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Setor agropecuário ganha status de protagonista global após COP30
Setor reforça transparência, combate à desinformação e avança no debate global com a AgriZone, articulação legislativa e reconhecimento internacional da agricultura tropical.

A superintendente do Sistema OCB e presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella, destacou, na última quarta-feira (19), que o agro brasileiro encerra sua participação na COP30 mais forte, mais preparado e reconhecido internacionalmente como parte decisiva das soluções climáticas. A fala ocorreu durante o painel O Legado da COP30, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na Blue Zone.
Tania ressaltou que a presença coordenada de entidades como Sistema OCB, CNA e outras organizações do setor produtivo foi determinante para mostrar com números, dados e informações o que o agro de fato faz pela sustentabilidade.
Segundo ela, a decisão de ocupar espaços estratégicos da conferência garantiu que a agricultura tropical brasileira fosse apresentada com transparência, consistência técnica e evidências concretas de resultados. “Nós saímos muito melhores do que entramos. Trouxemos informações, combatemos a desinformação e mostramos o que o agro faz”, afirmou.
Em sua avaliação, o evento abre uma nova agenda de trabalho para o agro brasileiro, que segue a partir da COP com desafios de diálogo, negociação e articulação legislativa. “Esta COP deixa uma semente muito bem plantada. Agora começa um trabalho árduo de alinhamentos e debates no Parlamento para fortalecer segurança jurídica e ampliar o uso de tecnologias e práticas sustentáveis pelo produtor rural”, completou.
Reconhecimento internacional do agro brasileiro
O painel reuniu lideranças do setor produtivo, especialistas, representantes internacionais e parlamentares que analisaram o protagonismo inédito do agro na COP30.
O presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço, destacou a criação da AgriZone, primeiro espaço dedicado exclusivamente ao agro dentro de uma conferência do clima. “A COP permitiu mostrar ao mundo uma produção sustentável amparada por uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta”, ressaltou
O enviado especial da agricultura para a COP30, ex-ministro da Agricultura e ex-presidente do Sistema OCB, Roberto Rodrigues, disse que esta edição foi um divisor de águas e consolidou o agro brasileiro como solução climática global.
A avaliação foi compartilhada pelo vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (Freencoop), deputado Arnaldo Jardim (SP), que ressaltou o papel do setor como produtor de biocombustíveis, sequestrador de carbono e protagonista da agenda legislativa de sustentabilidade.
Para o deputado Henderson Pinto (PA), o legado da COP30 torna impossível que a comunidade internacional ignore um setor que representa quase 30% do PIB brasileiro e alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. “É um setor que pratica as técnicas mais sustentáveis do planeta”, reforçou.
Agro latino-americano como referência
O diretor-geral do IICA, Muhammad Ibrahim, afirmou que Brasil e América Latina despontam como referências globais em agricultura de baixo carbono e inovação tecnológica aplicada ao campo. A representante da Organização Mundial dos Agricultores (WFO), Luisa Volpe, acrescentou que esta foi a primeira conferência do clima em que o agro assumiu papel central como solução, e não como problema.
O coordenador da FGV Agro, Guilherme Bastos, também destacou o avanço do setor, que passa a ocupar posição estratégica no debate climático global com tecnologias capazes de sequestrar carbono e impulsionar práticas sustentáveis de forma escalável.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
Notícias
Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



