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Avicultura Mercado

“Sem as cooperativas, avicultura não teria importância econômica e social que alcançou”, afirma Lang

Para o presidente da cooperativa C.Vale, as cooperativas foram e ainda são essenciais para o bom desenvolvimento da avicultura em todo o território nacional

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Arquivo/OP Rural

Quando se fala em cooperativismo, muitas das coisas que vem à mente são desenvolvimento, parcerias, bom trabalho. Isso não é à toa. Há anos sendo praticado no Brasil, o modelo cooperativista conquista aqueles que o conhecem. No agronegócio este é um modelo que deu muito certo. As cooperativas ajudam a desenvolver o produtor, o município em que está instalada e fazem da produção um verdadeiro negócio internacional.

Entre os diversos setores que são beneficiados pelo cooperativismo, um deles é a avicultura. Um exemplo é o Estado do Paraná. Maior produtor e exportador de aves do país, conta também com algumas das maiores cooperativas brasileiras e que têm um foco especial na produção de frango. Uma destas cooperativas é a C.Vale, que está localizada em Palotina, na região Oeste. 

Para o presidente da cooperativa, Alfredo Lang, o cooperativismo foi fundamental para a expansão da avicultura. “No caso do Paraná, a maior parte das integrações avícolas é ligada a cooperativas, então são elas que estimulam a expansão da atividade, que buscam mercados, geram renda e empregos. Certamente sem as cooperativas a avicultura não teria a importância econômica e social que alcançou”, avalia.

A liderança acredita que as cooperativas são as responsáveis por boa parte das inovações do setor. “Veja o caso da C.Vale. Quando começamos, em 1997, ninguém utilizava a climatização de aviários. A C.Vale foi buscar essa tecnologia, conseguiu melhorar os resultados da atividade e aquilo que era novidade passou a ser utilizado por todas as empresas do segmento. Isso ajudou a melhorar a competitividade do setor como um todo”, explica.

Auxílio na produção e expansão de mercado

A partir do frango entregue pelo cooperado, são diversos os produtos que são feitos pela cooperativa. Somente a C.Vale, por exemplo, produz cortes in natura e prontos para consumo. “São aproximadamente 140 produtos”, informa o presidente. Isso somente da linha de aves. Para se ter uma ideia, somente no mês de maio deste ano, a média de produção da cooperativa paranaense ficou em 577 mil frangos/dia.

Toda essa produção não é exclusiva para o mercado nacional. Lang explica que no ano passado a cooperativa exportou 60% de toda a sua produção para 70 países. “Ente eles Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Inglaterra, Japão, México e Rússia”, conta. Além do mais, para ter conquistado todos estes mercados, a cooperativa produz diferentes tipos de produtos para atender a demanda específica de cada um. Entre eles estão asa, peito, coxa e pés. “Depende do país. A China compra pés de frango. Para a Europa vendemos peito de frango, entre outros produtos”, comenta.

Contribuições muito além da produção

Segundo o presidente da C.Vale, a avicultura é uma grande fonte de renda, começando pelos produtores. “A atividade ajuda a manter os produtores no campo, principalmente os pequenos. Temos muitos casos de filhos permanecendo na propriedade porque a renda do frango permite isso. As cidades se beneficiam da geração de empregos. O peixe é mais recente, mas também está caminhando no mesmo sentido do frango. Nossas integrações de frangos e peixes empregam mais de 6,4 mil pessoas diretamente”, conta.

Além do mais, Lang acrescenta que outro benefício é a geração de tributos da cooperativa. “No caso da C.Vale, o ICMS do frango e do peixe é dividido pelos municípios que participam da integração, não ficam somente em Palotina, onde as indústrias estão instaladas”, explica.

O presidente destaca que as cooperativas têm uma atuação bastante vasta. “Elas transferem tecnologia das empresas aos produtores, garantem assistência que, muitas vezes, empresas privadas não garantem, e oferecem alternativas de renda”, afirma. Lang ainda exemplifica, imaginando o Paraná, por exemplo, sem as cooperativas. “O que estariam fazendo essas mais de seis mil pessoas que trabalham nas indústrias da C.Vale? Os pequenos produtores que não teriam frango, suínos, peixes, leite e mandioca para gerar renda adicional? Os filhos deles estariam no campo ou estariam trabalhando na cidade por salários menores?”, indaga.

Para o líder cooperativista, as cooperativas têm ainda a tarefa de defender os produtores junto às autoridades. “Basta lembrar o que aconteceu durante a votação do Novo Código Florestal. Quem foi que articulou com parlamentares e com o governo? Quem levou até eles as necessidades dos produtores? Quando as taxas de juros estão altas demais, são os representantes das cooperativas que vão pressionar pela redução”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Tarefa do Produtor

Penz cita 22 pontos para fazer na fazenda e melhorar conversão alimentar das aves

Especialista mostra 22 pontos que devem ter atenção do produtor para ter melhores resultados, principalmente quanto a conversão alimentar dos frangos

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Arquivo/OP Rural

O Brasil conquistou um lugar de destaque no cenário mundial, tanto na produção quanto exportação de carne de frango. Este resultado não veio de graça ou de forma fácil, uma vez que a capacitação do produtor, adoção de tecnologias e total cuidado com a biosseguridade brasileira foram fundamentais para conquistar este lugar de destaque. Porém, ainda é preciso atenção de avicultores quanto a alguns detalhes, para oferecer ao mercado, cada vez mais exigente, um produto bom e de qualidade. Isso vem através de melhores resultados dentro da propriedade.

Dessa forma, o consultor doutor Antônio Mário Penz Júnior repassou 22 dicas para alcançar bons resultados de conversão na propriedade. Os pontos foram explicados para avicultores de Marechal Cândido Rondon, PR, durante o Seminário Anual de Produtores de Aves, realizado pela Cooperativa Copagril.

1

O primeiro ponto citado por Penz é a limpeza da granja. “Quanto eu entro em uma granja e já no portão eu vejo sujeira, eu já conheço essa granja”. Segundo ele, em outros países as pessoas que trabalham usam uniforme, muitas vezes branco, e estão sempre limpos. Dessa forma, é preciso que o ambiente e os funcionários que trabalham ali devem sempre estar totalmente limpos. “A primeira coisa é limpar bem a granja. Como eu vou resolver um problema de salmonella com a granja suja?”, questiona.

2

Outra dica foi quanto a arborização e a proteção externa. “Não pode haver sol dentro do galpão. Se você não tem beiral, pode começar a usar sombrite, que é algo barato. Mas não pode, de forma alguma, deixar os frangos no sol”, afirma. Ele comenta que atualmente muitos avicultores já contam com aviários mais sofisticados e, assim não têm esse problema. “Por isso é importante que conheçamos as tecnologias, porque precisamos pensar na proteção termal dos nossos animais”, diz.

3

A terceira dica é em relação aos silos. “O produtor precisa colocar na cabeça que por cada silo passa US$ 250 mil em reação por ano. Por isso é preciso ter muita atenção neles”, conta. Ele exemplifica: “Ter um silo sujo é como vocês me convidarem pra ir comer na casa de vocês e me entregarem um prato sujo”, diz. De acordo com Penz, não adianta nada na fábrica de ração haver o processo de análises, o caminhão para o transporte da ração ser limpo e depois esse alimento ser colocado em um silo sujo. “É ali que estão a salmonella e as micotoxinas”, alerta.

4

A vedação do teto é outro ponto essencial apontado pelo consultor. “Para mim, que trabalho com a avicultura há 45 anos, o maior descobrimento para o setor foi o forro”, comenta. Ele explica que os avicultores, muitas vezes, estão tão preocupados de haver salmonella no forro, porém, este espaço é tão quente que não tem como a bactéria sobreviver ali. “Não se preocupem com isso. É preciso que vocês não deixem o frango passar calor. Por isso, para vocês que têm o galpão com o ambiente controlado, não pode deixar existir qualquer buraco na cortina”, afirma. Ele reitera que não é preciso o técnico avisar sobre esse tipo de situação. “Se vocês estão andando pela granja e veem um buraco, ele precisa desaparecer”, anuncia.

5

O consultor diz que a vedação do galpão também é essencial. “Como não tem proteção, é mais quente dentro da granja do que fora”, comenta. Segundo ele, esse tipo de situação somente faz com que o produtor jogue dinheiro fora. “Não pode existir um espaço que saia ou entre ar dentro da granja”, aconselha.

6

A temperatura do ambiente, segundo Penz, é tão importante quanto qualquer outro item. “Se eu coloco um frango em um ambiente correto na primeira semana ou em um ambiente 4°C mais frio, a diferença na conversão entre estes animais vai ser grande”, avisa. O consultor reitera que quem não cuidar no frango na primeira semana vai ter uma conversão pior. “Se o frango passar frio, uma pequena diferença de temperatura na primeira semana, vocês estão jogando seis pontos de conversão fora”, alerta. O profissional ainda reitera que tanto calor quanto o frio não são bons para o animal. “Temos que fazer um trabalho profissional”, diz.

7

A sétima dica dada por Penz é sobre a qualidade do ar ambiente e a relação com o calor. De acordo com ele, é inadmissível um frango passar calor dentro do aviário. “O frango, quando passa calor, fica deitado, e às vezes acaba deitando-se em um ambiente que está úmido com o forro pingando. Isso é um problema. Quando o frango está assim, ele está respirando um ar que tem CO² e amônia. Quando eu entro em um aviário que tem cheiro de amônia já sei que os frangos vão morrer”, alerta.

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Outro ponto importante dentro do aviário é quanto a temperatura do piso, avisa Penz. “É por isso que todo produtor precisa ter um termômetro a laser, porque é com ele que o avicultor irá medir a temperatura do piso. Porque o que acontece muitas vezes é de em um lado estar 30°C, no meio do galpão estar 31°C e no outro lado 29°C. O produtor precisa ter essas informações para saber o que fazer para melhorar”, afirma.

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Segundo o consultor, a presença de amônia no aviário também é um problema para o produtor. “Para não ter problemas em relação a isso, é fundamental que o galpão tenha uma ventilação mínima. Nós temos que ser mais tecnificados. Quanto maior a quantidade de amônia, pior a conversão alimentar”, avisa. Ele ainda complementa que quando o produtor sente cheiro de amônia, ele precisa fazer algo para diminuir isso.

10

Os comedouros são outro ponto fundamental dentro de uma granja. Ter eles na quantidade certa, na altura certa e com a quantidade ideal de alimento é imprescindível. “Os frangos são indivíduos sociais. Onde não tem comedouro, não vai ter frango. Onde tem comida fácil, vai ter frango”, afirma Penz. Ele explica que é preciso que o produtor disponibilize o alimento de forma correta. “O frango não tem um telescópio para saber se tem comida em um comedouro ou não. Ele precisa ver que há comida disponível naquele comedouro”, avisa.

Segundo Penz, é preciso que os comedouros estejam alinhados. “Muitas vezes vemos um monte de ração em um comedouro alto. É preciso regular isso, porque somente este ajuste pode melhorar de dois a quatro pontos a conversão alimentar”, diz. O consultor explica que quando o produtor está caminhando pelo aviário ele precisa ver se os comedouros estão alinhados e se todos têm comida. “E que, de preferência, haja menos de 50 frangos por comedouro”, sugere.

11

Assim como os comedouros, os bebedouros são ferramentas fundamentais para o bom desenvolvimento de um frango. “Estes também precisam estar alinhados. Porque se tem um povo que não gosta de água é o frango”, comenta. Segundo Penz, há problema se o bebedouro está muito baixo e se está muito alto. “Se você percebe que está muito baixo, levanta ele. Mas o pior mesmo é quanto está alto. O frango precisa levantar o pescoço no limite máximo para conseguir beber água. E se está quente, ele não bebe, porque ele tem que pensar se respira ou se toma água”, diz. Por conta disso, explica o consultor, é que no verão o consumo de água chega a ser 20% menor. “Porque o frango tem que decidir se ele respira ou não”, avisa.

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Um dos pontos mais importantes citados por Penz é sobre a importância que a água tem na avicultura. “Por que o frango tem que beber água suja? Onde está escrito isso? Não pode dar água de má qualidade para o frango. Por isso, as caixas d’águas precisam ser cobertas”, alerta. Ele questiona: “Vocês tomariam a água que estão dando para o seu frango? Ela precisa ter qualidade”, afirma.

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Além da água ser de qualidade, ela também precisa ser fresca. “Frango odeia tomar água quente. Por isso é preciso fazer flushing, ou seja, drenar a água”, explica. Ele comenta que muitas vezes o que acontece é que a água entra na aviário com 26°C, quando chega na metade já está com 30°C e na ponta ele está a 32°C. “Como resolvo isso? Com flushing. E quantas vezes devo fazer? Sempre uma a mais do que já estão fazendo. A água que tem que ser fornecida aos pintos tem que ser a melhor”, conta.

A primeira coisa que o produtor precisa fazer, segundo Penz, é pegar o termômetro a laser e medir a temperatura da água. “Se está entrando no aviário quente, é preciso ir ver a caixa d’água”, sugere.

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E já que o assunto é água, Penz afirma que é preciso que seja feita a cloração. “Quatro coisas que eu quase não vejo no Brasil: filtro, medidor de água, entrada de aditivos e clorador”, comenta. De acordo com ele, somente por conta da adição do cloro na água, segundo uma pesquisa, o frango ganha 134 gramas a mais no peso. “O cloro é o promotor de crescimento mais barato na propriedade. Ele deve estar na água sempre, porque quando chega os pintos na propriedade, eles precisam beber água”, avisa.

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A cama úmida é também um grande problema nos aviários e algo que o produtor deve sempre evitar. “Porque ela favorece muitas doenças, inclusive a salmonella. Se a cama umedeceu, é preciso fazer algo para reverter”, alerta.

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As divisórias bem distribuídas dentro do aviário é outro ponto determinante para bons resultados. “E quantas divisórias tem que ter? Uma a mais do que você já tem. Porque o frango gosta do galpão quadrado e eles são muito geográficos. Ele fica onde sempre está. Cada vez que ele caminha, piora a conversão alimentar, porque ele gasta energia para caminhar”, avisa. Até mesmo quanto a estresse as divisórias são boas. “Quando você anda dentro do aviário, os frangos que estão em divisórias separadas daquelas que você está caminhando não vão nem perceber a sua presença e vão ficar tranquilos. Se não tiver divisórias, todos vão se desesperar e vai ser aquela bagunça dentro do galpão”, diz.

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Outra dica dada por Penz é a importância de o avicultor medir a temperatura cloacal das aves. “Quanto maior o peso aos sete dias, maior será o peso das aves ao abate. Façam o que tiver que fazer para os pintinhos comerem e ganhar peso na primeira semana”, avisa.

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Um ponto essencial, segundo Penz, é quanto ao bem-estar dos animais desde o recebimento na propriedade. “Meçam a temperatura dos pintinhos para saber como ela está chegando ao frango. Porque eu sei que se a temperatura está fria do lado de fora e quente dentro, eles terão problemas. Precisamos tratar os frangos com carinho”, comenta.

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Segundo o consultor, algo essencial que deve ser feito pelo produtor é a pesagem dos pintinhos assim que chegam na propriedade. “Essa é a avicultura moderna. Pesem os pintinhos na chegada e vejam o coeficiente de variação para saber como eles chegaram”, sugere. Ele comenta que sabe que é algo que pode dar certo trabalho, mas é fundamental para o bom desenvolvimento do lote. “Pesem os animais no sétimo dia. Os pintos devem pesar 4,5 vezes o peso do primeiro dia”, sustenta.

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Outra sugestão levantada por Penz é medir a presença de alimento no papo das aves 24 horas após a chegada no aviário. “Com 24 horas é preciso apalpar o papo, porque se tem papinha no papo é bom, se ele está duro é porque o pintinho comeu, mas não tomou água; e se está muito macio é porque o aviário estava tão quente que o pinto estava mais preocupado em tomar água do que em comer”, conta. Ele avisa que em 24 horas 90% dos papos devem ter comida. “Porque se não tiver comida e se ele não tomar água nestas primeiras horas, o intestino terá problemas”, comenta.

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Além do mais, é fundamental estimular a movimentação dos frangos nas primeiras horas. “Eles precisam se mexer. Nos primeiros sete dias do pintinho no aviário já iremos saber se o jogo está bom ou ruim”, comenta.

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Por último, é preciso que o avicultor monitore a evolução do peso dos animais após sete dias. É preciso se atentar ao coeficiente de variação do peso. “Se quanto ele chegou tinha 8%, depois de uma semana não pode ser mais de duas unidades acima de sete. Se ele tinha 8%, não pode ser mais que 10%. Se for mais que isso, pode chamar um veterinário, porque alguma coisa deu errado”.

Para Penz, o Brasil tem tudo para continuar sendo o maior exportador de carne de frango do mundo. “Nós trabalhamos com dedicação. O consumo da carne de frango logo será o mais importante de todas as carnes, principalmente agora com todo esse problema na peste suína na China”, afirma. Segundo o consultor, a conversão alimentar depende, principalmente, do trabalho do produtor. “O futuro do agro está nas nossas mãos”, finaliza.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura

Esporo bacteriano: o mais resistente dos probióticos

Algumas vantagens comerciais dos probióticos constituídos por esporos de Bacillus em relação aos constituídos por bactérias em sua forma vegetativa

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Fabrizio Matté, médico veterinário, MSc. e consultor Técnico da Vetanco

Os probióticos são cepas específicas de microrganismos que agem como auxiliares na recomposição da microbiota intestinal dos animais, diminuindo a ocorrência dos microrganismos patogênicos ou indesejáveis. As bactérias mais comumente utilizadas são Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Bacillus, Streptococcus e algumas espécies de leveduras como a Saccharomyces. Sendo, as bactérias produtoras de ácido lático encontradas em grandes quantidades no intestino de animais saudáveis, as mais empregadas na produção de probióticos.

Pela praticidade na incorporação na ração dos animais e sua resistência aos estresses ambientais extremos, os probióticos constituídos por Bacillus estão com grande demanda na produção animal, principalmente na avicultura industrial onde grande maioria das rações produzidas passam pelo processo de peletização, para favorecer o consumo das aves e até mesmo para otimizar o desempenho produtivo. No processo de peletização, as temperaturas podem atingir entre 76,7°C e 93,3°C. Outros probióticos constituídos por bactérias na forma vegetativa perderiam a sua viabilidade sofrendo o estresse térmico desencadeado pela peletização, ao contrário dos esporos de Bacillus.

Esporos bacterianos, da palavra grega “sporos”, que significa semente, são formas resistentes inativas em repouso, produzidas dentro da bactéria em resposta à limitação nutricional ou alta densidade populacional.

As espécies de bacilos gram-positivos e não patogênicos continuam a ser extensivamente pesquisadas, são bem caracterizadas e amplamente utilizadas em muitas aplicações comerciais. Esporos de várias espécies de bacilos, incluindo Bacillus subtilis, Bacillus cereus e Bacillus clausii, são usados ​​como probióticos para animais e humanos.

Em termos de resistência a estresses ambientais extremos, os esporos bacterianos representam o “pináculo da evolução”, sendo altamente resistentes a uma ampla variedade de estresses físicos, como calor úmido, calor seco, radiação ultravioleta, radiação gama, agentes oxidantes, produtos químicos, pressão de vácuo e pressão hidrostática ultra alta.

Como o reservatório primário para Bacillus é o solo, os melhores locais para a pesquisa de isolados de Bacillus podem ser do próprio solo ou de material vegetal e animal próximo ao solo. Em média, cada grama de solo pode conter 108 UFC de Bacillus.

Os esporos adormecidos exibem uma longevidade incrível e podem ser encontrados em praticamente todos os tipos de ambientes no nosso planeta, dos locais extremamente frios como os polos, aos desertos. Os esporos bacterianos são reconhecidos como a forma de vida mais resistente da Terra, com evidências de existirem já há 250 milhões anos.

Devido à sua notória resistência e longevidade, os esporos bacterianos também têm sido estudados como possíveis candidatos para a transferência de vida entre os planetas.

Esporos bacterianos

A esporulação é um tipo especializado de divisão celular que permite que uma bactéria sobreviva a condições extremas, em que a divisão celular simétrica do crescimento vegetativo é substituída por uma divisão assimétrica resultando em uma célula-mãe e um pré-esporo.

A via de desenvolvimento que leva uma célula bacteriana em crescimento vegetativo a um esporo é desencadeada pelo esgotamento da fonte de carbono, nitrogênio ou fosfato do ambiente em que essa bactéria está vivendo.

As bactérias formadoras de esporos são encontradas principalmente no solo. Em condições ambientais adversas o metabolismo dessas células é reduzido para baixíssimos níveis e no interior da bactéria desenvolve o esporângio. O processo de esporulação termina com a desintegração do esporângio e liberação de esporos para o meio.

Na forma de esporos, as células são metabolicamente inativas, possuindo maior resistência aos efeitos letais (calor, frio, barreiras gástricas) podendo ser estocadas sem refrigeração por longos períodos, sendo também resistentes a agentes antimicrobianos, desinfetantes, radiação e pressão hidrostática.

Estrutura do esporo bacteriano

A estrutura dos esporos bacterianos mais comumente descrita consiste em três subestruturas básicas: núcleo, córtex e capas, embora outras estruturas externas possam estar presentes, por exemplo, o exósporo e a crosta, descrita recentemente.

Bacillus Subtilis

Pertencentes à família Bacillaceae, o gênero Bacillus é geneticamente e fenotipicamente muito heterogêneo (tipo respiratório, metabolismo dos açúcares, composição da parede, etc.). As espécies deste gênero são bastonetes de tamanhos variáveis, quase sempre móveis por possuir cílios peritríquios.

As aves necessitam de reinoculação constante, já que a população de Bacillus subtilis pode reduzir em níveis significativos 48 horas após o fornecimento de única dose.

Apesar de ser considerado como microrganismo transitório no TGI, pois não possuí capacidade de adesão ao epitélio intestinal, possuem capacidade de germinar, se multiplicar e formar uma população dentro da microbiota normal de aves, suínos, cães, camundongos e humanos. E ainda, se tem evidências que podem favorecer a colonização de outros microrganismos probióticos, como é o caso dos Lactobacillus.

Usando um meio rico em nutrientes, um pesquisador obteve a germinação de Bacillus licheniformis e Bacillus subtilis, no período de tempo de 60 a 90 minutos em condições in vitro.

A subtilina é uma das bacteriocinas produzidas pelo Bacillus subtilis, foi descoberta em 1947, é estável em ambientes ácidos e possui resistência térmica suficiente para suportar a tratamentos de 121oC, durante 30 a 60 minutos.

Em sua forma vegetativa, Bacillus spp. produzem enzimas extracelulares que podem aumentar a digestibilidade e a absorção de nutrientes, além de desempenhar modulação do tecido linfóide associado a mucosa intestinal.

Entre as enzimas exógenas que algumas espécies de Bacillus têm a capacidade de produzir, podemos citar proteases, lipases, celulases, xilanases, fitases e queratinases.

A exclusão competitiva de patógenos é uma hipótese popular para explicar a ação dos probióticos. Embora o processo tenha sido bem demonstrado em Lactobacillus spp. existem algumas evidências de que Bacillus spp. pode ter o mesmo modo de ação.

Conclusão

Algumas vantagens comerciais dos probióticos constituídos por esporos de Bacillus em relação aos constituídos por bactérias em sua forma vegetativa:

  • Muitos probióticos constituídos por células em forma vegetativa têm sua administração através da água de bebida, neste caso, se não for seguido as recomendações de qualidade de água, manipulação e fornecimento da mistura para as aves, a viabilidade das bactérias pode estar em risco.
  • Probióticos produzidos a partir de células vegetativas podem possuir uma vida de prateleira muitas vezes limitada, e flutuações de temperatura ou temperaturas ambientes altas podem reduzir ainda mais a vida útil.
  • Probióticos produzidos com culturas de células vegetativas não possuem a característica marcante do gênero Bacillus que é a capacidade de formar esporos extremamente resistentes ao calor, produtos químicos, radiação e dessecação. Esporos podem permanecer viáveis por anos.
  • As células vegetativas não possuem a estabilidade do esporo às temperaturas e pressões comumente exercidas durante a peletização e armazenamento de ração comercial.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

Protease exógena: uma enzima importante para a avicultura moderna

Suplementação com protease exógena na dieta de aves traz uma melhor digestibilidade da proteína e, consequentemente, dos aminoácidos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eduardo Machado Costa Lima, zootecnista, PhD em Nutrição de Monogástricos e coordenador de Produto da MCassab

As proteases são enzimas extremamente importantes na natureza e se encontram distribuídas nas plantas, nos animais, nas bactérias, nos fungos e nos vírus. Nas aves, as proteases endógenas são: no estômago, a pepsina; no duodeno, a tripsina, a quimiotripsina, as carboxipeptidases A e B e a elastase.

As enzimas são proteínas globulares com estrutura tridimensional, capazes de acelerar processos químicos sob condições de pH, temperatura, umidade e substrato específico. No caso da proteína da dieta, as aves necessitam de garantir um complexo processo digestivo por meio das enzimas endógenas que, em algumas situações, não são suficientes para garantir uma boa digestão da proteína dietética.

A utilização de enzimas exógenas tem como objetivo principal melhorar a digestibilidade de nutrientes e, consequentemente, o impacto na eficiência de aproveitamento dos nutrientes, proporcionando uma redução dos custos. Fitases e carboidrases são exemplos já consolidados no mercado, e muito se discute em relação aos benefícios adicionais da utilização destas enzimas exógenas.

A fitase, por exemplo, hoje já é utilizada em altas doses para reduzir ao máximo o efeito antinutricional do fitato – substrato para a fitase – e trazer o benefício do efeito extra fosfórico de uma maior e melhor quebra do fitato para as aves.

A suplementação com protease exógena na dieta de aves traz uma melhor digestibilidade da proteína e, consequentemente, dos aminoácidos. Assim, permitindo uma inclusão menor de proteínas e aminoácidos na dieta. A proteína bruta hoje é um dos nutrientes mais caros das dietas de aves de postura e de corte, e o melhor aproveitamento deste nutriente com a utilização de uma protease exógena impacta diretamente na redução do custo da dieta.

Para o entendimento da funcionalidade de cada protease é importante entendermos as principais classes dessas proteases, pois será determinante na capacidade catalítica dentro do trato gastrointestinal (TGI) das aves, uma vez que temos diversos pHs nos diferentes compartimentos do TGI.

De uma forma geral, as proteases são classificadas em exopeptidases e endopeptidases, e a principal diferença entre elas é o local de atuação na cadeia peptídica das proteínas. As exopeptidases atuam na parte externa da cadeia polipeptídica das proteínas, iniciando no terminal amino ou no terminal carboxila. Já as endopeptidases atuam no interior da cadeia polipeptídica das proteínas, normalmente sem um ponto inicial de clivagem, mas sempre distante das extremidades da cadeia polipeptídica.

Para a produção animal, as endopeptidases possuem maior importância, pois irão atuar de forma mais abrangente na proteína da dieta. Observamos que o pH ótimo de atividade varia bastante, indicando onde cada tipo de protease terá maior atuação na clivagem da proteína dietética. As proteases aspárticas, que possuem o ácido aspártico como sítio ativo, atuam em pHs ácidos. O maior exemplo deste tipo de protease é a pepsina, secretada na forma de pepsinogênio pelas células principais do estômago. O pepsinogênio é ativado em pepsina com a secreção de ácido clorídrico no estômago. Assim, o pH ótimo de ação deste tipo de enzima fica entre 3 e 5.

Outro ponto importante também a se observar são os inibidores da atividade enzimática. Assim como os inibidores de tripsina da soja inativam a tripsina endógena secretada pelo pâncreas, também poderão inibir a enzima exógena. A tripsina, a quimiotripsina e a elastase (produzidas pelos animais) são exemplos de serina-proteases, enzimas que atuam a nível intestinal das aves.

De forma geral, a função das proteases é liberar os aminoácidos da cadeia polipeptídica, e cada uma das proteases exógenas terá uma forma de realizar está função. O mecanismo de ação é diferente entre as proteases.

As serina-proteases, por exemplo, possuem duas etapas para realizar a hidrólise da cadeia polipeptídica. A acilação é a etapa em que um intermediário é ligado covalentemente no conjunto enzima-peptídeo. Em seguida, ocorre a desacilação, fase em que uma molécula de água é intermediária no ataque do núcleo da enzima ao peptídeo, ocorrendo a hidrólise da cadeia peptídica e liberando cadeias menores ou aminoácidos livres.

As aspatato-proteases possuem um mecanismo mais simples e menos específico. Estudos cristalográficos mostram que as proteases da família da pepsina são moléculas bilobadas com uma fenda ativa localizada entre os lobos e cada lobo contribuindo com um dos resíduos de ácido aspártico. Os dois peptídeos de ácido aspártico são o sítio ativo desta protease, os quais agem com uma molécula de água para hidrolisarem a ligação peptídica da cadeia de uma proteína, liberando cadeias menores ou aminoácidos livres.

Os pontos abordados neste texto mostram como é complexo a discussão em torno da utilização de enzimas exógenas. A complexidade de algumas características ou fatores relacionados à atividade enzimática pode justificar até certo ponto a variabilidade de resultados de experimentos controlados e de campo no desempenho dos animais. Porém, quando feito de forma profissional é claro o benefício na redução de custo das dietas e também os benefícios paralelos ao uso de algumas enzimas exógenas. Além disso, está claro que, em animais jovens, a produção de proteases endógenas não é suficiente, tornando uma idade crítica e de excelente resposta à suplementação com protease exógena.

As proteases hoje são uma excelente ferramenta para amenizar a grande variação de preço nas diferentes regiões do país. O farelo de soja ainda é a principal fonte proteica para animais monogástricos, e o alto custo deste ingrediente justifica a utilização da protease exógena para auxiliar no aproveitamento da proteína bruta da dieta.

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Fonte: O Presente Rural
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