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Sem genética, rebanho brasileiro ainda produz pouco por hectare

Estudo aponta que apenas 12% do rebanho nacional usa a tecnologia da inseminação artificial; lado bom é que ainda há muito a melhorar

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A genética moderna tem contribuído significativamente para o aumento da produção de carne e também leite no mundo todo. No Brasil, porém, programas de melhoramento genético ainda são pouco usados na pecuária, tornando os índices de produção bem abaixo de outros países produtores, como os Estados Unidos. Dados de CRV Lagoa, uma das empresas líderes em melhoramento no país, revelam que somente 12% do rebanho brasileiro (corte e leite) usa tecnologia de inseminação artificial.

Para saber mais sobre a relação da pecuária com a genética, O Presente Rural conversou com André de Souza e Silva, gerente do programa de melhoramento genético de gado de corte da CRV Lagoa, e Leonardo Maia, assistente técnico do Gestor Leite, programa da mesma empresa usado para gerir as informações da pecuária leiteira que usa tecnologia.

O Presente Rural (OP Rural) – Como o melhoramento genético pode contribuir para a bovinocultura brasileira?

André de Souza e Silva – O setor agropecuário brasileiro é responsável por ¼ de toda riqueza que o Brasil gera, enfim, o produtor rural é um gerador de riqueza, 25% do PIB sai do campo. E a pecuária é uma grande responsável por essa riqueza. Como se não bastasse, o mundo olha o Brasil como grande produtor de alimentos, temos o segundo maior rebanho bovino do mundo, temos extensão territorial e clima, mas ainda assim temos uma baixa produtividade por hectare. Em comparação com o rebanho americano, que é de aproximadamente 90 milhões de cabeças – nosso rebanho é de 210 milhões de cabeças -, os americanos produzem aproximadamente 12 milhões de equivalente carcaça e nós apenas 9 milhões de equivalente carcaça.

É neste momento que o melhoramento genético entra, promovendo o aumento da produtividade por hectare, produzir mais na mesma área, fazer com que tenhamos mais proteína vermelha nas mesas mundo afora.

OP RuralComo seus resultados práticos podem ser observados na produção de leite?

Leonardo Maia – O processo de melhoramento genético, embora lento seja, é cumulativo, ou seja, não se perde o que se ganha. No caso de bovinos leiteiros o intervalo de geração para que se possa mensurar os ganhos genéticos é grande, normalmente de quatro a seis anos, por isso o processo é lento. Contudo, se há um trabalho bem direcionado em seleção e acasalamentos de animais superiores para maximizar os ganhos genéticos, vemos a melhora do rebanho como um todo. Dependendo dos objetivos de cada negócio, podemos ver aumento na produção de leite e sólidos ou até mesmo aumento de longevidade, característica muito influenciada pelo ambiente. E qual o impacto disso? No caso do aumento da produção, há o aumento da receita, aumento em kg de leite, gordura e proteína por animal, o que permite diluir custos. No caso do aumento de longevidade, há uma queda dos custos por animal, principalmente envolvidos com saúde e descarte.

O resultado destes em conjunto é uma maior margem líquida por animal no sistema. Mas é sempre importante lembrar que tudo isto só ocorre se o manejo da fazenda estiver adequado. Não adianta ter bezerras de alto padrão genético se sua criação de bezerras for ruim. O resultado não vai se expressar.

OP Rural – No caso da bovinocultura de corte, como funciona o melhoramento genético?

André – Todo melhoramento genético, seja de corte ou de leite, se inicia com a identificação dos animais e medição de sua produção. No caso dos bovinos de corte, precisamos identificar e medir a produção de cada indivíduo a fim de se conhecer quais são os animais mais adaptados ao meio em que estão inseridos, que são capazes de transformar capim em carne, ou melhor, quanto de capim para um quilo de carne. Temos um programa de melhoramento genético de gado de corte com 70 fazendas espalhadas por todo o Brasil com mais de 50 mil matrizes em avaliação. Todas essas 50 mil vacas são identificadas e estão em produção. Seus bezerros são medidos e avaliados em três etapas de sua vida, aos sete meses, aos 14 meses e aos 20 meses. Nessas etapas, os animais são pesados e recebem notas para as características de carcaça, precocidade e musculosidade. De mão desses dados são feitas inúmeras análises estatísticas a fim de fazer as correções para idades dos animais (sempre respeitando os grupos de contemporâneos) e outros efeitos de ambiente. Após isso, temos os índices de produtividade de cada indivíduo, pesado e medido, e sabemos quem é o mais eficiente em produção e com isso escolhemos esses animais para coletar seu material genético e distribuir pelo Brasil.

OP Rural – Como o melhoramento funciona e auxilia na atividade leiteira?

Leonardo – A atividade de produção de leite é muito complexa e envolve vários fatores, que basicamente podem ser separados em dois grandes grupos – genética e ambiente. Para que resultados de melhoramento genético aconteçam é de extrema importância o equilíbrio entre estes dois. Basicamente o melhoramento genético poder ser feito de duas formas clássicas, através de seleção dos melhores animais e de cruzamentos. Dentre estas duas, a seleção é a mais importante dentro do melhoramento genético, pois é através deste processo que os genes que determinam as características de interesse econômico são transmitidos para a próxima geração. Com as novas tecnologias nesta área, hoje em dia, o conceito de melhoramento genético se tornou muito mais amplo do que era a tempos atrás. Já não basta utilizar uma tecnologia de reprodução ou sêmen de touros líderes de sumário, mas, principalmente, identificar as melhores fêmeas, as piores e também as que estão na média do rebanho, visando, com isso, o melhoramento genético do rebanho como um todo, maximizando resultados.

OP Rural – Quais as novidades que permeiam o melhoramento genético no Brasil e no mundo?

André – O melhoramento genético ainda tem muito a evoluir, se iniciou há algumas décadas com o direcionamento dos acasalamentos, depois as pesagens e hoje estamos na era da genômica. Além de medir, medir e medir, também extraímos o DNA desses animais para conhecer quais genes estão envolvidos com o ganho de peso, com a fertilidade e etc. Assim consegue-se ter mais certeza nas informações medidas no campo.

OP Rural – O produtor tem dado a devida atenção a esse melhoramento ou ainda existem rebanhos sem esse benefício?

André – Infelizmente no Brasil apenas 12% do rebanho lança mão da tecnologia da inseminação artificial, uma tecnologia que já vem sendo trabalhada há algumas décadas em alguns rebanhos. Para outros ainda utiliza-se apenas a cobertura a campo, muitas vezes por reprodutores sem qualquer tipo de informação. Esse é sem dúvida o grande entrave para aumentarmos a nossa produtividade. Precisamos levar ao produtor mais conhecimento de que ele pode aumentar sua produção e consequentemente sua rentabilidade utilizando tecnologias acessíveis e de fácil uso, como é o caso da inseminação artificial.

OP Rural – Qual a relação do melhoramento genético com a qualidade da carne?

André – Seja qualidade de carne, seja aumento de produtividade, tudo passa pelo melhoramento genético. Se continuarmos a não investir em conhecimento, ferramentas que agreguem em produção e qualidade, a atividade se torna inviável.

OP Rural – Qual a relação do melhoramento genético com a qualidade do leite?

Luciano – Quando falamos em melhoramento genético, o fator ambiente também é de extrema importância. Há algumas características em que a influência do ambiente é muito maior do que a da genética em si, sendo o contrario verdadeiro. No caso da qualidade do leite, pensamos principalmente em três características principais de interesse econômico: gordura, proteína e CCS (contagem de células somáticas). Nestas três, a influência do ambiente é maior do que da genética, Por este motivo, o equilíbrio entre genética e ambiente é importante. Selecionando os animais para maior produção de sólidos, o produtor conseguirá obter maior retorno financeiro em relação ao pagamento do leite fornecido às indústrias, uma vez que a maioria delas bonifica por quantidade de sólidos no leite e penaliza altas concentrações de células somáticas. No entanto, para que esta produção seja atingida, os animais precisam estar num ambiente que lhe permita a expressão deste potencial genético que foi selecionado.

OP Rural – O melhoramento é determinante para alcançar mercados mais exigentes? Por quê?

André – O melhoramento em si não é determinante, mas dificilmente um rebanho que não evoluiu geneticamente conseguirá fazer exportações ou mesmo atingir nichos de mercados nacionais de cortes de carne nobre. Isso porque se você não mediu e não identificou os animais melhoradores que fazem com que a produção de carne de qualidade superior seja uma constante, não saberemos quais animais são esses e isso gera no comprador mais exigente uma insegurança quanto à padronização. Ele vai acabar buscando em outro mercado a segurança e a padronização que espera.

OP Rural – Há melhoramentos específicos para determinadas regiões brasileiras por conta de variantes?

André – Não apenas temperatura ou o clima é determinante, mas também o solo, a qualidade da forragem, a capacidade de adaptação dos animais e os sistemas de produção estabelecidos (extensivo, semi-intensivo e intensivo). Isso faz com que ocorra algumas diferenças em certas características específicas para cada região, como na região Sul e animais de raças taurinas, onde a medição da infestação por ectoparasitas é importante.

OP Rural – O que o produtor precisa fazer para não descuidar do melhoramento?

Luciano – O melhoramento genético depende de ações básicas para acontecer. A mais importante delas é o produtor controlar os dados de seu rebanho em um sistema de gerenciamento que permita a ele ter dados de pedigree, produção, reprodução e saúde. Com a base de dados formada, ele pode obter informação inteligente e diferenciada para promover o melhoramento genético. A partir disso, o desafio é saber identificar os animais para fazer seleção e acasalamentos. Hoje em dia dispomos de várias tecnologias. Uma das utilizadas para este fim são as avaliações genéticas, que consideram todas as informações de desempenho próprio e também dos animais que compõem seu pedigree, como produção de leite, sólidos, estrutura de pernas, úbere, estatura, entre outras.

No entanto, apenas conhecer os valores genéticos dos animais não é suficiente para garantir o progresso genético do rebanho. É importante que o rebanho esteja inserido dentro de um programa de melhoramento genético, para que diversas estratégias de seleção, descarte e acasalamentos dirigidos possam ser realizadas com a finalidade de se ter animais superiores a cada geração.

 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2016.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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