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Setor lácteo sai fortalecido do Simpósio do Leite de Erechim

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Informar, levar conhecimento, apresentar novidades, fazer o setor lácteo brasileiro se tornar uma atividade ainda mais importante na economia nacional. Estas são algumas das metas do Simpósio do Leite de Erechim, evento que teve sua 12ª edição em 2015 e encerrou na tarde desta quarta-feira, em Erechim, norte do RS.

Para o coordenador geral do evento, Walmor Vanz, a meta foi mais uma vez conquistada. “Tivemos palestras do mais alto nível, proferidas por profissionais experientes, conhecedores em seus assuntos, todos professores e doutores. Além disso a participação do público nos surpreendeu positivamente nesta edição”, salienta ele.

Mais de 1.100 pessoas participaram do Simpósio, formado por três importantes eixos: Mostra de Trabalhos Científicos, Fórum Nacional de Lácteos e o Simpósio, este formado por seis palestras técnicas.

Na plateia, produtores, técnicos e estudantes aproveitaram os dois dias de qualificação para ampliar seu conhecimento na área. Walmor Vanz explica ainda que este foi o melhor de todos os eventos realizados até hoje. “Isso pela qualidade das nossas palestras, pela participação do público e parceiros e também com uma Mostra de Trabalhos Científicos que apresentou pesquisas ainda mais aprofundadas, qualificadas”, acrescenta o coordenador.

E Vanz anunciou já nesta quarta a data da 13ª edição do Simpósio. Será entre os dias 8 e 9 de junho de 2016. “Já estamos trabalhando no próximo evento, buscando os palestrantes e vamos em busca de novidades. Algumas ações devem acontecer de maneira diferente e passaremos a ter seis palestras ao longo do Simpósio”, anunciou.

Trabalhos de pesquisa são premiados

A Mostra de Trabalhos Científicos chegou a sua quarta edição em 2015. Este ano, diferente dos demais, cinco trabalhos foram premiados. A “Ensilagem do Bagaço de Azeitona com Farelo de Arroz”, apresentado por estudantes da Unipampa, de Uruguaiana foi o grande vencedor da Mostra. Os autores receberam R$ 700,00 de premiação.

O segundo lugar ficou com estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), do Paraná. Eles apresentaram estudo sobre o suplemento proteíco produzido a partir do soro de leite adoçado com “Rebaudíosideo A” na redução da hiperglicemia e colesterol em ratos diabéticos. O prêmio foi de R$ 500,00.

O terceiro lugar ficou na região norte do RS. Estudantes da Faculdade Ideau, de Getúlio Vargas conquistaram a terceira posição com o trabalho intitulado de “Relevância do Monitoramento de Corpos Cetônicos através da mensuração de Betahdroxibutirato em rebanhos leiteiros”. O prêmio foi de R$ 300,00.

A novidade na Mostra foi a premiação de mais duas categorias. Em quarto lugar e como Destaque de Melhor Apresentação Poster, ficou o trabalho sobre fraudes do leite e imagem do setor: quais agentes o consumidor responsabiliza e em quem ele confia, apresentado por estudantes do Instituto Federal de Sertão.

O trabalho “qualidade nutricional de gramíneas e leguminosas cultivadas na fronteira oeste durante o vazio forrageiro primaveril”, de estudantes da Unipampa, de Uruguaiana, ficou com a quinta colocação e sendo Destaque em Relevância Regional. Cada um destes dois trabalhos recebeu R$ 100,00 em prêmios, mais brindes de patrocinadores.

Ao final da premiação, a coordenadora da Mostra, Daniela Oliveira já anunciou a realização da quinta edição, em 2016.

Palestras destacam produção com eficiência

Seis importantes palestras foram realizadas durante o Simpósio do Leite de Erechim. O assunto de todas foi diferente, mas a relação principal foi o fato de todos os palestrantes mostrarem caminhos para produtores buscarem uma produção mais eficiente e com mais ganhos na propriedade.

O professor e doutor Marcos da Veiga falou sobre estratégias de tratamento de mastite na lactação e secagem. Destacou a importância de um acompanhamento correto da vaca contaminada para que haja a correta solução do problema e se evite com isso perdas na produção. Um dos principais especialistas do país em mastite, salientou ainda a importância de os produtores criarem protocolos na propriedade. “Buscar saber o histórico da vaca contaminada, saber quais são os agentes causadores e identificar a gravidade da infestação. É importante saber identificar se houveram casos anteriores, buscar uma correta aplicação de antibióticos, e antes da aplicação da medicação, buscar coletar amostra e trabalhar com prazos mínimos de tratamento ideais para que haja a correta solução do caso”, apontou.

As vantagens zootécnicas e econômicas em ter gado leiteiro da raça Girolando na propriedade, foi outro tema no Simpósio.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Jônadan Hsuan Min Ma, foi quem destacou o assunto. De acordo com ele, atualmente a raça ganha importância e consistência, reconhecida mundialmente. “O Girolando é muito mais do que um mero cruzamento de duas raças. É importante conhecer a solidez do seu Programa de Melhoramento Genético e as conquistas alcançadas ao longo dos mais de 25 anos da maior associação dentre as raças leiteiras do país. Uma raça consolidada que tem uma base e estrutura científica que dão suporte tecnológico do mais alto nível, equivalente as mais antigas raças do mundo, mas com tempero brasileiro da adaptabilidade às diversas condições ambientais e de manejo, da flexibilidade proporcionada pelos diversos graus de sangue e pela produtividade associada com rentabilidade, que tem mantido principalmente os pequenos produtores na atividade, aliás, a grande maioria da agricultura familiar, graças ao Girolando”, apontou Jônadan.

Outro assunto apresentado no Simpósio foi sobre a importância do volumoso na dieta de vacas leiteiras. “Durante os períodos de transição de inverno/verão e verão/inverno não temos pastagens em quantidade e qualidade suficientes para manter a produção leiteira e os frequentes períodos de estiagem severa têm agravado esse cenário. Dessa forma, conservar forragem é uma obrigação na atividade leiteira. Os volumosos conservados são a única forma de se ter alimento de boa qualidade e na quantidade correta nesse período. Outro fator importante é que a valorização das terras determina que tenhamos produtividades cada vez maiores e mais constantes para remunerar o capital investido na propriedade”, destacou o palestrante doutor e professor João Ricardo Pereira.

Planejamento e case de sucesso

Planejar para se ter sucesso. Esta foi a abordagem do palestrante é o especialista Régis Ferreira, coordenador de Pós Graduação da Rehagro. De acordo com ele, a falta de um adequado planejamento tem levado o pecuarista a administrar inadequadamente sua empresa, a propriedade. “Uma das principais causas dessa má administração provém de uma falta de objetivos claros por parte do produtor e de uma falta de conhecimento de como planejar, definindo o que produzir e quanto produzir. Na palestra em Erechim, vamos focar nas vantagens e formas de planejamento para a pecuária leiteira”, destaca Régis.

Ele cita um importante dado sobre a pecuária de leite nacional: “grande parte das propriedades que começamos a trabalhar, não sabe nem a quantidade de animais que existirão na empresa no próximo ano, uma condição básica para qualquer planejamento. Falta então um gerenciamento mais voltado ao atingir metas do que o apagar fogo, gerenciamento este que só é possível quando há um entrosamento entre proprietário e técnico”.

De sucesso na propriedade leiteira, o produtor Nivaldo Michetti entende bem. Ele apresentou um case de sucesso durante o Simpósio do Leite. A produção leiteira mudou sua vida, assim como era o título da palestra, mais motivacional do que propriamente técnica. “A intenção foi de levar aos presentes, ânimo, considerando que tendo saído do "nada" consegui, com minha família, grande mudança de vida, inclusive e principalmente, resgate da dignidade de homem do campo, que passou a entender a sua importância dentro da sociedade”, apontou Michetti.

Hoje sua vida é completamente diferente e produzir leite se tornou uma maneira de garantir subsistência com equilíbrio e sustentabilidade. Para Michetti, há bons motivos para se investir na produção de leite no Brasil. “O principal fator pró é me permitir certa autonomia, fato que nem sempre ocorre em várias outras atividades. Um outro pró que vejo, é que por ser uma atividade que exige pertinácia não se encaixa muito no espírito do nosso povo que é muito dado ao modismo e em enriquecer rápido, por isso vemos tanta gente saindo da atividade. Mais um outro é o fato de saber que o produto leite sempre faltou no mercado brasileiro, haja visto que não conseguimos a auto suficiência na produção. Isso fica absolutamente claro toda vez que explodem os preços, nas entressafras, numa tentativa bem sucedida de conter o consumo e não acontecer o desabastecimento total, o que seria caótico”, define o produtor.

Fonte: Ass. Imprensa

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ASBRAM debate a proteção de margens diante das guerras e do câmbio, a solidez da pecuária e o avanço do DDG

Empresas de suplementação mineral comemoram o panorama positivo para a carne bovina, apontam que o DDG vai mudar a alimentação dos rebanhos e reforçam a necessidade de lutar contra a volatilidade.

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É um mercado francamente positivo para a produção de carne bovina brasileira. Preço do bezerro subindo, produção de carne estimada em onze milhões de toneladas, 42,7 milhões de cabeças abatidas em um ano, confinamento em alta, exportação para 140 países e 1,5 milhão de cabeças de gado vivo embarcadas ao exterior. Mas no meio do caminho apareceu uma guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O que coloca em risco embarques brasileiros de carnes e grãos, alta do dólar, as importações de fertilizantes e óleo diesel, e a inflação de preços causada pela logística do petróleo internacional.

“A ureia e o fosfato não subiram tanto, mas estão subindo. Assim como o dólar, que avançou lentamente. Entretanto, o Real resiste bravamente, o Brasil vende muito petróleo, há muito óleo no mercado e ele já esteve mais caro no passado. Não estamos tão mal na fita. Por enquanto. É que os preços gerais dependem da recuperação de vários bombardeios a estações de produção e refinarias em países do Oriente Médio”, analisa Felippe Cauê Serigati, Professor da área de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGVAgro) e responsável pelo Painel de Comercialização da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementação Mineral (ASBRAM). “Efetivamente, o Brasil está mais preparado para enfrentar essa crise. Temos mais lastro do que antigamente”, reitera Rodrigo Miguel, Presidente da entidade.

Os dois participaram da reunião mensal da Associação realizada em março, que também examinou a crescimento vertiginoso da produção de etanol do milho e da consequente oferta de DDG (Dried Distillers Grains – Grãos Secos de Destilaria), um derivado de alto valor proteico e importante na mistura da alimentação oferecida aos rebanhos. “É um novo mercado que surgiu. Os Estados Unidos produziram 400 milhões de toneladas de milho e hoje usam 37% para produzir etanol. E ainda exportam para vários países, como México e Coreia do Sul. No Brasil, a corrida iniciou em 2017 e atualmente esmagamos 22,2 milhões de toneladas de milho. Em quatro anos, chegaremos a 54 milhões de toneladas”, informa Alcides Torres, da Scot Consultoria.

O especialista ainda diz que metade da produção nacional de etanol virá do milho. Hoje, são 26 usinas operando, quinze em construção e 14 em planejamento. Que já exportaram oitocentas mil toneladas de DDG no ano passado, para países como Turquia, Vietnam, Nova Zelândia e Espanha. “Mas boa parte de 16 milhões de toneladas do resíduo vai para as dietas de animais como os bovinos. Assim, contribuímos ainda mais com a sustentabilidade da pecuária, usando dejetos como alimentos de qualidade”, destaca.

“O DDG pode mesmo alterar o panorama da suplementação mineral na pecuária brasileira. O que, hoje, alteraria as dietas de mais de 65 milhões de cabeças. Com possibilidades de aumentar o número de animais que utilizam efetivamente a suplementação mineral como investimento na produção de uma carcaça de qualidade”, adiciona Felippe Serigati.

É um impacto importante para uma cadeia que vem avançando significativamente. A estabilização da moeda e o ‘Boi China’ profissionalizaram a produção, com animais precoces e mais pesados. Exportamos 40% da nossa produção em 2025. E o mundo está pagando mais em dólar e comprando mais. “E aqui dentro do nosso país, o consumo vem crescendo. Já são 32 quilos por habitante na média. Isso com o preço da carne subindo. O que significa que tem gente comprando. Pagando tão bem quanto a carne vendida lá fora. Carne é chamariz para o nosso supermercado”.

Mas os atores da cadeia produtiva precisam ficar atentos às turbulências provocadas pela guerra e ainda o ano de eleições para governos estaduais e Presidência da República. “Devemos ter um mercado instável dentro e fora do país. E o agro tem uma exposição cambial estrutural para fertilizantes, preços das commodity e máquinas, com impacto na margem das empresas. “O principal defeito das empresas é a ausência de política cambial definida. Não é para serem reativas e tentar prever o dólar. E, sim, gerir uma possível exposição. E a proteção precisa estar alinhada à estratégia da empresa. Diagnosticar, estruturar a proteção e monitorar. É uma luta contra a volatilidade”, explica Álvaro Rochefeller sócio fundador da VMB invest, credenciada à XP. “Assim, a empresa consegue prever melhor a margem, formar preços mais atraentes e ter menos imprevisibilidade nos resultados. As empresas têm que comprar muito e vender muito. E ter foco nos serviços, na política de câmbio. Margem não pode depender do mercado. Uma falha pode significar um prejuízo de R$ 30 mil em uma operação de US$ 1 milhão. No mundo gigantesco do agro, é muito dinheiro”, reforçou Enzo Pereira, Especialista em Câmbio da VMB invest.

Felippe Serigati ainda enfatizou que o Brasil cresceu 2,3% em 2025, puxado pelo agronegócio. E que não teremos crise em 2026, mas a economia vai puxar o freio. Assim como o segmento, perto de 0,85. Já a inflação seguirá caindo, com câmbio e grãos puxando para baixo. “A taxa de juros deve terminar o ano em dois dígitos, seja qual for o valor. Por causa do calor dos serviços e do desemprego em baixa. Mas não será nenhum ‘fim de mundo’. Já em 2027 o ajuste das contas terá que marcar presença forte”, analisa.

“Vamos acompanhar a aceleração da demanda pela nossa carne. Trabalhando bastante. Temos informações técnicas e materiais para auxiliar os pecuaristas. Falamos a língua deles”, aponta Leonardo Matsuda, Vice-Presidente da ASBRAM. “Tratamos de sustentabilidade, correta suplementação da pecuária e muitas campanhas. Evolução do agro, carne, leite, qualidade da nutrição e responsabilidade com a origem do alimento. Modernidade e dinamismo são nossos pilares”, finaliza Rodrigo Miguel.

Fonte: Assessoria ASBRAM
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Santa Catarina lança Coopera Agro SC e libera até R$ 1 bilhão em crédito para produtores

Programa oferece juros fixos, carência de dois anos e prazo de até oito anos para impulsionar investimentos em suínos e aves integrados a cooperativas e agroindústrias.

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Anúncio foi feito pelo governador Jorginho Mello durante a abertura da ExpoCampos 2026, em Campos Novos - Fotos: Leo Munhoz/Secom GOVSC

Mais crédito, menos custo e mais tempo para investir. É com essa lógica que o Governo de Santa Catarina lançou o Programa Coopera Agro SC, que vai fomentar até R$ 1 bilhão em financiamentos destinados para produtores rurais de suínos e aves integrados às cooperativas e agroindústrias. Esse é um dos maiores programas estaduais do país de financiamento para o agronegócio, no setor de proteína animal. O lançamento foi realizado pelo governador Jorginho Mello nesse sábado, 28, na abertura da 19ª ExpoCampos 2026, em Campos Novos.

O Coopera Agro SC tem potencial de gerar até R$ 26 bilhões em impacto econômico, criar cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos e beneficiar mais de 120 mil produtores rurais em Santa Catarina. Os financiamentos terão taxa de juros fixa de 9% ao ano, dois anos de carência e oito anos para quitação.

“O Coopera Agro SC chegou para destravar investimentos, gerar oportunidades e fortalecer o agronegócio, que é um dos pilares da nossa economia. Vamos alavancar e estimular projetos que trarão retorno com mais renda e geração de empregos para esse setor tão importante, que leva a proteína animal para mais de 150 países”, destacou o governador Jorginho Mello.

Instituído pela Lei nº 19.666 e sancionado pelo governador Jorginho Mello em dezembro de 2025, o programa é coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e operacionalizado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a construção teve participação efetiva da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan). O objetivo é ampliar a competitividade do campo, destravar investimentos e promover desenvolvimento sustentável em todas as regiões catarinenses.

Os financiamentos serão destinados prioritariamente a projetos de infraestrutura de produção, gestão hídrica e melhoria da eficiência produtiva; modernização tecnológica e automação; sustentabilidade ambiental e redução de emissões e produção de insumos estratégicos para o agronegócio catarinense.

“O programa oferece condições reais para que os produtores, cooperativas e agroindústrias possam investir e crescer. É resultado de um intenso estudo do Governo do Estado para atender na ponta as reais necessidades da cadeia de proteína animal”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.

Produtores

O Coopera Agro SC vai possibilitar a expansão pra muita gente. Sonhos vão poder sair do papel, como os do produtor rural Eduardo Elias Port, da cidade de Concórdia. Ele e a família criam suínos, na fase de terminação (próximo ao abate). O pensamento é usar o possível financiamento para aumentar a produção e trazer mais tecnologia nos equipamentos da granja. Mas, para ele, outro fator importante da iniciativa do Governo é possibilitar a sucessão familiar, afastando a necessidade do jovem abandonar o campo em busca de emprego nas grandes cidades.

“Eu acredito que é fundamental, até pelo fato do jovem hoje não estar querendo ficar muito no campo, né? Então, o governo colocando novas linhas, eu acredito que ajudaria muito ao jovem ficar na propriedade também”, avalia o jovem produtor.

Ainda em Concórdia, o produtor rural Anselmo Antônio Ludea tem criação de aves e porcos. Depois de quarenta anos de trabalho, ele produz hoje 90 mil frangos, 7,5 mil suínos, além do milho que planta em cerca de 30 hectares. Tudo conquistado com muito suor e financiamentos diversos, mas que hoje em dia cobram juros altos e adiaram o sonho da expansão. Com a chegada do Coopera Agro SC, a intenção é voltar a expandir o negócio.

“Eu acho que vem em boa hora porque assim eu tinha um projeto para cinco aviários, era para ser feito ano passado, 2025. Não viabilizou por causa do juro muito alto, não dá viabilidade, então a gente deu um passo para trás e parou. Agora com essa nova modalidade, eu acho que a gente vai refazer as contas e acredito que seja viável. Isso aumentaria duas vezes ou mais do que eu tenho, porque seria 250 mil aves que iriam nesses cinco aviários”, comemora Anselmo.

Operacionalização

A operacionalização financeira será conduzida em parceria entre o Governo do Estado e BRDE, por meio da aquisição de Letras Financeiras com prazo de 10 anos. Os recursos serão viabilizados por meio de subprogramas de crédito operados pelo BRDE, com aporte de até R$ 200 milhões do Estado e até R$ 800 milhões do setor privado, inclusive com a possibilidade de utilização de créditos acumulados de ICMS.

O programa é constituído por um Comitê Gestor do Programa Coopera Agro SC, com representantes da Sape, da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e do BRDE, responsável por acompanhar a execução do programa, monitorar resultados e propor aperfeiçoamentos. Para acessar o programa, os produtores devem entrar em contato com as cooperativas ou agroindústrias às quais estão integrados.

Trabalho integrado

O Programa contou com a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), que teve papel central na concepção, coordenação e estruturação da iniciativa. Por meio do Escritório de Projetos de Santa Catarina (Eproj), contribuiu diretamente na elaboração do projeto, na modelagem da solução e também na construção dos instrumentos legais necessários à sua viabilização, incluindo a minuta da Lei e do Decreto que darão sustentação normativa à ação. O resultado é um programa robusto, com elevada segurança jurídica, modelo operacional simplificado e forte capacidade de replicação, posicionando Santa Catarina como referência nacional em políticas públicas inovadoras voltadas ao agronegócio.

Fonte: Assessoria Secom GOVSC
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Produção de ração animal deve atingir 97 milhões de toneladas em 2026

Após crescimento superior a 3% em 2025, o setor acompanha a recuperação das cadeias de proteína animal e o aumento da demanda nacional e internacional.

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Foto: Shutterstock

O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) confirma o crescimento do setor em 2025, acompanhando a recuperação das cadeias de proteína animal e a melhora nas condições de custo dos principais insumos. A produção nacional de rações e suplementos atingiu cerca de 94 milhões de toneladas, avanço superior a 3% em relação às 91 milhões de toneladas registradas em 2024.

Para 2026, a projeção do setor aponta para 97 milhões de toneladas, consolidando um ciclo de expansão moderada, sustentado pela intensificação da produção pecuária e pelo aumento da demanda por proteína animal no Brasil e no exterior.

Foto: Divulgação/Arquivo OP Rural

“Após um período de maior volatilidade, especialmente associado aos custos de grãos e ao ambiente macroeconômico, o setor voltou a apresentar crescimento consistente. A cadeia de alimentação animal segue o desempenho da produção pecuária e aquícola no país”, afirma Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.

Entre os segmentos que mais consomem ração, a avicultura de corte manteve crescimento consistente. A produção passou de 36,9 milhões de toneladas em 2024 para 37,85 milhões em 2025, alta de 2,5%. O desempenho acompanha o aumento do abate de frangos, que cresceu 3,1% no ano, segundo dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2026, a expectativa é de que o consumo de ração no segmento chegue a 39,1 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelas exportações.

A produção de ovos também segue em expansão e tem ampliado a demanda por nutrição animal. A produção de ração para poedeiras comerciais avançou de 7,18 milhões de toneladas em 2024 para 7,43 milhões em 2025, crescimento de 3,5%. No mesmo período, a produção nacional de ovos aumentou 5,6%, refletindo a ampliação do consumo doméstico. Para 2026, a projeção é de 7,73 milhões de toneladas.

Na suinocultura, a demanda por ração apresentou recuperação gradual após um período de maior volatilidade no setor. O consumo passou de 21,6 milhões de toneladas em 2024 para 22,5 milhões em 2025, alta de 4,2%. O abate de suínos cresceu 4,3% no ano, sinalizando retomada da produção. Para 2026, a previsão é de 23,1 milhões de toneladas de ração destinadas à atividade.

A bovinocultura de corte foi um dos destaques do ano, impulsionada pela expansão do confinamento no país. A produção de ração destinada ao segmento avançou de 7,22 milhões de toneladas em 2024 para 7,76 milhões em 2025, crescimento de 7,5%. O abate de bovinos aumentou 8,2%, segundo o IBGE.

Dados do Censo do Confinamento, elaborado pelo Cepea/Esalq/USP, indicam que o número de animais confinados saltou de 7,96 milhões de cabeças em 2024 para 9,25 milhões em 2025, expansão de 16%. Para 2026, o volume pode se aproximar de 10 milhões de cabeças, o que tende a ampliar ainda mais o consumo de ração no segmento.

“O avanço do confinamento é um dos fatores estruturais mais relevantes para o crescimento da indústria de alimentação animal. À medida que a pecuária brasileira se intensifica, a nutrição passa a desempenhar papel cada vez mais estratégico para ganhos de produtividade e eficiência”, destaca Zani.

Apesar do cenário positivo, o setor acompanha com cautela os desdobramentos do comércio internacional, especialmente após a aplicação de salvaguardas pela China às importações de carne bovina, com cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas e tarifas adicionais para volumes excedentes.

Na pecuária leiteira, a demanda por ração também cresceu de forma expressiva. O consumo passou de 7,1 milhões de toneladas em 2024 para 7,66 milhões em 2025, alta de 7,9%. De acordo com dados preliminares do IBGE, a aquisição formal de leite aumentou 8% no período, indicando recuperação da produção. Para 2026, a expectativa é de 7,9 milhões de toneladas de ração.

O mercado de alimentos para cães e gatos manteve expansão mais moderada, porém consistente. A produção passou de 4,01 milhões de toneladas em 2024 para 4,04 milhões em 2025, com projeção de 4,15 milhões de toneladas em 2026. O crescimento tem sido impulsionado pela maior preocupação dos tutores com nutrição, saúde e bem-estar dos animais de estimação, além da expansão de canais digitais de venda.

“A humanização dos pets tem impulsionado a evolução do mercado, com maior demanda por produtos nutricionalmente mais completos, formulações especializadas e soluções voltadas à saúde e longevidade dos animais”, acrescenta o CEO do Sindirações.

Já a aquicultura segue entre os segmentos mais dinâmicos da cadeia. A produção de ração avançou de 1,79 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão em 2025, crescimento de 5,3%. A piscicultura brasileira já ultrapassa 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, com predominância da tilápia.

Para 2026, a previsão é que a produção de ração para aquicultura se aproxime de 2 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento das exportações, pelo crescimento do consumo interno de pescado e pelos avanços tecnológicos na produção.

“O triênio 2024–2026 confirma uma trajetória de expansão gradual da indústria de alimentação animal, sustentada pela evolução simultânea das cadeias de proteína animal. No entanto, fatores geopolíticos e comerciais tendem a exercer influência crescente sobre o ambiente de negócios do setor”, conclui Zani.

Fonte: Assessoria Sindirações
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