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Setor produtivo defende transição gradual na discussão sobre jornada de trabalho

Manifesto entregue ao Congresso por mais de 100 entidades alerta para impactos sobre emprego, custos e competitividade da economia.

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Entidades representativas do setor produtivo brasileiro iniciaram uma mobilização para participar do debate sobre a modernização da jornada de trabalho no país. Um manifesto assinado por 102 organizações foi apresentado a parlamentares como contribuição às discussões que avançam no Congresso Nacional.

O documento foi entregue durante reunião-almoço promovida pela Frente Parlamentar da Agropecuária, com a participação da presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras e presidente do Instituto Pensar Agro, Tania Zanella. A iniciativa busca reunir diferentes segmentos empresariais em torno de uma posição comum sobre o tema.

Segundo Tania, o manifesto é resultado de meses de diálogo entre entidades do setor produtivo e tem como objetivo contribuir com o debate de forma estruturada. “A questão aqui é fazer uma discussão racional, estruturante e sustentável para o país. Estamos dizendo que queremos participar da construção, ocupar os espaços e buscar as melhores alternativas”, afirmou.

Debate sobre mudanças na jornada

No documento, as entidades reconhecem que a modernização da jornada de trabalho é uma pauta legítima e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, destacam que os efeitos da mudança dependem diretamente da forma como ela será implementada.

Para o setor produtivo, uma transição feita de forma abrupta, sem base técnica ou sem considerar as especificidades de cada atividade econômica, pode gerar efeitos negativos. Entre os riscos apontados estão o aumento dos custos de produção, impactos sobre o emprego formal e perda de competitividade.

Ao apresentar o manifesto aos parlamentares, Tania Zanella reforçou que a intenção das entidades é colaborar com a construção de soluções equilibradas. “Estamos juntos para amadurecer esse debate. É um passo importante, mas que precisa ser dado com maturidade e coerência”, disse.

Preocupação no cooperativismo

No cooperativismo, a discussão ganha contornos específicos, especialmente nos ramos agropecuário e de saúde, que concentram grande número de trabalhadores e operam em atividades contínuas ou com forte sazonalidade.

Estudos citados pelas entidades indicam que uma eventual redução da jornada sem diminuição salarial pode gerar impactos relevantes na folha de pagamento e exigir novas contratações para manter os níveis atuais de atendimento e produtividade.

Para Tania Zanella, o debate precisa considerar essas diferenças estruturais entre setores da economia. “Esse manifesto é exatamente para isso: colocar o setor à disposição para essa grande discussão e reforçar que queremos avançar juntos, com responsabilidade e visão de longo prazo”, ressaltou.

Fonte: Assessoria Sistema OCB

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O Brasil alimenta o mundo. Quem alimenta o Brasil?

Enquanto lidera exportações agrícolas, Brasil importa fertilizantes e tecnologias essenciais para manter a produtividade no campo.

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Para o bem ou para o mal, o Brasil continua sendo o celeiro do mundo. Em 2024, a China comprou US$ 94 bilhões em produtos brasileiros, dos quais uma parcela expressiva esteve associada ao agronegócio. A soja sozinha respondeu por aproximadamente US$ 31 bilhões desse total. O desempenho reforça a posição do Brasil como uma das maiores potências alimentares do século XXI.

Foto: Claudio Neves

Existe, porém, uma fissura estrutural nessa narrativa que merece atenção de analistas e formuladores de políticas públicas. O Brasil exporta alimentos, mas importa uma parcela significativa dos insumos necessários para produzi-los. Isso não representa, por si só, um problema econômico, tendo em vista que a especialização produtiva e o comércio internacional permitem que países importem bens e insumos de forma eficiente.

No entanto, a preocupação surge quando parte relevante dessa dependência se concentra em insumos estratégicos de baixa substitutibilidade no curto prazo e em um número restrito de fornecedores. Nessas condições, choques geopolíticos, interrupções logísticas ou restrições de oferta podem afetar diretamente a capacidade produtiva do agronegócio nacional.

Em 2024, o país importou cerca de 44 milhões de toneladas de fertilizantes do complexo NPK ao custo de

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aproximadamente US$ 13,5 bilhões. As exportações do setor somaram apenas US$ 278 milhões, resultando em um déficit comercial próximo de US$ 13,2 bilhões. Atualmente, o Brasil produz apenas cerca de 8% do nitrogênio, 44% do fósforo e 3% do potássio que consome.

O problema não é trivial. O Cerrado, responsável por grande parte da produção agrícola nacional, possui solos naturalmente pobres em nutrientes, o que faz com que sucessivas safras recordes dependam diretamente do fornecimento contínuo de fertilizantes. Essa vulnerabilidade torna-se ainda mais evidente quando se observa a origem desses insumos, uma vez que Rússia e países do Leste Europeu figuram entre os principais fornecedores estratégicos do mercado global.

Foto: Claudio Neves

A guerra na Ucrânia demonstrou de forma concreta os riscos associados a essa dependência. Entre o final de 2021 e meados de 2022, o preço internacional da ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado no mundo, mais do que dobrou. Como os fertilizantes representam aproximadamente 23% a 24% dos custos de produção da soja, do milho, do algodão e do café, choques de oferta tendem a ser transmitidos diretamente às margens dos produtores e, em alguma medida, aos preços dos alimentos.

O paradoxo torna-se ainda mais profundo quando se observa a relação com a China. Pequim é simultaneamente uma das principais compradoras de alimentos, energia e minerais brasileiros e uma fornecedora cada vez mais relevante de máquinas, equipamentos, insumos industriais e tecnologia para a economia nacional.

Em 2024, as exportações brasileiras de soja para a China alcançaram aproximadamente US$ 31 bilhões. Ao

Foto: Claudio Neves

mesmo tempo, a China consolidou sua posição como principal origem das importações brasileiras de produtos de média-alta e alta tecnologia. Entre 2019 e 2024, o volume importado pelo Brasil da China cresceu cerca de 98%, enquanto os preços desses produtos recuaram aproximadamente 11%, em contraste com a elevação observada nas importações provenientes do restante do mundo.

A dependência deixou de ser apenas comercial para assumir um caráter estrutural. A relação entre Brasil e China avança para uma integração econômica cada vez mais complexa, que ultrapassa os benefícios tradicionais do comércio internacional e passa a envolver elementos centrais da capacidade produtiva brasileira.

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Nesse contexto, o agronegócio nacional, frequentemente apresentado como símbolo de competitividade global, opera sobre uma cadeia de insumos estratégicos que não controla integralmente. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, estabeleceu a meta de elevar a participação da produção doméstica para aproximadamente 50% da demanda nacional até 2050. Trata-se, contudo, de um horizonte distante para um risco que já está presente, sobretudo em um país que historicamente encontra dificuldades para sustentar políticas de longo prazo.

A pergunta relevante para o mercado não é apenas quanto o Brasil ganha exportando soja, minério de ferro ou carnes, mas quanto perde em autonomia, margem de rentabilidade e resiliência ao depender da importação de insumos estratégicos indispensáveis à sua própria capacidade produtiva.

Nesse sentido, não se trata de defender políticas desenvolvimentistas datadas, mas de reconhecer uma nova realidade. Em um cenário de reorganização da ordem internacional, que parece caminhar para uma configuração cada vez mais multipolar e menos liberal, a capacidade de controlar insumos estratégicos pode tornar-se tão importante quanto a capacidade de produzir alimentos.

Fonte: Artigo escrito por Allan Gallo, professor de Economia e Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e coordenador do Núcleo de Estudos sobre a China.
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Brasil assume liderança regional da agenda climática para a agricultura na América Latina

País receberá a presidência da PLACA para o biênio 2026-2027 e pretende ampliar a cooperação entre 19 nações em temas como resiliência climática, segurança alimentar e agricultura sustentável.

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O Brasil se prepara para assumir um papel de destaque nas discussões sobre agricultura e mudanças climáticas na América Latina e no Caribe. Em videoconferência realizada na terça-feira (23), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru, Felipe Millan, trataram da transição da presidência da Plataforma da América Latina e do Caribe para Ação Climática na Agricultura (PLACA).

Foto: Carolina Antunes/Mapa

Atualmente presidida pelo Peru, a iniciativa reúne 19 ministérios da Agricultura da região e atua na promoção de uma agricultura mais produtiva, sustentável e resiliente diante dos impactos das mudanças climáticas. O Brasil ocupa hoje a copresidência da Plataforma e assumirá oficialmente o comando do grupo durante a Assembleia Anual da PLACA, marcada para ocorrer entre os dias 30 de junho e 2 de julho, em Lima.

Criada em 2019, a Plataforma conta com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), responsável pela secretaria da iniciativa.

Compromisso com a continuidade

Durante a reunião, André de Paula informou que não participará presencialmente do encontro no Peru devido a compromissos oficiais em Brasília. O Ministério da Agricultura será representado pelo secretário de Desenvolvimento Rural, Marcelo Fiadeiro.

Ao comentar a futura presidência brasileira, o ministro destacou o compromisso do país com a continuidade das ações desenvolvidas pela Plataforma. “Eu queria destacar a honra que representa para mim e para o Brasil receber a presidência da PLACA, sobretudo pelas mãos de um país tão querido quanto o Peru. Reafirmo o nosso firme compromisso com a PLACA e com a agenda de ação climática para a agricultura na América Latina e no Caribe. Assumiremos essa responsabilidade com espírito de cooperação e continuidade. Nosso objetivo será fortalecer ainda mais as ações da Plataforma”, afirmou.

Ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula: “Estamos seguros de que a experiência e a liderança do Brasil contribuirão para fortalecer ainda mais a agricultura regional e a cooperação entre os países no âmbito da PLACA” – Foto Carolina Antunes/Mapa

Segundo André de Paula, a gestão peruana consolidou a PLACA como uma referência regional na construção de uma agricultura capaz de conciliar produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.

Cooperação entre Brasil e Peru

O ministro peruano Felipe Millan ressaltou a parceria entre os dois países e afirmou que a atuação conjunta tem sido importante para fortalecer os sistemas agroalimentares da região. “A coordenação entre os dois países tem sido fundamental para impulsionar uma agenda regional voltada ao fortalecimento da resiliência dos sistemas agroalimentares frente às mudanças climáticas e à promoção de soluções sustentáveis para os nossos agricultores”, declarou.

Millan também reconheceu a contribuição brasileira durante o período de copresidência, especialmente em temas relacionados à segurança hídrica, inovação e agricultura familiar.

Ao comentar a transferência do comando da Plataforma, o ministro peruano demonstrou confiança na liderança brasileira. “Estamos seguros de que a experiência e a

Foto: Carolina Antunes/Mapa

liderança do Brasil contribuirão para fortalecer ainda mais a agricultura regional e a cooperação entre os países no âmbito da PLACA. O Peru seguirá como parceiro disposto a oferecer todo o apoio e colaboração necessários durante a presidência brasileira”, frisou.

Agenda regional

Ao final da reunião, Brasil e Peru reafirmaram o compromisso de manter a cooperação em temas estratégicos para a adaptação da agricultura às mudanças climáticas, o fortalecimento da segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável dos países da América Latina e do Caribe.

Sugestão de legenda para foto de André de Paula:

Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante reunião virtual com o ministro peruano Felipe Millan sobre a transição da presidência da Plataforma da América Latina e do Caribe para Ação Climática na Agricultura (PLACA).

Fonte: O Presente Rural
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Zarc amplia base de dados e muda janelas de plantio em mais de 3,2 mil municípios

Atualização do zoneamento incorpora série climática mais recente e amplia precisão técnica. Efeitos incluem redução ou ampliação do período recomendado para cultivo, avanço na recomendação de segunda safra e adoção de novas metodologias de solo e manejo.

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Foto: R.R.Rufino

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) completa 30 anos em 2026. Desde que começou a ser utilizada, essa ferramenta vem passando por avanços técnicos, científicos e metodológicos, com o objetivo de contribuir para a maior segurança na gestão de riscos na agricultura brasileira. A atualização na base de dados climatológicos, por exemplo, resultou em mudanças nas janelas de cultivo em 3.285 municípios brasileiros, sejam elas ampliando ou reduzindo o período recomendado para o plantio.

Foto: Divulgação

A base de dados que vinha sendo utilizada considerava dados climatológicos coletados entre os anos 1984 e 2013. A atualização mais recente abrange o período de 1993 a 2022. As mudanças ocorrem não somente pela alteração do período avaliado, mas também pelo avanço na quantidade e na qualidade dos instrumentos agrometeorológicos para medição.

Com a atualização, 1.474 municípios brasileiros apresentaram redução na janela recomendada para plantio. A maior parte deles no Sudeste e nas regiões da Zona da Mata e Semiárido no Nordeste. De acordo com pesquisadores da Embrapa, a redução ocorre majoritariamente devido ao início mais tardio da janela de plantio, entre setembro e dezembro. A menor incidência de chuvas na transição entre o período seco e o chuvoso e as temperaturas mais altas de julho a setembro explicam o atraso.

Por outro lado, outros 1.811 municípios tiveram ampliação na janela recomendada para o cultivo, sendo a maior parte deles localizados nas regiões Norte e Sul. “Um exemplo disso foi a diminuição dos riscos de geadas em estados do Sul, resultando em possibilidade de plantio antecipado em alguns municípios”, destaca Eduardo Monteiro, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e coordenador da Rede Zarc Embrapa de Pesquisa.

Outra mudança identificada diz respeito à viabilidade de se cultivar uma segunda safra com segurança. Para que a segunda safra seja recomendada em determinado

Foto: Divulgação

município, é necessário que haja uma janela com 13 ou mais decêndios (períodos de dez dias) com condições climáticas favoráveis. Na atualização da base climatológica houve aumento de 25 municípios com recomendação de segunda safra. Ao todo são 1.190 municípios brasileiros aptos a cultivar duas safras. Em relação à base anterior, 180 municípios perderam a recomendação de segunda safra devido à redução das janelas de plantio. Outros 205 tiveram aumento da janela de cultivo e passaram a ter recomendação de segunda safra.

Fonte de dados
As mudanças no Zoneamento Agrícola de Risco Climático ocorrem não só pelas mudanças no comportamento das chuvas, mas também pelo maior volume de dados coletados. A base de dados anterior era composta de 3.500 séries climatológicas provenientes de estações meteorológicas.

A atual possui 4.200 séries, sendo algumas delas obtidas por meio de “estações virtuais”, formadas por dados estimados por satélites e modelos meteorológicos, sem medida de estação in loco. “Esse não é um estudo sobre mudanças climáticas. O objetivo principal foi avaliar os impactos da alteração de base de dados no Zarc, uma vez que nossa prioridade não é avaliar mudança climática, mas sim garantir a melhor base possível para as avaliações de risco do Zoneamento”, explica Eduardo Monteiro.

Água disponível no solo
O Zarc foi iniciado com a cultura do trigo na safra de 1996. Depois, foi ampliado para outras culturas e de 2002 a 2016 ficou fora da Embrapa. Mesmo sem ser a responsável pelo desenvolvimento da ferramenta no período, pesquisadores da Empresa seguiram trabalhando e, em 2017, quando ela retornou para a empresa, melhorias logo foram feitas.

Foto: Ana Claudia Oliveira

Uma delas foi a expansão para novas culturas. Atualmente já são 53 culturas, em 97 sistemas de produção distintos (sequeiro e irrigado, primeira e segunda safra, mesa e indústria). Outra melhoria que vem sendo estabelecida aos poucos é a classificação dos solos quanto à disponibilidade de água e não mais em texturas.

Antes o zoneamento levava em conta se o solo era arenoso, médio ou argiloso. Agora a metodologia permite a classificação em seis classes de água disponível (ADs) conforme os teores de silte, areia e argila do talhão. A soja foi a primeira cultura a usar o Zarc 6 Ads, em 2023.

A classificação é feita usando uma equação (função de pedotransferência) devidamente ajustada para os distintos solos brasileiros, explica o pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja (PR). Assim, reflete com maior precisão a variabilidade real dos solos brasileiros. “Essa nova metodologia do Zarc aumentou a qualidade das informações disponíveis para subsidiar a gestão de riscos e o planejamento da produção de soja”, destaca Farias.

Com isso, as indicações do Zarc aproximaram-se bem mais da realidade dos sistemas produtivos brasileiros, melhor expressando os riscos associados à exploração da cultura. “Nosso objetivo é minimizar os riscos e possibilitar maior estabilidade da produção e de renda para o sojicultor, o que é estratégico para a manutenção da capacidade produtiva brasileira”, analisa o pesquisador.

A atualização do Zarc tanto para a nova série temporal quanto para a classificação de água disponível vem ocorrendo aos poucos, na medida em que o zoneamento de

Foto: Divulgação/Freepik

cada cultura é revisado ou que novas culturas passam a ter zoneamento. Em 2026, por exemplo, já foram atualizados os zoneamentos para cana-de-açúcar, milho e girassol.

Zarc Níveis de Manejo
Outra inovação é o Zarc Níveis de Manejo, uma evolução metodológica que leva em conta não só os dados climáticos, o tipo de solo e o ciclo da cultura, como também o manejo de solo adotado pelo agricultor. A premissa é a de que o bom manejo possibilita maior disponibilidade de água no solo, garantindo à lavoura maior resiliência em períodos de falta de chuva.

O ZarcNM utiliza como indicadores o tempo sem revolvimento do solo, o percentual de cobertura do solo, a saturação por bases, o teor de cálcio, a saturação por alumínio e o histórico da diversidade de cultivos na área. Essas informações são inseridas no Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SiNM) desenvolvido pela Embrapa que faz a classificação do talhão em uma escala de nível de manejo entre 1 e 4, na qual o NM4 é o melhor.

Um projeto piloto iniciado na safra passada – com a cultura da soja no Paraná e ampliado para a próxima safra – está usando o ZarcNM para oferecer subvenção diferenciada no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Na safra 2026/2027 a experiência contemplará a a soja nos três estados da região Sul e em Mato Grosso do Sul e o milho em segunda safra no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Foto: Divulgação

Os produtores que aderirem ao piloto terão subvenção de 20% no NM1, 30% no NM2, 35% no NM3 e 40% no NM4 na soja. Já no milho segunda safra a subvenção será de 40% no NM1, 45% no NM2 e 50% nos NM3 e NM4.

Para Farias, trata-se de um incentivo econômico à adoção de boas práticas agronômicas, que resultem em proteção do solo, conservação dos recursos hídricos e fixação do carbono. A metodologia fomenta e estimula a melhoria do manejo do solo, resultando num ciclo virtuoso: mais incentivo às boas práticas, menor sinistralidade, maior estabilidade de produção e maior sustentabilidade do agronegócio brasileiro, no longo prazo. “Diferenciar custos ou subvenções conforme o manejo e os riscos amplia o potencial desses programas como indutores de boas práticas e mitigadores de perdas climáticas”, ressalta Farias.

A expectativa é que o ZarcNM seja expandido gradativamente para as demais regiões e para outras culturas.

Retorno para a sociedade
O Zarc foi criado em um momento em que o seguro rural passava por uma crise, com alto índice de pagamento de apólices. Logo após sua implantação, o Banco

Foto: Gilson Abreu

Central registrou uma queda de 70% na sinistralidade no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

O Balanço Social da Embrapa estima que o Zarc retornou para a sociedade brasileira em 2025 R$ 3,9 bilhões. O valor refere-se à redução de perdas agrícolas e da necessidade de replantios e à economia com pagamento de apólices de seguro.

Atualmente, o Zarc é usado não apenas no seguro rural no Proagro e PSR, mas também no crédito rural. Desde a safra passada agricultores que tomam o crédito rural de custeio do Plano Safra são obrigados a cultivar seguindo as recomendações do Zarc. “Essa é a amostra prática de como um instrumento desenvolvido por meio da pesquisa consegue ter uma aplicação direta no campo. Essa aplicação se faz na indicação do que, onde e quando plantar. Isso mitiga o risco e tranquiliza tanto quem oferece o seguro quanto quem viabiliza o crédito, com mais garantia de que aquele dinheiro será aplicado de forma correta e terá retorno”, avalia o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos.

O Zarc para cada cultura, em cada município brasileiro pode ser consultado gratuitamente no aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível para Android e IOS, ou na versão web em plantiocerto.cnptia.embrapa.br.

Fonte: Embrapa Agricultura Digital
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