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Setor lácteo sai fortalecido do Simpósio do Leite de Erechim

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Informar, levar conhecimento, apresentar novidades, fazer o setor lácteo brasileiro se tornar uma atividade ainda mais importante na economia nacional. Estas são algumas das metas do Simpósio do Leite de Erechim, evento que teve sua 12ª edição em 2015 e encerrou na tarde desta quarta-feira, em Erechim, norte do RS.

Para o coordenador geral do evento, Walmor Vanz, a meta foi mais uma vez conquistada. “Tivemos palestras do mais alto nível, proferidas por profissionais experientes, conhecedores em seus assuntos, todos professores e doutores. Além disso a participação do público nos surpreendeu positivamente nesta edição”, salienta ele.

Mais de 1.100 pessoas participaram do Simpósio, formado por três importantes eixos: Mostra de Trabalhos Científicos, Fórum Nacional de Lácteos e o Simpósio, este formado por seis palestras técnicas.

Na plateia, produtores, técnicos e estudantes aproveitaram os dois dias de qualificação para ampliar seu conhecimento na área. Walmor Vanz explica ainda que este foi o melhor de todos os eventos realizados até hoje. “Isso pela qualidade das nossas palestras, pela participação do público e parceiros e também com uma Mostra de Trabalhos Científicos que apresentou pesquisas ainda mais aprofundadas, qualificadas”, acrescenta o coordenador.

E Vanz anunciou já nesta quarta a data da 13ª edição do Simpósio. Será entre os dias 8 e 9 de junho de 2016. “Já estamos trabalhando no próximo evento, buscando os palestrantes e vamos em busca de novidades. Algumas ações devem acontecer de maneira diferente e passaremos a ter seis palestras ao longo do Simpósio”, anunciou.

Trabalhos de pesquisa são premiados

A Mostra de Trabalhos Científicos chegou a sua quarta edição em 2015. Este ano, diferente dos demais, cinco trabalhos foram premiados. A “Ensilagem do Bagaço de Azeitona com Farelo de Arroz”, apresentado por estudantes da Unipampa, de Uruguaiana foi o grande vencedor da Mostra. Os autores receberam R$ 700,00 de premiação.

O segundo lugar ficou com estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), do Paraná. Eles apresentaram estudo sobre o suplemento proteíco produzido a partir do soro de leite adoçado com “Rebaudíosideo A” na redução da hiperglicemia e colesterol em ratos diabéticos. O prêmio foi de R$ 500,00.

O terceiro lugar ficou na região norte do RS. Estudantes da Faculdade Ideau, de Getúlio Vargas conquistaram a terceira posição com o trabalho intitulado de “Relevância do Monitoramento de Corpos Cetônicos através da mensuração de Betahdroxibutirato em rebanhos leiteiros”. O prêmio foi de R$ 300,00.

A novidade na Mostra foi a premiação de mais duas categorias. Em quarto lugar e como Destaque de Melhor Apresentação Poster, ficou o trabalho sobre fraudes do leite e imagem do setor: quais agentes o consumidor responsabiliza e em quem ele confia, apresentado por estudantes do Instituto Federal de Sertão.

O trabalho “qualidade nutricional de gramíneas e leguminosas cultivadas na fronteira oeste durante o vazio forrageiro primaveril”, de estudantes da Unipampa, de Uruguaiana, ficou com a quinta colocação e sendo Destaque em Relevância Regional. Cada um destes dois trabalhos recebeu R$ 100,00 em prêmios, mais brindes de patrocinadores.

Ao final da premiação, a coordenadora da Mostra, Daniela Oliveira já anunciou a realização da quinta edição, em 2016.

Palestras destacam produção com eficiência

Seis importantes palestras foram realizadas durante o Simpósio do Leite de Erechim. O assunto de todas foi diferente, mas a relação principal foi o fato de todos os palestrantes mostrarem caminhos para produtores buscarem uma produção mais eficiente e com mais ganhos na propriedade.

O professor e doutor Marcos da Veiga falou sobre estratégias de tratamento de mastite na lactação e secagem. Destacou a importância de um acompanhamento correto da vaca contaminada para que haja a correta solução do problema e se evite com isso perdas na produção. Um dos principais especialistas do país em mastite, salientou ainda a importância de os produtores criarem protocolos na propriedade. “Buscar saber o histórico da vaca contaminada, saber quais são os agentes causadores e identificar a gravidade da infestação. É importante saber identificar se houveram casos anteriores, buscar uma correta aplicação de antibióticos, e antes da aplicação da medicação, buscar coletar amostra e trabalhar com prazos mínimos de tratamento ideais para que haja a correta solução do caso”, apontou.

As vantagens zootécnicas e econômicas em ter gado leiteiro da raça Girolando na propriedade, foi outro tema no Simpósio.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Jônadan Hsuan Min Ma, foi quem destacou o assunto. De acordo com ele, atualmente a raça ganha importância e consistência, reconhecida mundialmente. “O Girolando é muito mais do que um mero cruzamento de duas raças. É importante conhecer a solidez do seu Programa de Melhoramento Genético e as conquistas alcançadas ao longo dos mais de 25 anos da maior associação dentre as raças leiteiras do país. Uma raça consolidada que tem uma base e estrutura científica que dão suporte tecnológico do mais alto nível, equivalente as mais antigas raças do mundo, mas com tempero brasileiro da adaptabilidade às diversas condições ambientais e de manejo, da flexibilidade proporcionada pelos diversos graus de sangue e pela produtividade associada com rentabilidade, que tem mantido principalmente os pequenos produtores na atividade, aliás, a grande maioria da agricultura familiar, graças ao Girolando”, apontou Jônadan.

Outro assunto apresentado no Simpósio foi sobre a importância do volumoso na dieta de vacas leiteiras. “Durante os períodos de transição de inverno/verão e verão/inverno não temos pastagens em quantidade e qualidade suficientes para manter a produção leiteira e os frequentes períodos de estiagem severa têm agravado esse cenário. Dessa forma, conservar forragem é uma obrigação na atividade leiteira. Os volumosos conservados são a única forma de se ter alimento de boa qualidade e na quantidade correta nesse período. Outro fator importante é que a valorização das terras determina que tenhamos produtividades cada vez maiores e mais constantes para remunerar o capital investido na propriedade”, destacou o palestrante doutor e professor João Ricardo Pereira.

Planejamento e case de sucesso

Planejar para se ter sucesso. Esta foi a abordagem do palestrante é o especialista Régis Ferreira, coordenador de Pós Graduação da Rehagro. De acordo com ele, a falta de um adequado planejamento tem levado o pecuarista a administrar inadequadamente sua empresa, a propriedade. “Uma das principais causas dessa má administração provém de uma falta de objetivos claros por parte do produtor e de uma falta de conhecimento de como planejar, definindo o que produzir e quanto produzir. Na palestra em Erechim, vamos focar nas vantagens e formas de planejamento para a pecuária leiteira”, destaca Régis.

Ele cita um importante dado sobre a pecuária de leite nacional: “grande parte das propriedades que começamos a trabalhar, não sabe nem a quantidade de animais que existirão na empresa no próximo ano, uma condição básica para qualquer planejamento. Falta então um gerenciamento mais voltado ao atingir metas do que o apagar fogo, gerenciamento este que só é possível quando há um entrosamento entre proprietário e técnico”.

De sucesso na propriedade leiteira, o produtor Nivaldo Michetti entende bem. Ele apresentou um case de sucesso durante o Simpósio do Leite. A produção leiteira mudou sua vida, assim como era o título da palestra, mais motivacional do que propriamente técnica. “A intenção foi de levar aos presentes, ânimo, considerando que tendo saído do "nada" consegui, com minha família, grande mudança de vida, inclusive e principalmente, resgate da dignidade de homem do campo, que passou a entender a sua importância dentro da sociedade”, apontou Michetti.

Hoje sua vida é completamente diferente e produzir leite se tornou uma maneira de garantir subsistência com equilíbrio e sustentabilidade. Para Michetti, há bons motivos para se investir na produção de leite no Brasil. “O principal fator pró é me permitir certa autonomia, fato que nem sempre ocorre em várias outras atividades. Um outro pró que vejo, é que por ser uma atividade que exige pertinácia não se encaixa muito no espírito do nosso povo que é muito dado ao modismo e em enriquecer rápido, por isso vemos tanta gente saindo da atividade. Mais um outro é o fato de saber que o produto leite sempre faltou no mercado brasileiro, haja visto que não conseguimos a auto suficiência na produção. Isso fica absolutamente claro toda vez que explodem os preços, nas entressafras, numa tentativa bem sucedida de conter o consumo e não acontecer o desabastecimento total, o que seria caótico”, define o produtor.

Fonte: Ass. Imprensa

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Notícias Cooperativismo

Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível

Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

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A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.

Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.

A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.

Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Notícias

Quando o clima ajuda a conter a alta dos grãos

Análise da Consultoria Agro do Itaú BBA indica que o El Niño tende a redistribuir a produção entre regiões e reduzir a volatilidade dos preços, ao contrário da La Niña, que concentra perdas e pressiona o mercado global.

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Foto: Gilson Abreu

O impacto dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña sobre o mercado global de soja e milho não segue um padrão simples de alta ou baixa de preços. De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os efeitos são assimétricos, dependem da distribuição geográfica das chuvas e, sobretudo, da intensidade de cada evento.

Foto: Divulgação

No caso do fenômeno El Niño, o efeito global tende a ser mais de redistribuição do risco do que de perda generalizada de produção. Enquanto algumas regiões enfrentam restrições climáticas, como partes da Ásia e da África, grandes produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis.

Segundo a análise, esse “balanceamento geográfico” faz com que a produção global de soja, em muitos episódios, apresente até ganhos médios de 2% a 5%. No milho, o comportamento é mais neutro a levemente negativo, com perdas estimadas em até cerca de 4%, concentradas em áreas tropicais.

Esse desenho ajuda a explicar por que eventos de El Niño, especialmente os moderados, podem resultar em menor volatilidade nos preços internacionais de grãos. Com a oferta global relativamente preservada, o mercado tende a operar com estoques mais confortáveis, o que reduz a intensidade de movimentos altistas.

Em eventos mais fortes, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, não houve, segundo a consultoria, rupturas relevantes no balanço global de oferta e demanda de soja e milho, e as cotações internacionais exibiram comportamento menos volátil do que em anos neutros ou sob influência de La Niña.

O quadro muda de forma mais consistente sob influência da La Niña. Nesse cenário, o padrão climático tende a ser mais sincronizado entre grandes regiões

Foto: Divulgação

produtoras, ampliando a probabilidade de perdas simultâneas de produtividade.

A América do Sul, responsável por cerca de 65% das exportações globais de soja e fatia relevante do milho, aparece como uma das áreas mais vulneráveis a períodos prolongados de estiagem associados ao fenômeno. Episódios recentes de La Niña entre 2020 e 2022 coincidiram com secas severas no Sul da África e perdas expressivas no Cone Sul, contribuindo para forte alta nos preços internacionais em 2021 e 2022.

Nesse período, o milho chegou a superar US$ 6,50 por bushel em Chicago, enquanto a soja atingiu US$ 17 por bushel, refletindo um aperto global de oferta.

Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, essa mudança também reflete uma transformação estrutural no mercado global de grãos. Com o aumento da participação do Hemisfério Sul no comércio internacional, choques climáticos negativos passaram a ter impacto mais direto sobre a formação de preços, especialmente em anos de La Niña.

Nesse contexto, enquanto o El Niño atua mais como um fator de redistribuição regional de produção, a La Niña segue associada a maior risco de desequilíbrio global entre oferta e demanda, com efeitos mais intensos sobre as cotações de soja e milho.

Fonte: O Presente Rural
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El Niño 2026/27 pode reordenar oferta global de grãos com impactos opostos entre hemisférios, aponta Itaú BBA

Fenômeno altera padrões de chuva e temperatura no planeta, com efeitos assimétricos sobre EUA, Brasil, Argentina, Ásia e Oceania e maior risco de volatilidade agrícola.

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Foto: Shutterstock

O El Niño é um fenômeno climático de escala global associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele integra o ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que alterna entre três fases: a quente (El Niño), a fria (La Niña) e a neutra.

A fase de El Niño se caracteriza quando as temperaturas do Pacífico permanecem pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos, acompanhadas por alterações relevantes na circulação atmosférica.

Foto: José Fernando Ogura

Esse processo está ligado ao enfraquecimento ou até à inversão dos ventos alísios, o que favorece o deslocamento de águas mais quentes em direção ao leste do Pacífico e reduz a ressurgência de águas frias na costa da América do Sul. “Por cobrir cerca de um terço do planeta, o Pacífico exerce forte influência sobre a circulação atmosférica global, reorganizando padrões de chuva e temperatura em escala planetária”, afirma a Consultoria Agro Itaú BBA.

Na fase oposta do sistema, a La Niña, observa-se o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial, acompanhado pela intensificação dos ventos alísios e por efeitos climáticos em geral contrários aos do El Niño em diversas regiões do mundo.

Ao modificar a interação entre oceano e atmosfera, o ENOS altera a circulação global de umidade e, consequentemente, os regimes de precipitação em diferentes continentes.

O El Niño tende a elevar temporariamente a temperatura média global, enquanto a La Niña promove um leve resfriamento de curta duração. Em ambos os casos, há uma reorganização dos riscos climáticos em escala planetária.

Foto: Gilson Abreu

Esses eventos ocorrem, em média, a cada dois a sete anos e costumam durar entre nove e 12 meses, com impactos relativamente consistentes sobre grandes regiões agrícolas, ainda que com variações de intensidade entre episódios.

Estados Unidos: efeitos mais fortes no inverno e impacto indireto no verão

 

Nos Estados Unidos, os efeitos do El Niño são mais bem definidos no outono, inverno e início da primavera, quando o fenômeno altera de forma mais consistente os padrões de temperatura e precipitação.

Em termos gerais, o evento está associado a invernos mais amenos e úmidos no Centro-Norte do país e a condições mais secas no Sul, com destaque para o Texas.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, há registros históricos de safras elevadas no Corn Belt em episódios de El Niño de intensidade moderada, como em 2009, 2015 e 2023, quando a combinação de umidade e temperaturas mais equilibradas favoreceu o desenvolvimento das lavouras.

Ainda assim, a influência do fenômeno sobre o verão, fase crítica para o desenvolvimento de milho e soja, é menos estável e apresenta maior variabilidade, com casos pontuais em que excesso de precipitação ou ondas de calor tardias impactaram negativamente a produtividade.

Na direção oposta, a fase de La Niña tende a aumentar o risco de secas e ondas de calor no Sul dos EUA e em parte do cinturão agrícola, elevando o estresse hídrico

Foto: Divulgação

sobre as lavouras e ampliando a variabilidade produtiva.

Brasil: assimetria regional e alto grau de variabilidade produtiva

No Brasil, o El Niño acentua a heterogeneidade climática entre as regiões, provocando padrões de chuva distintos e, muitas vezes, opostos no território nacional.

No Sul, há tendência de precipitações acima da média durante a primavera e o verão, o que pode favorecer o desenvolvimento de culturas como soja e milho. Contudo, esse cenário também eleva o risco de encharcamento do solo, proliferação de doenças fúngicas e ocorrência de eventos extremos.

No Sudeste, o regime de chuvas tende a se tornar mais irregular, com alternância entre períodos mais úmidos e episódios de calor intenso, o que pode afetar o desempenho de culturas como soja, milho e cana-de-açúcar justamente em fases críticas do ciclo produtivo.

No Centro-Oeste, o principal risco está associado ao atraso do início das chuvas de primavera, o que pode reduzir a janela ideal de plantio da soja e, por consequência, comprometer o calendário da segunda safra de milho. Além disso, a maior frequência de veranicos e episódios de déficit hídrico durante o verão aumenta a vulnerabilidade das lavouras. “Em cenários de maior intensidade do fenômeno, a combinação entre atraso de plantio e irregularidade das chuvas eleva de forma relevante o risco para o milho 2ª safra no Centro-Oeste”, destaca a Consultoria Agro Itaú BBA.

Foto: Divulgação/Freepik

Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto tende a ser mais negativo, com redução mais acentuada das chuvas, o que amplia o risco de secas severas e afeta diretamente o Matopiba e áreas de agricultura de subsistência.

Mapa de risco climático no Brasil

A projeção da Consultoria Agro Itaú BBA indica que o El Niño amplia a assimetria climática no país:

  • Sul (RS, SC, PR): risco alto de excesso de chuva e inundações, com impacto também sobre qualidade sanitária das lavouras
  • Norte/Amazônia e Matopiba: risco alto de seca, queimadas e déficit hídrico
  • Centro-Oeste Norte (MT): risco de veranicos e irregularidade no plantio
  • Centro-Oeste Sul (MS e GO): risco médio-alto associado a calor excessivo
  • Sudeste: risco médio-alto de ondas de calor e chuvas irregulares

“O comportamento não é homogêneo, e o desafio central é a simultaneidade de riscos distintos dentro de um mesmo país produtor”, aponta a consultoria.

Argentina: padrão mais favorável ao El Niño

Na Argentina, o El Niño historicamente favorece a produção de soja e milho, sobretudo pelo aumento das chuvas durante a primavera-verão, período crítico para o

Foto: Divulgação

desenvolvimento das lavouras no cinturão agrícola do país.

Em anos recentes de El Niño, como 2014/15 e 2016/17, o país registrou produtividades acima da média, em contraste com os episódios de La Niña, marcados por forte restrição hídrica e perdas expressivas.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a seca prolongada de 2020–22, associada à La Niña, levou a produção de soja argentina a cerca de 25 milhões de toneladas em 2022/23, enquanto a reversão para um El Niño forte em 2023/24 permitiu recuperação relevante da oferta, com colheita próxima de 50 milhões de toneladas. “Os extremos do ENOS têm efeito direto e imediato sobre a variabilidade produtiva da Argentina, com forte sensibilidade da soja às condições de chuva no ciclo de primavera-verão”, destaca a consultoria.

Ásia e Oceania

 

Na Ásia e na Oceania, o El Niño está frequentemente associado ao enfraquecimento das monções (ventos sazonais) e à redução das chuvas, o que provoca alterações relevantes no regime hídrico de algumas das principais regiões agrícolas do mundo.

Na Índia e no Sudeste Asiático, esse padrão climático afeta diretamente culturas estratégicas como arroz, milho e cana-de-açúcar, além de impactar a produção de óleo de palma na Indonésia e na Malásia, com repercussões importantes sobre a oferta global de óleos vegetais.

Foto: Gilson Abreu

Na Austrália, o fenômeno costuma estar ligado a episódios de seca e ondas de calor, comprometendo de forma significativa a produção de trigo, como observado em eventos recentes, incluindo 2015 e 2023. “A forte dependência das monções faz com que a região responda de forma particularmente sensível às variações de temperatura do Pacífico”, observa a Consultoria Agro Itaú BBA.

Sistema climático integrado e risco de oferta global

O conjunto de evidências reforça que o El Niño não se trata de um evento isolado, mas de um componente de um sistema climático integrado, com efeitos simultâneos e interconectados em diferentes continentes.

Na leitura da Consultoria Agro Itaú BBA, o principal ponto de atenção para o ciclo 2026/27 não está apenas na intensidade do fenômeno, mas na sua capacidade de redistribuir riscos climáticos entre hemisférios, com potencial de alterar o equilíbrio global de oferta de grãos e aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas.

Fonte: O Presente Rural
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