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Setor pesqueiro alerta para impacto das novas tarifas dos EUA e defende mais transparência na gestão das cotas de captura no Brasil

Conepe critica morosidade do Executivo na divulgação de dados obrigatórios e prevê efeitos negativos na competitividade do pescado brasileiro no mercado internacional.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Conselho Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) avalia que a conjuntura da pesca nacional exige atenção imediata do governo brasileiro, especialmente diante da elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos de origem animal do Brasil e da falta de avanços em transparência na gestão das cotas de captura. “Vivemos um momento de grandes desafios para a pesca brasileira. O setor enfrenta um ambiente externo mais restritivo e, ao mesmo tempo, sente a necessidade de melhorias nos processos internos de gestão e acesso à informação”, afirma o presidente do Conepe, Carlos Eduardo Villaça.

A entidade destaca que, somente no início de agosto, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), disponibilizou os painéis de acompanhamento das capturas de espécies como Albacora Bandolim e Cação Azul. A publicação sistemática desses dados é considerada fundamental e prevista em normas, para garantir a previsibilidade e o planejamento da atividade. “Temos processos de coleta de informações que já são realizados pelos armadores e indústrias, mas a consolidação e divulgação desses dados de forma oficial ainda não acontecem na frequência necessária. Isso dificulta a organização das cadeias produtivas e das estratégias do setor”, pontua Villaça.

Foto: Luis Inoue

Além da questão operacional, o Conepe destaca que a ausência de dados públicos afeta também a imagem da pesca brasileira em fóruns internacionais. “Transparência e rastreabilidade são fatores que aumentam a credibilidade do produto no mercado global. Avançar nessas frentes é uma demanda urgente”, acrescenta o presidente.

Internamente, a entidade observa um excesso de estruturas e fóruns de participação, como conselhos e comitês, que muitas vezes não resultam em ações práticas. “É preciso que esses espaços tragam efetividade às discussões e que as decisões sejam refletidas em melhorias objetivas para o setor, questionamos também a proposta de Gestão Compartilhada, com MPA e MMA no ordenamento, a onipresença do IBAMA como Autoridade administrativa na CITES e o uso de interpretações forçadas de normas e protocolos, em prejuízo à atividade nacional”, diz Villaça.

No campo internacional, a situação se agravou com a decisão do governo dos Estados Unidos de elevar a alíquota de importação sobre produtos de origem Brasil, de 10% para 50%, a partir de 7 de agosto. Segundo o Conepe, esse aumento impacta diretamente um setor cuja dependência do mercado americano é significativa.

De acordo com dados do ComexStat, entre janeiro e junho de 2025, as exportações brasileiras de pescados somaram US$ 177,2 milhões, sendo que US$ 111,4 milhões (62,9% do total) tiveram como destino os Estados Unidos. Em volume, foram exportadas 31 mil toneladas, das quais mais de 16 mil (52,1%) foram enviadas ao mercado americano.

Entre os produtos mais expostos a essa medida estão a meka, os atuns frescos, tilápia fresca e congelada, e peixes vermelhos como pargo e cioba. “A elevação das tarifas cria uma pressão imediata sobre a competitividade desses produtos, o que tende a afetar os preços praticados e a viabilidade de operação de parte da indústria nacional”, explica Villaça.

O Conepe avalia que será necessário um esforço conjunto entre governo e setor privado para mitigar os impactos. “Medidas como a devolução de créditos tributários acumulados e a ampliação temporária de benefícios fiscais podem ajudar a dar fôlego ao setor neste momento delicado”, afirma.

A entidade também sugere a flexibilização de prazos para renegociação de débitos e a inclusão do setor no Reintegra, com alíquotas diferenciadas, como forma de preservar a presença do pescado brasileiro nos mercados internacionais. “É importante garantir condições mínimas para que os exportadores possam manter suas operações e não sejam substituídos por concorrentes de outros países”, ressalta Villaça.

O Conepe lembra que a cadeia produtiva da pesca envolve milhares de pequenas e médias empresas, além de comunidades que dependem economicamente da atividade. “O impacto dessas mudanças não se limita aos grandes players do mercado. São muitas famílias e pequenos negócios que sentem diretamente os efeitos”, observa.

Por fim, Villaça defende uma gestão pública mais eficiente e colaborativa, com maior foco em dados científicos e em mecanismos de monitoramento abrangentes. “O cenário exige responsabilidade e coordenação. É fundamental que o setor esteja preparado para se reposicionar e que o governo ofereça o suporte necessário para superar esse momento”, ressalta.

Fonte: Assessoria Conepe

Peixes

Brasil e Chile investigam nanoplásticos, bactérias e risco ao pescado na Antártica

Instituto de Pesca (IP-Apta) participa do consórcio binacional que avaliará como nanoplásticos e bactérias resistentes podem afetar a saúde do pescado e do consumidor.

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Foto: Divulgação/IP-Apta

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, integra um ambicioso projeto de pesquisa binacional entre Brasil e Chile que investigará a presença de bactérias resistentes a antibióticos e contaminantes emergentes, como nanoplásticos, em ecossistemas antárticos.

A iniciativa, denominada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID), do Chile. O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança de produtos pesqueiros e à saúde pública, em alinhamento com a abordagem “Saúde Única”, que integra saúde humana, animal e ambiental na análise de riscos globais.

Foco no pescado e na segurança alimentar

Com expertise consolidada em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança de alimentos, o IP contribuirá especialmente nas frentes relacionadas aos organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis impactos na cadeia pesqueira.

A participação da instituição no consórcio internacional posiciona o estado de São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Esse conjunto de competências técnicas será fundamental para transformar os achados científicos em subsídios concretos para políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas voltadas aos setores aquícola e pesqueiro, fortalecendo a proteção do consumidor e a sustentabilidade da produção. De acordo com o pesquisador do IP, Edison Barbieri, “estamos indo ao lugar mais remoto da Terra para encontrar problemas criados por nós mesmos. Os nanoplásticos são como ‘cavalos de Troia’ minúsculos: eles podem carregar poluentes e bactérias para dentro do organismo de peixes e moluscos que, mais tarde, podem chegar ao nosso prato. Com as bactérias resistentes, o risco é igualmente sério: se elas chegarem aos nossos recursos pesqueiros, podemos estar diante de um problema de saúde pública de difícil solução. O que acontece na Antártica não fica na Antártica”, alerta.

O que o projeto vai investigar

Entre os principais objetivos do projeto está a investigação da presença e dos efeitos ecotoxicológicos de partículas plásticas, especialmente nanoplásticos, em organismos filtradores da fauna bentônica antártica. Esses organismos, ao acumularem contaminantes, podem indicar riscos de transferência ao longo da cadeia alimentar marinha, com implicações diretas para a segurança do pescado destinado ao consumo humano.

A pesquisa também identificará e caracterizará bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados bentônicos. O IP terá papel relevante na análise dos riscos associados à possível disseminação dessas bactérias ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com potencial impacto sobre recursos pesqueiros e sistemas de aquicultura.

Paralelamente, o consórcio buscará, na biodiversidade microbiana antártica, novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bactericinas, que possam futuramente ser aplicadas no controle de patógenos na aquicultura, promovendo uma produção mais sustentável e segura.

O projeto empregará técnicas avançadas capazes de identificar microrganismos, seus genes e partículas microscópicas, como os nanoplásticos. Parte das análises será realizada no Sirius, em Campinas (SP), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o único acelerador de partículas da América Latina, além da aplicação de modelagem ecológica. As amostras coletadas na Antártica serão comparadas a amostras provenientes de áreas costeiras do Brasil e do Chile, permitindo um panorama inédito sobre como a poluição e a resistência antimicrobiana se dispersam ao longo das diferentes regiões marinhas.

Fonte: Assessoria IP-Apta
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Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral

Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.

No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.

“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.

Fonte: AEN-PR
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Setor de piscicultura se prepara para Aquishow Brasil 2026

Evento apresenta tecnologias, debates técnicos e premiações para impulsionar a produção de tilápia no Triângulo Mineiro.

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Fotos: Divulgação/Aquishow Brasil

A Aquishow Brasil, o maior evento da aquicultura nacional, será realizada mais uma vez em Uberlândia (MG), entre 9 e 11 de junho de 2026, no Castelli Master. O objetivo é avançar nas conquistas já realizadas e contribuir ainda mais para o crescimento da piscicultura em Minas Gerais, que já é uma das mais fortes do Brasil.

Para isso, o evento está maior, com discussões técnicas e completas e conta com a presença de mais de 100 empresas dos vários segmentos da cadeia da produção de peixes de cultivo – especialmente de tilápia.

“A Aquishow Brasil é o maior evento do setor e tem uma missão estratégica: contribuir para o fortalecimento da atividade no país, especialmente em regiões de alto potencial. O Triângulo Mineiro pode se tornar ainda mais relevante na produção de tilápia e estar em Uberlândia pelo segundo ano nos possibilita ajudar nesse processo”, diz Marilsa Patrício, diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União.

A expectativa da Aquishow Brasil 2026 é receber 7 mil visitantes de todas as partes do país e do exterior. A edição de 2025 atraiu participantes mais de 20 países – especialmente da América Latina. No ano passado, o evento movimentou R$ 115 milhões e o objetivo para 2026 é crescer pelo menos 10%.

A Aquishow reúne todos os elos da cadeia produtiva da aquicultura brasileira e apresenta as mais modernas tecnologias em genética, insumos, equipamentos, serviços e produtos. Uma completa agenda de apresentações técnicas contribui para atualizar os produtores e apresentar novas tecnologias.

Destaque também às premiações especiais para reconhecer quem contribui para o contínuo crescimento da aquicultura, como o Prêmio Inovação Aquícola e o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino.

Mais informações clique aqui e e-mail peixesp@peixesp.com.br. Organização (17 99616-6638 e 17 98137-8657), Departamento Comercial (Eder Benício, 11 97146-9797)

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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