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Seminário internacional debate futuro da indústria da carne
Evento em Chapecó reuniu especialistas e lideranças para discutir inovação, qualidade e tendências do setor em um mercado global em transformação.

O SENAI/SC reuniu especialistas e lideranças da cadeia de proteínas no 14º Seminário Internacional de Industrialização da Carne, realizado em Chapecó (SC) nesta terça-feira (18), no Hotel Kindermann. Com programação paralela à Mercoagro 2026 – Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne –, o encontro debateu inovação, tecnologia e tendências que influenciam a competitividade do setor em um ambiente de mudanças no mercado global.
O coordenador geral da Mercoagro, Nadir José Cervellin, destacou a relevância da pesquisa estar ligada a indústria e que a feira possui três pilares: negócios, relacionamento e conhecimento. “Quando a pesquisa caminha junto com a indústria, ela vira resultado, vira competitividade e vira solução aplicada no dia a dia das empresas. A Mercoagro nasceu com esse propósito e segue fiel a ele. Por isso, trabalhamos para que a feira seja um ambiente completo: um espaço para gerar negócios, fortalecer conexões e, principalmente, compartilhar conhecimento que prepara o setor para os próximos desafios”, afirmou.
O diretor-regional do SENAI e diretor de Gestão de Mercado, Fabrizio Pereira, abordou a pujança do setor de alimentos na região oeste de Santa Catarina e os serviços que a FIESC oferece para fortalecer a indústria. “Para se ter uma ideia, cerca de 33% de tudo o que é produzido no estado acontece nesse eixo que vai de Joaçaba até a fronteira. É algo realmente expressivo. Mesmo diante dos desafios logísticos que a região enfrenta há anos, a força, a competência e a qualidade das pessoas fazem toda a diferença”.
Geopolítica no mercado de carnes

O SENAI/SC reuniu especialistas e lideranças da cadeia de proteínas no 14º Seminário Internacional de Industrialização da Carne – Foto: Alessandra Favretto/MB Comunicação
Para abrir o cronograma de palestras, o diretor executivo do Sindicarne, Jorge Luiz de Lima, apresentou os impactos da geopolítica no mercado de carnes. Para dimensionar a relevância do setor, ele apresentou alguns números: embora o estado tenha pouco mais de 1% do território nacional, lidera a produção e exportação de carne suína no Brasil e ocupa a segunda posição na produção de frango, atrás apenas do Paraná. Junto com Paraná e Rio Grande do Sul, Santa Catarina concentra 75% da produção nacional de frango e 85% da produção de suínos, evidenciando a força da região Sul nesse segmento.
Jorge pontuou a dimensão da cadeia produtiva no estado de Santa Catarina. “As grandes agroindústrias empregam cerca de 60 mil pessoas diretamente, mas, considerando toda a cadeia, desde pequenos abatedouros até serviços indiretos, o número chega a 124 mil empregos. Além disso, esses postos diretos geram aproximadamente 480 mil empregos indiretos, envolvendo atividades como transporte, logística e fornecimento de insumos”.
Para ilustrar a dimensão logística do setor, Lima destacou que uma única planta produtiva com capacidade para 200 mil aves ou 5 mil suínos por dia pode gerar uma movimentação diária de cerca de 5.240 viagens de caminhões. “A complexidade logística também se reflete no trabalho de campo, pois cada motorista percorre, em média, 3 mil quilômetros por mês, e o setor conta com cerca de 1.200 profissionais nessa função. No transporte internacional, são movimentados cerca de 90 mil contêineres por ano uma média de 344 por dia com aproximadamente 167 caminhões circulando diariamente entre o Oeste e os portos do litoral. Esse volume gera custos expressivos. O transporte de cargas representa uma despesa anual de cerca de R$ 3 bilhões, enquanto os custos portuários somam aproximadamente R$ 50 milhões”.
De acordo com Lima os conflitos geopolíticos internacionais têm impacto direto sobre o setor. Ele citou, principalmente, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, como o conflito envolvendo o Irã. Antes de abordar os efeitos de mercado, ressaltou que qualquer conflito bélico representa uma tragédia humana embora, inevitavelmente, também traga consequências econômicas. “Santa Catarina exporta para mais de 150 destinos, com mercados relevantes como Japão, China, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Reino Unido e países europeus. Essa ampla presença internacional faz com que o setor seja altamente sensível a mudanças geopolíticas. No caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, o impacto foi imediato, especialmente no custo dos insumos. A Ucrânia é um dos maiores produtores de milho do mundo, e, com o início do conflito, o preço do grão disparou, chegando a cerca de R$ 113 por saca em Chapecó. Atualmente, o valor se estabilizou em torno de R$ 67, com variações recentes influenciadas por novos conflitos”, concluiu.
Alto valor agregado

Lideranças e dirigentes marcam presença no evento – Foto: Débora Favretto/MB Comunicação
O pesquisador da AgResearch Ltd, Dr. Mustafa Farouk, veio da Nova Zelândia para o seminário e palestrou sobre o desenvolvimento de produtos cárneos com alto valor agregado. Ao abordar a geração de valor na indústria da carne, Farouk destacou três pontos centrais. O primeiro é que, independentemente do perfil do consumidor há uma pergunta essencial que orienta as escolhas de consumo: “como aquele alimento impacta sua saúde física e mental ao longo da vida?”.
O segundo ponto é o potencial ainda não totalmente explorado da carcaça. Segundo o pesquisador, seja na carne bovina, suína ou de outras espécies, ainda há espaço para extrair mais valor a partir de cada animal e ampliar o aproveitamento de seus componentes. Já o terceiro aspecto aponta para uma mudança de lógica: não é mais possível agregar valor apenas aumentando a produção ou aproveitando ao máximo a matéria prima. O verdadeiro ganho, daqui para frente, está em compreender melhor o consumidor e suas demandas. “O valor não está mais em produzir mais, mas em produzir melhor para quem vai consumir”, resumiu.
Para Farouk, o desafio está na forma de apresentar os produtos ao consumidor. Cortes como fígado, coração e rins enfrentam resistência quando oferecidos de forma tradicional. “No entanto, quando incorporados a novos formatos como produtos processados ou combinados com outros ingredientes, podem ganhar aceitação e abrir novas oportunidades de mercado. Não se trata apenas do que temos, mas de como entregamos isso ao consumidor”.
Qualidade da carne
O professor Dr. Márcio Duarte, da University of Guelph e da Universidade Federal de Viçosa, discutiu a influência da suplementação na qualidade da carne, relacionando manejo, nutrição e atributos finais do produto. Ao abordar os fatores que determinam a qualidade da carne, o palestrante explicou que é essencial compreender a diferença entre músculo e carne. “A carne, como produto final, é resultado da transformação do tecido muscular, e são as células presentes nesse tecido que determinam atributos como maciez, suculência e valor agregado”.
Duarte defendeu a necessidade de compreender toda a dinâmica de crescimento, desde a concepção até o abate. Um animal abatido aos 21 meses, por exemplo, já carrega influências de todo o seu desenvolvimento, iniciado ainda no período gestacional. “A qualidade da carne não se constrói apenas no final do processo, mas ao longo de toda a vida do animal”, sintetizou.

O seminário foi encerrado com o painel “Tendências, desafios e perspectivas para o futuro da indústria da carne” – Foto: Alessandra Favretto/MB Comunicação
O palestrante explicou que, ainda no útero materno, ocorre a formação dos principais tecidos que darão origem à carne. Esses tecidos têm uma origem comum, a partir de um conjunto limitado de células, cuja maior capacidade de multiplicação está concentrada nas fases iniciais do desenvolvimento. Após os primeiros meses de vida, especialmente depois dos sete meses, essa capacidade de proliferação celular diminui significativamente. Isso significa que o animal passa a ter um “estoque” limitado de células capazes de formar gordura intramuscular, o marmoreio.
Na prática, isso explica por que estratégias focadas apenas na terminação nem sempre funcionam. “Você pode oferecer uma dieta rica em energia, mas se o animal não desenvolveu essas células antes, ele simplesmente não terá capacidade de formar o tecido que gera valor”, reiterou Duarte. Diante disso, o caminho apontado é antecipar as estratégias nutricionais e de manejo, atuar desde as fases iniciais, e até mesmo durante a gestação, para estimular o desenvolvimento dessas estruturas.
Alimentos processados
O representante da Corbion, Msc. João Yunes, apresentou tendências de ingredientes naturais e sustentáveis em alimentos processados. Yunes frisou que no Brasil já produzimos a partir da fermentação natural produtos que se mantem na temperatura ambiente, isso, mesmo que acompanhe gerações é inovação. No entanto, para indústria é preciso pensar como manter alimentos fermentados para as prateleiras do mundo inteiro. Ao aprofundar o tema da conservação, o palestrante destacou que a deterioração de produtos cárneos ocorre, basicamente, por dois caminhos: biológico e químico.
Ao falar sobre inovação, ele ressaltou que o primeiro limite é regulatório. “Não adianta desenvolver uma solução se ela não é permitida pela legislação”, pontuou e ressaltou que as regras variam entre países, mas seguem diretrizes semelhantes no mundo todo.
Entre os principais conservantes utilizados na indústria de carnes, destacam-se os ácidos orgânicos e seus derivados, responsáveis por grande parte das aplicações. O ácido lático, por exemplo, origina o lactato, amplamente utilizado no Brasil, especialmente em produtos armazenados em temperatura ambiente. Já o ácido acético dá origem aos acetatos, que atuam de forma complementar, especialmente no controle de microrganismos como a Listeria. Outros compostos incluem os propionatos, com ação antifúngica, e os sorbatos, que também têm aplicação na conservação de alimentos, dependendo da legislação local.
Segundo Yunes, o sucesso na conservação está na combinação adequada desses compostos. “Os conservantes atuam de forma sinérgica. Quando combinamos corretamente, conseguimos aumentar o shelf life e garantir a segurança alimentar”, explicou.
Inteligência artificial
O professor Dr. João Dorea, da University of Wisconsin, abordou o emprego de inteligência artificial na prevenção da qualidade da carne. O foco do trabalho está em integrar dados para tornar a tomada de decisão mais precisa e menos subjetiva. “A ideia é usar inteligência artificial para monitorar o animal e combinar essas informações com outros dados, gerando uma gestão mais eficiente”, explicou. Inicialmente aplicadas dentro das fazendas, agora essas tecnologias começam a avançar também para a indústria, sendo utilizadas no monitoramento de processos após a saída da porteira.
O uso de câmeras, por exemplo, permite acompanhar o comportamento dos animais em larga escala, analisar aspectos como movimentação, postura e possíveis problemas de locomoção. Sistemas de visão computacional conseguem identificar padrões, como a curvatura da coluna ou o posicionamento das articulações o que indica precocemente alterações na saúde do animal. Essas mesmas tecnologias podem ser aplicadas na indústria para avaliar carcaças e contribuir para análises de qualidade da carne.
Dorea explicou a inteligência artificial que desenvolveu para solucionar um desafio prático da indústria da carne: a falta de padronização dos cortes, especialmente em animais mestiços. Utilizando ultrassom, imagens 3D e modelos computacionais, a equipe conseguiu prever ainda no animal vivo características como área e formato do ribeye, corte bastante valorizado comercialmente. Segundo ele, os resultados mostraram que a tecnologia consegue identificar padrões que análises biométricas tradicionais, como peso e comprimento do animal, não conseguem captar com a mesma precisão.
A pesquisa avançou também para a predição da maciez da carne a partir de imagens simples, inclusive feitas com câmera de celular. Em parceria com outros pesquisadores, foi desenvolvido um modelo capaz de estimar esse atributo, que normalmente é difícil de ser percebido até por especialistas apenas pela aparência do bife. Para o pesquisador, esse tipo de ferramenta pode trazer ganhos tanto para a indústria, ao aumentar a previsibilidade e a padronização dos produtos, quanto para o consumidor, que poderá fazer escolhas mais conscientes com base em informações mais confiáveis sobre a qualidade da carne.
O seminário foi encerrado com o painel “Tendências, desafios e perspectivas para o futuro da indústria da carne”, que reuniu o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, o gerente executivo do Sindicarne, Jorge Luiz de Lima, o diretor vice-presidente de Agro e Qualidade da MBRF, Fabio Duarte Stumpf, e o coordenador geral da Mercoagro, Nadir José Cervelin. A discussão abordou os caminhos para manter a competitividade do setor diante de um mercado global mais exigente, com destaque para inovação aplicada, qualidade e eficiência ao longo da cadeia produtiva, além da importância de integrar pesquisa e indústria para transformar conhecimento em resultados e oportunidades de negócios.

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

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das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

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Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

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A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.



