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Segurança alimentar é tema do Fórum Catarinense do Agronegócio

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Cenário macroeconômico, a importância do agronegócio brasileiro, a segurança alimentar e desafios foram temas centrais da palestra “Perspectivas e desafios do agronegócio brasileiro” abordada pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, ontem (08) durante o Fórum Catarinense do Agronegócio. O evento ocorreu paralelamente à Expoeste, no Parque de Exposições Tancredo de Almeida Neves, em Chapecó. 
Rodrigues explicou que o comportamento das variáveis macroeconômicas afeta a vida e os negócios. Por isso, a necessidade de entender, antecipadamente, os sinais que representam mudanças no ambiente. “Isso possibilita que sejam adotadas estratégias e ações para navegar de maneira mais adequada sobre os mares tempestuosos. É uma questão relevante, contudo não temos estratégia e uma visão de longo prazo, pois estamos sempre apagando incêndio. Neste sentido, compreender os sinais é transformar as ondas que destroem o avanço em oportunidades”, argumentou.
Entre os sinais na conjuntura macroeconômica estão: mudança do eixo do comércio global; desaceleração da economia chinesa; política monetária norte-americana mais restritiva, a depender da recuperação do PIB e dos empregos; dificuldades para lidar com o enorme estoque da dívida na Zona do Euro; políticas defensivas e acordos bilaterais.
Neste contexto, entre os desafios de 2015/2050 está o perfil demográfico com alta expectativa de vida e baixa natalidade que desafiam os sistemas de trabalho e de previdência social. “Isso interfere diretamente no agronegócio em função da questão alimentar da população”, explicou.
O fator positivo é que o Brasil integra um grupo restrito de países com grande potencial econômico (EUA, China, Índia, Rússia e Brasil), com superfície agrícola acima de 140 milhões de hectares, população urbana acima de 80 milhões de pessoas e PIB maior US$ 1 trilhão. Contudo, o Brasil perdeu 18 posições no ranking das economias competitivas do mundo, caindo para a 75ª colocação, segundo o Relatório Global de Competitividade, do Fórum Econômico Mundial (WEF) em parceria com a Fundação Dom Cabral.
Para Rodrigues, o agronegócio sustentará a economia brasileira. A atividade foi responsável em 2014, por 24% do PIB nacional, o que representa R$ 1,18 trilhão; com a contribuição do setor de insumos (12%), agropecuária (29%), agroindústria (28%) e distribuição (31%). O agronegócio também foi responsável pela geração de 30% dos empregos e 43% das exportações em 2014, o que corresponde a US$ 96,8 bilhões. “Nesses indicadores, as cooperativas têm papel fundamental para agregar o valor depois que a matéria-prima sai da porteira”, ressaltou.
Na segurança alimentar, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que o mundo deverá aumentar em 20% a produção de alimentos para atender o crescimento da demanda até 2020. O Brasil é o país que mais ampliará a produção, com previsão de aumento de 40% no período. Para Rodrigues, o olhar deve ser equilibrado, considerando a adequada distribuição das margens ao longo da cadeia produtiva. “A segurança alimentar garantirá a paz no mundo. O Brasil possui tecnologia, tem disponibilidade de terra e trabalhadores capazes para atender a demanda”, justificou.
Conforme estudo da FGV/EESP, de 1990/91 a 2013/14, a produção de grãos brasileira cresceu 234%, enquanto a área produtiva aumentou em 50%. “Nenhum outro país fez uma revolução tão rápida, o que indica que o Brasil possui a agricultura mais sustentável do mundo”, argumentou. 
Na produção brasileira de carnes, Rodrigues também destacou o avanço tecnológico e qualificação técnica, pois no período de 1990/91 a 2013/14 na produção de frango ocorreu um crescimento de 460%, de bovino de 101% e de suíno 225%. “São números reais, que mostram o avanço tecnológico, a eficiência e sustentabilidade do agronegócio”.
Mesmo com números favoráveis para o agronegócio, Rodrigues enfatizou que é possível melhorar os resultados. Para justificar, citou Norman Borlaug (1914-1979), que afirmava que 85% do crescimento futuro na produção de alimentos tem que vir de áreas já em cultivo. A partir de técnicas corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente sustentáveis.
Como desafios e riscos para o agronegócio, Rodrigues elencou o prognóstico de custo de produção mais alto para as próximas safras, crédito restritivo e caro, preços de commodities pressionados no mercado externo e margens mais apertadas.
“Gerir bem os custos será um diferencial de rentabilidade”, complementou e acrescentou que “o País precisa avançar na política externa e tornar a produção mais competitiva, com custos menores e mais infraestrutura. Além disso, necessitará reforçar o financiamento e o seguro de renda agrícola. Por isso, o futuro dependerá de uma estratégia articulada de todo o Estado Brasileiro, e ao produtor caberá profissionalizar a gestão de sua propriedade, saber qual é a sua rentabilidade, os resultados obtidos e como eles podem ser otimizados”, argumentou.
O presidente de honra do Fórum e presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Marcos Antonio Zordan, destacou a preocupação de ter 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo, sendo que até 2050 serão mais de 9 bilhões de habitantes. “O fator positivo é que o Brasil utiliza 7,5% do território agricultável, sendo que nos últimos 10 anos foi ampliada em 26% o território e 156% da produção”.
Zordan ressaltou entre os pontos positivos o excelente status sanitário, excelente genética dos animais, ambiência para produzir com horas do sol e estações bem definidas. “Até 2020 o mundo precisará de 15% de cereais, 13% de carne suína, 19% de frango, 14% bovina e 20% lactéos. “Portanto, nossas perspectivas são as melhores e com auxilio das agroindústrias os produtos vão para os mais diversos países”, complementou.
Entre os desafios, Zordan ressaltou a logística, burocracia, energia mais cara do mundo, insegurança jurídica com invasão nas terras, impostos incompatíveis com a atividade.
Participaram como painelistas os presidente da OCESC Marcos Zordan, da Coopercentral Aurora Alimentos Mario Lanznaster; o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (FAESC) e presidente da CIDASC Enori Barbieri e o presidente da Cooperalfa e secretário do Conselho de Administração da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (FECOAGRO), Romeo Bet. A jornalista e correspondente da RBS TV no Distrito Federal Carolina Bahia fez a apresentação do evento e a mediação do painel.
O Fórum Catarinense do Agronegócio foi uma realização da RBS TV com patrocínio da FECOAGRO e FIESC. 
Prêmio Catarinense Do Agronegócio
O gerente executivo da RBS George Fortunato apresentou o Prêmio Catarinense do Agronegócio, que visa descobrir cases de produtores rurais e agroindústrias que se destacaram em 2015. 
“Os números expressivos do agronegócio catarinense revelam que a atividade é a mais competitiva do país, atrás somente de São Paulo, uma vez que o complexo industrial responde por 38,3% das exportações nacionais”, comentou.
Pelo cronograma, no mês de abril de 2016 será realizada a 2ª edição do Fórum do Agronegócio, de maio a agosto serão realizadas as avaliações dos cases inscritos e nos meses de setembro e outubro haverá premiação dos vencedores. “Nossa região é uma ilha que respira fora da crise e vamos continuar assim, pois daremos mais visibilidade ao agronegócio catarinense”, argumentou.

Fonte: Assessoria

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CFMV discute futuro da formação em Medicina Veterinária em seminário nacional

Evento em Brasília reúne coordenadores, docentes e estudantes para tratar de acreditação, diretrizes curriculares, inteligência artificial e saúde mental na graduação e residência veterinária.

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Foto: Shutterstock

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) realiza nos dias 14 e 15 de abril, em Brasília (DF), o 27º Seminário da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (CNEMV). O encontro será realizado no Centro Universitário de Brasília (CEUB), com participação presencial e transmissão ao vivo pelo canal do CFMV no YouTube.

Promovido pela CNEMV, o Seminário reúne coordenadores de cursos de graduação, docentes, profissionais e estudantes de todo o país para debater a qualidade da formação em Medicina Veterinária, tema estratégico para o fortalecimento da profissão e para a proteção da sociedade. As inscrições podem ser feitas em www.cfmv.gov.br.

Presidente da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do CFMV, médica-veterinária Clorinda Fioravanti: “Discutir a formação é olhar para o futuro da profissão” – Foto: Divulgação

A programação contempla discussões sobre proposta de acreditação dos cursos, a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), o uso da inteligência artificial no ensino e os desafios relacionados à saúde mental no ambiente acadêmico.

A presidente da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do CFMV, a médica-veterinária Clorinda Fioravanti destaca a importância do encontro. “Discutir a formação é olhar para o futuro da profissão. Estamos trabalhando para que os cursos estejam cada vez mais alinhados às necessidades da sociedade e às responsabilidades da Medicina Veterinária”, ressalta.

Programação aborda acreditação, planejamento e saúde mental

No primeiro dia, o seminário traz debates sobre proposta de acreditação e os critérios de qualidade dos cursos, além de temas como autoavaliação institucional e planejamento estratégico acadêmico.

No segundo dia, a programação inclui discussões sobre saúde mental na academia, abordando estudantes e docentes diante das novas demandas educacionais, e os desafios na implementação das DCNs nos cursos de Medicina Veterinária no Brasil.

O encontro também prevê a troca de experiências entre instituições de ensino e será encerrado com a construção da Carta de Brasília 2026, documento com diretrizes para o fortalecimento da educação na área.

Residência em Medicina Veterinária

Durante o evento, o CFMV também promoverá o 7º Seminário Brasileiro de Residência em Medicina Veterinária, no dia 16 de abril, no Centro Universitário de Brasília (CEUB), em Brasília (DF), com participação presencial e on-line.

A iniciativa amplia o debate sobre a formação profissional ao abordar um dos principais eixos de qualificação prática na área: os programas de residência.

A programação inclui temas estratégicos, como o futuro da residência no Brasil diante da ausência de financiamento estatal, além da construção de uma agenda voltada à busca de soluções e ao fortalecimento dessas iniciativas no país.

Também serão discutidos aspectos relacionados à saúde mental de residentes e o papel dos hospitais veterinários no sistema público de saúde, reforçando a importância da residência na formação de profissionais mais preparados para atender às demandas da sociedade.

O Seminário reúne gestores, docentes, residentes e profissionais para promover diálogo, troca de experiências e construção coletiva de propostas para o avanço da Medicina Veterinária no Brasil.

Fonte: Assessoria CFMV
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Chuvas podem reduzir até 25% da produção de soja no Mato Grosso

Mais de 30 dias de precipitações deixam grãos com até 28% de umidade, gerando risco de germinação, atrasando a safrinha de milho e aumentando em 30% o volume de operações de secagem.

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Foto: Roney Smolareck

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em importantes regiões produtoras do país, especialmente no Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, têm dificultado o avanço da colheita da soja e acendido um alerta entre produtores. Já são mais de 30 dias de precipitações frequentes, cenário que levou 17 municípios do estado a decretarem situação de emergência. Nas áreas mais afetadas, produtores relatam prejuízos que podem chegar a até 25% da produção.

Segundo levantamento do setor de tecnologia de medição de grãos, a soja colhida em regiões do Norte de Mato Grosso tem registrado picos de umidade entre 26% e 28%, um aumento de cerca de 20% no teor de água presente no grão no momento da colheita em relação ao padrão considerado ideal para a operação.

Engenheiro agrônomo Roney Smolareck: “Quando a soja permanece por longos períodos no campo, após atingir o ponto de colheita, o excesso de umidade pode iniciar a germinação ainda na planta”

As informações foram obtidas por meio do Sistema de Gestão de Umidade (SGU), que acompanha operações de secagem e monitoramento de grãos em unidades armazenadoras. Normalmente os produtores realizam a colheita com níveis de umidade entre 18% e 22%, contudo, no monitoramento mais recente, foram observadas médias próximas de 21%, além de picos entre 26% e 28%, com registros pontuais ainda maiores durante o período mais chuvoso em regiões como Marcelândia.

Para o engenheiro agrônomo Roney Smolareck esse excesso de umidade pode se tornar um dos principais riscos para a qualidade da safra e para o valor final recebido pelo produtor. “Quando a soja permanece por longos períodos no campo, após atingir o ponto de colheita, o excesso de umidade pode iniciar a germinação ainda na planta. Nesse processo, o grão passa a consumir suas reservas, o que reduz seu valor comercial e pode gerar descontos na comercialização”, afirma.

O excesso de chuva também impacta o calendário da segunda safra de milho. Como o plantio do milho safrinha depende da liberação das áreas ocupadas pela soja, atrasos na colheita acabam reduzindo a janela ideal de semeadura. “Em muitas regiões, o solo permanece encharcado por vários dias, impedindo a entrada das máquinas agrícolas. Então, muitas vezes, o produtor até gostaria de colher, mas as máquinas não conseguem entrar na área por causa das condições do solo. Esse atraso acaba refletindo no plantio do milho safrinha e na qualidade da soja, porque quanto mais tempo ela fica no campo, maior o risco de degradação”, explica o agrônomo.

Umidade elevada aumenta custos no pós-colheita

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT

Além do impacto na lavoura, o aumento da umidade também pressiona toda a cadeia pós-colheita. Quando o grão chega às unidades armazenadoras com níveis acima de 26%, o volume de água a ser removido praticamente dobra em comparação com uma colheita feita na faixa normal de umidade. Na prática, isso significa mais tempo de permanência nos secadores, maior consumo de energia e maior pressão operacional nas estruturas de armazenagem.

No momento da classificação e comercialização, o excesso de água também afeta o resultado financeiro da safra. Após a secagem, o peso líquido do lote é reduzido e os descontos aplicados na negociação tendem a ser maiores, já que o produtor precisa retirar um volume adicional de umidade do grão.

Também foram identificadas um aumento próximo de 30% nas operações destinadas exclusivamente à retirada de umidade. A análise foi gerada pela comparação dos dados operacionais deste ciclo com o histórico registrado pelos medidores e pelo acompanhamento do sistema SGU integrado ao monitoramento do processo de secagem.

O aumento evidencia como o regime de chuvas acima da média tem alterado a dinâmica da colheita em Mato Grosso. Em anos considerados normais, a secagem já representa uma etapa crítica do pós-colheita. Neste ciclo, ela se tornou ainda mais estratégica para garantir a qualidade do grão, reduzir perdas e manter o fluxo de comercialização da soja.

Controle da umidade

Fotos: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

Diante de cenários climáticos cada vez mais instáveis, ferramentas de monitoramento têm ganhado importância tanto na tomada de decisão no campo, quanto na preservação do valor da produção. Para Smolareck, acompanhar a umidade dos grãos ajuda o produtor a agir com mais precisão. “Quando o produtor mede a umidade ele consegue identificar quais áreas da lavoura apresentam melhores condições de colheita naquele momento. Isso permite priorizar talhões com menor risco de deterioração, preservando a qualidade do grão e, consequentemente, o valor final da comercialização”, explica.

Para preservar a qualidade da soja e garantir maior rentabilidade, a recomendação técnica é que a colheita ocorra com umidade dos grãos entre 13% e 14%. Por isso, equipamentos portáteis de medição permitem que essa avaliação seja feita diretamente no campo, de maneira rápida e eficiente. “Quando o produtor conhece exatamente o nível de umidade da soja, ele tem mais segurança para negociar. Se o grão está dentro do padrão ideal, essa informação ajuda a evitar descontos indevidos e a preservar o valor do grão na comercialização. Em um cenário de perdas causadas pela chuva, a medição se torna uma ferramenta importante para reduzir o impacto financeiro da safra”, pontua Smolareck.

Fonte: Assessoria Motomco
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Notícias Apesar de números históricos de produção

Pedidos de recuperação judicial no campo sobem 56% no Brasil

Quase dois mil produtores recorreram à Justiça em 2025, enquanto a produção de grãos supera 350 milhões de toneladas e a rentabilidade da soja cai à metade desde 2022.

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Foto: Divulgação/Freepik

O agronegócio brasileiro vive um paradoxo. Enquanto o país caminha para colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos e mantém o crescimento do PIB do setor, aumenta o número de produtores rurais endividados e em dificuldade financeira. De acordo com dados do Serasa, em 2025, foram registrados 1.990 pedidos de recuperação judicial no campo, um aumento de 56,4% em relação aos 1.272 registrados em 2024.

A contradição se acentua diante dos números da produção. Projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra de soja 2025/2026 deve superar 178 milhões de toneladas, puxada principalmente por estados do Centro-Oeste como Goiás e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, a rentabilidade caiu: a saca da soja, que chegou a cerca de R$ 200 em 2022, gira hoje em torno de R$ 100, reduzindo drasticamente as margens.

Advogada especialista em Direito Agrário e do Agronegócio, Márcia de Alcântara: “O produtor está produzindo mais, mas não necessariamente lucrando” – Foto: Divulgação

A advogada especialista em Direito Agrário e do Agronegócio, Márcia de Alcântara, explica que esse cenário revela uma crise que vai além da gestão individual e atinge toda a estrutura do agro. “A análise macroeconômica não reflete o que acontece no campo. O produtor está produzindo mais, mas não necessariamente lucrando. Em muitos casos, ele está operando no limite ou até no prejuízo”, afirma.

Segundo Márcia, um dos motores dessa crise  é o próprio modelo de produção. “Com margens apertadas e dívidas acumuladas, o produtor amplia a área plantada para tentar compensar perdas. Só que isso aumenta o risco e pode aprofundar o endividamento”, explica. Contratos como CPRs, operações de barter e compromissos com tradings também pressionam a manutenção da produção, mesmo em cenários desfavoráveis.

O peso das dívidas vem aumentando. O endividamento rural já ultrapassa R$ 1,3 trilhão no Brasil, com cerca de 30% desse total ligado a bancos e cooperativas de crédito. Em alguns casos, as taxas podem chegar a 25% ao ano. “O custo do dinheiro virou um dos principais problemas do agro. Muitas vezes, o financiamento da safra já nasce comprometido”, diz.

O clima também agrava o cenário. Enquanto o Sul enfrenta quebras de safra com estiagens e enchentes, estados do Centro-Oeste, como Goiás, lidam com chuvas irregulares que comprometem o desenvolvimento das lavouras e elevam os custos com irrigação. “O clima deixou de ser uma variável previsível e passou a ser um fator constante de insegurança”, aponta.

Foto: Divulgação/Freepik

Além disso, os custos de produção seguem pressionando. Fertilizantes nitrogenados tiveram alta em 2025 e o mercado de defensivos movimentou cerca de US$ 11 bilhões em 2024. O diesel, essencial para máquinas e transporte, também encarece a operação, especialmente em regiões distantes dos portos.

Para a advogada, a crise atinge principalmente pequenos e médios produtores, que têm menos acesso a ferramentas de proteção financeira. “A crise do agro hoje é estrutural e multifatorial. Nesse contexto, a assessoria jurídica tem se tornado estratégica para renegociar dívidas, revisar contratos e evitar a perda de patrimônio. Enquanto não houver um enfrentamento mais amplo desses desequilíbrios, o país vai continuar convivendo com essa contradição: recordes de produção de um lado e produtores financeiramente fragilizados do outro”, salienta.

Fonte: Assessoria Escritório Celso Cândido de Souza Advogados
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