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Seminário internacional debate futuro da indústria da carne
Evento em Chapecó reuniu especialistas e lideranças para discutir inovação, qualidade e tendências do setor em um mercado global em transformação.

O SENAI/SC reuniu especialistas e lideranças da cadeia de proteínas no 14º Seminário Internacional de Industrialização da Carne, realizado em Chapecó (SC) nesta terça-feira (18), no Hotel Kindermann. Com programação paralela à Mercoagro 2026 – Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne –, o encontro debateu inovação, tecnologia e tendências que influenciam a competitividade do setor em um ambiente de mudanças no mercado global.
O coordenador geral da Mercoagro, Nadir José Cervellin, destacou a relevância da pesquisa estar ligada a indústria e que a feira possui três pilares: negócios, relacionamento e conhecimento. “Quando a pesquisa caminha junto com a indústria, ela vira resultado, vira competitividade e vira solução aplicada no dia a dia das empresas. A Mercoagro nasceu com esse propósito e segue fiel a ele. Por isso, trabalhamos para que a feira seja um ambiente completo: um espaço para gerar negócios, fortalecer conexões e, principalmente, compartilhar conhecimento que prepara o setor para os próximos desafios”, afirmou.
O diretor-regional do SENAI e diretor de Gestão de Mercado, Fabrizio Pereira, abordou a pujança do setor de alimentos na região oeste de Santa Catarina e os serviços que a FIESC oferece para fortalecer a indústria. “Para se ter uma ideia, cerca de 33% de tudo o que é produzido no estado acontece nesse eixo que vai de Joaçaba até a fronteira. É algo realmente expressivo. Mesmo diante dos desafios logísticos que a região enfrenta há anos, a força, a competência e a qualidade das pessoas fazem toda a diferença”.
Geopolítica no mercado de carnes

O SENAI/SC reuniu especialistas e lideranças da cadeia de proteínas no 14º Seminário Internacional de Industrialização da Carne – Foto: Alessandra Favretto/MB Comunicação
Para abrir o cronograma de palestras, o diretor executivo do Sindicarne, Jorge Luiz de Lima, apresentou os impactos da geopolítica no mercado de carnes. Para dimensionar a relevância do setor, ele apresentou alguns números: embora o estado tenha pouco mais de 1% do território nacional, lidera a produção e exportação de carne suína no Brasil e ocupa a segunda posição na produção de frango, atrás apenas do Paraná. Junto com Paraná e Rio Grande do Sul, Santa Catarina concentra 75% da produção nacional de frango e 85% da produção de suínos, evidenciando a força da região Sul nesse segmento.
Jorge pontuou a dimensão da cadeia produtiva no estado de Santa Catarina. “As grandes agroindústrias empregam cerca de 60 mil pessoas diretamente, mas, considerando toda a cadeia, desde pequenos abatedouros até serviços indiretos, o número chega a 124 mil empregos. Além disso, esses postos diretos geram aproximadamente 480 mil empregos indiretos, envolvendo atividades como transporte, logística e fornecimento de insumos”.
Para ilustrar a dimensão logística do setor, Lima destacou que uma única planta produtiva com capacidade para 200 mil aves ou 5 mil suínos por dia pode gerar uma movimentação diária de cerca de 5.240 viagens de caminhões. “A complexidade logística também se reflete no trabalho de campo, pois cada motorista percorre, em média, 3 mil quilômetros por mês, e o setor conta com cerca de 1.200 profissionais nessa função. No transporte internacional, são movimentados cerca de 90 mil contêineres por ano uma média de 344 por dia com aproximadamente 167 caminhões circulando diariamente entre o Oeste e os portos do litoral. Esse volume gera custos expressivos. O transporte de cargas representa uma despesa anual de cerca de R$ 3 bilhões, enquanto os custos portuários somam aproximadamente R$ 50 milhões”.
De acordo com Lima os conflitos geopolíticos internacionais têm impacto direto sobre o setor. Ele citou, principalmente, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, como o conflito envolvendo o Irã. Antes de abordar os efeitos de mercado, ressaltou que qualquer conflito bélico representa uma tragédia humana embora, inevitavelmente, também traga consequências econômicas. “Santa Catarina exporta para mais de 150 destinos, com mercados relevantes como Japão, China, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Reino Unido e países europeus. Essa ampla presença internacional faz com que o setor seja altamente sensível a mudanças geopolíticas. No caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, o impacto foi imediato, especialmente no custo dos insumos. A Ucrânia é um dos maiores produtores de milho do mundo, e, com o início do conflito, o preço do grão disparou, chegando a cerca de R$ 113 por saca em Chapecó. Atualmente, o valor se estabilizou em torno de R$ 67, com variações recentes influenciadas por novos conflitos”, concluiu.
Alto valor agregado

Lideranças e dirigentes marcam presença no evento – Foto: Débora Favretto/MB Comunicação
O pesquisador da AgResearch Ltd, Dr. Mustafa Farouk, veio da Nova Zelândia para o seminário e palestrou sobre o desenvolvimento de produtos cárneos com alto valor agregado. Ao abordar a geração de valor na indústria da carne, Farouk destacou três pontos centrais. O primeiro é que, independentemente do perfil do consumidor há uma pergunta essencial que orienta as escolhas de consumo: “como aquele alimento impacta sua saúde física e mental ao longo da vida?”.
O segundo ponto é o potencial ainda não totalmente explorado da carcaça. Segundo o pesquisador, seja na carne bovina, suína ou de outras espécies, ainda há espaço para extrair mais valor a partir de cada animal e ampliar o aproveitamento de seus componentes. Já o terceiro aspecto aponta para uma mudança de lógica: não é mais possível agregar valor apenas aumentando a produção ou aproveitando ao máximo a matéria prima. O verdadeiro ganho, daqui para frente, está em compreender melhor o consumidor e suas demandas. “O valor não está mais em produzir mais, mas em produzir melhor para quem vai consumir”, resumiu.
Para Farouk, o desafio está na forma de apresentar os produtos ao consumidor. Cortes como fígado, coração e rins enfrentam resistência quando oferecidos de forma tradicional. “No entanto, quando incorporados a novos formatos como produtos processados ou combinados com outros ingredientes, podem ganhar aceitação e abrir novas oportunidades de mercado. Não se trata apenas do que temos, mas de como entregamos isso ao consumidor”.
Qualidade da carne
O professor Dr. Márcio Duarte, da University of Guelph e da Universidade Federal de Viçosa, discutiu a influência da suplementação na qualidade da carne, relacionando manejo, nutrição e atributos finais do produto. Ao abordar os fatores que determinam a qualidade da carne, o palestrante explicou que é essencial compreender a diferença entre músculo e carne. “A carne, como produto final, é resultado da transformação do tecido muscular, e são as células presentes nesse tecido que determinam atributos como maciez, suculência e valor agregado”.
Duarte defendeu a necessidade de compreender toda a dinâmica de crescimento, desde a concepção até o abate. Um animal abatido aos 21 meses, por exemplo, já carrega influências de todo o seu desenvolvimento, iniciado ainda no período gestacional. “A qualidade da carne não se constrói apenas no final do processo, mas ao longo de toda a vida do animal”, sintetizou.

O seminário foi encerrado com o painel “Tendências, desafios e perspectivas para o futuro da indústria da carne” – Foto: Alessandra Favretto/MB Comunicação
O palestrante explicou que, ainda no útero materno, ocorre a formação dos principais tecidos que darão origem à carne. Esses tecidos têm uma origem comum, a partir de um conjunto limitado de células, cuja maior capacidade de multiplicação está concentrada nas fases iniciais do desenvolvimento. Após os primeiros meses de vida, especialmente depois dos sete meses, essa capacidade de proliferação celular diminui significativamente. Isso significa que o animal passa a ter um “estoque” limitado de células capazes de formar gordura intramuscular, o marmoreio.
Na prática, isso explica por que estratégias focadas apenas na terminação nem sempre funcionam. “Você pode oferecer uma dieta rica em energia, mas se o animal não desenvolveu essas células antes, ele simplesmente não terá capacidade de formar o tecido que gera valor”, reiterou Duarte. Diante disso, o caminho apontado é antecipar as estratégias nutricionais e de manejo, atuar desde as fases iniciais, e até mesmo durante a gestação, para estimular o desenvolvimento dessas estruturas.
Alimentos processados
O representante da Corbion, Msc. João Yunes, apresentou tendências de ingredientes naturais e sustentáveis em alimentos processados. Yunes frisou que no Brasil já produzimos a partir da fermentação natural produtos que se mantem na temperatura ambiente, isso, mesmo que acompanhe gerações é inovação. No entanto, para indústria é preciso pensar como manter alimentos fermentados para as prateleiras do mundo inteiro. Ao aprofundar o tema da conservação, o palestrante destacou que a deterioração de produtos cárneos ocorre, basicamente, por dois caminhos: biológico e químico.
Ao falar sobre inovação, ele ressaltou que o primeiro limite é regulatório. “Não adianta desenvolver uma solução se ela não é permitida pela legislação”, pontuou e ressaltou que as regras variam entre países, mas seguem diretrizes semelhantes no mundo todo.
Entre os principais conservantes utilizados na indústria de carnes, destacam-se os ácidos orgânicos e seus derivados, responsáveis por grande parte das aplicações. O ácido lático, por exemplo, origina o lactato, amplamente utilizado no Brasil, especialmente em produtos armazenados em temperatura ambiente. Já o ácido acético dá origem aos acetatos, que atuam de forma complementar, especialmente no controle de microrganismos como a Listeria. Outros compostos incluem os propionatos, com ação antifúngica, e os sorbatos, que também têm aplicação na conservação de alimentos, dependendo da legislação local.
Segundo Yunes, o sucesso na conservação está na combinação adequada desses compostos. “Os conservantes atuam de forma sinérgica. Quando combinamos corretamente, conseguimos aumentar o shelf life e garantir a segurança alimentar”, explicou.
Inteligência artificial
O professor Dr. João Dorea, da University of Wisconsin, abordou o emprego de inteligência artificial na prevenção da qualidade da carne. O foco do trabalho está em integrar dados para tornar a tomada de decisão mais precisa e menos subjetiva. “A ideia é usar inteligência artificial para monitorar o animal e combinar essas informações com outros dados, gerando uma gestão mais eficiente”, explicou. Inicialmente aplicadas dentro das fazendas, agora essas tecnologias começam a avançar também para a indústria, sendo utilizadas no monitoramento de processos após a saída da porteira.
O uso de câmeras, por exemplo, permite acompanhar o comportamento dos animais em larga escala, analisar aspectos como movimentação, postura e possíveis problemas de locomoção. Sistemas de visão computacional conseguem identificar padrões, como a curvatura da coluna ou o posicionamento das articulações o que indica precocemente alterações na saúde do animal. Essas mesmas tecnologias podem ser aplicadas na indústria para avaliar carcaças e contribuir para análises de qualidade da carne.
Dorea explicou a inteligência artificial que desenvolveu para solucionar um desafio prático da indústria da carne: a falta de padronização dos cortes, especialmente em animais mestiços. Utilizando ultrassom, imagens 3D e modelos computacionais, a equipe conseguiu prever ainda no animal vivo características como área e formato do ribeye, corte bastante valorizado comercialmente. Segundo ele, os resultados mostraram que a tecnologia consegue identificar padrões que análises biométricas tradicionais, como peso e comprimento do animal, não conseguem captar com a mesma precisão.
A pesquisa avançou também para a predição da maciez da carne a partir de imagens simples, inclusive feitas com câmera de celular. Em parceria com outros pesquisadores, foi desenvolvido um modelo capaz de estimar esse atributo, que normalmente é difícil de ser percebido até por especialistas apenas pela aparência do bife. Para o pesquisador, esse tipo de ferramenta pode trazer ganhos tanto para a indústria, ao aumentar a previsibilidade e a padronização dos produtos, quanto para o consumidor, que poderá fazer escolhas mais conscientes com base em informações mais confiáveis sobre a qualidade da carne.
O seminário foi encerrado com o painel “Tendências, desafios e perspectivas para o futuro da indústria da carne”, que reuniu o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, o gerente executivo do Sindicarne, Jorge Luiz de Lima, o diretor vice-presidente de Agro e Qualidade da MBRF, Fabio Duarte Stumpf, e o coordenador geral da Mercoagro, Nadir José Cervelin. A discussão abordou os caminhos para manter a competitividade do setor diante de um mercado global mais exigente, com destaque para inovação aplicada, qualidade e eficiência ao longo da cadeia produtiva, além da importância de integrar pesquisa e indústria para transformar conhecimento em resultados e oportunidades de negócios.

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Sisbi-POA gera novas oportunidades para produtores e agroindústrias mato-grossenses
Adesão ao sistema permite formalização, padronização e expansão das vendas para outros estados do Brasil.

Oestado de Mato Grosso avançou na ampliação da participação no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) com a integração de quatro novos consórcios públicos municipais – Vale do Rio Cuiabá, Região Sul, Vale do Guaporé e Médio Araguaia. A iniciativa fortalece a organização regional da inspeção sanitária e amplia as oportunidades para que agroindústrias locais comercializem seus produtos em todo o território nacional.
Com essa adesão, Mato Grosso passa a contar com seis consórcios integrados ao sistema, abrangendo 72 municípios. Considerando que o estado possui 142 municípios, isso significa que aproximadamente 51% dos municípios mato-grossenses já estão vinculados ao sistema por meio de consórcios.
“O Sisbi é uma política pública fundamental porque permite que os produtos das agroindústrias sejam comercializados em todo o território nacional, abrindo oportunidades para produtores e gerando renda no interior do país. Quando assumimos, apenas 331 municípios brasileiros tinham adesão ao sistema e Mato Grosso não tinha nenhum. O que estamos vendo agora é resultado de um trabalho conjunto que fortalece a inspeção sanitária e permite que essa política pública chegue a quem mais precisa”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
“Esse é um avanço concreto dentro de uma agenda estratégica conduzida pelo ministro Carlos Fávaro para fortalecer a inspeção sanitária no país e ampliar oportunidades, especialmente para pequenos e médios produtores. Na prática, isso significa criar condições para que eles possam formalizar a produção, agregar valor aos produtos e acessar novos mercados com garantia sanitária. É exatamente esse movimento que estamos vendo acontecer em Mato Grosso, que se torna o primeiro estado do país a conduzir uma versão estadual do projeto”, destacou o secretário-adjunto de Defesa Agropecuária, Alan Alvarenga.
Em Mato Grosso, a Superintendência de Agricultura e Pecuária tem atuado em parceria com consórcios e municípios para ampliar a adesão ao sistema.
“Quando assumi a superintendência, o ministro me deu uma missão clara de fazer o Sisbi avançar em Mato Grosso. Com o apoio dos consórcios, prefeitos, do Tribunal de Contas e das associações municipais, e o trabalho de uma equipe técnica qualificada, conseguimos transformar esse objetivo em realidade. Agora nossa responsabilidade aumenta, e a superintendência segue de portas abertas para trabalhar junto com os municípios e ampliar ainda mais esse avanço no estado”, relatou o superintendente em Mato Grosso, Edson Paulino.
A produtora de queijos Larissa Berté, de Nossa Senhora do Livramento, município integrado ao sistema nesta sexta-feira, destaca o potencial de expansão que o Sisbi oferece aos produtores artesanais. “Nossa expectativa com o Sisbi é ampliar a presença dos nossos produtos em nível nacional, levando o sabor de Mato Grosso para outros estados e outras localidades. Isso também incentiva pequenos produtores, como nós, a crescer e aumentar a produção, impactando diretamente a economia local”.
Protocolos de intenções
Além da integração dos novos consórcios, também foram assinados protocolos de intenção com outros oito consórcios – Araguaia, Norte Araguaia, Portal do Araguaia, Portal da Amazônia, Vale do Juruena, Vale do Teles Pires, Vale do Rio Arinos e Alto do Rio Paraguai – que iniciarão o processo de qualificação para futura integração ao Sisbi-POA.
Essa nova etapa poderá alcançar cerca de 62 municípios adicionais. Caso todos avancem no processo de integração, Mato Grosso poderá chegar a 134 municípios vinculados ao sistema, o que representa aproximadamente 95% dos municípios do estado.
Pordutores relatam impactos positivos
Os efeitos da adesão ao sistema já são percebidos por produtores que passaram a integrar o modelo de inspeção.
Proprietário do Pavin Sertanejo, Aparecido Pavin conta que a regularização da atividade abriu novas perspectivas para o negócio. “Para nós, abriu mais possibilidades de portas para trabalhar e vender. Temos muita procura pelos nossos produtos e dobramos nossas vendas”, relata. Segundo ele, o crescimento da demanda já exige novos investimentos na estrutura da agroindústria. “Estamos até pensando em instalar uma câmara fria porque hoje armazenamos o produto final no freezer e já está ficando apertado. Produzimos linguiça, salame, bacon e vários produtos defumados”.
Para o produtor Jeferson Gonçalves Silva, da Granja Alvorada da Serra, em Cáceres, a adesão ao Sisbi representou um marco na profissionalização da propriedade. “Foi um divisor de águas para a nossa propriedade. Trouxe mais organização, padronização dos processos e maior controle sanitário. Passamos a comercializar nossos produtos em outros municípios, outras regiões e até em outros estados do Brasil. Isso ampliou nossas oportunidades com novos parceiros comerciais e teve impacto direto no crescimento da produção e na valorização da marca”, afirmou.
Contexto nacional do Sisbi-POA
O Sisbi-POA foi criado em 2006 com o objetivo de integrar os serviços de inspeção de produtos de origem animal no país e ampliar as oportunidades de comercialização para as agroindústrias brasileiras.
Durante os primeiros 16 anos do sistema, entre 2006 e 2022, foram integrados 331 municípios em todo o Brasil. Entre 2023 e março de 2026, esse processo ganhou novo ritmo, com a integração de 1.184 novos municípios, elevando o total nacional para 1.515 municípios.
Grande parte desse crescimento tem sido impulsionada pelo fortalecimento dos consórcios públicos municipais, modelo que permite compartilhar estrutura técnica, otimizar recursos e estruturar serviços de inspeção mais robustos e eficientes.
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Fiscalização apreende fertilizantes e defensivos adulterados em Minas Gerais
Operação Terra Prometida resulta em prisão e multas que podem chegar a R$ 3 milhões.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou, na quarta-feira (11), a Operação Terra Prometida no município de Patrocínio (MG). A ação integra a Ronda Agro CXXIV, do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras), e teve como objetivo combater a importação e a comercialização irregular de agrotóxicos, além da adulteração de fertilizantes.
A operação foi realizada em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As investigações contaram ainda com o apoio da Seção de Inovação Tecnológica da Superintendência de Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SIT/SII/SSP-GO), do Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental (CIISPA), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo, além da Receita Federal e da Polícia Civil de Minas Gerais.
Durante a fiscalização, foi identificado um depósito clandestino com mais de uma tonelada de defensivos agrícolas irregulares e cerca de 200 litros de produtos vencidos. Os materiais estavam acondicionados em sacos com rotulagem em língua estrangeira incompatível com a tradução impressa no produto, em desacordo com a legislação brasileira.
Análises preliminares realizadas por espectroscopia no infravermelho médio portátil indicaram fortes indícios da presença dos princípios ativos metsulfuron, abamectina e tiametoxam nas amostras coletadas. Os produtos foram apreendidos e o estabelecimento foi interditado.
No mesmo local, os fiscais também apreenderam aproximadamente 6,5 toneladas de melaço líquido, que seriam destinadas irregularmente à alimentação animal.
A operação também teve como alvo uma fábrica de fertilizantes pertencente ao mesmo responsável pelo depósito de agrotóxicos ilícitos. No local, foram encontradas substâncias incompatíveis com a formulação registrada e com o uso proposto para esse tipo de insumo.
Diante das irregularidades, as atividades da fábrica foram suspensas. Foram apreendidos 320 kg e 416 litros de matérias-primas, além de aproximadamente 10 toneladas de fertilizantes acabados.
O valor estimado dos produtos agropecuários irregulares apreendidos é de R$ 1.123.951. O responsável foi preso em flagrante e poderá responder criminalmente pelos crimes de contrabando e falsificação de agrotóxicos, além das medidas administrativas cabíveis, como autuação, apreensão de produtos e suspensão das atividades.
Em relação aos ilícitos ambientais, as multas podem chegar a aproximadamente R$ 3 milhões, além da abertura de procedimentos administrativos e possíveis repercussões penais e civis para reparação de danos ambientais.
A atuação integrada entre diferentes órgãos fortalece a capacidade de fiscalização do Estado e contribui para a proteção do agronegócio brasileiro, garantindo que produtores tenham acesso a insumos seguros e que consumidores recebam produtos agropecuários de qualidade.
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Pré-assembleia do Sistema Ocepar discute desafios do cooperativismo e energia no campo
Encontro em Medianeira reuniu líderes do Oeste do Paraná e marcou o lançamento do programa Copel Agro, que oferece atendimento 24 horas para produtores.

A terceira das quatro pré-assembleias do Sistema Ocepar foi realizada no Lar Centro de Eventos, em Medianeira, reunindo presidentes, diretores e líderes de diversas cooperativas da região Oeste do Paraná. O encontro integrou a programação dos Encontros de Núcleos Cooperativos e consolida-se como um importante espaço de diálogo entre dirigentes do setor, que debateram temas estratégicos conectados ao agronegócio e às perspectivas de crescimento do cooperativismo paranaense.
Durante as discussões, o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, chamou a atenção para fatores que exigem reflexão e planejamento por parte das líderes do setor. Segundo ele, mesmo que o cooperativismo continue demonstrando capacidade de crescimento, organização e bons resultados, há desafios relevantes no horizonte que precisam ser enfrentados para garantir competitividade e continuidade dos investimentos.
Alertas
“Temos questões estruturais que precisam ser observadas com muita atenção pelos cooperativistas”, destacou Dilvo. Entre os pontos citados pelo presidente da Coopavel estão problemas relacionados à infraestrutura logística, que elevam significativamente os custos operacionais das cooperativas e dos produtores. Também mencionou o impacto das altas taxas de juros, que dificultam o acesso ao crédito e acabam inibindo novos investimentos no campo e na agroindústria. Outro aspecto ressaltado foi a elevada carga tributária, considerada um fator que pressiona a produção e reduz margens em um setor que já convive com riscos climáticos e oscilações de mercado.
Energia elétrica
Além dessas preocupações estruturais, a pauta do encontro também trouxe à discussão um tema cada vez mais central para o agronegócio moderno: a energia elétrica. Com cadeias produtivas cada vez mais tecnificadas e dependentes de processos industriais, o fornecimento contínuo e confiável de energia torna-se um dos pilares imprescindíveis para a competitividade do setor.
Para o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, o crescimento das cooperativas e o avanço da agroindustrialização ampliam significativamente a demanda energética no interior do Paraná. “Nossas cooperativas estão investindo cada vez mais e estão mais tecnificadas, por isso, dependem de um fornecimento confiável para garantir produtividade, segurança sanitária e competitividade. Ao mesmo tempo, o crescimento do setor tem ampliado significativamente a demanda por energia no interior do Estado”, ressaltou.
Copel Agro
Nesse contexto, a reunião foi palco do lançamento oficial do Programa Copel Agro, iniciativa apresentada pelo presidente da empresa, Daniel Slaviero. A proposta estabelece um canal exclusivo de relacionamento com produtores rurais, com equipes de teleatendimento disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. A estrutura contará com reforço de equipes técnicas e de campo voltadas ao atendimento de demandas emergenciais, execução de obras e desenvolvimento de projetos direcionados ao meio rural.
O programa pretende oferecer respostas mais rápidas às cooperativas e produtores ligados a cadeias produtivas que dependem diretamente do fornecimento ininterrupto de energia, como avicultura, piscicultura, laticínios e fumicultura. Além disso, a iniciativa prevê incentivo à conexão à rede trifásica por meio do projeto Se Liga Aí, Paraná! e, em uma segunda etapa, apoio para a substituição de motores e aquisição de baterias com recursos do Programa de Eficiência Energética da companhia.
Levantamento recente do sistema cooperativista indica que as cooperativas agropecuárias do Paraná consomem atualmente cerca de 2,3 terawatts-hora de energia por ano, volume que deve crescer mais de 30% até 2032. Esse cenário reforça a necessidade de investimentos contínuos na rede elétrica, na expansão da infraestrutura e na incorporação de novas tecnologias capazes de acompanhar o ritmo de crescimento da agroindústria.



