Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Setor leiteiro passa a contar com mercado futuro para reduzir volatilidade

Modelo já usado em soja, milho e boi gordo agora chega aos produtos lácteos brasileiros.

Publicado em

em

Foto: Isabele Kleim

Os produtores de leite terão mais previsibilidade sobre o valor que receberão pela produção. Isso porque o mercado agora conta com a possibilidade de contratos futuros para os produtos lácteos, a exemplo de outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo.

No chamado “mercado futuro”, os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro de proteção (ferramenta hedge), que visa a minimizar os riscos das oscilações do preço do leite, está em funcionamento desde 13 de maio. O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Ágide Eduardo Meneguette presidente do Sistema Faep: “O desenvolvimento da ferramenta teve atuação direta do Sistema Faep, que participou ativamente até chegar a essa solução”

“O desenvolvimento da ferramenta teve atuação direta do Sistema Faep, que participou ativamente até chegar a essa solução”, comenta o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette.

Além de atuar diretamente na construção da ferramenta, pela Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite e pela atuação do Conselho Paritário de Produtores Rurais e Indústrias de Laticínios (Conseleite-Paraná), o Sistema Faep colabora para que os produtores do Paraná cheguem mais preparados para a atuação no mercado futuro.

“Trabalhamos por anos para desenvolver um mecanismo que desse mais previsibilidade para o produtor de leite do Paraná e de todo o país”, complementa Ronei Volpi, que até há dois meses presidia a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA. “Agora, com a ferramenta, o produtor pode travar o preço e saber quanto vai receber lá no futuro. Europa, Estados Unidos e outras commodities do Brasil já vinham utilizando”, afirma.

Foto: Shutterstock

Com preço já conhecido a médio e longo prazos, o produtor terá mais segurança para tomar crédito e realizar os investimentos necessários para aumentar a escala, eficiência e produtividade.

“A ferramenta é aberta para produtores e indústrias de todos os portes. Para acessar, basta ter uma conta na corretora, porque esse é um contrato de balcão, negociado diretamente com a corretora”, explica Guilherme Dias, assessor técnico da CNA.

Ainda de acordo com Dias, nada muda na comercialização física do leite. O instrumento vai apenas ser aliado nas negociações. “Vai contribuir para que o produtor tenha uma remuneração adequada pelo produto, onde eventuais perdas no mercado físico serão compensadas pelo contrato financeiro”, completa.

Produção paranaense

O Paraná produz mais de quatro bilhões de litros de leite por ano, sendo o segundo produtor nacional, atrás apenas de Minas Gerais. As principais bacias leiteiras paranaenses ficam nas regiões dos Campos Gerais e Sudoeste.

Foto: Divulgação/Arquivo OP Rural

Para Eduardo Lucacin, presidente da CT de Bovinocultura de Leite e vice-presidente do Conseleite-Paraná, o mercado futuro do leite é uma conquista histórica importante para toda cadeia leiteira do país. “É uma revolução. É uma ferramenta importantíssima de controle e previsibilidade”, afirma.

Desde o último dia 13 de maio, a corretora StoneX já utiliza os indicadores do Cepea para a liquidação dos contratos: Leite UHT Sudeste (R$/litro) e Queijo Muçarela Sudeste (R$/kg), ambos de divulgação diária; e do Leite em Pó Industrial 25 quilos São Paulo (R$/kg), de periodicidade semanal.

“Já temos os preços pelos contratos por quilo e por litro, até o final do ano. Então hoje, com a nova ferramenta, como produtor, já tenho possibilidade de ver o preço do mercado futuro de dezembro e tomar decisões em cima disso”, completa Lucacin, que também produz leite em Mariluz, região Noroeste do Paraná.

Conseleite Paraná

Desde que foi criado, há mais de vinte anos, o Conseleite desenvolve um cálculo que baliza os preços do mercado de leite no Paraná. “O valor de referência calculado pelo Conselho é determinante para a negociação de leite da maioria dos produtores do Paraná. De maneira muito confiável, as informações divulgadas pelo Conseleite mostram a tendência, o mercado e os valores praticados pela indústria, pelo varejo e o que pode ser negociado pelos produtores”, comenta Lucacin.

Essa atuação, mediada pelo Sistema Faep, foi replicada em outros Estados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso. “Os produtores de leite do Paraná e daqueles Estados que também reproduzem o modelo criado pelo Conselho já têm intimidade com os números de mercado. Isso vai ajudar a trabalhar com o mercado futuro de leite”, garante o presidente da Comissão.

Os dados e histórico dos últimos dez anos estão disponíveis no site do Sistema Faep, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Sistema Faep

Bovinos / Grãos / Máquinas

Pequenas propriedades concentram 80% da pecuária de corte em Mato Grosso

Levantamento do Indea mostra que quatro em cada cinco fazendas de bovinocultura de corte no estado têm até 320 hectares, evidenciando o peso dos pequenos produtores na liderança nacional do rebanho bovino.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Imac

Apesar de abrigar o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso tem sua pecuária de corte sustentada majoritariamente por pequenas propriedades. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) mostram que, das 106.009 fazendas dedicadas à atividade no estado, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.

Além da liderança nacional em número de bovinos, a pecuária de corte também é a atividade econômica com maior número de estabelecimentos em Mato Grosso. O segmento responde por 9,36% de todas as empresas registradas no estado, superando setores como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário, o transporte rodoviário de cargas e a construção civil.

Foto: Fabiano Bastos

A estrutura da atividade inclui ainda 12.583 propriedades de médio porte, que representam 11,8% do total, e 8.417 grandes fazendas, correspondentes a 7,9%.

Entre os municípios com maior número de propriedades voltadas à bovinocultura de corte, Colniza ocupa a primeira posição, com 3.762 fazendas cadastradas. Na sequência aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051).

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números evidenciam que a competitividade da pecuária estadual está apoiada em uma ampla base de produtores. “Quando observamos que mais de 90% das propriedades pecuárias são de pequeno porte, percebemos que a pecuária mato-grossense é construída por milhares de produtores que geram renda, empregos e movimentam a economia local. Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, afirma.

Segundo Andrade, a presença da bovinocultura em praticamente todas as regiões do estado contribui para o desenvolvimento econômico dos municípios e fortalece a cadeia produtiva. “Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, salienta.

Fonte: Assessoria Imac
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Integração entre lavoura e pecuária transforma prejuízo de US$ 215 por hectare em resultado positivo

Estudo de 25 anos mostra que a diversificação da produção reduz os impactos das quebras de safra, aumenta a estabilidade da renda e melhora as condições do solo.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Rede ILPF

A integração entre lavoura e pecuária pode reduzir os impactos das oscilações climáticas sobre a produção agrícola, aumentar a rentabilidade das propriedades e melhorar a qualidade do solo. A avaliação é do professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho, que apresentou resultados de pesquisas conduzidas ao longo de décadas no Sul do Brasil.

Professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho

Segundo o pesquisador, os levantamentos mostram que a região convive com uma elevada variabilidade climática e com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, cenário que amplia os riscos para os sistemas produtivos. Nos últimos 30 anos, o Rio Grande do Sul registrou frustração de safra em 44% das lavouras de soja e em mais de 50% das de trigo. Para Carvalho, os dados demonstram que a diversificação da produção é uma das principais estratégias para reduzir a vulnerabilidade das propriedades.

Um experimento de longa duração, conduzido durante 25 anos no estado, evidencia os ganhos da integração. Em sistemas exclusivamente agrícolas, a produtividade da soja variou de mais de 70 sacas por hectare em anos favoráveis para menos de 10 sacas por hectare em períodos de seca. Quando o gado é incorporado ao sistema para o pastejo das plantas de cobertura no inverno, a renda obtida com a pecuária é convertida em equivalente de produção de soja, elevando o resultado médio para 73 sacas por hectare.

Foto: Rodrigo Alva

O impacto econômico também é expressivo. Em anos de clima favorável, o sistema integrado proporciona receita superior ao dobro da obtida apenas com a agricultura. Já em anos de quebra de safra, enquanto a lavoura isolada registra prejuízo de US$ 215 por hectare, a integração entre agricultura e pecuária gera resultado positivo de US$ 189 por hectare.

Para Carvalho, a presença dos animais reduz a exposição da propriedade às oscilações do mercado e do clima. Enquanto a produtividade da soja apresenta variações superiores a 30%, a pecuária registra oscilações inferiores a 10%, funcionando como um fator de estabilidade para o sistema produtivo.

Foto: Gabriel Faria

As pesquisas também mostram benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo. Utilizando técnicas de análise tridimensional, os pesquisadores verificaram que o pastejo moderado aumenta a conexão entre os macroporos do solo, favorecendo a infiltração e o armazenamento de água. O efeito resulta em aumento de 14% na capacidade de retenção hídrica.

Outro resultado observado foi o incremento de 140% na ocorrência de fungos benéficos em áreas manejadas com integração lavoura-pecuária. Esses microrganismos favorecem a absorção de fósforo pelas plantas, contribuindo para o aumento gradual da produtividade da soja ao longo dos anos.

Fonte: Assessoria UFRGS
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Angus desenvolve base genética inédita para cruzamento industrial

Projeto em parceria com a Embrapa vai coletar seis mil amostras de bovinos meio-sangue para desenvolver modelos capazes de identificar touros Angus com maior potencial para transmitir qualidade de carne aos descendentes.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A pecuária de corte brasileira terá, pela primeira vez, uma população de referência genética formada exclusivamente por bovinos meio-sangue. A iniciativa, liderada pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, pretende desenvolver modelos capazes de identificar quais touros Angus apresentam maior potencial para transmitir características ligadas à qualidade da carne quando utilizados no cruzamento com matrizes de outras raças, como o Nelore.

Foto: Agência Result/Feicorte

O projeto representa uma das primeiras pesquisas conduzidas pela entidade após sua certificação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), obtida em 2026. Entre os resultados esperados está o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), incluindo uma voltada à maciez da carne, característica ainda inexistente nas avaliações genéticas brasileiras.

A fase de campo começa na terça-feira (14) e prevê a coleta de seis mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue certificadas pelo Programa Carne Angus Certificada. O orçamento dessa etapa já está assegurado.

Para viabilizar o estudo, pesquisadores desenvolveram um protocolo inédito de coleta utilizando a tecnologia TSU para retirar amostras de tecido muscular diretamente de carcaças resfriadas. A técnica adapta um método empregado anteriormente apenas na coleta de cartilagem da orelha para análises genéticas. “O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue”, explica Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação.

Genética voltada ao cruzamento industrial

Hoje, as avaliações genéticas relacionadas à qualidade de carcaça, como marmoreio e área de olho de lombo, são baseadas em animais de raça pura e utilizam principalmente informações obtidas por ultrassonografia.

Foto: Gustavo Rafael

Com o novo projeto, os dados fenotípicos coletados nos frigoríficos serão integrados às informações genéticas dos animais. A partir desse banco de dados, pesquisadores da Associação Brasileira de Angus e da Embrapa desenvolverão modelos estatísticos específicos para bovinos oriundos de cruzamento industrial.

Na prática, a ferramenta permitirá identificar touros com maior capacidade de transmitir atributos ligados à qualidade da carne aos descendentes, oferecendo ao pecuarista maior segurança na escolha da genética e aumentando a eficiência dos programas de melhoramento.

Ganhos produtivos e novas etapas da pesquisa

Além dos efeitos sobre a qualidade da carne, a seleção mais precisa de reprodutores pode reduzir o tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate. Com melhor conversão alimentar, o sistema tende a utilizar menos recursos naturais por quilo produzido e diminuir as emissões de gases de efeito estufa por animal ao longo do ciclo produtivo.

Foto: Divulgação/Angus

Em uma segunda etapa, condicionada à captação de novos recursos, a Associação pretende ampliar a população estudada para dez mil animais e realizar análises físico-químicas em três mil amostras de carne.

Os exames irão avaliar parâmetros como teor de gordura, pH, coloração e força de cisalhamento (shear force), indicador utilizado para medir objetivamente a maciez da carne. Essas informações servirão de base para o desenvolvimento de novas predições genéticas, incluindo uma DEP específica para maciez, inédita no país.

Fonte: Assessoria Angus
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.