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Simpósio debate expansão dos insumos agrícolas de matriz orgânica no Brasil
Encontro reúne em agosto pesquisadores, empresas e representantes do setor para discutir inovação, regulamentação e o aproveitamento de resíduos na agricultura em Bento Gonçalves (RS).

O avanço da agricultura sustentável, aliado à busca por maior segurança no abastecimento de insumos e eficiência produtiva, tem ampliado o espaço dos insumos agrícolas de matriz orgânica no campo. A valorização da economia circular e do reaproveitamento de resíduos na produção agropecuária estará entre os temas do 1º Simpósio Assiferto RS de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, realizado em 06 de agosto no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves (RS). Para se inscrever clique aqui.

Presidente da Abisolo, Clorialdo Roberto Levrero: “A importância dos insumos de matriz orgânica para a sustentabilidade do agro moderno” – Foto: Divulgação/Abisolo
Um dos palestrantes será o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Clorialdo Roberto Levrevo, que abordará o tema “A importância dos insumos de matriz orgânica para a sustentabilidade do agro moderno”. Segundo ele, esses produtos deixaram de ser uma alternativa complementar para ocupar posição estratégica na produção agrícola. “O Brasil é uma potência agrícola, mas ainda muito dependente de fertilizantes importados. Ao mesmo tempo, gera todos os anos um enorme volume de resíduos que poderiam voltar ao campo como nutrientes e carbono para o solo. Os produtos de matriz orgânica ajudam justamente a fechar esse ciclo”, afirma.
De acordo com Levrevo, os insumos de matriz orgânica permitem converter resíduos em fontes de nutrientes, reduzindo passivos ambientais e fortalecendo práticas de economia circular. A estratégia ganha importância diante da volatilidade do mercado internacional de fertilizantes e da crescente demanda por sistemas produtivos com menor impacto ambiental.
Na avaliação do presidente da Abisolo, o aproveitamento desses materiais também contribui para reduzir a dependência de insumos importados, ao recuperar nutrientes que permanecem disponíveis em resíduos orgânicos.
Efeitos sobre a qualidade do solo
Além dos impactos econômicos, Levrevo destaca benefícios agronômicos associados ao uso desses insumos. Entre eles estão o aumento da matéria orgânica, a maior capacidade de retenção de água, a melhoria da estrutura física e biológica do solo e o melhor aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. “O insumo de matriz orgânica devolve carbono ao solo e melhora sua estrutura física e biológica. Isso aumenta a eficiência dos nutrientes e contribui para sistemas produtivos mais resilientes”, explica.
Práticas sustentáveis
Além de desenhar um panorama atual, o especialista adianta que fará, em sua explanação, um apontamento do que deve se consolidar nos próximos anos quando se fala em agricultura sustentável. Levrevo aponta que os próximos anos devem consolidar novas oportunidades para o setor, especialmente a partir do melhor aproveitamento dos resíduos gerados pela agroindústria, pela pecuária e até mesmo pelo saneamento urbano. “O ponto mais promissor é perceber que a matéria-prima já existe sendo que boa parte, ainda está sendo mal aproveitada. O próprio agro gera, um enorme volume anualmente, através da agroindústria e pecuária, há ainda uma fronteira urbana emergente, ligada ao saneamento, que deve crescer bastante nos próximos anos”, prevê.
A participação de Levrero integra a programação técnica do simpósio promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS). O encontro vai reunir especialistas, pesquisadores, representantes do poder público e lideranças do setor para discutir tendências de mercado, inovação e os desafios regulatórios relacionados aos insumos agrícolas de base orgânica.
Considerado um marco para o segmento no estado, o evento busca ampliar a visibilidade de uma cadeia produtiva responsável pela reciclagem de mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano, transformados em fertilizantes, condicionadores de solo e outras soluções voltadas à agricultura.
Confira a programação do 1º Simpósio Assiferto RS de Insumos Agrícolas com Base Orgânica
Manhã
08h – Credenciamento e recepção
08h10 – Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger.
09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari, presidente da Assiferto RS.
09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo.
10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual , com Marjorie Kauffmann, secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam.
11h – Mesa Redonda
12h – Almoço
Tarde
13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas, com Henrique Bley do Mapa/RS.
14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona, pesquisador da Embrapa Trigo.
15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica, com Átila Francisco Mógor da UFPR.
15h45 – Intervalo
16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no Rio Grande do Sul, com Marcelo Biassusi da Emater.
16h45 – Mesa Redonda
17h30 – Encerramento

Colunistas
Agricultura brasileira enfrenta novo ciclo de desafios e transformação
Cenário de preços baixos, crédito restrito e instabilidade climática exige adaptação de produtores e empresas rurais.

A agricultura brasileira atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Preços deprimidos, custos elevados, margens reduzidas, juros altos, instabilidade climática e restrições ao crédito pressionam produtores, empresas rurais e toda a cadeia produtiva. O cenário exige prudência, capacidade de adaptação e compreensão dos ciclos que caracterizam os mercados de commodities.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
A alternância entre expansão e retração não constitui novidade. O setor convive historicamente com um comportamento semelhante ao de uma montanha-russa, marcado por oscilações intensas e imprevisíveis. Entre 2021 e 2023, o agronegócio viveu um período excepcional, com preços favoráveis, custos relativamente estáveis, juros menores, valorização patrimonial e margens expressivas. A partir de 2025, esse alinhamento deu lugar a uma conjuntura adversa, formada por preços baixos, despesas elevadas, rentabilidade negativa e crédito caro.
Esses movimentos continuarão a existir. O diferencial está na capacidade de cada empreendimento de reconhecer, administrar e reduzir os riscos da atividade. Há riscos operacionais, ligados à produção, ao clima, aos preços e à logística, além dos macroeconômicos, relacionados à inflação, aos juros, ao câmbio e às políticas públicas. Parte deles pode ser mitigada com planejamento, seguro, diversificação, instrumentos financeiros e organização produtiva.
Também existem riscos de gestão, que envolvem estratégia, governança, controles, sucessão familiar e qualidade das decisões. Esses fatores estão sob responsabilidade direta das famílias empresárias e podem definir a resistência dos negócios diante das crises. Muitos empreendimentos ainda operam de forma intuitiva, concentrados na pessoa física e dependentes da experiência do fundador. Esse modelo sustentou o crescimento em outras fases, mas revela fragilidades diante da complexidade atual.
Para as famílias que ampliaram investimentos e endividamento durante o ciclo de prosperidade, o momento exige reorganização financeira, redução de dívidas, venda criteriosa de ativos, diálogo com credores e revisão das estruturas internas. Em situações mais graves, surgem renegociações, reestruturações e pedidos de recuperação judicial. O principal aprendizado consiste em evitar decisões baseadas na expectativa de continuidade das margens elevadas.

Foto: Marcello Casal
Em sentido oposto, produtores e empresas que preservaram reservas, mantiveram níveis prudentes de endividamento e adotaram controles mais rigorosos encontram oportunidades na crise. Ativos desvalorizados, novas parcerias e melhores condições de negociação podem abrir caminhos para um crescimento sustentável, desde que acompanhados de cautela, governança e análise técnica.
É nesse ambiente que o cooperativismo assume função decisiva. As cooperativas conhecem profundamente os desafios da produção agropecuária, em especial do segmento de grãos. Organizam produtores, prestam assistência, ampliam o acesso a tecnologias, estruturam a comercialização e criam estratégias para a conquista de mercados internos e externos. Também exercem uma defesa técnica competente do setor, fundamentada na realidade das propriedades e das comunidades rurais.

Foto: Shutterstock
A atuação cooperativista reduz assimetrias, fortalece o poder de negociação, amplia a escala produtiva e oferece instrumentos para o enfrentamento de períodos adversos. Mais do que estruturas econômicas, as cooperativas constituem redes de confiança, conhecimento e apoio mútuo. Em momentos de instabilidade, essa capacidade coletiva torna-se ainda mais relevante.
A crise deve ser compreendida como alerta e oportunidade de transformação. Ela impõe disciplina, planejamento, profissionalização, governança, sucessão organizada e maior atenção aos riscos. Também prepara uma nova geração de gestores rurais, mais qualificada, resiliente e consciente das responsabilidades de atuar em um ambiente global competitivo.
O resultado poderá ser uma agricultura mais eficiente, tecnificada e preparada para os próximos ciclos. A concentração produtiva tende a avançar, mas o cooperativismo pode evitar a exclusão de pequenos e médios produtores, ao integrá-los a estruturas sólidas e competitivas. A próxima subida da montanha-russa virá, assim como novas descidas. Estará mais preparado quem compreender que prosperidade não dispensa prudência e que nenhuma crise precisa ser enfrentada de forma isolada.
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Instituto de Zootecnia celebra 121 anos de pesquisas voltadas à produção animal
Livro lançado durante a comemoração reúne a trajetória do IZ e destaca avanços em genética, leite, forragens e sustentabilidade.

A comemoração dos 121 anos do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, acontece nesta quarta-feira, 15, na sede do IZ em Nova Odessa. A cerimônia será marcada pelo lançamento do livro IZ 120 anos – Um legado de Conhecimento e Desenvolvimento, que mostra a trajetória do Instituto na busca e construção de conhecimento científico e inovações tecnológicas na zootecnia. O evento conta com a presença de autoridades, servidores e pesquisadores.
Entre os destaques do livro está a história do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore e Caracu do IZ, implementado em 1980, que continua impulsionando a produção de bovinos de corte no Brasil e em outros países da América Latina. Também são abordados a formação do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Forrageiras (IZ–FOR), que reúne 286 amostras de gramíneas e 1.585 de leguminosas forrageiras, tendo sido constituída desde a década de 1970 por meio de intercâmbios e coletas, com o objetivo de conservar recursos genéticos e disponibilizar material biológico e informações para pesquisa em zootecnia, e a criação do Centro de Pecuária Sustentável do IZ, com a missão de desenvolvimento, validação e transferência de tecnologias voltadas à promoção de sistemas de produção pecuária sustentáveis, eficientes e alinhados aos compromissos nacionais e internacionais de mitigação das mudanças climáticas.
A obra relata ainda os impactos das pesquisas e ações voltadas à qualidade do leite para o setor e a sociedade. Entre os exemplos, estão o desenvolvimento de metodologia de análises para identificação do leite A2A2, que é mais digestível para indivíduos que tem dificuldade na digestão do leite de vaca convencional (A1), e para identificação da pureza do leite de búfalas, cabras e ovelhas, conseguindo detectar qualquer quantidade de possíveis misturas com leite de vaca, além das análises de Kappa-caseina que promovem maior rendimento do queijo de búfalas. Outro tema abordado é o projeto da Caravana Giro do Leite, que tem percorrido todo país com o laboratório móvel de qualidade do leite, fazendo análises e levando informações para ajudar o produtor a melhorar a qualidade.
Além de se destacar na produção de alimentos e outros produtos de origem animal, o Instituto, em sua mais recente missão, por meio da parceria com a empresa XenoBrasil e a Universidade de São Paulo (USP), está desenvolvendo o projeto “Produção de suínos geneticamente modificados”, que avalia a criação de linhagens suínas geneticamente modificadas voltadas para o doação de órgãos para humanos.
Com unidades localizadas entre os municípios de Nova Odessa, Registro, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Piracicaba e Sertãozinho (SP), o IZ possui três áreas estratégicas de pesquisa: Produção Sustentável de Carne, Produção Sustentável de Leite e Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. Essas contribuem para maior sustentabilidade dos sistemas de produção animal. Além de buscar o aumento da produtividade animal e diminuição nos custos de produção, as pesquisas priorizam a diminuição dos impactos ambientais e melhor qualidade de produtos como carne, leite e ovos.
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Mais de 30 nacionalidades ajudam a sustentar produção da Frimesa
Cooperativa soma quase 13 mil funcionários, sendo 1.790 estrangeiros, e investe em integração, qualificação e automação para enfrentar a falta de trabalhadores.

A falta de trabalhadores para ocupar vagas nas indústrias de alimentos do Oeste do Paraná deixou de ser um problema pontual e passou a influenciar diretamente as estratégias de expansão das cooperativas agropecuárias. Em uma região que concentra um dos maiores polos de produção de proteína animal do Brasil, a contratação de estrangeiros ganhou escala nos últimos anos e se tornou peça importante para manter as linhas de produção em funcionamento.
Na Frimesa, uma das maiores processadoras de carne suína e derivados de leite do país, os imigrantes assumem funções essenciais na manutenção das operações industriais. Hoje, dos quase 13 mil funcionários da cooperativa, 1.790 são estrangeiros. Eles atuam em praticamente todos os setores das unidades industriais, especialmente nas plantas de Medianeira, Marechal Cândido Rondon e Assis Chateaubriand. Somente nos últimos três anos, 4.207 trabalhadores imigrantes passaram pela empresa. “O público estrangeiro tem participação expressiva e vital em nossas operações, concentrada majoritariamente nos polos industriais de grande porte. A procura por profissionais aumentou porque a mão de obra na região Oeste do Paraná, principalmente nas indústrias, está aquecida, o que também atrai estrangeiros que buscam no Brasil trabalho, qualidade de vida e renda fixa”, afirma o presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek.

Presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek: “Hoje temos 1.261 operadores de produção e 209 auxiliares de higienização estrangeiros. Se esses trabalhadores deixassem de estar no Brasil, teríamos ainda mais falta de pessoas em vários setores e, em alguns casos, precisaríamos diminuir a velocidade das linhas”
A mudança de perfil começou a ganhar força entre 2023 e 2024. Até 2022, a contratação de estrangeiros ocorria em ritmo reduzido. Em 2023, a cooperativa admitiu 438 imigrantes. No ano seguinte, esse número saltou para 823 e atingiu o maior patamar em 2025, quando 1.169 estrangeiros foram contratados.
Segundo Zydek, o aumento coincide com a expansão industrial da cooperativa, especialmente após a entrada em operação do frigorífico de Assis Chateaubriand, que ampliou a demanda por trabalhadores. “O salto nas contratações acompanha nossos planos de expansão e a necessidade de ocupar a capacidade das plantas industriais. O mercado de trabalho regional está aquecido e a disputa por profissionais ocorre em diversos setores”, aponta.
A escassez, contudo, não se limita aos estrangeiros. A Frimesa relata dificuldades para preencher vagas entre brasileiros e imigrantes, principalmente em funções ligadas à manutenção industrial, cargos técnicos e setores que exigem trabalho em ambientes frios ou em turnos noturnos e de madrugada.
A área de cortes é a que concentra o maior número de trabalhadores estrangeiros. São 493 profissionais ativos. Em seguida aparecem a sala de miúdos, com 165 colaboradores, a área de abate, com 113, e a higiene interna, com 101 trabalhadores.
Na avaliação de Zydek, a retirada repentina desses profissionais teria efeitos imediatos sobre a produção. “Hoje temos 1.261 operadores de produção e 209 auxiliares de higienização estrangeiros. Se esses trabalhadores deixassem de estar no Brasil, teríamos ainda mais falta de pessoas em vários setores e, em alguns casos, precisaríamos diminuir a velocidade das linhas. Todo colaborador é importante e, quando não está em nossa empresa, gera impactos drásticos no processo produtivo”, afirma Zydek.
Mais de 30 nacionalidades

A presença de estrangeiros também alterou o perfil demográfico da força de trabalho da cooperativa. Atualmente, a Frimesa reúne profissionais de mais de 30 nacionalidades, mas a predominância é latino-americana. Os venezuelanos lideram o quadro de trabalhadores estrangeiros, com 1.067 profissionais ativos. Os paraguaios ocupam a segunda posição, com 409 colaboradores, seguidos por cubanos, com 120, e haitianos, com 116.
A gerente de Gente & Gestão da Frimesa, Cinara Munhoz Cazorla, afirma que o grupo venezuelano foi o que mais cresceu em números absolutos nos últimos anos. “A mão de obra venezuelana aumentou 35,8%, passando de 786 trabalhadores em 2024 para 1.067 atualmente. Já os cubanos tiveram o maior crescimento proporcional recente, triplicando sua presença, de 42 para 120 colaboradores”, menciona.
Rotatividade
Os índices de permanência, porém, variam conforme a nacionalidade. Enquanto haitianos e paraguaios costumam permanecer mais tempo na cooperativa, venezuelanos e cubanos apresentam maior rotatividade nos primeiros meses de trabalho.
Dados da Frimesa mostram que haitianos permanecem, em média, 559 dias antes do desligamento, enquanto paraguaios ficam 516 dias. Entre os venezuelanos, o período médio é de 193 dias. Já os cubanos permanecem, em média, 122 dias. “A média geral de permanência dos estrangeiros desligados é de aproximadamente 337 dias, mas existem diferenças culturais, sociais e econômicas que influenciam diretamente esses indicadores”, explica Cinara.
Apesar da rotatividade em algumas nacionalidades, a cooperativa considera que haitianos e paraguaios apresentam índices de retenção competitivos e, em muitos casos, superiores aos observados entre trabalhadores locais nas funções de operador de produção.
Desafios além da contratação
Os desafios, entretanto, vão além da contratação. A integração de trabalhadores vindos de diferentes países exige adaptações no ambiente de trabalho e nas cidades que recebem esse fluxo migratório.
Segundo Cinara, a barreira linguística é um dos principais obstáculos, especialmente em treinamentos e orientações relacionadas à segurança e à qualidade dos processos industriais.
A chegada crescente de trabalhadores estrangeiros também impõe desafios fora do ambiente fabril. A oferta de moradias e a estrutura de transporte nas cidades que concentram as unidades industriais passaram a exigir maior articulação entre empresas e poder público. “Cidades polo, como Medianeira, enfrentam inflação habitacional. A cooperativa precisa atuar em sinergia com os municípios para garantir que os recém-chegados encontrem moradias dignas e transporte compatível com as escalas de revezamento e turnos”, afirma.
A convivência entre profissionais de diferentes culturas também exige programas de integração. Por isso, a Frimesa desenvolve um projeto voltado especificamente aos imigrantes, com ações de apoio à documentação pessoal e educacional, aulas de português, atividades culturais e tradução de materiais orientativos.
Papel da automação
Ao mesmo tempo em que amplia ações de acolhimento, a cooperativa intensifica investimentos em tecnologia. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a automação não tem reduzido a necessidade de trabalhadores.
Robôs para paletização, esteiras inteligentes e equipamentos automatizados de corte vêm sendo incorporados às fábricas para compensar a dificuldade de contratação e reduzir tarefas repetitivas. “Na prática industrial da Frimesa, a automação não está reduzindo a necessidade de pessoas. A tecnologia absorve o esforço repetitivo pesado e garante que a fábrica continue rodando mesmo quando as metas de contratação local não são atingidas”, aponta Zydek.
Necessidade de mão de obra

Gerente de Gente & Gestão da Frimesa, Cinara Munhoz Cazorla: “A média geral de permanência dos estrangeiros desligados é de aproximadamente 337 dias, mas existem diferenças culturais, sociais e econômicas que influenciam diretamente esses indicadores”
A necessidade de mão de obra tende a permanecer elevada nos próximos anos. A Frimesa projeta atingir faturamento de R$ 15 bilhões entre 2030 e 2032. A estratégia inclui ocupar integralmente a capacidade das plantas industriais já construídas, ampliar a participação das vendas no mercado paulista, elevar a oferta de produtos industrializados e funcionais e tornar a estrutura organizacional mais enxuta.
Contudo, Zydek ressalta que nenhuma dessas metas será alcançada sem pessoas. “Precisaremos de trabalhadores brasileiros e imigrantes. Temos grandes frentes voltadas à retenção de talentos, saúde, bem-estar, qualidade de vida e qualificação profissional. A mão de obra continuará sendo uma necessidade permanente para a Frimesa”, evidencia.
Especializada em carne suína e derivados de leite, a Frimesa reúne as cooperativas filiadas Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. A empresa encerrou 2025 com faturamento bruto de R$ 7 bilhões, crescimento de 7% em relação ao ano anterior. Do total comercializado, 26% tiveram como destino o mercado externo, com exportações para quatro continentes, enquanto 74% foram destinados ao mercado interno.
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