Conectado com

Notícias

Simpósio do Leite alcança objetivo de qualificar produtor, diz organizador

Evento tem como principal objetivo qualificar produtores, técnicos e estudantes do setor lácteo nacional

Publicado em

em

Mais de 800 pessoas participaram entre esta quarta e quinta, dias 7 e 8, da 14ª edição do Simpósio do Leite de Erechim. O evento, que tem como principal objetivo, qualificar produtores, técnicos e estudantes do setor lácteo nacional, conseguiu atingir tal meta, apontou ao final o coordenador Walmor Vanz.

“Tivemos uma grande participação, que superou nossas expectativas. Quanto a qualidade das palestras ministradas, não tenho duvidas que foram de altíssima qualidade e ensinamentos, assim como o debate do Fórum (Nacional de Lácteos), que certamente contribui com a evolução da cadeira leiteira”, salientou Vanz.

Ele também destaca o crescimento do Simpósio. “Recebemos pessoas de vários estados brasileiros, e isso mostra que nosso evento tem importância na cadeia leiteira nacional”, apontou. Entre os três eventos, Simpósio, Fórum e Mostra de Trabalhos Científicos, pessoas do Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Paraná, além do Rio Grande do Sul, estiveram presentes.

Vanz também elogiou a grande participação e a qualidade dos trabalhos inscritos na Mostra de Trabalhos Científicos, que teve inclusive a premiação dos cinco vencedores, realizadas na tarde desta quinta. Trabalhos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da FAE do Paraná, da Unesp, de São Paulo e da Unoesc, de Santa Catarina, estiveram entre os premiados na Mostra.

Walmor Vanz salienta que o trabalho para realização do próximo evento, em 2018, já iniciaram e a meta será manter a qualidade de informações e debates.

As palestras

Cinco palestras, todas com temas técnicos dirigidos a produtores, técnicos e estudantes da área de leite, foram proferidas durante o segundo e último dia do Simpósio do Leite de Erechim, nesta quinta-feira. Os sete hábitos das propriedades leiteiras altamente eficazes foi assunto na palestra do doutor Renato Palma Nogueira.

Ele buscou durante a palestra, abordar de forma rápida e contundente, as sete disciplinas da pecuária leiteira mais importantes para você produzir e ganhar dinheiro com a pecuária leiteira.

Para ele, ser altamente eficaz significa saber exatamente o que precisa ser feito, qual a meta e a importância que esta ação tem para o seu sucesso na produção de leite

De acordo com Renato, chegar a este patamar significa buscar conhecimento, ter foco e boa gestão. “E claro, estar cercado por boas pessoas para lhe atender”, explicou.

Não ter planejamento e nem uma meta definida para cada setor, são na opinião de Renato, erros que os produtores tem cometido ao tentar a eficácia em sua propriedade e que precisam ser evitados.

“Segundo dados recentes, se fecha um tampo de leite a cada 11 minutos no Brasil. A eficácia é a seleção natural pura. Quem não for eficiente vai sair da atividade. Não é o maior e nem o mais forte que sobreviver, mas sim, o mais adaptado”, completa o palestrante

Aditivos na nutrição

O uso de aditivos na nutrição de vacas leiteiras, apresentado pelo palestrante Francisco Palma Rennó, professor e doutor da FMVZ/USP, foi outro tema desta quinta-feira. Segundo o palestrante, o objetivo da palestra foi mostrar quais são as condições adequadas para utilização dos aditivos. O professor também abordou quais são os aditivos disponíveis e o que prometem de efeito nas vacas. "Temos diversos tipos de aditivos disponíveis atualmente. Desde antimicrobianos, como os ionóforos, passando por pré e probióticos, como as leveduras, o uso de óleos funcionais, de enzimas, entre outros", explica Rennó. De acordo com ele, os efeitos do uso de aditivos são diversos e proporcionais a indicação de cada complemento. "Os aditivos podem melhorar a eficiência produtiva das vacas, agregando rentabilidade nas fazendas", frisa. Mas ele também faz um alerta: "a prescrição do uso de aditivos deve estar bem embasada e sustentada de acordo com o objetivo da fazenda".

Segundo Rennó, ao buscar o uso de aditivos para a nutrição, os produtores devem se precaver. "E importante conhecer os efeitos potenciais dos aditivos e adequar seu uso em cada situação particular. Dada a complexidade das informações, recomenda-se acompanhamento pelo nutricionista da fazenda", completa.

Secagem da vaca de leite

Alexandre Souza, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, abordou o tema secagem da vaca de leite. De acordo com ele, o objetivo foi abordar de uma forma prática principalmente sobre a importância do período seco para a lactação futura e como evitar problemas de involução e regeneração da glândula mamária em preparação a nova lactação.

Ele explica que há problemas encontrados em propriedades quando a secagem de vacas. “Em geral a utilização de secagem "gradual" tente a ser um problema comum e causar bastante estresse à vaca e prejuízos de ordem financeira ao produtor, esta prática deve ser evitada”, diz. 
Ele também concorda que há falta de informação ao produtor quanto a este assunto. “É uma tendência natural tentar focar maiores cuidados nos animais em lactação, porém a fase de secagem é a preparação à lactação e existem muitas razões para não se esquecer desta fase – existe um grande impacto na produção e na fertilidade da vaca que são dependentes do manejo durante a secagem”, frisa. 

Por fim, também alertou para riscos em erros na secagem da vaca de leite. “Por exemplo, existe um grande risco de contaminação do úbere por microorganismos externos e a higiêne durante o procedimento de secagem é de muita importância. Além disso, negligenciar o ambiente e nutrição da vaca nos primeiros dias após a secagem pode comprometer a capacidade da vaca em bloquear a entrada de microorganismos no úbere ou ainda atrapalhar a involução da glândula – que compromete a capacidade de produção de leite na lactação futura”, completa.

Melhoramento genético

Outro abordado durante o Simpósio, foi o melhoramento genético na bovinocultura leiteira, na palestra do doutor Cleocy Fam de Mendonça Junior. A idéia foi levar ao público participante, um pouco do que está acontecendo em termos de melhoramento genético no mundo e como as melhorias podem impactar o negócio no Brasil.

“Todos nós sempre ouvimos falar da importância do melhoramento genético na atividade leiteira, mas será que isso realmente impacta em mais dinheiro no bolso do produtor? O que pretendo mostrar é que sim. Quando melhoramos geneticamente nossos animais aumentamos a eficiência do mesmo e isso se traduz em melhor rentabilidade no sistema”, explica Cleocy.

Ele explica que atualmente, não há um cuidado específico devido à genômica. “Mas os cuidados são gerais quando falamos de seleção genética. Qualquer programa de melhoramento genético o principal é começarmos com um objetivo em mente, ter foco, pois com a quantidade de informações que temos hoje é muito fácil um produtor se perder em seus objetivos na hora de realizar a seleção genética de seus animais. Por isso minha primeira indicação é ter foco, comece a construir hoje a vaca que estará ordenhando daqui quatro anos e se não soubermos que vaca é esta, nunca chegaremos lá”, acrescenta.

“Outra coisa muito importante quando falamos de seleção genética é que não se faz melhoramento focado em indivíduo, mas sim em rebanho. Não adianta nada eu “construir” um animal espetacular para os objetivos que procuro e o restante do meu rebanho ser extremamente ruim para os mesmos objetivos e isso a genômica nos ajuda, e muito, pois ela “enxerga” características em nossas fêmeas que até pouco tempo era quase impossível saber seus valores”, pontua o palestrante.

Para ele, não há duvidas que muito já se evoluiu neste setor, no Brasil. “Sem dúvida há uma evolução genética ocorrendo gradativamente no Brasil, mas, de forma geral, está a passos lentos, pois ela ocorre de maneira desigual. O Brasil é um país grande, com muita diversidade cultural e com tradições de criação de gado arraigadas”, diz.

Cetose

O tema Cetose em vacas leiteiras, desafios e soluções foi pauta do tema abordado pelo doutor Marcio Nunes. Ele levou ao Simpósio as causas, as maneiras de prevenção, a maneira de se buscar um diagnóstico correto e também as maneiras de se tratar.

De acordo com os dados apresentados por Marcio, a Cetose pode ser conseqüência para uma série de outras doenças, por isso os cuidados, segundo ele, devem ser redobrados.

Marcio também salientou que atualmente existem uma série de tecnologias e informações que podem auxiliar o produtor e técnicos. “A gente sabe o que é, qual a causa, quais são as maneiras de prevenirmos e tratarmos, o que temos então é que fazer. Deixar a teoria de lado e ir para a prática”, completou.

Fonte: Assessoria

Continue Lendo

Notícias

Produção recorde de soja deve manter mercado pressionado em 2026/27

De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, oferta elevada no Brasil e nos Estados Unidos pode limitar a recuperação dos preços.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A perspectiva de produção elevada no Brasil e nos Estados Unidos deve ampliar a oferta global de soja na safra 2026/27 e manter pressão sobre os preços internacionais. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, uma eventual recuperação das cotações dependerá principalmente das condições climáticas e do ritmo das compras chinesas.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

No relatório divulgado em junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estimou a produção brasileira em 186 milhões de toneladas na safra 2026/27. Para os Estados Unidos, a projeção é de 121 milhões de toneladas, volume 4% superior ao da temporada anterior.

O USDA também prevê esmagamento recorde de soja nos Estados Unidos, estimado em 74,8 milhões de toneladas, impulsionado pela demanda por óleo destinado à produção de biocombustíveis. Em nível global, a expectativa é de um aumento de aproximadamente 14 milhões de toneladas no processamento em comparação com a safra 2025/26.

Apesar da demanda aquecida, o mercado acompanha a capacidade da China de absorver simultaneamente o aumento da oferta de soja produzida por Brasil e Estados Unidos. Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, o acordo comercial anunciado em maio amplia o potencial de compras da soja norte-americana, mas seus efeitos ainda são limitados e dependem de confirmação oficial por parte do governo chinês.

Foto: Aprosoja MT

Nos Estados Unidos, as condições climáticas permanecem favoráveis no Meio-Oeste, e as previsões para o trimestre entre junho e agosto indicam bom desenvolvimento das lavouras. Ao mesmo tempo, a ausência de novas compras chinesas da soja norte-americana e a redução das apostas dos fundos em altas na Bolsa de Chicago (CBOT) continuam influenciando as cotações no curto prazo.

Segundo a consultoria, o cenário para 2026/27 ainda é de pressão sobre os preços diante da possibilidade de produção recorde no Brasil e de uma safra cheia nos Estados Unidos, caso o clima de verão confirme o potencial produtivo das lavouras.

Uma mudança nesse quadro poderá ocorrer caso haja problemas climáticos na produção norte-americana ou na próxima safra brasileira. Além disso, um El Niño de forte intensidade poderá provocar impactos negativos sobre a produção na América do Sul. A Consultoria Agro Itaú BBA também destaca que um aumento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos tende a favorecer a valorização dos contratos negociados na Bolsa de Chicago.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo

Notícias

Adapar investe R$ 1 milhão em 27 drones para ampliar fiscalização agropecuária no Paraná

Equipamentos passam a reforçar ações de defesa agropecuária com sensoriamento remoto, redução do tempo de inspeção e formação de 25 novos pilotos entre os servidores.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Adapar

A fiscalização agropecuária no Paraná passa a contar com um novo reforço tecnológico. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) recebeu 27 aeronaves remotamente pilotadas (drones), adquiridas por aproximadamente R$ 1 milhão. Os equipamentos foram cadastrados na última quinta-feira (25), no Escritório Regional de Londrina, e já estão aptos para iniciar as operações após o cumprimento das exigências regulatórias.

Foto: Divulgação/Adapar

O processo de habilitação incluiu o registro das aeronaves no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (Sisant), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e a autorização do primeiro voo no Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Sarpas), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), ligado ao Ministério da Defesa.

Segundo o engenheiro-agrônomo Luiz Renato Barbosa, essa etapa permite iniciar a capacitação de uma nova turma de operadores. “Esta etapa regulatória é pré-requisito para a formação da segunda turma de pilotos do quadro da agência que será composta por 25 servidores da autarquia, agora com os novos modelos de Veículos Aéreos Não Tripulados adquiridos”, explica.

A expectativa é que o uso dos drones amplie a capacidade de fiscalização em campo. A tecnologia permitirá aumentar a área monitorada, reduzir deslocamentos das equipes e padronizar o registro de imagens e evidências durante as inspeções. As aeronaves também poderão ser utilizadas em operações integradas com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ministério da Justiça e instituições que compõem o Sistema Estadual de Agricultura.

A aquisição faz parte do plano de modernização da Adapar. De acordo com o presidente da autarquia, Otamir Cesar Martins, os investimentos abrangem diferentes áreas da infraestrutura tecnológica da agência. “Os investimentos incluem novas viaturas, computadores, notebooks, tablets, um novo sistema institucional, drones e a nova suíte de produtividade com IA para todos os servidores, em consonância com o nosso Plano Diretor de Tecnologia da Informação de 2025”, afirma.

Martins acrescenta que a formação de pilotos será ampliada gradativamente. “Serão formadas turmas de pilotos escalonadas em um cronograma que está sendo elaborado pela Área de Suporte Institucional, oportunizando que todos os fiscais e assistentes de fiscalização agropecuária, agrônomos ou veterinários interessados se tornarem pilotos habilitados pelo Decea”, complementa.

Para o diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, a incorporação da tecnologia fortalece a atuação preventiva da fiscalização no Estado. “Com essa inovação, daremos um passo importante para a proteção ao nosso agronegócio paranaense, com o conceito de uma Defesa Agropecuária com foco preventivo e não mais reativo, principalmente nas culturas de alto Valor Bruto da Produção”, destaca.

Especificações

A nova frota é composta pelos modelos DJI Mavic 4 Pro que é considerado no mercado atual como topo de linha, destacando-se pelo sistema de câmera tripla Hasselblad (até 100 MP), vídeos com capacidade de 6K HDR a 60 fps e tempo de voo de 51 minutos. Eles possuem detecção de obstáculos omnidirecional com tecnologia LiDAR para voos noturnos, e alcance de voo de 41km.

Foto: Divulgação/Adapar

Dos 27 drones todos do modelo DJI Mavic 4 Pro, três possuem sensores multiespectrais com capacidade de cobrir 200 hectares em um único voo de 43 minutos. O asssessor de Inovação da Adapar Alessandro Casagrande destaca as características das aeronaves explica que a composição da aquisição revela a intenção técnica da compra.

“Todos os drones são dotados com câmeras da renomada e centenária marca Hasselblad, mundialmente famosa em 1969, quando foram selecionadas pela NASA para registrar o histórico pouso do homem na Lua no Projeto Apollo, elas possuem a resolução a 50 metros de altura com GSD (Distância de Amostragem do Solo) aproximada de 0,41 cm/pixel (alta definição milimétrica) cuja precisão é necessária para os trabalhos de Defesa Agropecuária de alta precisão e para o conjunto de evidências”, detalha.

Outra característica é a faixa multispectral, é uma faixa de luz específica – como o infravermelho, que as câmeras dos drones capturam. Ao contrário das câmeras comuns que enxergam apenas o que o olho humano vê, esses sensores registram comprimentos de onda invisíveis, revelando o nível de saúde, estresse hídrico e pragas em plantações.

O olho humano percebe apenas a faixa visível do espectro eletromagnético. Uma planta infectada por HLB (Candidatus Liberibacter spp.), cancro cítrico (Xanthomonas citri subsp. Citri), ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) e o Moko da Bananeira  causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 geralmente apresenta sintomas visíveis somente semanas após a infecção e após quando o patógeno já se disseminou

Área animal

Foto: Divulgação/Adapar

Os drones possuem sensor termal, que segue outra lógica: capta variações de temperatura em animais, função que aproxima o equipamento das especificidades da área veterinária. É nesse terreno que a Adapar concentra suas primeiras apostas.

O chefe do Departamento de Saúde Animal, médico-veterinário Rafael Gonçalves Dias, explica como os equipamentos serão úteis para a proteção dos rebanhos paranaenses. “O drone termal será empregado em projetos-piloto, nos quais a assinatura térmica pode auxiliar na identificação de focos de calor ligados a aglomerações de animais, a alterações fisiológicas e a situações de risco sanitário, sem contato direto com os rebanhos”, elucida.

O formato experimental tem a responsabilidade de que, antes de qualquer adoção em escala, a autarquia precisa validar protocolos de coleta, parâmetros de medição e a forma de integrar os dados gerados em campo. “A literatura sustenta com solidez o uso de drones termais para triagem de febre em rebanhos confinados ou semiconfinados, conforto térmico, detecção precoce de zoonoses em granjas, localização de animais e censo de morcegos em locais expostos” complementa.

Histórico

A Adapar iniciou o uso de drones há sete anos por meio do “projeto ASA”, idealizado pela então coordenação de conservação de uso de solos juntamente com coordenação de inovação, expandindo

Foto: Divulgação/Adapar

para outras áreas de Adapar. Segundo o chefe de divisão de Conservação do Solo Agrícola Luiz Renato Barbosa, este momento é um marco para história da autarquia.

“Começamos com um drone doado pela Receita Federal e outro que era recreativo, hoje, temos a frota mais sofisticada do país e acredito que somos a agência de defesa agropecuária com a maior frota de drones no Brasil, com 35 aeronaves cadastradas na Anac. No fim, isto reflete os princípios constitucionais da economicidade e eficiência do serviço público. Nossas ações de campo custarão bem menos ao cidadão graças a estes investimentos da diretoria que acreditaram no projeto”, explica.

O contrato dos drones previu uma inovação nestes bens por meio de manutenções corretivas e preventivas, para que a curva de obsolescência diminua, aumentando-se a eficiência dos equipamentos e dando segurança e tranquilidade aos pilotos durante os voos. A agência está realizando um estudo para fazer o seguro de todas as aeronaves, uma vez que dispositivos são muito suscetíveis a sofrerem quedas e danos.

Fonte: Assessoria Adapar
Continue Lendo

Notícias

Produtores ainda aguardam apoio sete meses após tornado no Paraná

Agricultores de cinco municípios relatam que ficaram de fora de medidas emergenciais e enfrentam dificuldades para reconstruir estruturas produtivas danificadas.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Sistema Faep

Sete meses após o tornado que devastou parte da região Central do Paraná, produtores rurais de municípios de Laranjeiras do Sul, Virmond, Porto Barreiro, Candói e Guarapuava seguem sem acesso a medidas de apoio para viabilizar a reconstrução das propriedades atingidas.

Embora Rio Bonito do Iguaçu tenha concentrado a maior parte dos danos e recebido ações emergenciais específicas, produtores das cidades vizinhas relatam que também sofreram perdas expressivas em lavouras, silos, barracões, moradias e estruturas produtivas, mas ficaram de fora das condições especiais anunciadas pelo governo estadual após o desastre climático.

Foto: Jonathan Campos

Diante dessa situação, o Sistema Faep encaminhou, em maio, um ofício à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) solicitando a ampliação do suporte emergencial aos produtores afetados. Em resposta, a secretaria informou que não é possível estender administrativamente os benefícios, em razão dos critérios jurídicos e orçamentários vigentes.

Para o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, é necessário encontrar alternativas que permitam atender também os produtores que sofreram prejuízos expressivos fora do município que decretou calamidade pública. “Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram perdas milionárias e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades. É importante que haja sensibilidade para buscar mecanismos que permitam oferecer condições compatíveis com a dimensão dos prejuízos sofridos”, afirma Meneguette.

O presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli, afirma que produtores dos municípios vizinhos aguardam o mesmo tratamento concedido aos atingidos em Rio Bonito do Iguaçu.“Nossa expectativa era que os produtores dos demais municípios atingidos pelo tornado recebessem o mesmo apoio concedido pelo Governo do Estado aos agricultores de Rio Bonito do Iguaçu. No entanto, essas famílias não receberam nenhum tipo de suporte. A linha de financiamento com juros subsidiados que havia sido anunciada também não chegou aos produtores dessas cidades”, expõe.

Foto: Jonathan Campos

Na avaliação do presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, produtores continuam enfrentando dificuldades para recuperar estruturas financiadas justamente para ampliar a produção. “Muitos perderam barracões, silos e pocilgas construídos com financiamento. O que eles pedem agora é a liberação de linhas de crédito em condições diferenciadas, porque essa possibilidade foi apresentada na época, mas acabou não se concretizando”, afirma. “Teve produtor que perdeu mais de R$ 20 milhões, enquanto outros tiveram perdas menores. Quem havia feito investimentos maiores é quem mais precisa desse apoio para reconstruir a estrutura e voltar a produzir”, completa.

Prejuízo de até R$ 12 mi

Em Candói, o produtor rural Rodrigo Queiroz estima prejuízo de R$ 12 milhões. Proprietário de uma área de 1,5 mil hectares com produção de soja, milho, trigo, cevada, aveia e pecuária, parte da estrutura do agricultor precisou ser reconstruída imediatamente, mas outros investimentos continuam paralisados. “Não tivemos ajuda do poder público. Sempre conversamos com o pessoal do BRDE porque esperávamos que fosse criada uma linha de crédito para nos ajudar. Mas, com as taxas atuais, é inviável fazer um investimento desse tamanho. Foi uma situação totalmente fora do nosso controle”, relata.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram perdas milionárias e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades” – Foto: Divulgação/Sistema Faep 

Segundo o produtor, barracões, telhados, silos e casas de funcionários foram destruídos pela força do tornado. “Fomos obrigados a reconstruir a parte estrutural mais urgente, porque era impossível manter a atividade sem os barracões e o alojamento dos funcionários. Agora, o maior problema continua sendo os silos, que sofreram danos muito expressivos”, explica. “Ficamos sem energia, perdemos estruturas e tivemos prejuízos com fertilizantes, sementes e produtos armazenados. Nossos funcionários também passaram pelo tornado. Foi uma situação muito difícil, e qualquer apoio faz diferença”, pontua.

Governo cita critérios legais

Foto: Jonathan Campos

O Governo do Estado informou que apenas Rio Bonito do Iguaçu decretou estado de calamidade pública após o tornado. Desta forma, as linhas especiais atenderam exclusivamente esse município porque os demais não decretaram calamidade nem apresentaram demandas. “As linhas especiais atendem a Rio Bonito do Iguaçu, mas o Estado tem programas regulares para os demais municípios com recursos da Defesa Civil. As prefeituras não solicitaram nem apresentaram demandas. As outras cidades não receberam porque não decretaram estado de calamidade”, informa.

BRDE diz que faltou subvenção

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) afirmou que as linhas de financiamento permaneceram disponíveis para atender produtores atingidos, mas reconheceu que não houve a criação de uma subvenção estadual para reduzir os juros das operações. “O banco possui as linhas para atender às demandas. O que não aconteceu foi a criação de uma subvenção das taxas por parte do Governo do Estado. O BRDE não deixou de atender aos pedidos que recebeu. Inclusive há projetos com créditos aprovados, porém os produtores preferiram não contratar com as taxas atuais”, salienta.

Segundo o banco, a ausência da equalização dos juros tornou o crédito pouco atrativo para produtores que já enfrentavam elevados prejuízos provocados pelo tornado.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.