Suínos
Seleção genômica chega à piscicultura
Empresa especializada em melhoramento de alevinos garante que tecnologia permite redução do tempo de cultivo, mais resistência e aumento no rendimento de cortes comerciais, entre outros ganhos
Investir em genética para melhorar o desempenho e a produção é comum nas atividades agropecuárias, seja em suínos, aves, bovinos ou mesmo com soja, milho e trigo. Mas, algo que ainda não é muito difundido no Brasil é o melhoramento genético na piscicultura. Uma forma do produtor melhorar, a cada lote, a qualidade dos animais, ter maior ganho de peso e menos tempo de serviço. Algumas empresas já estão trabalhando especialmente nisso. Durante o 10º Road Show para Jornalistas, que aconteceu de 13 a 17 de março, a reportagem de O Presente Rural, que participou desta aventura, visitou a fazenda da AquaAmérica, um dos maiores produtores de alevinos de tilápia do Brasil. A empresa fica na cidade de Alfenas, no Sul de Minas Gerais. Com tecnologia e muita dedicação, o empreendimento já gera bons resultados.
A empresa possui um programa de melhoramento genético de tilápias do Nilo. Ela comercializa matrizes e reprodutores desta espécie. Segundo dados da AquaAmérica, atualmente há mais de 100 mil reprodutores de tilápia em reprodução no Brasil. O proprietário da empresa, Jorge Vieira Barbosa, comenta que o objetivo com o melhoramento genético é fornecer à piscicultura brasileira matrizes de tilápia de alta qualidade genética e superior desempenho nas condições de cultivo. “Buscamos oferecer um peixe de maior qualidade, aumentando o rendimento do filé, a resistência e a coloração do animal”, conta. Outras características destacadas foram a redução do tempo de cultivo, alteração na forma dos animais e aumento no rendimento de cortes comerciais.
Uma das tecnologias utilizada pela empresa para garantir maior qualidade e confiabilidade nos reprodutores e matrizes que comercializam é o rastreamento. De acordo com Barbosa, essa tecnologia é importante para a qualidade dos alevinos. É feito nos laboratórios o rastreamento de famílias e animais, sendo capaz de criar peixes com maior variabilidade genética, aumentando a velocidade do ganho de peso e consequentemente a produtividade do negócio. Barbosa conta que para esta rastreabilidade, a empresa utiliza microchips para a identificação dos animais quando ainda são alevinos, fazendo a implantação no laboratório. “Isso permite criar um identificador único, que acompanha o animal durante toda a vida”, esclarece.
O proprietário ainda explica que com os indicadores é acompanhado o animal durante toda a vida, monitorando desde a família que pertence, até os locais onde passarem e a quantidade de ração que consomem. “Com estes dados é possível mensurar o desempenho de cada animal e gerar então o valor genético dele, que vai nortear o manejo para a produção das futuras gerações”, conta. Atualmente, a empresa já está na quarta geração de matrizes. “A cada geração avançamos em termos genéticos, com ganhos no tempo de cultivo na engorda, rendimento nos cortes comerciais e produtividade para a cadeia”, diz.
Após toda essa análise, os animais são ranqueados e apenas os melhores se tornam novos reprodutores. A tecnologia, chamada de seleção genômica, já é bem conhecida em outras cadeias produtivas, como a de bovinos, por exemplo. “Essa seleção, baseada em dados de crescimento, garante maior produtividade dos animais”, informa Barbosa. Ele explica que com resultados melhores em qualquer condição de manejo, as matrizes da empresa possibilitam a criação de animais mais produtivos e selecionados para cortes comerciais. “O que possibilita melhor desempenho em todos os níveis da cadeia produtiva”, afirma. Além disso, com as rigorosas técnicas de manejo que são adotadas pela empresa, os animais acabam protegidos de patologias e outras não conformidades geradas por endogamia.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

