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Setor de Distribuição de Insumos Agropecuários registra faturamento de R$ 167 bilhões em 2024
Resultado da Pesquisa Nacional da Distribuição, apresentada no Congresso Andav 2025, reforça a força do setor na cadeia produtiva agropecuária e evidencia o papel estratégico do distribuidor na chegada de insumos às propriedades rurais e na geração de valor para o produtor.

O mercado de Distribuição de Insumos Agropecuários é fundamental para o desenvolvimento sustentável do agro brasileiro. Com abrangência nacional, os associados da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) registraram um faturamento de R$ 167 bilhões em 2024. Essa informação, divulgada no Congresso Andav 2025, faz parte da Pesquisa Nacional da Distribuição.

Fotos: Divulgação/FD Fotografia
Outro dado da pesquisa da Andav aponta que em torno de 50% do total de insumos chega as propriedades rurais através do distribuidor. “As políticas comerciais precisam ser bem definidas com estratégia para gerar valor. A relação com seu cliente precisa ser de confiança baseada em uma política comercial direta, objetiva e transparente que a longo prazo é benéfico para a viabilidade do negócio”, contou Benhur Vione, diretor de Insumos da 3Tentos, no Painel do Distribuidor “Acesso ao Mercado”.
Ângelo Siqueira, diretor geral da Crop Agrícola, acrescentou que a disciplina comercial está atrelada à valorização das pessoas investindo em treinamentos para uma consultoria de excelência. “No Nordeste, onde atuamos, o produtor espera que nossa distribuição auxilie o seu dia a dia de forma eficiente”, disse.
A Agroshop, que atua em Minas Gerais, busca profissionais qualificados no mercado para trabalhar em áreas de pessoas e logística. “Definimos processos internos, planos de sucessão e isso ajudou muito a relação com o fornecedor e acesso ao crédito”, afirmou Mário Augusto, CEO da Agroshop.
O moderador Alberto Yoshida, gerente de Relações Institucionais e Novos Negócios da Adubos Real, trouxe um dado que 77% das empresas associadas à Andav possuem mais de 11 anos de atuação no mercado com uma relação de confiança e escuta ativa.

Carlos Cogo destaca que, apesar da baixa margem da soja, com lucro líquido estimado em 2,4% na safra 2025/2026, ainda há oportunidades no mercado futuro para o produtor brasileiro”
Nesse sentido, Ricardo Bonacin, CEO da Núcleo Agrícola, disse que utiliza ferramentas para ajudar nas avaliações e nas respostas dos seus clientes, contribuindo para aprimorar o plano de Governança e entender o que pensa o produtor e o futuro da empresa. “Uma governança bem alinhada institucionalmente abre portas, auxiliando fornecedores, envolvendo a comunidade local e, por fim, gerando valor para o produtor rural”, complementou.
Yoshida trouxe também um dado recente da Andav, que mostra que 32% dos distribuidores têm como objetivo a expansão e a diversificação do portfólio de produtos e serviços.
Cenário para o agronegócio
A produção de soja no Brasil segue em expansão, mesmo em ritmo mais moderado, enquanto Estados Unidos e Argentina não tem avançado na produção. “Como planta soja no verão e milho na segunda safra, a escala é cada vez maior e o País pode se dar ao luxo de avançar na soja e avançar no milho simultaneamente. Há ainda uma oportunidade no mercado futuro, em que pese o lucro líquido da soja estar baixo, na casa de 1,3% este ano e de 2,4% na safra 2025/2026”, constatou Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio.
O milho também apresenta perspectivas positivas, com expansão da produção e do mercado para etanol. A oferta para 2025 é de 135,1 milhões de toneladas, há 47 usinas em atividade e em produção, com 8,2 bilhões de litros e 7,3 milhões de toneladas de DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis).
Em sua apresentação, Cogo afirmou que o Brasil precisa retomar o pragmatismo diplomático da negociação. “Hoje, no mundo, temos 33 guerras e mais uma guerra comercial tarifária com escala global. O Brasil tem de buscar negociar sem se envolver na guerra”, afirmou.

Daniel Dias encerrou o primeiro dia do Congresso Andav 2025 com uma palestra inspiradora sobre superação, propósito e atitude positiva
Ele encerrou sua abordagem listando os cinco macrodesafios para o Brasil até 2035: evolução da área irrigada, crescimento da capacidade de armazenagem, melhoramento na logística, formação, captação e retenção de mão de obra e crédito.
Superando os desafios
“Sorria pra a vida” foi o tema da palestra motivacional de Daniel Dias, na última terça-feira (05), marcando o encerramento do primeiro dia do Congresso Andav 2025. Para ele, desafios fazem parte do cotidiano, e precisam ser superados na busca pela medalha de ouro, com planejamento, processo, foco e determinação, inclusive porque nem todos os dias é possível acordar motivado para conquistar algo.
A receita de Dias para se posicionar acima da média também envolve saber onde quer chegar, aprender a agradecer, trabalhar em equipe, porque o mesmo propósito traz unidade, e sorrir, pois “o sorriso faz você aproveitar o momento presente, gera endorfina e dá bem-estar, aproxima, apaixona, traz alegria e felicidade. O sorriso deixa o processo mais leve.”
O Congresso Andav 2025 reuniu 250 marcas nacionais e internacionais e 15 mil profissionais, um público altamente qualificado, formado por distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos de vendas, pesquisadores e especialistas das áreas relacionadas. O evento é considerado o principal ponto de encontro para networking e atualização de conhecimento do setor de Distribuição de Insumos Agropecuários no país.

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



