Suínos
Semana Nacional da Carne Suína 2026 incentiva consumo de proteína no Brasil
Com o tema “Let’s Carne Suína. Let’s proteína”, campanha acontece de 01° a 19 de junho e conecta produtores, varejo e consumidores em ações de informação e experimentação.

Está se aproximando uma das datas mais importantes do calendário da suinocultura e do varejo nacional, a nova edição da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS) acontece de 01° a 19 de junho, e chega alinhada às transformações no comportamento alimentar e ao crescente protagonismo das proteínas na dieta moderna. Com o tema “Let’s Carne Suína. Let´s proteína”, a iniciativa se apresenta como um convite direto à experimentação e ao consumo da proteína, buscando aproximar ainda mais o produto do dia a dia do consumidor brasileiro e impulsionar as vendas no mercado doméstico.
A proposta da SNCS 2026 dialoga com uma tendência crescente observada em diversos mercados e pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS): o reconhecimento do papel das proteínas na alimentação. Consumidores estão cada vez mais atentos ao valor nutricional dos alimentos, priorizando itens que ofereçam maior saciedade, preservação da massa muscular e suporte metabólico.
A chamada “era da proteína”, aponta para o crescimento estrutural da demanda por alimentos proteicos nos próximos anos. No Brasil, pesquisas indicam que cerca de 50% dos consumidores pretendem aumentar a ingestão de proteína em 2026, refletindo uma mudança no comportamento alimentar em direção a dietas mais nutritivas e funcionais. Esse movimento também é impulsionado por novas dinâmicas de saúde e bem-estar, como a popularização de medicamentos voltados ao controle de peso, que têm reforçado a importância do consumo adequado de proteínas para manutenção da massa muscular, saciedade e equilíbrio nutricional. Nesse cenário, alimentos naturalmente ricos em proteína, como a carne suína, ganham ainda mais relevância na rotina alimentar.
Nesse contexto, a carne suína se destaca como uma fonte direta e natural de proteínas, vitaminas e minerais essenciais, alinhada à crescente valorização da chamada “comida de verdade”. Cada vez mais, consumidores buscam alimentos menos processados e nutricionalmente completos, capazes de suprir as necessidades do organismo por meio da própria alimentação. A proteína suína se insere nesse movimento ao oferecer, de forma equilibrada, nutrientes importantes para o funcionamento do corpo, reforçando a ideia de que uma dieta baseada em alimentos naturais pode atender plenamente às demandas nutricionais do dia a dia.
É nesse cenário que a SNCS 2026 se posiciona, ao lado das maiores redes de varejo do país, unindo todos os elos da cadeia produtiva, do campo à mesa dos consumidores, a campanha busca reforçar a relevância da carne suína dentro das novas dinâmicas de consumo, conectando informação, experimentação e oportunidades comerciais para todo o setor. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a campanha dialoga com mudanças claras no comportamento alimentar e nas ocasiões de consumo. “Observamos três grandes vetores que orientam essa nova relação do consumidor com a proteína: proteína e vitalidade, praticidade com qualidade e experiência de consumo. Em 2026, também vemos oportunidades importantes ligadas às ocasiões de consumo coletivo, como os encontros em casa e eventos que mobilizam o país, a exemplo da Copa do Mundo. Seja no churrasco, em receitas rápidas na air fryer ou em refeições completas, a carne suína tem potencial para ampliar ainda mais a sua presença na mesa dos brasileiros”, conclui.
A ABCS já iniciou a mobilização junto às redes de varejo e já tem o maior grupo de varejo alimentício do Brasil, o Carrefour, confirmado. Fiquem ligados que em breve divulgaremos o time completo dos varejos que vão levar mais carne suína durante o período da campanha.

Suínos
Brasil amplia exportação de carne suína para El Salvador
Novo acordo reforça presença do produto no mercado internacional.
Suínos
Cada grau a mais na temperatura reduz em 462 g/dia o consumo de ração dos suínos
Além de comer menos, os animais mudam o padrão alimentar. Em dias quentes, concentram a ingestão de ração nos horários mais frescos, como o início da manhã e o fim da tarde ou da noite.

O avanço das mudanças climáticas colocou a ambiência no centro das decisões da produção suína. O aumento da temperatura média global, impulsionado principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa, já afeta de forma direta o desempenho, a saúde e o bem-estar dos animais.
Para sistemas intensivos, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, o clima deixou de ser um elemento de fundo e passou a ser um fator limitante da eficiência produtiva. Desde o final do século XIX, a temperatura média da superfície da Terra subiu cerca de 1,14 °C. Além disso, as estações estão mudando de duração: verões mais longos e invernos mais curtos já são observados em várias regiões do mundo.
Nesse cenário, ambientes com altas temperaturas e umidade representam um desafio crescente para a produção de alimentos. Estimativas apontam que cerca de um terço da produção global pode estar em risco diante do aquecimento global.

Zootecnista Bruno Silva, mestre e doutor em Bioclimatologia Animal, PhD em Nutrição de Suínos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): “A eficiência na produção de suínos em condições de calor extremo exige a combinação de ambiência adequada, manejo bem planejado e nutrição ajustada” – Foto: Divulgação/Abraves
Na suinocultura, os impactos são ainda mais evidentes. Os suínos possuem uma faixa estreita de conforto térmico, que varia conforme idade, genética e fase produtiva. Fora dessa zona, o animal precisa gastar energia para tentar manter a temperatura corporal, o que compromete o desempenho. “O clima é hoje um dos principais fatores que impedem a produção suína de atingir seu máximo potencial em regiões quentes”, afirmou o zootecnista Bruno Silva, mestre e doutor em Bioclimatologia Animal, PhD em Nutrição de Suínos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Nas últimas décadas, a produção de suínos cresceu de forma acelerada em países da América Latina e da Ásia, regiões marcadas por temperaturas elevadas e alta umidade. Mesmo com avanços genéticos e nutricionais, o desempenho médio nesses locais ainda fica abaixo do observado em países de clima temperado, como os da Europa. “Em áreas tropicais, o estresse térmico não é um evento pontual, como as ondas de calor em regiões temperadas, ele é uma condição quase permanente”, ressaltou.
Efeito do calor
Quando expostos ao calor excessivo, os suínos adotam uma estratégia simples para tentar se proteger: comem menos. A redução do consumo de ração diminui a produção de calor gerada pela digestão, mas traz efeitos em cadeia. Há perda de peso, menor crescimento muscular, queda na produção de leite das porcas e prejuízos à reprodução e à longevidade produtiva dos animais.
Esse efeito é ainda mais forte em animais de alta genética, selecionados para crescimento rápido e alta deposição de carne magra. Esses animais produzem mais calor corporal por causa do metabolismo elevado. “O mesmo avanço genético que aumentou a produtividade também tornou os suínos mais sensíveis ao calor”, explica o zootecnista.
Estudos mostram que cada grau a mais na temperatura ambiente o animal pode reduzir a ingestão diária de ração em 462 gramas/dia. Em porcas lactantes, a ingestão pode cair para pouco mais de dois terços do necessário para atender às exigências nutricionais, comprometendo tanto a fêmea quanto a leitegada.
Além de comer menos, os animais mudam o padrão alimentar. Em dias quentes, concentram a ingestão de ração nos horários mais frescos, como o início da manhã e o fim da tarde ou da noite. “O comportamento alimentar passa a ser guiado pela tentativa de escapar do calor”, evidencia o doutor em Bioclimatologia Animal.
Papel da ambiência no galpão
A dificuldade dos suínos em dissipar calor agrava o problema. Diferentemente de outras espécies, eles têm poucas glândulas sudoríparas e praticamente não suam. A principal forma de perder calor é pela respiração ofegante e pelo contato com superfícies mais frias. “Quando a umidade do ar é alta, a evaporação fica menos eficiente, tornando o ambiente ainda mais estressante”, menciona Silva.

Por isso, a ambiência do galpão, que inclui temperatura, ventilação, umidade e radiação térmica, tem impacto direto sobre a produção. “Sistemas de ventilação, resfriamento evaporativo, resfriamento do piso e uso de gotejamento de água estão entre as estratégias mais adotadas para reduzir o calor sentido pelos animais. São soluções eficazes, mas muitas vezes caras, o que exige avaliação cuidadosa de custo e benefício”, observa o PhD em Nutrição de Suínos.
Além do manejo ambiental, ajustes na alimentação também ganham espaço. Dietas com maior densidade nutricional e menor produção de calor durante a digestão ajudam a compensar a menor ingestão de ração. Mudanças no horário de fornecimento dos alimentos, priorizando os períodos mais frescos do dia, também podem melhorar o desempenho. “A eficiência na produção de suínos em condições de calor extremo exige a combinação de ambiência adequada, manejo bem planejado e nutrição ajustada”, enfatiza o especialista, acrescentando: “Em um contexto de aquecimento global, cuidar do ambiente deixou de ser apenas uma questão de bem-estar animal e se tornou uma estratégia essencial para a sustentabilidade econômica da suinocultura”.
A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Abate de suínos no Brasil bate recorde com 60,7 milhões de cabeças
Alta de 4,3% é impulsionada pelas exportações e pela redução nos custos de produção, com avanço em 15 estados.

O Brasil abateu 60,69 milhões de suínos em 2025, aumento de 4,3% frente a 2024 e novo recorde da série histórica iniciada em 1997, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento foi observado em 15 das unidades da federação. Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 28,2% do total abatido, seguida por Paraná e Rio Grande do Sul.

Foto: Shutterstock
O desempenho foi sustentado pelo avanço das exportações, com destaque para as Filipinas, principal destino da carne suína brasileira. No mercado interno, mesmo com a oferta elevada, os preços se mantiveram firmes.
A redução nos custos de produção, especialmente com ração devido à supersafra de grãos, contribuiu para o equilíbrio das margens e estimulou o setor ao longo do ano.
No quarto trimestre, foram abatidas 15,29 milhões de cabeças, alta de 5,8% em relação ao mesmo período de 2024, mas recuo de 3,5% frente ao trimestre anterior.




