Peixes
Simpop 2025 atrai público recorde e reforça papel estratégico para a tilapicultura
Evento reuniu 700 participantes em Toledo (PR), ampliou espaço de negócios e debateu caminhos para fortalecer a cadeia em meio a desafios de mercado.

Produtores, pesquisadores, indústrias, profissionais técnicos e fornecedores da cadeia da tilapicultura tiveram, em julho, um espaço de encontro estratégico para debater desafios e trocar informações em meio a um cenário de incertezas para o setor. Realizado em Toledo (PR), nos dias 16 e 17, a 4ª edição do Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop) atraiu público recorde, ampliando sua relevância no calendário da aquicultura nacional.
Em dois dias, o evento reuniu cerca de 700 participantes de vários estados brasileiros e de países vizinhos. Para o médico-veterinário e organizador do Simpop, Nilton Ishikawa, a edição de 2025 conseguiu atender a uma demanda recorrente dos diferentes elos da cadeia ao criar um ambiente favorável ao diálogo. “As empresas e os produtores querem conversar, e nossa missão é justamente criar esse ambiente favorável aos negócios e ao intercâmbio de informações. No ano passado, percebemos que a área destinada à exposição de produtos ficou pequena. Por isso, nesta edição ampliamos a estrutura, garantindo mais espaço para circulação e estimulando a interação entre os participantes”, detalhou Ishikawa.

Médico-veterinário e organizador do Simpop 2025, Nilton Ishikawa: “O objetivo do Simpop é aproximar, ouvir a dor de cada elo da cadeia e buscar soluções conjuntas”
Essa estratégia refletiu no crescimento da área de negócios e de networking. “Em 2024, o Simpósio reuniu 37 expositores; neste ano, o número saltou para 52 empresas, e muitas outras ficaram na lista de espera por falta de espaço. Esse interesse mostra que o setor valoriza o Simpop como ambiente de atualização e negócios”, salientou, destacando que muitas das empresas já confirmaram presença na próxima edição do evento.
Programação técnica ampliada
A programação técnica também foi ampliada, passando a ter 12 palestras, quatro a mais que na última edição, e, para enriquecer os debates, os organizadores incluíram mediadores, garantindo maior dinamismo e participação do público. “Nosso foco foi democratizar o acesso ao conhecimento. Muitas vezes o produtor fica retraído diante de informações muito técnicas, mas no Simpop ele se sente à vontade para participar, perguntar e debater com especialistas e empresas”, explicou o coordenador.
Tarifaço do Trump
O Simpósio ocorreu em um momento delicado para a tilapicultura, marcada pela pressão sobre a rentabilidade devido à queda nos preços pagos aos produtores. O setor também estava apreensivo com a possibilidade de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, que se concretizou em agosto, quando o governo norte-americano aplicou uma sobretaxa de 50% sobre as importações de tilápia brasileira, comprometendo as exportações do país, que tinham os EUA como destino de 90% dos embarques.
Ponto de encontro do setor
Com produtores do Paraná e de outros estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de representantes da indústria e da academia, o simpósio confirmou seu papel como ponto de encontro do setor, reunindo conhecimento, experiências e oportunidades de negócios na piscicultura. “Costumo dizer que somos engrenagens: um depende do outro. Mas sem comunicação cada um age por conta própria. O objetivo do Simpop é aproximar, ouvir a dor de cada elo da cadeia e buscar soluções conjuntas”, disse o organizador.
Quinta edição
A quinta edição já está nos planos. A organização pretende manter o caráter anual do simpósio, mas avalia transferir a data para agosto, para evitar coincidência com outros eventos do setor. “O importante é preservar esse espaço de diálogo, levar informação de qualidade e ajudar o setor a se desenvolver de forma mais eficiente e competitiva”, destacou Ishikawa.
O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Peixes
Brasil e Chile investigam nanoplásticos, bactérias e risco ao pescado na Antártica
Instituto de Pesca (IP-Apta) participa do consórcio binacional que avaliará como nanoplásticos e bactérias resistentes podem afetar a saúde do pescado e do consumidor.

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, integra um ambicioso projeto de pesquisa binacional entre Brasil e Chile que investigará a presença de bactérias resistentes a antibióticos e contaminantes emergentes, como nanoplásticos, em ecossistemas antárticos.
A iniciativa, denominada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID), do Chile. O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança de produtos pesqueiros e à saúde pública, em alinhamento com a abordagem “Saúde Única”, que integra saúde humana, animal e ambiental na análise de riscos globais.
Foco no pescado e na segurança alimentar
Com expertise consolidada em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança de alimentos, o IP contribuirá especialmente nas frentes relacionadas aos organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis impactos na cadeia pesqueira.
A participação da instituição no consórcio internacional posiciona o estado de São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.
Esse conjunto de competências técnicas será fundamental para transformar os achados científicos em subsídios concretos para políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas voltadas aos setores aquícola e pesqueiro, fortalecendo a proteção do consumidor e a sustentabilidade da produção. De acordo com o pesquisador do IP, Edison Barbieri, “estamos indo ao lugar mais remoto da Terra para encontrar problemas criados por nós mesmos. Os nanoplásticos são como ‘cavalos de Troia’ minúsculos: eles podem carregar poluentes e bactérias para dentro do organismo de peixes e moluscos que, mais tarde, podem chegar ao nosso prato. Com as bactérias resistentes, o risco é igualmente sério: se elas chegarem aos nossos recursos pesqueiros, podemos estar diante de um problema de saúde pública de difícil solução. O que acontece na Antártica não fica na Antártica”, alerta.
O que o projeto vai investigar
Entre os principais objetivos do projeto está a investigação da presença e dos efeitos ecotoxicológicos de partículas plásticas, especialmente nanoplásticos, em organismos filtradores da fauna bentônica antártica. Esses organismos, ao acumularem contaminantes, podem indicar riscos de transferência ao longo da cadeia alimentar marinha, com implicações diretas para a segurança do pescado destinado ao consumo humano.
A pesquisa também identificará e caracterizará bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados bentônicos. O IP terá papel relevante na análise dos riscos associados à possível disseminação dessas bactérias ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com potencial impacto sobre recursos pesqueiros e sistemas de aquicultura.
Paralelamente, o consórcio buscará, na biodiversidade microbiana antártica, novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bactericinas, que possam futuramente ser aplicadas no controle de patógenos na aquicultura, promovendo uma produção mais sustentável e segura.
O projeto empregará técnicas avançadas capazes de identificar microrganismos, seus genes e partículas microscópicas, como os nanoplásticos. Parte das análises será realizada no Sirius, em Campinas (SP), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o único acelerador de partículas da América Latina, além da aplicação de modelagem ecológica. As amostras coletadas na Antártica serão comparadas a amostras provenientes de áreas costeiras do Brasil e do Chile, permitindo um panorama inédito sobre como a poluição e a resistência antimicrobiana se dispersam ao longo das diferentes regiões marinhas.
Peixes
Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral
Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.
No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.
“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.
Peixes
Setor de piscicultura se prepara para Aquishow Brasil 2026
Evento apresenta tecnologias, debates técnicos e premiações para impulsionar a produção de tilápia no Triângulo Mineiro.

A Aquishow Brasil, o maior evento da aquicultura nacional, será realizada mais uma vez em Uberlândia (MG), entre 9 e 11 de junho de 2026, no Castelli Master. O objetivo é avançar nas conquistas já realizadas e contribuir ainda mais para o crescimento da piscicultura em Minas Gerais, que já é uma das mais fortes do Brasil.
Para isso, o evento está maior, com discussões técnicas e completas e conta com a presença de mais de 100 empresas dos vários segmentos da cadeia da produção de peixes de cultivo – especialmente de tilápia.
“A Aquishow Brasil é o maior evento do setor e tem uma missão estratégica: contribuir para o fortalecimento da atividade no país, especialmente em regiões de alto potencial. O Triângulo Mineiro pode se tornar ainda mais relevante na produção de tilápia e estar em Uberlândia pelo segundo ano nos possibilita ajudar nesse processo”, diz Marilsa Patrício, diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União.
A expectativa da Aquishow Brasil 2026 é receber 7 mil visitantes de todas as partes do país e do exterior. A edição de 2025 atraiu participantes mais de 20 países – especialmente da América Latina. No ano passado, o evento movimentou R$ 115 milhões e o objetivo para 2026 é crescer pelo menos 10%.
A Aquishow reúne todos os elos da cadeia produtiva da aquicultura brasileira e apresenta as mais modernas tecnologias em genética, insumos, equipamentos, serviços e produtos. Uma completa agenda de apresentações técnicas contribui para atualizar os produtores e apresentar novas tecnologias.
Destaque também às premiações especiais para reconhecer quem contribui para o contínuo crescimento da aquicultura, como o Prêmio Inovação Aquícola e o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino.
Mais informações clique aqui e e-mail peixesp@peixesp.com.br. Organização (17 99616-6638 e 17 98137-8657), Departamento Comercial (Eder Benício, 11 97146-9797)



