Suínos
SIAVS 2015: Executivos apontam a importância da gestão para melhor aproveitamento da tecnologia
Como parte do SIAVS (Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura), que começou na terça feira (28) em São Paulo, o simpósio Gestão Plena e Ganhos da Produtividade na Suinocultura trouxe quatro palestras que trataram das recentes evoluções na área de melhoramento genético e da importância de se desenvolver uma gestão eficiente nas lavouras para que esses ganhos sejam aproveitados da melhor forma. Entre os palestrantes estavam Fernando Antonio Pereira, presidente executivo da Agroceres (Rio Claro-SP), e Mariana AnrainAndreis, coordenadora de melhoramento genético da DB Genética Suína (Patos de Minas-MG). Pereira comentou que o momento é de inflexão de tecnologias que ainda não chegaram ao mercado, mas que devem trazer mudanças significativas para a produção. O executivo também pontuou que, com o melhoramento genético, o tempo de transferência de conhecimento das granjas núcleo para as comerciais caiu de 5 anos, para 3,8 anos. Entre os dados apresentados durante sua palestra, o executivo trouxe estudos que mostravam que, em 2020, os desenvolvimentos na área de genética trarão ganhos estimados de US$ 4,98 por animal abatido. Quem não tiver isso em mãos, perderá em competitividade.
Entre conquistas que deverão trazer mudanças importantes na suinocultura, Pereira destacou pesquisas de engenharia genética que permitirão o combate de doenças específicas, ao contrário das tecnologias atuais, que buscam uma resistência maior às moléstias de modo geral. Ele também ponderou que esse é um estudo que pode ter menos resistência da sociedade: É difícil argumentar contra essa tecnologia, porque ela não é transgenia e torna o produto mais saudável. Outra pesquisa trazida pela palestra foi batizada de Macho Substituto, na qual células germinativas de um bom reprodutor são multiplicadas e depois implantadas em outros reprodutores, que têm suas células originais inutilizadas. Para Pereira, essa será uma tecnologia que deverá entrar no mercado muito em breve trazendo rupturas importantes.
Já Andreis abordou os limites para as novas conquistas das pesquisas em melhoramento genético que, para ela, tem que ser divididas em gene e população. Acredito que haja limites (de novos desenvolvimentos) para o gene (individualmente), mas não para a população. Para embasar sua afirmação, a executiva explicou que, embora haja limites para o melhoramento em características individuais, as mutações sempre trarão novas possibilidades de pesquisa. Como exemplo de tecnologias em desenvolvimento, Andreis trouxe um case de pesquisadores chineses que desenvolvem porcos com musculatura dupla através de um processo que inibe a produção de miostatina (que limita o crescimento muscular).
Gestão
Para falar da importância da gestão na condução das granjas, foram convidados Everton Gubert, sócio da Agriness (Florianópolis-SC) e José Antonio Ribas Junior, gerente corporativo da JBS. A tônica das palestras foi a de que, ainda que haja desenvolvimentos tecnológicos importantes, elas só podem ser aproveitadas em plenitude se houver uma gestão eficiente dentro das granjas, que permitiria aos produtores uma melhor organização das informações obtidas com os novos sistemas. Não é possível tomar boas decisões sem conhecimento, pontuou Ribas.
A capacitação e conscientização de todos que trabalham nas granjas também surgiu como motivo de preocupação dos executivos para quem, torna-se cada vez mais importante que esses profissionais tenham a capacidade de fazer análises robustas e de encontrar oportunidades mesmo em granjas que já têm um bom desempenho. Ribas trouxe ainda questão das universidades formarem pessoas com capacidade gerencial e que estejam próximas do processo produtivo.Para Gubert, o problema de gestão passa também pela falta de metodologia: Não falta conhecimento; a gestão precisa entrar na pauta das granjas, frigoríficos etc. Costumo dizer que a granja fala, é preciso capacitar as pessoas para escutá-la.
O bom desenvolvimento nesse caminho ajudaria os produtores a antecipar tendências. Gestão não pode ser só um retrovisor, é preciso fazer projeções, disse Ribas, que apontou como desafios do setor as mudanças demográficas, que alteram o perfil do consumidor, além das mudanças tecnológicas, de valores, mercado e no próprio ambiente de negócios, como pressões sociais e leis trabalhistas, que exigem conhecimentos específicos dos produtores.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.
Suínos
ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra
Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.
O desafio dos custos de produção
O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.
A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.
Principais propostas para o Plano Safra
Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:
Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.
Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.
Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.
Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.
Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).
Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.
Importância econômica e segurança alimentar
Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.
Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.
