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Silagem de inverno é alternativa para produção de leite na Região Sul

Silagens são forragens úmidas, conservadas em ambientes anaeróbicos, que formam um alimento energético para suplementação alimentar de ruminantes domésticos, como bovinos e ovinos.

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Foto: Marcelo Klein

A alimentação do rebanho representa o principal custo na produção leiteira. O aproveitamento do inverno para produzir alimento conservado pode reduzir custos com fonte garantida de energia e proteína aos animais. Veja as orientações da Embrapa Trigo para produzir silagem a partir de cereais de inverno.

Foto: Joseani Antunes

Silagens são forragens úmidas, conservadas em ambientes anaeróbicos, que formam um alimento energético para suplementação alimentar de ruminantes domésticos, como bovinos e ovinos. Os cereais de inverno como aveia, cevada, triticale, trigo e centeio podem ser armazenados em forma de silagem para suplementação dos animais nos períodos críticos, quando há escassez de pasto, ou após vários dias consecutivos de chuva que impedem a entrada do rebanho nos piquetes.

De acordo com o pesquisador Renato Fontaneli, da Embrapa Trigo, o produtor está acostumado a fazer silagem de milho como fonte de energia para os animais. Contudo, o milho concorre com a valorização da cotação da soja e acaba restando pouco espaço para o milho no verão, ao passo que, no inverno, grande parte das áreas produtivas ficam ociosas. Utilizar os cereais de inverno nestas áreas e guardar parte do pasto em forma de silagem é fonte garantida de proteínas ao rebanho, associada ao pastejo e à adição de ração animal.

“Os cereais de inverno podem ser ensilados na forma de planta inteira, pré-secado ou grãos úmidos. Duas características são consideradas na escolha de uma espécie e cultivar: potencial de rendimento de biomassa seca e valor nutritivo”, explica Fontaneli, lembrando que além das vantagens na utilização integral da área produtiva, a silagem garante volumoso aos animais, já que os ruminantes precisam de forragem para produzir leite.

Foto: Joseani Antunes

A Embrapa já disponibilizou 15 cultivares forrageiras de inverno, com resultados de pesquisa que mostram que com apropriado manejo em pastagens é possível atingir 20 litros de leite por vaca por dia. Segundo pesquisas, o potencial produtivo de matéria verde dos cereais de inverno  chega, frequentemente, a 30.000 kg por hectare ou 10.000 kg/ha de matéria seca. Com 1 kg de matéria seca é possível produzir 1,1 kg de leite com silagem de trigo, ou 1,2 kg de leite com silagem de cevada ou 1,3 kg de leite com silagem de triticale.

Como usar silagem de inverno

Nas propriedades de agricultura familiar, a silagem costuma ser utilizada como complemento na alimentação do gado de leite, onde corresponde a 1/3 da dieta de uma vaca mediana ou altamente produtiva, que tem produção de 20 a 30 litros de leite/dia.

Nas vacas criadas a pasto, existem diversas combinações de pastagens com silagem, suplementadas com ração, onde os grãos podem ser milho, soja ou cereais de inverno. Em confinamento, as vacas podem receber até 40% de silagem na alimentação, formada geralmente com a mistura de milho e cereais de inverno. Contudo, na falta do milho, os cereais de inverno podem compor a totalidade da silagem, com a desvantagem da menor concentração de energia (até 10% menos energia do que o milho), compensada pelo maior teor de proteínas (25% mais proteínas do que o milho).

Foto: Diogo Zanata

O pesquisador lembra que a colheita da silagem no momento apropriado é o principal fator de sucesso na produção de silagem de bom valor nutritivo. Silagens de cereais de inverno são colhidas a partir da fase de grão leitoso até o grão em massa firme, o que permite maximizar a produção de energia líquida de lactação. A digestibilidade das espécies se reduz rapidamente com o avanço da maturidade das plantas. Ainda, altas concentrações de proteína são encontradas no estágio vegetativo ou no emborrachamento, mas com comprometimento na produção de matéria seca. Com o atraso na colheita, tanto o consumo como a digestibilidade e a produção de leite serão reduzidos.

“A variação de biomassa nas espécies de cereais de inverno pode apresentar resultados diferentes a partir da cultura e do momento de colheita da silagem, onde o volumoso pode variar de 15 a 40 toneladas silagem de planta inteira. Mas quando o objetivo é atender a demanda de uma vaca de leite que está produzindo entre 40 e 50 litros por dia, é preciso buscar silagem com mais grãos, que oferece mais amido e energia, ao invés de ofertar silagem com mais fibras”.

Por que fazer silagem de cereais de inverno?

  • Aproveitamento de área para produção de volumoso no inverno;
  • Redução dos riscos de falta de alimento por intempéries climáticas;
  • Liberação da área para outros cultivos no verão;
  • Excelente valor nutricional;
  • Manutenção do solo coberto por mais tempo;
  • Grande diversidade de espécies aptas a ensilar: trigo, cevada, aveia, centeio e triticale;
  • Potencial de produção: 15 a 40 toneladas de silagem/ha.

Veja aqui as vantagens da silagem com cereais de inverno no vídeo da Embrapa Trigo.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo

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Preços ao produtor rural caem 9,79% no 1º trimestre

Queda foi puxada por grãos, leite, ovos e suínos, enquanto a arroba bovina registrou valorização no período.

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Foto: Shutterstock

Os preços pagos aos produtores agropecuários registraram queda no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo foi de 9,79%, segundo o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), calculado pelo Cepea/Esalq-USP.

A retração só não foi mais intensa devido à valorização da arroba bovina, que apresentou média superior à registrada no primeiro trimestre de 2025.

O movimento acompanha um cenário de recuo mais amplo nos preços, inclusive no mercado internacional. No mesmo período, o índice global de alimentos do FMI caiu 14,29% em reais. Já os preços industriais recuaram 2,55%, enquanto o real se valorizou 10,12% frente ao dólar.

Segundo o Cepea, a queda mais moderada dos preços no mercado interno, em relação ao cenário externo, indica maior resiliência doméstica. A valorização do câmbio também contribuiu para reduzir custos de insumos importados, enquanto a queda nos preços industriais ajudou a conter despesas de produção.

A retração do IPPA foi puxada principalmente pelos grupos de grãos, cana e café, hortifrutícolas e pecuária. O índice de grãos recuou 9,85%, o de cana e café caiu 16,61%, hortifrutícolas tiveram baixa de 14% e a pecuária registrou queda de 5,73%.

Entre os grãos, houve desvalorização generalizada no período. O arroz liderou as quedas, com recuo de 39,83%, seguido por trigo (-18,24%), milho (-15,35%), algodão (-14,59%) e soja (-4,15%).

Na pecuária, os preços também caíram para a maioria dos produtos, com destaque para leite (-22,97%), ovos (-22,2%), suíno (-13,10%) e frango (-10,68%). A exceção foi a arroba bovina, que apresentou alta de 5,9% no período.

Fonte: O Presente Rural
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C.Vale assume unidade estratégica de grãos e insumos no Oeste do Paraná

Operação em Guaíra reforça estrutura de armazenagem e atendimento aos produtores da região.

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A cooperativa C.Vale assumiu as operações da cerealista I.Riedi no município de Guaíra. O anúncio foi feito pelas duas empresas no dia 22 de abril.

Com o acordo, a C.Vale passa a operar o escritório localizado na entrada da cidade e a unidade de grãos e insumos na localidade de Maracaju dos Gaúchos, ambas às margens da BR-163. A mudança amplia a presença da cooperativa no município, onde já possui uma unidade na região de Bela Vista, e permitirá o recebimento de grãos e fornecimento de insumos aos produtores.

A estrutura da unidade adquirida conta com capacidade de armazenagem de 21.296 toneladas de grãos, além de secador com capacidade de 120 toneladas por hora, duas máquinas de limpeza, dois tombadores e duas balanças.

Em nota conjunta, as empresas informaram que a operação está alinhada às estratégias de crescimento e fortalecimento no agronegócio, com foco na ampliação da atuação e na geração de valor para clientes, cooperados e parceiros.

A transferência das operações passa a valer de forma imediata após o anúncio.

Fonte: Assessoria C.Vale
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Bem-estar animal passa a pesar na análise de risco e no valor da proteína brasileira

Fórum reúne especialistas em 07 de maio para debater como práticas no campo influenciam crédito, reputação e competitividade no mercado internacional.

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As perspectivas e os desafios da cadeia de produção de proteína animal no Brasil serão tema do Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance. O evento inédito trará debates em torno da dinâmica de mercado e da cadeia, credibilidade, agregação de valor ao produto e o olhar dos agentes financeiros sobre o tópico em seus painéis.

Organizado pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) e por sua idealizadora, a Produtor do Bem Certificação, o evento ocorre no dia 07 de maio no Radisson Blue, em São Paulo (SP). As inscrições estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.

Bruno Bernardo, analista de Investimentos Sustentáveis (ESG) da Régia Capital: “Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável” – Fotos: Divulgação/COBEA

A abertura do Fórum terá como tema “Estratégia, política e o papel do agro na nova ordem econômica”, apresentado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua. Em seguida, ele participa do painel “Mercados em movimento: Bem-estar e sustentabilidade na agregação de valor à proteína brasileira”, mediado pela diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sullivan Alves. Participam também o consultor em agronegócio e sustentabilidade Fabricio Delgado, e a diretora de Sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara. “O evento vai tratar de um tema extremamente contemporâneo e eu diria hoje real. Ao longo do tempo a gente vem falando em bem-estar animal, vem tratando o bem-estar animal e hoje estamos vivendo na realidade o bem-estar animal. Esse é um evento preparado para tratarmos dos assuntos referentes ao tema e que estamos vivendo na prática”, menciona Delgado.

De acordo com Sheila, eventos e discussões do setor são importantes para avançar no bem-estar animal de forma inclusiva, garantindo que produtores de diferentes portes acompanhem a evolução técnica. “Meu foco na discussão será mostrar como a integração entre eficiência produtiva, bem-estar animal e inovação tecnológica vem se consolidando como um diferencial competitivo na agregação de valor à proteína brasileira. Diante da crescente demanda global, com a população projetada para 10 bilhões até 2050, a eficiência deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica, diretamente ligada à sustentabilidade e à segurança alimentar”, comenta.

A diretora de Sustentabilidade da Seara ressalta que práticas de bem-estar animal são fundamentais para garantir que a produção acompanhe a demanda global de forma resiliente e sustentável. “Para produtores e consumidores, o impacto é direto: quem cumpre metas de bem-estar tende a ser melhor remunerado, mostrando que ser sustentável também é rentável”, destaca.

Agenda ESG crescente

Celso Funcia Lemme, doutor em Administração de Empresas com concentração em Finanças da UFRJ: 

O segundo painel será “Capital e competitividade: O olhar do mercado financeiro sobre o futuro da proteína animal”, que terá mediação do doutor em Administração de Empresas com concentração em Finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Celso Funcia Lemme. Completam o debate o consultor e sócio-líder da ABC Associados, Aron Belinky; a head de Riscos Socioambientais do Santander, Maria Silvia Chicarino; e o analista de Investimentos Sustentáveis (ESG) da Régia Capital, Bruno Bernardo.

Para o moderador do painel, a agenda ESG pode ajudar o mercado de investimentos a entender e valorizar melhor o bem-estar animal nos setores que envolvem o manejo de animais. “O analista de mercado precisa acompanhar essa mudança em curso. Nem sempre é evidente como as práticas de bem-estar animal impactam o valor de uma empresa, mas a agenda ESG ajuda a tornar isso mais claro, mostrando o tema como um fator de inovação, geração de valor e adaptação às novas demandas da sociedade”, pontua.

Avaliação de risco e gestão

Maria Silvia Chicarino, head de Riscos Socioambientais do Santander: “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco”

Segundo Maria Silvia, do Banco Santander, um marco importante para a agenda ESG no mercado financeiro foi a Resolução CMN nº 4.327, de 2014, que definiu diretrizes para a gestão de riscos socioambientais. Desde então, o tema passou a ser cada vez mais incorporado à análise de risco e às decisões de crédito. “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco. Nesse contexto, o bem-estar animal ganha relevância, especialmente na cadeia de proteína animal, por estar ligado a riscos reputacionais, operacionais e de mercado. No Santander, esse tema já faz parte da análise socioambiental e influencia diretamente a concessão de crédito”, explica Maria.

Ela acrescenta que empresas com boa gestão socioambiental tendem a ter desempenho mais consistente no longo prazo, com maior previsibilidade e resiliência, fatores valorizados pelo mercado financeiro. Também destaca que fóruns como este ampliam a visibilidade do bem-estar animal, promovem o diálogo, alinham expectativas e ajudam a posicionar o Brasil no cenário internacional.

Para Bruno Bernardo, da Régia Capital, o mercado financeiro está caminhando e adotar os protocolos e certificações de bem-estar animal pode ser um divisor de águas para viabilizar o financiamento de produtores rurais. “Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável”, pontua.

Ele observa que atrelar boas práticas de bem-estar animal pode contribuir com ganhos financeiros, uma vez que aumenta a eficiência da produção, pode aumentar o valor agregado do produto final e pode vir a reduzir emissões de gases de efeito estufa. “Para os investidores, esse evento reforça uma movimentação do mercado e um amadurecimento do tema no mercado brasileiro”, complementa.

Responsabilidade compartilhada

Fabricio Delgado, consultor em agronegócio e sustentabilidade

Conforme o sócio fundador da Produtor do Bem e cocriador da COBEA, Leonardo Thielo de La Vega, a escolha dos nomes e temas para o evento demonstra e visão estratégica da organização em abranger os vários aspectos chaves que impactam a evolução do bem-estar animal no Brasil. “Teremos uma programação que nos darão uma visão macro de como mercado e cadeia de valor podem atuar conjuntamente para facilitar os avanços, em benefício de ambos no país”, observa.

A diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, acredita que esse primeiro Fórum irá mostrar que o bem-estar animal é hoje uma realidade que traz desafios, mas com amplas oportunidades para quem entender sua importância. “O tema está em evidência e nesse Fórum teremos a oportunidade de conhecer a visão de especialistas de diferentes setores sobre o tema, e como podemos trabalhar juntos para desbloquear suas barreiras no Brasil”, finaliza.

Fonte: Assessoria COBEA
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