onde atua em Diamantino, a cerca de 208 quilômetros de Cuiabá, a pecuarista e médica veterinária Mara Ferreira divide o tempo entre a rotina no campo e atividades técnicas ligadas à produção. O trabalho envolve manejo reprodutivo, inseminação artificial, atendimentos clínicos, cirurgias, além de orientação sobre sanidade, nutrição e questões ambientais do rebanho.

Pecuarista e médica veterinária, Mara Ferreira: “A mulher sempre esteve à frente dos negócios, sempre esteve ali no campo trabalhando. Eu acredito que ela só ficava ali de uma forma silenciosa” – Foto: Divulgação/Imac

Segundo Mara, o interesse pela atividade começou ainda na infância, quando acompanhava o trabalho da família no campo. “Eu atuo nessa parte reprodutiva, inseminação artificial, faço a parte clínica também, algumas cirurgias, trabalho muito na questão de orientação de sanidade, a parte nutricional também, a parte ambiental. Foi um sonho de infância que se concretizou”, relata.

A influência da atividade no campo também chega à nova geração da família. De acordo com ela, a filha se prepara para prestar vestibular para medicina veterinária.

Para a pecuarista, as mulheres sempre estiveram presentes na rotina das propriedades rurais, mas atualmente participam de forma mais ativa das decisões. “A mulher sempre esteve à frente dos negócios, sempre esteve ali no campo trabalhando. Eu acredito que ela só ficava ali de uma forma silenciosa”, afirma.

Ela também destaca que a participação feminina contribui com diferentes habilidades na condução das atividades no campo. “A gente tem muito a contribuir. Às vezes não tem aquela força física do homem, mas a gente entra com o lado delicado, social, de inovação, de uma opinião, com tarefas multidisciplinares que a gente encaixa perfeitamente bem. Então, com certeza a mulher é bem-vinda no meio rural e ela pode estar onde ela quiser”, enfatiza.

Na avaliação da diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Paula Sodré Queiroz, a presença feminina na pecuária do estado se tornou cada vez mais comum e passou a ocupar também espaços de liderança e decisão dentro da cadeia produtiva.

“A mulher sempre esteve na pecuária mato-grossense. O que mudou é que agora ela está sendo ouvida. Estamos ocupando espaços de decisão, de técnica, de liderança. É uma tendência clara e consistente, que tem trazido importantes transformações no campo”, destaca Paula.

Fonte: Assessoria Imac
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Prazo para vacinação contra raiva termina em 24 de março no Oeste do Paraná

Produtores de 30 municípios devem imunizar animais a partir de três meses, conforme determinação da Adapar.

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Foto: Pablo Aqsenen/Adapar

O prazo para a regularização vacinal contra a raiva para animais de produção para 30 municípios do Oeste do Estado chega ao final em 24 de março. A decisão foi comunicada na portaria 368/2025 da Adapar, em setembro e previu um prazo de seis meses para os produtores vacinarem seus herbívoros domésticos com idade a partir de três meses.

O grupo de animais que deve ser imunizado inclui búfalos, bois, cavalos, asnos, mulas, ovelhas e cabras, com idade igual ou superior aos três meses. Animais que receberem forem vacinados pela primeira vez, devem tomar uma dose de reforço entre 21 e 30 dias e, posteriormente, de forma anual.

Foto: Shutterstock

Estão inclusos na obrigatoriedade os municípios de  Boa Vista da Aparecida, Braganey, Campo Bonito, Capanema, Capitão Leônidas Marques, Cascavel, Catanduvas, Céu Azul, Diamante D’Oeste, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Ibema, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Planalto, Pérola D’Oeste, Quedas do Iguaçu, Ramilândia, Realeza, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste.

A medida leva em conta a quantidade de focos registrados nos últimos anos, a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu, a ocorrência de áreas compartilhadas de transmissão e o número de pessoas que precisaram de tratamento após contato com animais suspeitos. A obrigatoriedade abrange apenas 30 municípios, mas a vacinação é aconselhada em todo o território paranaense.

A Raiva é considerada uma das doenças de maior importância em Saúde Pública, sendo uma das zoonoses mais letais, com grandes impactos econômicos, sociais e sanitários. Quando abordada à ótica da Saúde Única, que engloba a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente, o controle depende de uma atuação integrada entre diversos setores públicos. As ações constantes são uma forma importante de controle do vírus.

Segundo dados do Departamento de Saúde Animal (Desa) da Adapar, 218 casos de raiva foram confirmados no ano de 2025 até novembro. A doença circula tanto em territórios urbanos, onde cães e gatos são os principais transmissores, quanto no em ambientes rurais, territórios em que os morcegos hematófagos são os principais reservatórios e responsáveis pela transmissão aos animais de produção. O vírus é letal para animais e para humanos, caso não seja identificada a contaminação em tempo hábil para o tratamento.

Prevenção

A autarquia realiza o cadastramento e o monitoramento dos abrigos de morcegos hematófagos – controle da espécie Desmodus rotundus –, investiga casos suspeitos em herbívoros com coleta de material e executa ações em focos de raiva. Atividades de educação sanitária relacionadas à identificação dos morcegos hematófagos, ao reconhecimento dos sinais clínicos da doença nos animais e sobre como realizar uma notificação são ações desenvolvidas rotineiramente pelos servidores.

Praticidade

A vacina contra a raiva tem baixo custo, pode ser aplicada pelo próprio produtor e deve ser dada anualmente. A vacinação preventiva é a melhor forma de combate direto. Uma vez que o animal apresente sinais clínicos, não há tratamento.

Fonte: Assessoria Adapar
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