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Segunda safra e manejo do solo tornam vazio sanitário etapa estratégica da produção de soja
Em Mato Grosso, período de restrição ao plantio é usado para intensificar sistemas e influenciar produtividade futura.

O início do vazio sanitário da soja costuma transmitir a impressão de que as atividades nas fazendas diminuem. Em Mato Grosso, no entanto, a realidade é outra. Mesmo com a proibição do cultivo da oleaginosa, o campo segue em ritmo intenso, impulsionado pelas culturas de segunda safra e pelos manejos que definirão o desempenho da próxima temporada.

Foto: Júnior Knoff
Maior produtor de soja do Brasil, o Estado vive um período estratégico do calendário agrícola. Além do milho de segunda safra, culturas como algodão, sorgo, gergelim e milheto permanecem em desenvolvimento e exigem acompanhamento constante.
De acordo com o mestre em Agronomia Talis Melo, o vazio sanitário é uma medida essencial para o controle da ferrugem asiática, mas está longe de representar uma paralisação das atividades. “Hoje não temos soja no campo, porque o plantio é proibido durante o vazio sanitário. Mas isso não significa que a atividade para. O milho de segunda safra tem participação fundamental na rentabilidade do produtor. Além dele, culturas como algodão, sorgo, gergelim e milheto seguem em desenvolvimento e exigem manejo constante”, afirma.
Ao longo dos últimos anos, Mato Grosso consolidou um modelo produtivo baseado em duas grandes safras anuais. O que antes era chamado de “safrinha” tornou-se uma segunda safra de grande relevância econômica, responsável por ampliar a renda e a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.
Além do retorno econômico, essas culturas exercem papel importante na preparação da próxima safra de soja. O cultivo consorciado de milho com braquiária, por

Foto: Divulgação
exemplo, contribui para a formação de palhada, melhora a estrutura do solo, conserva a umidade e favorece o desenvolvimento da lavoura subsequente.
Segundo Melo, as decisões tomadas neste período têm reflexos diretos sobre a safra 2026/27. Estratégias de controle de plantas daninhas, manejo fitossanitário, escolha de cultivares e uso de plantas de cobertura são fatores que influenciam a produtividade da soja que será semeada nos próximos meses. “Os manejos realizados agora no milho, no algodão, no sorgo, no gergelim e em outras culturas refletem diretamente na safra de soja 2026/27. Este é um momento de planejamento e preparação, em que o produtor trabalha para construir os resultados que deseja alcançar na próxima temporada”, destaca.
Controle da ferrugem asiática
Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja começou em 08 de junho e se estende até 06 de setembro. Durante esse período, os produtores devem eliminar todas as plantas vivas de soja existentes em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e locais onde possa ocorrer germinação espontânea.
A medida busca interromper o ciclo da ferrugem asiática, considerada a principal doença da cultura e capaz de provocar perdas de até 90% da produção quando não controlada adequadamente.

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Santa Catarina garante segurança para os produtores e excelência para a pecuária com o Fundo de Sanidade Animal
O Fundesa garante a indenização de produtores que precisam realizar o abate sanitário de animais acometidos por doenças previstas nos programas oficiais de controle sanitário, entre elas predominantemente brucelose e tuberculose bovina

Por trás dos índices que colocam Santa Catarina entre os estados com melhor status sanitário do país, existe uma ferramenta fundamental para garantir a saúde dos rebanhos e a continuidade da produção rural: o Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa), executado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em conjunto com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Mais do que indenizar produtores, o fundo dá segurança para que medidas sanitárias rigorosas sejam adotadas, protegendo a pecuária catarinense, a saúde pública e os mercados que reconhecem a qualidade da produção do estado.
O Fundesa garante a indenização de produtores que precisam realizar o abate sanitário de animais acometidos por doenças previstas nos programas oficiais de controle sanitário, entre elas predominantemente brucelose e tuberculose bovina. A indenização é calculada individualmente com base no valor de mercado de abate de cada animal e os recursos são liberados de forma ágil, permitindo a recomposição do rebanho e a continuidade da atividade produtiva. Com isso, o fundo reduz os impactos econômicos ao produtor e fortalece as ações de controle sanitário em Santa Catarina.
“O Fundesa é fundamental para a manutenção do elevado status sanitário de Santa Catarina. Ao mesmo tempo em que fortalece o controle de doenças e protege a saúde pública, garante ao produtor o apoio necessário para recompor sua atividade e continuar produzindo com segurança”, ressalta o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
A importância do Fundo pode ser vista na experiência do produtor Daniel Michels, de Braço do Norte. Após a confirmação de tuberculose no rebanho há três anos, 52 animais precisaram ser sacrificados para garantir a segurança sanitária da propriedade e da cadeia produtiva.
O que poderia representar o fim da atividade leiteira se transformou em um recomeço. Com a indenização recebida por meio do Fundesa e o acompanhamento técnico da Cidasc, a família conseguiu repor os animais e seguir produzindo. “Se não tivesse esse auxílio, não estaria mais na atividade. Com esse apoio pelos animais que perdi e com o recursos do Fundesa, deu para começar a atividade de novo”, relata Daniel Michels.
Em 2025 foram indenizados 4.865 animais, totalizando cerca de R$ 20 milhões em recursos. Os produtores rurais que tiverem a confirmação ou suspeita de doenças de notificação obrigatória devem comunicar imediatamente a Cidasc. A partir desse registro, os técnicos orientam sobre os procedimentos sanitários, a documentação necessária e a abertura do processo para o abate sanitário e a indenização por meio do Fundesa.
Nota máxima em segurança
Os resultados comprovam a importância desse trabalho. Santa Catarina apresenta a menor incidência de brucelose bovina do país e está entre os estados com menor incidência de tuberculose bovina. O Estado possui nota máxima na classificação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o grau de risco de brucelose e tuberculose bovina, resultado de uma atuação conjunta entre os produtores rurais com o trabalho em campo da Cidasc.
“A redução da incidência destas duas zoonoses no rebanho catarinense é o resultado do trabalho da atual geração de profissionais da Cidasc, que se soma a tantas conquistas históricas, como o pioneirismo na retirada da vacinação e no controle absoluto da febre aftosa no estado. O Fundesa é uma política pública catarinense, que todo estado brasileiro deseja disponibilizar ao produtor rural, e o Governo do Estado garante esse recurso e o mantém em dia, fazendo-o chegar às mãos do produtor rural mais rápido do que jamais chegou. Muitos estados vêm à Santa Catarina verificar como funciona esse benefício”, afirma a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.
Além disso, Santa Catarina já conta com mais de 3 mil propriedades certificadas pela Cidasc como livres de brucelose e tuberculose, reforçando a credibilidade da pecuária catarinense e a confiança dos mercados consumidores.
“Todo foco de brucelose e tuberculose identificado passa por saneamento obrigatório e, nesse momento, o Fundesa é fundamental para dar suporte ao produtor. A indenização permite que as medidas sanitárias sejam adotadas com rapidez e segurança, favorecendo o controle das doenças e a continuidade da atividade produtiva nas propriedades rurais”, explica a diretora de Qualidade e Defesa Agropecuária, Daniela Carneiro do Carmo.
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Feicorte 2026 começa nesta terça-feira (23/6) reunindo a cadeia produtiva da carne em Presidente Prudente
Após o sucesso da Feicorte Run Sportime, que reforçou o estilo de vida saudável associado ao consumo de proteína animal, o Recinto Jacob Tosello abre seus portões para quatro dias de debates, tecnologia, negócios, gastronomia e exposição de raças

Começa nesta terça-feira (23/6) a edição 2026 da Feicorte – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, em Presidente Prudente (SP). A feira chega a sua terceira edição consecutiva realizada na maior região pecuária do estado de São Paulo, que abriga um rebanho de 1,6 milhão de cabeças, transformando o Recinto de Exposições Jacob Tosello no principal polo de tecnologia, negócios, gastronomia e genética do setor na América Latina. O evento estende-se até o dia 26 de junho.
Como um aquecimento oficial para as atividades de campo e de mercado, o domingo (22/6) foi marcado pela realização da 1ª Feicorte Run Sportime. A corrida e a caminhada mobilizaram cerca de 700 inscritos, conectando ambiente produtivo ao cenário urbano, promovendo a saudabilidade associada ao consumo de proteína animal de qualidade. Na chegada, os participantes puderam degustar diversos tipos de churrasco.
O embaixador da corrida e ultratriatleta Alessandro Medeiros elogiou a iniciativa de alinhar a atividade física ao consumo de “comida de verdade”. “A proteína animal é o combustível essencial para quem busca alto rendimento no esporte e qualidade de vida, mostrando na prática que a carne e a atividade física andam juntas”, afirmou.
Complementando a visão de busca por alta performance, a nutricionista Letícia Moreira apontou que a saúde representa o elo que faltava para conectar o campo à mesa do consumidor. “Nosso papel é desmistificar a proteína animal e mostrar que ela possui maior densidade nutricional e biodisponibilidade, sendo superior para o organismo”, explicou a profissional.
O embaixador da Feicorte 2026 e presidente da Associação de Confinadores do Brasil (Assocon), Maurício Velloso, classificou a iniciativa como uma celebração cujo propósito foi amarrar a excelência do processo produtivo rural à saúde humana. “A carne bovina confere uma disposição extraordinária ao organismo e é fundamental utilizarmos canais dinâmicos para divulgar de forma ampla o seu poder nutricional”, destacou Velloso.
A diretora da Sportime, Raiany Bagli, celebrou a oportunidade de associar a marca à grandiosidade institucional da feira: “Sabemos que a Feicorte é muito grande e bem conhecida. Por isso, foi um prazer estar aqui nessa estrutura tão bem-organizada”. O fundador da B3 Eventos Esportivos, Bruno Perosso, complementou: “Essa parceria nos permitiu transmitir a mensagem clara de que a alta performance na corrida depende diretamente de uma nutrição de qualidade baseada em proteínas de alto valor biológico”.
Para a CEO da Verum, organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, trazer a cadeia produtiva para junto de atletas e da juventude representa a realização de um objetivo institucional. “Unir a carne ao esporte e à saúde mostra que a nossa proteína é fundamental, além de ajudar a contar para a sociedade que a nossa pecuária é sustentável, rentável e repleta de projetos maravilhosos”, destacou a executiva.
Endossando o papel de conscientização da feira, o presidente do Instituto Brasileiro de Inovação, Cultura e Qualidade do Agro e Pecuária (IBIQPEC), Ailton Barbosa, também organizador da feira, reforçou o impacto de aproximar o público urbano do setor produtivo. “A Feicorte cumpre uma missão essencial ao liderar essa conexão entre a saúde e a proteína animal, abrindo as portas da cadeia da carne para que toda a sociedade compreenda de perto o valor nutricional e a qualidade do que produzimos no campo”, salientou Barbosa.
Beef Hour das Raças reunirá 17 variedades de carne em um único churrasco
A grande estrela gastronômica da Feicorte ganha uma proporção inédita nesta edição, ampliando sua vitrine de cortes para apresentar o resultado do melhoramento genético nacional. A Beef Hour das Raças, marcada para o primeiro dia de evento, reunirá nove estações de churrasco para oferecer ao público e a comitivas internacionais uma experiência sensorial completa com a degustação de cortes de 17 raças.
Viabilizada em parceria direta com associações nacionais de criadores de todo o País, a iniciativa evidenciará a excelência da proteína animal brasileira. O time que compõe as degustações contempla cortes selecionados de animais das raças Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Texas Longhorn e Canchim. Rompendo as fronteiras da edição passada, a grande novidade deste ano fica por conta da introdução de estações de carne de búfalo e de cordeiro da raça Suffolk, mostrando o potencial de cortes especiais para atender aos paladares mais exigentes.
Cerimônia de abertura com autoridades no primeiro dia
A solenidade que marca a abertura do evento será realizada nesta terça-feira (23/6), às 15h10, no palco da Arena Feicorte, onde são realizadas as palestras. A cerimônia reunirá as principais lideranças setoriais, representantes de entidades e do Executivo e Legislativo.
Estão confirmadas as presenças do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas; do secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho; do secretário executivo da pasta, Diógenes Kassaoka; e do presidente do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), Lucas Bressanin.
A solenidade também terá a participação do senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro e do deputado federal e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite, além de deputados, prefeitos da região e outras autoridades.
A lotação da Arena Feicorte é limitada e, por motivos de segurança, o acesso ao espaço será bloqueado quando a lotação máxima for atingida.
Palestrantes nacionais e internacionais integram o fórum
O ciclo de debates deste ano será norteado pelo tema central “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades”, desenhado para evidenciar a eficiência, a sustentabilidade tropical e o protagonismo exportador do País. A programação traz especialistas nacionais e internacionais que analisarão cenários do pasto ao prato.
Entre os destaques internacionais estão o diretor de Serviços para a América Latina e Desenvolvimento de Negócios da TELUS Agriculture, Luis Burciaga-Robles, do Canadá; o consultor e pesquisador Conrad Coetzer, da África do Sul; o especialista em genética molecular e edição gênica da Acceligen, Tad Sonstegard, dos EUA; e o sócio diretivo da empresa ganadera Condomínio Valente Gomes, Eugênio Valente Gomes, do Paraguai.
A grade de palestrantes nacionais reúne temas estratégicos divididos entre cria, recria, engorda, avaliação de carcaça por ultrassonografia, sustentabilidade e mercado. Já o painel “O DNA Feminino da Carne”, formado integralmente por palestrantes femininas no primeiro dia do evento, será voltado à valorização da carne vermelha e à inovação em toda a cadeia, conectando a tecnologia rural à percepção do consumidor final.
Shopping Seleção Feicorte eleva a qualidade dos negócios
Como principal novidade comercial para a edição de 2026, a feira introduz o Shopping Seleção Feicorte. Realizada em parceria estratégica com a Central Leilões, a plataforma funciona como uma vitrine de negócios contínuos dentro do recinto, focada na comercialização direta de animais de elite, touros contratados, doadoras e pacotes genéticos de alto valor de mercado.
A iniciativa reúne associações de raça e criatórios de referência de linhagens zebuínas e europeias, servindo como ponto de encontro para investidores que buscam incremento em produtividade, fertilidade e rusticidade. O espaço foi projetado para facilitar o intercâmbio técnico e comercial, permitindo que produtores avaliem dados científicos de carcaça e conformação frigorífica antes das tomadas de decisão, consolidando o papel da feira como geradora de receita para a pecuária nacional.
Espaço Origens expõe a produção artesanal paulista
A diversidade cultural e a riqueza gastronômica do estado de São Paulo ocupam posição de destaque com o retorno do Espaço Origens. A área é reservada ao melhor da produção de pequenos e médios empreendedores paulistas, permitindo ao público adquirir e aproveitar degustações e harmonizações
Viabilizado em parceria com o Sebrae e a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo (SETUR), o pavilhão oferece uma imersão sensoria. Os visitantes poderão conhecer e comprar uma variedade de produtos paulistas que incluem queijos finos e artesanais, derivados de leite de búfala, embutidos premium e charcutaria especializada.
O espaço contempla ainda a exposição de cachaças de alambique pertencentes às rotas oficiais do estado, licores, doces tradicionais, mel, além de artigos utilitários como fivelas, biojoias contemporâneas, cutelaria e peças confeccionadas em couro legítimo.
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Redução da jornada pode acrescentar R$ 11,9 bilhões aos custos do transporte de cargas no Brasil
Estudo da CNT estima alta anual de 8,66% nas despesas com mão de obra em um setor que já enfrenta déficit de mais de 100 mil motoristas.

O primeiro semestre de 2026 impôs uma nova camada de desafios ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Responsável por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no Brasil, o setor precisou se adaptar simultaneamente a mudanças regulatórias, aumento de custos operacionais, maior rigor na fiscalização eletrônica e escassez de mão de obra, cenário que elevou a complexidade das operações e pressionou a rentabilidade das empresas.

Presidente da FETCESP, Carlos Panzan: “O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional” – Foto: Divulgação
Entre as principais mudanças estiveram as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e a ampliação dos mecanismos de fiscalização digital.
Na avaliação da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), essas transformações exigiram investimentos em tecnologia e revisão dos processos internos. “O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional. Hoje, as empresas precisam acompanhar um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, investir em tecnologia, reforçar controles internos e manter capacidade de adaptação rápida para preservar eficiência e competitividade”, afirma o presidente da FETCESP, Carlos Panzan.
Diesel e frete pressionam as margens
Além das adequações regulatórias, o setor continua convivendo com dificuldades estruturais. O diesel segue entre os principais fatores de pressão sobre os custos das transportadoras.
Em março, o combustível chegou a acumular alta de 19% e permanece representando entre 35% e 50% do custo

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operacional das empresas. Em algumas operações, esse percentual pode ultrapassar 70% do valor total do frete.
Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística apontou uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início deste ano, o que reduz a capacidade das empresas de repassar os custos e compromete as margens de operação.
Segundo a FETCESP, a adaptação às novas regras deixou de ser uma demanda pontual e passou a integrar a estratégia das empresas. Para a entidade, o segundo semestre deve ser marcado principalmente pelos desafios relacionados ao ambiente econômico, político e trabalhista.
Escassez de motoristas preocupa setor
Entre os temas que mais mobilizam as transportadoras está a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1.

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Estudo encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.
O levantamento aponta ainda que seriam necessários cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter os atuais níveis de operação e atendimento.
A preocupação é ainda maior no transporte rodoviário de cargas, que enfrenta um déficit estimado em mais de 100 mil motoristas profissionais, além da dificuldade para preencher outras vagas operacionais. “Estamos diante de uma discussão que exige equilíbrio. O transporte de cargas é uma atividade essencial para o abastecimento da economia e qualquer mudança estrutural precisa considerar seus impactos sobre custos, produtividade e capacidade de atendimento”, afirma Panzan.
Segundo semestre deve exigir mais planejamento
As empresas também acompanham com atenção o cenário político e econômico, especialmente diante do calendário eleitoral e da implementação gradual da Reforma Tributária.
Para a FETCESP, a previsibilidade será um dos fatores decisivos para a competitividade do setor nos próximos

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meses. “A tendência é que o segundo semestre continue exigindo elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das empresas. O setor precisa de previsibilidade para investir, organizar operações e manter competitividade. Quanto maior a estabilidade regulatória e o diálogo entre poder público e setor produtivo, maiores serão as condições para que as transportadoras continuem operando com eficiência e segurança”, destaca o presidente da entidade.
Diante desse cenário, a federação defende a ampliação da participação das empresas em pesquisas de confiança do setor, argumentando que um diagnóstico mais preciso sobre custos, ambiente regulatório e expectativas dos empresários pode contribuir para orientar políticas e fortalecer a representação institucional das transportadoras em um período marcado por mudanças e incertezas.



