Avicultura
Sem saúde animal, não há bem estar animal
O Presente Rural foi convidado pela terceira vez para participar do maior evento mundial do agro e traz alguns destaques que foram aparentados nos quatro dias de evento
As questões de bem estar animal e o uso de antibióticos foram mais uma vez a tônica das discussões durante a EuroTioer 2016. A exemplo do que já aconteceu em edições anteriores, essas discussões continuam promovendo debates intensos não só na Europa, mas em todo o mundo.
Durante a conferência de imprensa realizada logo no primeiro dia de evento, o médico veterinário Siegfried Moder, Presidente da Federação Alemã de Médicos Veterinários (BPT), destacou que a sanidade é essencial para o bem estar. “Sem saúde animal não há bem estar animal”, cravou.
O médico veterinário destacou que nos últimos anos não houve assunto que promovesse debate tão acalorado na opinião pública quanto a resistência aos antimicrobianos e sobre as práticas de manejo animal. “Não há somente uma demanda por alimentos seguros e de boa qualidade. Cada vez mais consumidores se preocupam com a proveniência dos alimentos e exigem um manejo baseado no bem estar animal”, enfatiza Siegfried.
Segundo Moder, para atender esse anseio dos consumidores foram fundadas na Alemanha inúmeras iniciativas e selos dedicados à promoção do bem estar e proteção animal, além de ações políticas e legislativas nos níveis federal, estadual e municipal. “Apesar de muito ter sido feito, ainda falta um consenso na sociedade sobre como será o manejo animal nos próximos anos. É difícil para o consumidor enxergar tal consenso em meio a tantas iniciativas dedicadas ao bem estar animal. O resultado é que a opinião pública não vê nessas iniciativas soluções rumo a um manejo aceito amplamente pela sociedade. O que se vê são soluções parciais, concorrentes entre si, onde um ou outro protagonista quer tirar proveito da situação. O que falta não é apenas um objetivo mútuo, uma estratégia e uma instituição que agregue todas as propostas em uma série de medidas para alcançar as metas desejadas. É preciso haver uma integração clara ao conceito de saúde animal e, consequentemente, o envolvimento de médicos veterinários”, destaca.
O médico veterinário defende que a Lei da Saúde Animal da União Europeia preveja a garantia obrigatória de visitas periódicas de um veterinário à propriedade rural, para que possa se manter a saúde do animal na granja, tendo em vista que animais saudáveis são o maior capital do agricultor. “Em cada propriedade rural há de 10 a 30% de desperdício de potencial relacionado diretamente à saúde do rebanho. A base do sucesso na agricultura continua sendo animais saudáveis. O monitoramento veterinário é uma contribuição valiosa tanto para o bem estar animal como para a defesa do consumidor – além de garantir a segurança legislativa do agricultor enquanto produtor de alimentos. Também contribui para que se produzam, com animais saudáveis, alimentos de alta qualidade de forma rentável. Integrar o monitoramento veterinário no processo de produção reduz custos de tratamento, garante a aplicação específica de medicamentos veterinários e ainda otimiza a aplicação de antibióticos”, enfatiza Siegfried.
MENOS ANTIBIÓTICOS
Outro ponto destacado é a diminuição do uso de antibióticos na Alemanha nos últimos anos. Embora alguns países da União Europeia, no período entre 2011 e 2014, conseguiram diminuir em apenas 12% a venda de antibióticos para o manejo animal, na Alemanha esse processo chegou a 50%. “Conseguimos alcançar um ótimo resultado reduzindo pela metade a venda de antibióticos para médicos veterinários aqui na Alemanha: de 1,7 mil a 800 toneladas em cinco anos. Mesmo assim, nós, veterinários, teremos que nos esforçar, juntamente com todos os profissionais ligados à agropecuária, para prevenir a seleção de bactérias multirresistentes no manejo animal e evitar assim uma perda grande para o setor de produção animal”, aponta.
Siegfried defende ainda que se implante um modelo de monitoramento veterinário integrado, com um banco de dados do rebanho que possibilite ao profissional fazer uma avaliação e uma gestão do rebanho visando agregar saúde animal ao plantel e economia ao produtor. “Se tivermos um banco de dados será possível extrair avaliações da propriedade, dados de cada animal, além de infográficos e históricos. Muitos problemas da saúde animal poderiam ser solucionados de maneira preventiva, porque seriam identificados com antecedência. O trabalho do veterinário se torna, assim, um fator de rentabilidade e não mais de custo. Por meio de uma gestão completa e sustentável de higiene e de saúde animal, o agricultor recebe dessa maneira um apoio amplo e sistemático. Levando em conta fatores econômicos essenciais para a propriedade rural, todos os processos importantes para a saúde e desempenho do animal são inspecionados de forma otimizada e rotineira. O foco é tanto o bem estar animal como a melhoria dos resultados econômicos da fazenda” explica.
Mais informações você encontra na edição de aves de fevereiro/março de 2017 ou Online
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023
Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.
Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.
Avicultura
Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março
Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.
A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.
Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação
granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.
