Notícias Em Cascavel (PR),
Show Rural evidencia a eficiência produtiva sem abrir mão da responsabilidade ambiental
Uma das tendências apresentadas no Show Rural foi o crescimento da adoção de bioinsumos como alternativa aos defensivos químicos. A busca por soluções mais sustentáveis está impulsionando o mercado, reduzindo custos de produção e atendendo às exigências dos consumidores por alimentos com menos resíduos químicos.

O Show Rural Coopavel reafirmou sua posição como um dos eventos mais importantes do agronegócio na América Latina. Realizado entre os dias 10 e 14 de fevereiro, em Cascavel (PR), o evento atraiu um público de 407.094 visitantes e movimentou R$ 7,05 bilhões em negócios, superando em quase R$ 1 bilhão a marca do ano passado, resultado que consolidou a 37ª edição como a maior da história.

Presidente da Coopavel, Dilvo Grolli: “Tivemos recorde nos cinco dias de visitação da edição de 2025. Isso reflete a capacidade de superação de um evento que é admirado em todo o mundo” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural
Anfitrião da mostra tecnológica que abre o calendário nacional de grandes eventos do agro, o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, frisou que os números expressivos refletem a relevância da feira. “Estamos muito felizes com o resultado na edição 2025 do Show Rural Coopavel e só temos a agradecer a todos que, de uma forma ou outra, fazem este grande evento acontecer. Tivemos recorde nos cinco dias de visitação da edição de 2025 em comparação aos recordes obtidos em anos anteriores. Isso reflete a capacidade de superação de um evento que é admirado em todo o mundo”, ressaltou.
Com o tema ‘Nossa natureza fala mais alto’, a edição de 2025 colocou em evidência a preocupação dos produtores rurais com a preservação ambiental e a crescente demanda dos consumidores por práticas mais sustentáveis no campo. “O Show Rural é um reflexo da evolução do agro, que está cada vez mais atento à eficiência produtiva sem abrir mão da responsabilidade ambiental”, destacou.
Grolli enfatiza que o evento tem contribuído de forma significativa para a consolidação do Paraná como o segundo maior produtor de grãos do Brasil. “Temos um crescimento de produção de 5% ao ano, mas a maior parte deste crescimento não é por aumento de área e sim por produtividade, a qual é impulsionada por novas tecnologias e inovações no campo. E é isso que o Show Rural entrega ao produtor”, salienta o presidente da Coopavel.
Uma das tendências apresentadas no Show Rural foi o crescimento da adoção de bioinsumos como alternativa aos defensivos químicos. A busca por soluções mais sustentáveis está impulsionando o mercado, reduzindo custos de produção e atendendo às exigências dos consumidores por alimentos com menos resíduos químicos. “Além de termos uma quantidade maior de tecnologias na feira, também percebemos por parte das empresas a necessidade e maior urgência para colocá-las no mercado. Isso se reflete na ampla presença de soluções baseadas em Inteligência Artificial para otimizar o dia a dia do produtor rural”, explica Grolli.
Perspectivas positivas para 2025

Casal de produtores de soja e milho em Dourados (MS), Eloisa e Juvelino Miranda: “Viemos em busca de novas tecnologias para implementar na nossa propriedade e ficamos encantados com a proporção que o Show Rural ganhou”
O presidente da Coopavel também destacou a projeção de recordes na produção agropecuária em 2025, mesmo diante dos desafios de logística e juros altos. “Teremos uma produção crescente de carnes de aves, suínos e peixes e um novo recorde na produção de grãos, que deve superar 325 milhões de toneladas”, afirma.
Em relação aos custos de insumos, Grolli aponta que a soja colhida neste início de ano teve um custo de produção estimado em 26 sacas por hectare, e a expectativa é de que esse mesmo valor seja suficiente para adquirir insumos para a safra 2025/2026. No milho, a projeção segue a mesma lógica, com um custo estimado de 56 sacas por hectare para plantio na próxima safra.
Tecnologia impressiona visitantes
Para os produtores que comparecem ao Show Rural, a feira é uma oportunidade única de acesso às tendências tecnológicas que vão otimizar o processo produtivo no campo. O casal de produtores de soja e milho em Dourados (MS), Eloisa e Juvelino Miranda destacam a grandiosidade do evento. “Viemos em busca de novas tecnologias para implementar na nossa propriedade e ficamos encantados com a proporção que o Show Rural ganhou, concentrando muitos equipamentos e maquinários agrícolas que não vemos em exposição nas feiras próximas à nossa cidade”, relataram.

Avicultor e produtor de soja e milho em Formosa do Oeste (PR), João Alves Rodrigues: “Já uso equipamento de ponta na lavoura, mas meus aviários ainda precisam de melhorias, e foi isso que busquei no Show Rural”
Presente em 20 das 37 edições do Show Rural, João Alves Rodrigues, avicultor e produtor de soja e milho em Formosa do Oeste (PR), se disse surpreendido com a tecnologia empregada no setor. “Foram muitas inovações encontradas. Estou abismado de como a tecnologia avança a cada ano. Já uso equipamento de ponta na lavoura, mas meus aviários ainda precisam de melhorias, e foi isso que busquei no Show Rural”, relata.
Hackathon Show Rural Coopavel
A equipe Softpar, formada por Ali do Amaral, Denis Gustavo, Heloisa Farias e Gustavo Zanatta, foi a grande vencedora da 6ª edição do Hackathon Show Rural Digital. O grupo desenvolveu um sistema para gerenciamento de documentos e licenças ambientais, garantindo uma viagem para uma missão técnica na Colômbia, um dos principais ecossistemas de fintechs da América Latina. “Nunca tínhamos participado de um evento como esse, mas fomos muito felizes porque realmente conseguimos criar um produto funcional e utilizável, que será útil para a cooperativa e para muitas outras pessoas. Além disso, a organização foi impecável. Tudo estava bem estruturado e não tivemos nenhuma dificuldade ao longo da competição. Só temos a agradecer”, destacou Ali do Amaral, líder da equipe campeã.

Equipes Softpar, Hansolo e Agroexpo formaram o pódio da 6ª edição do Hackathon Show Rural Digital – Foto: Divulgação/Coopavel
O segundo lugar ficou com o time da Hansolo, composta por Lucas, Alessandra, Heloísa, Ellen e Vinícius, que levou o prêmio de R$ 4 mil. Já a terceira colocação foi para a Agroexpo, formada por Patrick, Joyce, Rita, Milena e Rafael, premiada com R$ 2 mil.
De acordo com o coordenador do Espaço Digital, José Rodrigues da Costa Neto, essa foi uma das disputas mais equilibradas da história do Hackathon. “Os desafios foram pensados para extrair o melhor de cada participante, e os resultados foram impressionantes”, afirmou. “Os participantes cumpriram com êxito cada desafio proposto”, acrescentou Gustavo Teixeira, coordenador do Hackathon.
Já tradicional no Show Rural Digital, o Hackathon se destaca como uma grande oportunidade para incentivar soluções inovadoras no agronegócio. Durante dois dias de imersão, 16 equipes participaram da maratona de desenvolvimento, buscando respostas para desafios reais apresentados por empresas e entidades do setor no Oeste do Paraná.
Próxima edição
Grolli confirmou para os dias 09 a 13 de fevereiro de 2026 a 38ª edição do Show Rural Coopavel, prometendo mais inovações, oportunidades de negócios e conhecimento para o setor agropecuário.
O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Notícias
Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo
Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.
“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.
Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.
Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.
“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.
Notícias
Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep
Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.
A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.
“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado
Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.
Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal
A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.
Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.
Mais ações previstas
O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.
De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.
“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.
As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.
Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.
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Moatrigo 2026 debate efeitos das canetas emagrecedoras no mercado de alimentos
Engenheira de alimentos Cristina Leonhardt analisa como a difusão da semaglutida altera padrões de consumo, reduz ingestão de ultraprocessados e pressiona reformulações no setor de alimentos.

A popularização dos medicamentos agonistas de GLP 1, impulsionada pela recente expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, pode transformar o setor alimentício no Brasil, tanto nos padrões de consumo quanto nas estratégias das empresas. O tema integra a programação do Moatrigo 2026, que será realizado na segunda-feira (13), em Curitiba (PR), promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo PR), reunindo lideranças e representantes da cadeia moageira do trigo.

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A palestra “O impacto dos medicamentos GLP 1 nos negócios de alimentos brasileiros” será conduzida por Cristina Leonhardt, engenheira de alimentos com mais de 20 anos de experiência em inovação. Cristina apresentará uma leitura técnica e atualizada sobre como esses medicamentos, originalmente indicados para diabetes, mas amplamente usados para emagrecimento, estão mexendo com padrões de consumo e desafiando empresas de alimentos no país.
Mudanças de consumo já aparecem nos dados
Estudos indicam redução consistente na ingestão entre usuários dos GLP 1 e uma alteração clara nas escolhas alimentares. As tendências mostram queda na procura por processados, maior interesse por alimentos frescos e ácidos e impacto direto em categorias como snacks salgados, uma das mais sensíveis ao novo padrão.
Segundo Cristina, parte dessas mudanças permanece mesmo após o fim do tratamento, o que sinaliza efeitos estruturais para o setor, e

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não apenas um ajuste momentâneo.
A palestra também discutirá como empresas de alimentos já começam a reagir ao movimento, com desenvolvimento de produtos mais alinhados a esse novo perfil de consumo, incluindo itens ricos em fibras e proteínas. A especialista apresentará ainda caminhos estratégicos e éticos para que as fabricantes brasileiras se adaptem a diferentes cenários futuros.



