Avicultura
Seu frango vai comer insetos? Parece que sim!
Uso de insetos como fonte de proteína para a alimentação animal é uma ideia que há tempos circula na indústria agropecuária, mas que agora ganha força como uma alternativa concreta e promissora.

O uso de insetos como fonte de proteína para a alimentação animal é uma ideia que há tempos circula na indústria agropecuária, mas que agora ganha força como uma alternativa concreta e promissora. Essa solução foi apresentada na EuroTier 2024, e especialistas apontam que o futuro da nutrição animal pode estar nas larvas da mosca soldado-negro e em outras espécies. Mais sustentável e com benefícios diretos à saúde animal, os insetos começam a ocupar espaço em granjas e fazendas na Europa. Mas como essa tecnologia funciona, e quais são os desafios e benefícios associados a ela?

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Segundo Tomás Farúdia, CEO da Beta Bugs, a criação de insetos é um processo eficiente que aproveita subprodutos agrícolas, excedentes alimentares e até esterco para produzir proteína de alta qualidade. “Os insetos transformam materiais de baixa qualidade em um produto de alta qualidade para alimentar peixes, suínos, aves e até animais de estimação. Normalmente, você vê larvas da mosca soldado-negro como o principal inseto criado na indústria”, explica Farúdia.
O processo é altamente escalável e pode variar de pequenas criações para nichos específicos a grandes operações industriais. “Existem fazendas na Dinamarca e na França que produzem até 100 toneladas de larvas por dia em sistemas automatizados e verticalmente integrados. Já operações menores focam apenas na criação, semelhante ao que ocorre na avicultura ou suinocultura, onde você recebe os pintinhos ou leitões e os cria para posterior processamento”, compara.
Benefícios

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Os benefícios do uso de insetos na ração vão além da sustentabilidade. Thomas Kuehm, CEO da Farm Insect, destaca que a proteína de insetos possui alta digestibilidade e vantagens específicas para a saúde animal. “Os insetos têm 50% de gordura, incluindo ácido láurico, que é antibacteriano. Além disso, possuem imunopéptidos, conhecidos por seus efeitos semelhantes ao própolis, que ajudam na saúde dos animais”, afirma.
Ele também explica que o uso de insetos é vantajoso porque imita as dietas naturais de muitos animais. “Galinhas naturalmente comem insetos quando estão soltas, e peixes também têm a capacidade de digerir insetos. Isso resulta em melhor desenvolvimento e saúde”, observa Farúdia.
No Sudeste Asiático, exemplifica, empresas de criação de camarão já utilizam proteína de insetos na ração devido aos benefícios comprovados no crescimento e saúde dos camarões.
Desafios econômicos e tecnológicos

Thomas Kuehm, CEO da Farm Insect: “Na Alemanha, agora temos mais de 10 clientes que produzem insetos para seus próprios animais, como suínos, aves ou peixes. Alguns também processam os insetos e os vendem, por exemplo, como carne de inseto”
Embora a criação de insetos seja promissora, ainda enfrenta desafios para competir diretamente com a soja e a farinha de peixe. “Na Europa, a proteína de insetos custa entre 2.000 e 3.500 euros por tonelada, enquanto a soja custa cerca de 500 euros. No Sudeste Asiático, o preço está mais próximo da farinha de peixe, variando entre 1.200 e 1.500 euros”, compara Farúdia.
A automação surge como uma solução para reduzir custos, especialmente em regiões onde a mão de obra é cara. “Sistemas robóticos ajudam a automatizar o processo e garantem resultados consistentes. Em operações de médio a grande porte, isso é essencial para viabilizar a produção em escala”, ressalta Farúdia.
Além disso, o clima influencia diretamente na viabilidade do sistema. “Em regiões como a América do Sul, o clima favorável reduz os custos de aquecimento, tornando o processo mais acessível”, aponta.
O crescimento
Embora a produção de insetos ainda deva representar menos de 1% da alimentação animal na Europa, segundo Kuehm, o setor está crescendo rapidamente. “Na Alemanha, agora temos mais de 10 clientes que produzem insetos para seus próprios animais, como suínos, aves ou peixes. Alguns também processam os insetos e os vendem, por exemplo, como carne de inseto”, explica.
A adoção da proteína de insetos como parte da ração animal também depende de parcerias estratégicas. “Vemos empresas como Innovafeed, na França, trabalhando com grandes players como Cargo e ADM. Protex, por exemplo, colabora com a Tyson Foods. Essas parcerias serão fundamentais para o próximo estágio de crescimento da indústria”, destaca Farúdia.
Solução global

Tomás Farúdia, CEO da Beta Bugs: “Os insetos transformam materiais de baixa qualidade em um produto de alta qualidade para alimentar peixes, suínos, aves e até animais de estimação” – Fotos: O Presente Rural
O futuro da proteína de insetos é promissor, e empresas como a Farm Insect já planejam expandir para mercados fora da Europa. “Acreditamos que, nos próximos três a cinco anos, poderemos estar presentes no Brasil”, revela Kuehm.
Com o potencial de complementar (e não substituir) a soja e atender à crescente demanda global por proteína, os insetos podem se consolidar como uma alternativa viável e sustentável. Embora ainda haja desafios a superar, como custos e infraestrutura, o avanço da tecnologia e o interesse crescente de produtores e investidores indicam que o futuro da alimentação animal pode ser muito diferente do que o produtor conhece hoje.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na avicultura de corte e postura do Brasil acesse a versão digital de Avicultura Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Avicultura
Produtora conquista pela quinta vez principal premiação avícola da C.Vale
Histórico de inovação, manejo rigoroso e climatização explica desempenho recorrente na integração.

O uso de alta tecnologia pela C.Vale tem uma marca histórica. Em 1997, a cooperativa deu início à criação comercial de frangos em ambiente climatizado, a primeira empresa brasileira a utilizar esse método. Até então, os sistemas de integração usavam apenas a ventilação convencional, sem resfriamento do ar no interior dos aviários. O controle da temperatura no interior dos aviários trouxe uma nova perspectiva, a melhoria da conversão alimentar.
Em Assis Chateaubriand, Anaí Bacci Naves e o marido Afonso passaram a fazer parte da integração C.Vale em 2012. Foram seguindo à risca as instruções da assistência técnica da cooperativa nos dois aviários climatizados onde alojam aproximadamente 60 mil frangos por lote na propriedade em São Francisco, interior do município. Depois que a C.Vale criou um programa que premia os melhores criadores de frango, Anaí e Afonso se saíram tão bem que ganharam cinco vezes seguidas o primeiro lugar na categoria Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade).
O casal incorpora os avanços da avicultura para melhorar o desempenho dos lotes. “A C.Vale vem acompanhando todas as novas tecnologias disponíveis para o melhoramento de ambiência para as aves. Os resultados e a qualidade vêm melhorando nos últimos anos”, assegura Afonso. O casal está conseguindo rentabilidade de 52% sobre o faturamento do lote. A esposa Anaí diz, porém, que a tecnologia precisa estar acompanhada de um bom manejo. “Dedicação a cada lote, trabalhar com amor, estar presente. São os cuidados com os detalhes que fazem a diferença. Estamos orgulhosos e felizes”, assegura a pentacampeã da avicultura.
C.Vale premia profissionais da avicultura
Durante o encerramento do Dia de Campo, em 4 de dezembro, a C.Vale premiou os destaques do sistema de integração avícola. Na categoria Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade), a vencedora foi Anaí Bacci Naves, de Assis Chateaubriand, que conquistou o título pela quinta vez consecutiva. Para ela, o segredo está na rotina bem-feita. “A dedicação a cada lote, estar presente e trabalhar com amor e carinho fazem a diferença. Fazer o simples bem-feito todos os dias e cuidar dos detalhes é o que garante resultado.”
Na categoria Conversão Alimentar, o vencedor foi Mário Toshio Yassue, de Terra Roxa. Ele destacou o esforço coletivo: “Fiquei muito feliz com o reconhecimento. É fruto de um trabalho sério, feito em família, com atenção aos mínimos detalhes e compromisso com a qualidade.”
A solenidade de premiação foi prestigiada pelos diretores Alexandre Tormen (Comercialização) e Luciano Trombetta (Produção), além de gerentes de departamentos e profissionais da avicultura.

Avicultura
Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba evidencia profissionalização da avicultura de postura
Premiação destaca histórias de superação, inovação produtiva e padrões técnicos cada vez mais elevados no setor de ovos do Espírito Santo.

O Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba 2025, promovido pela Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES), voltou a evidenciar o avanço técnico e a maturidade da avicultura de postura no Estado. Com ampla participação de produtores de diferentes regiões, a edição deste ano reuniu 27 amostras de ovos brancos e 12 de ovos vermelhos, avaliadas a partir de critérios técnicos rigorosos, consagrando os melhores produtos capixabas.
Mais do que uma competição, o concurso funciona como termômetro da evolução do setor, ao estimular boas práticas, gestão profissional e melhoria contínua da qualidade, em um mercado cada vez mais atento à segurança alimentar, rastreabilidade e diferenciação do produto.
Melhor Ovo Branco de 2025
Na categoria ovos brancos, o primeiro lugar ficou com a produtora Jerusa Stuhr, da Avícola Mãe e Filhos, localizada na comunidade de Córrego Rio Taquara, em Santa Maria de Jetibá, principal polo produtor de ovos do Espírito Santo. Com a vitória, a empresa passa a utilizar, de forma exclusiva, o selo “Melhor Ovo Branco do Espírito Santo – Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba – 2025” em suas embalagens, um diferencial competitivo que reconhece a excelência do produto.
À frente da granja desde 2021, Jerusa construiu sua trajetória em meio a desafios pessoais e profissionais. Professora e diretora escolar por toda a vida, ela assumiu a atividade avícola após a perda do marido, então responsável pelo negócio. “Sem saber nada sobre a atividade, entrei com a cara e a coragem para não deixar acabar esse sonho”, relembra.
Ao lado dos filhos, Júnia e João, a produtora decidiu recomeçar, inclusive mudando o nome da empresa para Avícola Mãe e Filhos, símbolo da nova fase. “Seguimos firmes e fortes para alavancar o crescimento da empresa com fé, força e determinação, e com a ajuda dos nossos colaboradores, que estão sempre conosco”, afirma.
A decisão de participar do concurso surgiu a partir de um estímulo técnico interno. “O incentivo partiu da minha secretária, Lorrane, que acompanha as análises que fazemos e acreditou que tínhamos chance de ficar entre os três primeiros”, conta Jerusa.
O resultado, no entanto, superou as expectativas. “Foi muito importante e emocionante, principalmente pelo desafio que passamos ao longo do tempo em que estou à frente da granja. Essa conquista é extremamente importante para mim e para os meus filhos”, menciona.
Segundo a produtora, o desempenho no concurso reflete um trabalho coletivo e padronizado. “Desde a fabricação da ração até a coleta dos ovos, tudo envolve o empenho de toda a equipe em manter o padrão estabelecido para garantir um produto de qualidade”, ressalta.
Selo reforça credibilidade e gestão técnica
Além do certificado de campeã, a Avícola Mãe e Filhos passa a utilizar o selo oficial do concurso, ferramenta que agrega valor ao produto e fortalece a relação com o consumidor. Para Jerusa, o reconhecimento vai além do marketing. “É o orgulho de estar no caminho certo e ser reconhecido por isso”, enaltece Jerusa.
Todos os participantes do concurso também recebem relatórios técnicos detalhados, instrumento considerado estratégico para o aprimoramento da produção. “Com certeza ajuda. A partir dos detalhamentos, conseguimos identificar pontos de melhoria e seguir aprimorando a qualidade do nosso produto”, destaca.
Na avaliação da produtora, o concurso cumpre um papel estruturante para o setor. “É um incentivo para todos os avicultores. Ter o melhor ovo do Estado é um privilégio”, expõe Jerusa, fazendo um apelo aos colegas de atividade: “É muito importante a participação de todos, tanto para melhorar o produto quanto para divulgar o nosso município, maior produtor de ovos.”
Liderança no ovo vermelho
Na categoria ovos vermelhos, a excelência voltou a ter nome conhecido. A Ovos da Nonna, empresa do Grupo Venturini, conquistou, pela quarta vez consecutiva, o título de Melhor Ovo Vermelho do Espírito Santo, repetindo o desempenho das edições de 2020, 2021, 2022 e agora 2025.
Com 45 anos de tradição familiar no agronegócio, o Grupo Venturini criou a marca Ovos da Nonna há sete anos, com foco em qualidade superior e adoção do sistema livre de gaiolas. O nome homenageia a matriarca da família, Dona Helena Majone, a “Nonna”, símbolo dos valores que orientam o negócio.
Segundo Fellipe Venturini, representante do grupo, o concurso funciona como validação técnica do trabalho realizado na granja. “O concurso vem para garantir que realmente temos um ovo de alta qualidade. O método de criação contribui diretamente para isso, pois reduz o estresse das aves e impacta positivamente no sabor do ovo”, afirma.
No sistema adotado pela empresa, as galinhas têm liberdade de locomoção e podem expressar comportamentos naturais, o que, segundo o produtor, se reflete diretamente na qualidade do alimento. “Tudo isso resulta em um produto extremamente saboroso”, evidencia.
O desempenho consistente ao longo dos anos reforça a estratégia adotada pela empresa. “Receber esse resultado mais uma vez nos dá a certeza de que estamos no caminho certo, produzindo um produto de excelência”, diz Fellipe.
Os cuidados envolvem rígidos protocolos sanitários, manejo preciso e alimentação de alta qualidade. “Sanidade, nutrição adequada, método de criação e bons tratos são fundamentais. Acreditamos muito no sistema livre de gaiolas e o bem-estar animal tem se mostrado decisivo para os resultados que alcançamos”, pontua.
Concurso fortalece setor e aproxima consumidor
Para Venturini, o selo de qualidade do Concurso Capixaba também cumpre papel relevante junto ao consumidor final. “A AVES faz um trabalho muito importante de marketing e informação, mostrando os critérios e métodos de avaliação utilizados. Isso ajuda o público a entender, de forma clara, o que realmente significa qualidade”, enfatiza.
Ele também incentiva a adesão de novos produtores. “Quem entra é quem acredita no seu produto. As análises são extremamente criteriosas, conduzidas por um corpo técnico altamente capacitado. O concurso mostra, de forma transparente, o posicionamento real do produto no mercado e atesta, ao final, sua qualidade”, frisa.
Ao reconhecer excelência técnica, incentivar boas práticas e valorizar histórias humanas por trás da produção, o Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba 2025 reforça o compromisso da AVES com o fortalecimento da avicultura de postura e com a entrega de alimentos cada vez mais qualificados ao consumidor capixaba.
Avicultura Retrospectiva 2025
Impulsionado por exportações e consumo interno mercado de ovos cresce em 2025
Produção avança, preços atingem picos no primeiro trimestre e embarques ao exterior batem recorde, mesmo com ajustes ao longo do ano e desafios pontuais no mercado internacional.

Em 2025, o mercado de ovos manteve trajetória positiva, com produção e embarques recordes, apesar do caso de gripe aviária em granja comercial, em maio.
Pesquisas do Cepea mostram que as cotações atingiram recordes reais no início do ano; mas, com o aumento da oferta interna ao longo de 2025, passaram a recuar. Ainda assim, o bom ritmo dos embarques ajudou a limitar a baixa interna.
Os preços da proteína iniciaram 2025 abaixo dos praticados em dezembro/24, refletindo a demanda ainda retraída, típica do começo do ano. Em fevereiro, porém, o aumento gradual da procura com o retorno das aulas escolares e a oferta mais limitada elevaram os valores, que atingiram os maiores patamares da série histórica do Cepea. As altas persistiram até março, período em que tradicionalmente a demanda pela proteína é impulsionada pela Quaresma. No entanto, passaram a cair a partir de abril em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, com exceção de agosto.

Foto: Freepik
A produção nacional de ovos para consumo somou 3,04 bilhões de dúzias (de janeiro a setembro/25), volume 6,9% superior ao do mesmo período de 2024 e um recorde, de acordo com o IBGE. No mercado externo, a evolução dos casos de gripe aviária reduziu a oferta de ovos em diversos países.
Nos EUA, um surto significativo levou o país a intensificar as compras da proteína brasileira, cujo volume, entre janeiro e novembro, superou em 825% o total importado no ano anterior.
Segundo a Secex, nos 11 primeiros meses de 2025, os embarques de ovos in natura e processados somaram 38,64 mil toneladas, 109% acima do volume de todo o ano de 2024 e um recorde.
O setor também enfrentou alguns desafios externos. O tarifaço imposto pelo governo norte-americano em agosto reduziu os envios dos ovos aos EUA. Por outro lado, novos mercados foram abertos, como o México. Além disso, a rápida resolução do caso isolado de IAAP permitiu ao Brasil a retomada do seu status sanitário internacional e evidenciou o potencial do País para seguir atendendo as crescentes demandas interna e externa.



