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Siavs 2024 inicia em São Paulo
O Jornal O Presente Rural conta com um estande e espaço de entrevistas na Feira de Negócios, para trazer o que as principais empresas expositoras estão apresentando de tecnologia, inovação e tendência dos setores de proteína animal.

O Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs) teve início nesta terça (06) e segue até quinta-feira (08), no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP). A abertura contou com a presença de governadores do Paraná, Ratinho Junior; do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e Santa Catarina, Jorginho Mello; da senadora Tereza Cristina; do deputado federal Pedro Lupion, dos ministros de Estado, dentre eles Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura familiar, e Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, além de parlamentares, prefeitos e demas lideranças do setor.
Antes da solenidade, o economista Eduardo Giannetti apresentou um panorama das perspectivas e insights macroeconômicos para a cadeia de proteína animal, o agro e o Brasil no cenário internacional.
Organizado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), com apoio da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o Siavs é o maior evento da indústria de proteína animal do Brasil, reunindo, em um único espaço, toda a cadeia produtiva do setor: mais de 100 empresas e cooperativas produtoras, exportadoras e fornecedores das indústrias de aves, suínos, bovinos, ovos e peixes, empresas de genética, farmacêuticas, químicas, produtoras de insumos e de tecnologias.
O Jornal O Presente Rural conta com um estande e espaço de entrevistas na Feira de Negócios, para trazer o que as principais empresas expositoras estão apresentando de tecnologia, inovação e tendência dos setores de proteína animal.
O evento conta com uma ampla programação de palestras e apresentações de startups sobre tecnologias voltadas para a produtividade, sustentabilidade e agregação de tecnologia à produção a maior exposição da indústria frigorífica do Brasil.

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Mercado de saúde animal movimenta R$ 12,8 bilhões no Brasil
Setor avançou 7,9% em 2025, impulsionado principalmente pela pecuária de corte e pela avicultura. Bovinos já respondem por quase metade do faturamento da indústria.

A indústria de saúde animal encerrou 2025 com faturamento de R$ 12,8 bilhões no Brasil, resultado 7,9% superior ao registrado no ano anterior. Os dados, divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), mostram a continuidade do crescimento de um setor diretamente ligado à produtividade pecuária, à prevenção de doenças e à segurança sanitária dos rebanhos.
O desempenho mantém uma trajetória de expansão observada ao longo da última década. Segundo o Sindan, o setor acumula crescimento médio próximo de 10% ao ano, impulsionado pela incorporação de novas tecnologias voltadas à prevenção e ao controle sanitário dos animais de produção e de companhia. “O resultado de 2025 confirma a maturidade de um setor que cresce de forma consistente há mais de uma década. A indústria de saúde animal é parte fundamental da produção agropecuária e da segurança alimentar do país, além de proporcionar maior bem-estar e longevidade aos pets. Nossas empresas seguem investindo em tecnologia e prevenção para acompanhar as exigências dos mercados interno e externo”, afirma o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Salani.
Bovinos concentram quase metade do mercado

Foto: Shutterstock
A bovinocultura manteve a liderança entre os segmentos atendidos pela indústria de saúde animal. Sozinha, a atividade respondeu por 47% de todo o faturamento do setor em 2025.
O resultado reflete a dimensão do rebanho brasileiro e a crescente demanda por tecnologias voltadas à sanidade, reprodução, controle de parasitas e prevenção de enfermidades que afetam a produtividade.
A relevância do segmento também acompanha o peso da carne bovina na pauta exportadora brasileira e a necessidade de atender exigências sanitárias cada vez mais rigorosas nos mercados internacionais.
Avicultura amplia participação

Foto: Divulgação/Freepik
Outro destaque do ano foi a avicultura, impulsionada pelo crescimento das exportações brasileiras de proteína animal e pela demanda internacional por carne de frango.
Embora o Sindan não tenha detalhado os números por segmento, a entidade aponta que a atividade esteve entre as que mais cresceram em 2025, ampliando sua participação dentro do mercado de saúde animal.
O movimento acompanha a expansão da produção avícola nacional e o aumento dos investimentos em biosseguridade, vacinação e prevenção sanitária.
Prevenção segue puxando investimentos
Entre as categorias de produtos, os biológicos e os antiparasitários permaneceram entre os principais motores da indústria.
A tendência reflete uma mudança gradual na forma como a sanidade animal é conduzida nas propriedades rurais, com maior foco em prevenção, monitoramento e redução de riscos sanitários.
O uso de vacinas, programas preventivos e tecnologias voltadas ao controle de parasitas vem ganhando espaço tanto na pecuária quanto em outras cadeias de produção animal.
Mercado pet perde participação, mas continua relevante
Após anos de crescimento acelerado, o segmento de animais de companhia registrou uma redução relativa na participação sobre o faturamento total da indústria.
Em 2025, o mercado pet respondeu por 25% das receitas do setor, ante 27% no ano anterior.
A queda de participação, porém, não significa retração do segmento. Segundo o Sindan, o movimento está mais relacionado ao crescimento mais acelerado das cadeias produtivas de bovinos e aves, que ampliaram seu peso dentro do mercado total. “A recomposição entre os segmentos reflete o bom momento das cadeias de produção, e não uma perda de força do mercado pet, que segue relevante e com amplo espaço para evoluir em prevenção e cuidado”, afirma a diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindan, Gabriela Mura.
Setor acompanha transformação da pecuária

Foto: Jaelson Lucas
Os números mostram que a indústria de saúde animal continua acompanhando as mudanças da produção agropecuária brasileira, cada vez mais dependente de tecnologias voltadas à prevenção, à eficiência produtiva e ao atendimento de exigências sanitárias dos mercados consumidores.
Com faturamento crescente e demanda sustentada por soluções de sanidade, o setor segue como um dos componentes estratégicos para a competitividade da pecuária brasileira e para a manutenção dos padrões sanitários exigidos no comércio nacional e internacional.
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Proteínas animais e bioenergia buscam espaço em programa federal de apoio à indústria
Ministérios discutem inclusão de cadeias como avicultura, suinocultura, bovinocultura, pescados e etanol no Brasil Soberano II, iniciativa voltada ao fortalecimento da competitividade e da resiliência produtiva do país

O governo federal iniciou discussões para ampliar o alcance do Programa Brasil Soberano II e incluir entre os setores elegíveis ao apoio financeiro algumas das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. A proposta foi debatida na última quarta-feira (10), durante reunião entre os ministros da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias; e da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo.
O encontro também contou com a participação do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, e teve como foco a avaliação da entrada de atividades ligadas à proteína animal e à bioenergia no programa federal.

Foto: Carlos Silva/Mapa
Entre os segmentos citados estão a avicultura, a suinocultura, a bovinocultura, a produção de pescados e a fabricação de álcool. A justificativa apresentada pelo setor público é o peso econômico dessas atividades, sua participação nas exportações brasileiras e a contribuição para o abastecimento alimentar e energético.
Criado para fortalecer a competitividade das empresas nacionais, o Programa Brasil Soberano II busca ampliar a capacidade de resposta das cadeias produtivas diante de mudanças geopolíticas, comerciais e tecnológicas que vêm alterando o ambiente de negócios internacional.

Foto: Carlos Silva/Mapa
Durante a reunião, o ministro da Agricultura, André de Paula, destacou que a proposta busca reconhecer a importância estratégica dessas atividades para a economia brasileira. “Estamos falando de cadeias produtivas que têm papel estratégico para a economia brasileira, geram empregos, impulsionam as exportações e contribuem diretamente para a segurança alimentar e energética. É reconhecer sua relevância e fortalecer a capacidade do Brasil de enfrentar os desafios do cenário internacional”, afirmou.
Pescados entram na pauta
Além das proteínas animais tradicionais e da bioenergia, a cadeia de pescados também esteve no centro das discussões. O setor reivindica participação na próxima etapa do Programa Brasil Soberano, argumentando que a medida pode ampliar o acesso a investimentos, estimular a modernização da atividade e favorecer a abertura de novos mercados.
A expectativa é que a inclusão do segmento fortaleça tanto a pesca quanto a aquicultura, beneficiando produtores, indústrias e trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva.

Foto: Carlos Silva/Mapa
Ao comentar o pleito, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, sinalizou apoio à análise da demanda durante a revisão do programa. “A apresentação desse pleito reforça ainda mais a necessidade de que, na revisão do Programa Brasil Soberano, possamos levar em conta esse pedido para contemplar uma atividade que é absolutamente essencial”, declarou.
A eventual ampliação do Brasil Soberano II ainda depende de avaliação do governo federal. Caso avance, a medida poderá ampliar o acesso das cadeias de proteína animal, bioenergia e pescados aos instrumentos de apoio financeiro previstos pelo programa, em um momento em que o Brasil busca fortalecer sua posição nos mercados globais e reduzir vulnerabilidades em setores considerados estratégicos para a economia nacional.
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Embrapa desenvolve modelo para medir carbono no solo e ampliar transparência no mercado de créditos
Ferramenta inédita para condições tropicais está em fase final de validação e poderá apoiar certificações, políticas públicas e projetos de agricultura de baixo carbono.

A Embrapa está na fase final de desenvolvimento do ProCarbon-Soil (PROCS), o primeiro modelo desenvolvido em região tropical para mensurar a dinâmica da chamada agricultura de carbono, que engloba atividades agrícolas com o objetivo de remover carbono da atmosfera e armazená-lo no solo. O novo modelo foi apresentado em artigo publicado no periódico Soil Science Society of America . Além de ser adaptado às condições da agricultura brasileira, o modelo aprimora a compatibilidade entre variáveis medidas e simuladas, o que pode contribuir para tornar o mercado de carbono mais transparente para operadores e agricultores.
Enquanto os modelos multicompartimentais tradicionais de utilização do carbono no solo utilizam entre quatro e oito variáveis de estado e entre sete e 20 parâmetros — alguns dos quais são complexos e difíceis de medir —, o modelo proposto utiliza apenas duas variáveis mensuráveis: o estoque total de carbono e a decomponibilidade do carbono.
Com base em uma abordagem matemática e no arcabouço teórico sobre a dinâmica do carbono orgânico no solo, o PROCS simula com precisão os impactos de práticas agrícolas como rotação de culturas, plantio direto e preparo do solo em diferentes condições climáticas. Ele foi desenvolvido a partir de um banco de dados primário composto por informações de pesquisa da Embrapa e da Bayer, empresa parceira do projeto. A calibração do modelo exigiu um extenso banco de dados secundário, com informações sobre 4.290 amostras de solo de todas as regiões do Brasil, provenientes de 370 estudos publicados.
“O que precisamos para o mercado de carbono é a dinâmica, a variação do carbono total. A segunda métrica está associada à qualidade desse carbono, à sua estabilidade. Outros modelos dividem o carbono em diferentes compartimentos. O nosso avalia a qualidade geral do carbono”, afirma Luis Gustavo Barioni , pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e líder do projeto.
Barioni explica que, além de ser mensurável, verificável e de relatar mais facilmente, o modelo proposto é vantajoso para a agricultura brasileira. Todos os outros modelos reconhecidos até o momento no mercado de carbono foram desenvolvidos em regiões temperadas, onde os sistemas de produção são diferentes e o comportamento da matéria orgânica no solo é distinto.
“Algumas dessas vantagens incluem autonomia e desenvolvimento contínuo, para que o produto não se torne obsoleto. É um modelo próprio, detemos a propriedade intelectual, o que é outra vantagem importante”, afirma Barioni.
A adoção do PROCS requer acreditação de organismos de certificação que operam no mercado voluntário de carbono. Os pesquisadores estão atualmente preparando um Relatório de Validação do Modelo a ser submetido à Verra , a maior certificadora de créditos de carbono do mundo.
O sistema PROCS foi desenvolvido no âmbito do projeto PRO Carbono, uma parceria entre a Embrapa e a Bayer. Ele será integrado a uma grande plataforma da multinacional; além disso, fornecerá informações para o Inventário Nacional de Emissões e Mitigação de Gases de Efeito Estufa do Brasil e para políticas públicas.
“O modelo precisa ser reconhecido pela academia e outras partes interessadas. Quanto mais pessoas o utilizarem, maior será sua credibilidade”, explica Barioni.
Precisão e confiabilidade
Existem duas maneiras de medir a dinâmica da agricultura de carbono. Um método baseia-se em amostras de solo coletadas em um momento específico e repetidas após um determinado período. Esse método é caro, trabalhoso e demorado. O segundo método utiliza modelos reconhecidos por órgãos de certificação do mercado de carbono.
Nos estudos, o PROCS demonstrou a capacidade de produzir trajetórias muito semelhantes às geradas pelo Century, um modelo multicompartimental clássico. Para um período de simulação de 50 anos, o erro quadrático médio entre as estimativas do modelo foi de 1,03 toneladas de carbono por hectare.
Segundo os pesquisadores responsáveis, a incerteza do método Procs é ainda menor em comparação com a encontrada em medições de campo utilizando protocolos tradicionais. Em medições diretas da variação do estoque de carbono em parcelas agrícolas típicas brasileiras de aproximadamente 40 hectares, o erro chega a 3,8 toneladas por hectare.
Além de possuir um grau de precisão aceitável para ser reconhecido por organismos de certificação, o PROCS visa superar os desafios no comércio de carbono (Sistemas de Comércio de Carbono na Agricultura – CFTS) e tornar os projetos de crédito de carbono mais viáveis, confiáveis e auditáveis.
Fusão de modelos e dados
Outra vantagem do ProCarbon-Soil é a sua compatibilidade com novas tecnologias de fusão de dados e modelos (também conhecidas como assimilação de dados). Através dessas tecnologias, será possível alimentar automaticamente os modelos com dados de satélite, por exemplo. E com o uso de técnicas de fusão de dados e modelos e inteligência artificial, será possível identificar e corrigir desvios de acordo com cada medição.
“Isso é o que se chama de aprendizado de dados — assimilação de dados e aprendizado de máquina — combinado com fusão de dados e modelos. Nosso modelo é mais adequado para isso, e acreditamos que essas novas tecnologias serão cada vez mais associadas à estimativa de variações nos estoques de carbono”, explica Luis Gustavo Barioni.












