Bovinos / Grãos / Máquinas
Segurança no uso de lipídeos em dietas de ruminantes
No que tange tecnologias na nutrição, o uso de dietas ricas em lipídeos é metabolicamente mais seguro, pois diminui os riscos de acidose ruminal, produz menos calor metabólico – contribuindo para redução de estresse calórico – também reduz a produção e emissão de metano.

Artigo escrito Márcia Skorei, coordenadora técnica da Linha de Ruminantes da Sanex
A pecuária de corte é uma das atividades mais potentes do agronegócio brasileiro e o cenário tem se mostrado bastante otimista, principalmente na demanda global pela carne bovina. Porém, a queda na oferta de animais e as condições climáticas podem criar dificuldades para o setor, logo aliar técnicas de nutrição ao melhoramento genético, bem como o uso de tecnologias e gestão são critérios para eficiência produtiva.
No que tange tecnologias na nutrição, o uso de dietas ricas em lipídeos é metabolicamente mais seguro, pois diminui os riscos de acidose ruminal, produz menos calor metabólico – contribuindo para redução de estresse calórico – também reduz a produção e emissão de metano. Outra vantagem é que os lipídeos fornecem em torno de 2,25 vezes mais energia do que o amido. Com isso é possível reduzir o número de dias no confinamento, com excelente ganho de peso e acabamento de carcaça. Há no Brasil, uma boa oferta de ingredientes com alto teor de lipídeos, como: DDG, caroço de algodão, gérmen de milho e farelo de arroz gordo, entre outros que podem ser utilizados nas dietas de bovinos como fontes alternativas de energia, sendo excelentes opções para substituição do milho quando a oferta e ou preço deste possa encarecer o custo da dieta.
Toxicidade
No entanto, por questões fisiológicas, existem limitações na inclusão de lipídios, nas dietas de ruminantes, por apresentarem toxicidade aos microrganismos ruminais e reduzirem a digestão de fibras. Isso desencadeia certa insegurança tanto em nutricionistas quanto em produtores, quando se fala em aumentar o teor de lipídeos na alimentação desses animais de produção.
Aditivos emulsificantes

Uma alternativa é realizar o fornecimento de aditivos emulsificantes, que promovem a incorporação de ácidos graxos e aumento de sua absorção no intestino delgado devido sua capacidade de passar pelo rúmen e aumentar a digestibilidade de lipídeos, ações que permitem a utilização de níveis mais elevados de gordura na dieta sem causar danos à fermentação ruminal. Alguns emulsificantes são enriquecidos com ingredientes que melhoram a digestibilidade da matéria seca – inclusive fibra em detergente neutro – aumentam a concentração de ácidos graxos voláteis no rúmen e potencializam as atividades enzimáticas, além de diminuir as populações de protozoários e bactérias metanogênicos totais. Um fator que irá determinar o sucesso no uso desse aditivo é o processo industrial pelo qual é submetido, para que possa manter a integridade dos fosfolipídeos potencializando a ação emulsificante.
Estudo
Um experimento realizado no Confinamento do Núcleo de Produção Animal (Nupran) no Setor de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Estadual do Centro-Oeste, no Paraná, utilizando dietas com teor de extrato etéreo (EE) de 4,97% da matéria seca, concluiu que a administração do aditivo emulsificante melhorou a digestibilidade da fração etérea e fibrosa da ração, com dose de 10 g animal/dia e garantiu maior média de ganho de peso diário e animais com maior peso vivo no abate
Na prática, produtores que adotaram essa tecnologia relatam uniformidade de lote, animais prontos para o carregamento com menos dias no confinamento, redução com custos de diárias, maior ganho de peso e melhor acabamento de carcaça. Destaca-se que em sistemas de terminação intensiva a pasto, mesmo com variação na oferta de forragem, os animais mantêm e até aumentam o ganho de peso.

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Nova tarifa da China sobre carne bovina atinge Brasil e outros fornecedores
Sobretaxa de 55% será aplicada a volumes importados fora da cota anual estabelecida pelo governo chinês a partir de quinta-feira (01°).

A decisão do governo chinês de impor uma tarifa extra sobre a carne bovina importada deve redesenhar o fluxo do comércio global do produto a partir de 2026. Anunciada nesta quarta-feira (31), a medida estabelece uma sobretaxa de 55% para volumes que ultrapassarem as cotas definidas para grandes fornecedores, como Brasil, Austrália e Estados Unidos.
A política entra em vigor já nesta quinta-feira 01º de janeiro, com validade prevista de três anos. Segundo o Ministério do Comércio da China, o mecanismo faz parte de um conjunto de salvaguardas voltado à proteção da produção interna, que enfrenta dificuldades em um cenário de excesso de oferta no mercado doméstico.
Para o próximo ano, a cota total destinada aos países afetados será de 2,7 milhões de toneladas, volume próximo ao maior patamar já registrado pelo país, de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024. Apesar da previsão de ampliação gradual dessas cotas ao longo do período de vigência da medida, os limites iniciais ficaram abaixo do volume comprado nos primeiros 11 meses de 2025 de alguns dos principais exportadores, entre eles Brasil e Austrália.

Ao justificar a decisão, o governo chinês afirmou que o crescimento das importações teve impacto direto sobre a indústria local. A avaliação foi divulgada após uma investigação iniciada em dezembro de 2024, que concluiu que o aumento da carne bovina estrangeira no mercado interno causou prejuízos significativos ao setor produtivo nacional.
Analistas avaliam que a mudança deve provocar retração nas compras chinesas em 2026. Para Hongzhi Xu, analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultants, a pecuária bovina da China enfrenta limitações estruturais e não consegue competir com grandes exportadores, como Brasil e Argentina. Segundo ele, esse desequilíbrio não pode ser corrigido no curto prazo, mesmo com avanços tecnológicos ou ajustes institucionais.
No Brasil, a sinalização oficial foi de tranquilidade. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o anúncio não representa motivo de grande preocupação. Em entrevista à TV Globo, ele destacou que o país avançou ao longo de 2025 na abertura e consolidação de novos mercados internacionais para a carne bovina, o que reduz a dependência do mercado chinês.
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Brasil assume a liderança global na produção de carne bovina em 2025
Dados do USDA mostram que o país superou os Estados Unidos pela primeira vez na série histórica, com 12,35 milhões de toneladas produzidas.

O Brasil assumiu em 2025 a liderança mundial na produção de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez desde o início da série histórica divulgada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
De acordo com relatório publicado na última terça-feira (09), a produção brasileira alcançou 12,35 milhões de toneladas neste ano, enquanto os Estados Unidos registraram 11,81 milhões de toneladas. O documento não especifica até qual mês os dados foram consolidados.

Os números do USDA trazem dados comparativos desde 2021 e, até então, o Brasil nunca havia superado os norte-americanos em volume produzido. A virada em 2025 marca um novo patamar para a pecuária bovina brasileira.
Para 2026, porém, a projeção do órgão norte-americano indica equilíbrio entre os dois países. A estimativa aponta produção de 11,7 milhões de toneladas no Brasil e 11,71 milhões de toneladas nos Estados Unidos.
O volume atribuído ao Brasil pelo USDA fica acima da projeção oficial brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou produção de 11,38 milhões de toneladas, número que já representava crescimento em relação a 2024.
Além de liderar a produção em 2025, o Brasil mantém a posição de maior exportador mundial de carne bovina.
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Vacinação contra brucelose entra na reta final em São Paulo e novo ciclo começa em janeiro
Campanha do segundo semestre termina dia 31, enquanto a imunização de bezerras de três a oito meses segue de 1º de janeiro a 30 de junho de 2026, com aplicação obrigatória por veterinário credenciado.

A Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) informa que a Campanha de vacinação contra a Brucelose no segundo semestre acaba nesta quarta-feira (31). A campanha subsequente referente ao primeiro semestre de 2026 tem início na quinta-feira, dia 1º de janeiro com prazo para imunização das bezerras bovinas e bubalinas de três a oito meses de idade até 30 de junho.
Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor.
A relação dos médicos-veterinários cadastrados na Defesa Agropecuária para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível clicando aqui.
A declaração de vacinação deve ser feita pelo médico-veterinário responsável pela imunização, que, ao cadastrar o atestado de vacinação no sistema informatizado de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAVE) em um prazo máximo de quatro dias a contar da data da vacinação e dentro do período correspondente à campanha, validará a imunização dos animais.
A exceção acontecerá quando houver casos de divergências entre o número de animais vacinados e o saldo do rebanho declarado pelo produtor no sistema GEDAVE.
Em caso de incongruências, o médico-veterinário e o produtor serão notificados das pendências por meio de mensagem eletrônica, enviada ao e-mail cadastrado junto ao GEDAVE. Neste caso, o proprietário deverá regularizar a pendência para a efetivação da declaração.
O modelo alternativo de identificação – o primeiro do país aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) – de vacinação contra a Brucelose trata-se de uma alternativa não obrigatória à marcação a fogo que além do bem-estar animal, estimula a produtividade e a qualidade do manejo, além de aumentar a segurança do produtor e do veterinário responsável pela aplicação do imunizante.
É estabelecido o botton amarelo para a identificação dos animais vacinados com a vacina B19 e o botton azul passa a identificar as fêmeas vacinadas com a vacina RB 51. Anteriormente, a identificação era feita com marcação à fogo indicando o algarismo do ano corrente ou a marca em “V”, a depender da vacina utilizada.
Para o caso de perda, dano ou qualquer alteração que prejudique a identificação, deverá ser solicitada nova aplicação que deverá ser feita ao médico-veterinário responsável pela aplicação ou ainda, para a Defesa Agropecuária.
Havendo a impossibilidade da aquisição do botton, o animal deverá ser identificado conforme as normativas vigentes do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).
A Defesa Agropecuária informa ainda que o uso do botton só é válido dentro do Estado de São Paulo, não sendo permitido o trânsito de animais identificados de forma alternativa para demais estados da federação.



