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Troféu Agroleite premia os melhores da cadeia leiteira
O honraria é uma iniciativa da Castrolanda – Cooperativa Agroindustrial e faz parte da programação anual da Agroleite, evento técnico, comercial e de exposição de animais e equipamentos para a cadeia produtiva do leite. Visa reconhecer e valorizar a contribuição de cada um em todas as etapas de produção.

O Troféu vai para… A noite de quarta-feira (09) foi cercada de muita expectativa para os indicados ao Troféu Agroleite, evento da programação do Agroleite 2023, organizado pela Cooperativa Castrolanda. O “Oscar do Leite” reuniu no Memorial da Imigração Holandesa os representantes de empresas nacionais e multinacionais e personalidades ligadas a cadeia do leite para conhecer os vencedores em cada uma das 15 categorias.
O presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, parabenizou todos os indicados ao prêmio pela importância e significado para a cadeia do leite. “A cadeia do leite que é tão importante para nossa região, para o município de Castro, para nossa cooperativa e tantas famílias que dependem dessa atividade e vocês nos ajudam a fazer diferença e contribuir para que essa cadeia possa cada vez ser mais eficiente, produzir mais e trazer mais renda para os associados e nossa região”, enfatizou.
Bouwman aproveitou a oportunidade para apresentar aos presentes o projeto patrocinado pela Castrolanda para asfaltamento do trecho que liga a PR-340 e o município de Castro pela Avenida Marly Rolim, com passagem pelo Castrolanda Expo Center, a via utilizada para saída de veículos durante o Agroleite 2023. “Não é só dentro do Castrolanda Expo Center que queremos trazer e compartilhar com o público uma boa experiência, precisamos melhorar a nossa infraestrutura ao redor do nosso parque dentro do município de Castro”, destacou o presidente da Castrolanda.
Presente na cerimônia e convidado a subir ao palco, o deputado estadual Moacyr Fadel, mencionou que uma grande dificuldade do poder público é a conclusão de projetos. “Você (Willem) me entregou o projeto não faz nem 30 dias e há uma semana atrás eu pedi para o governador essa ligação do asfalto até lá. Quem está passando por ali está vendo a dificuldade que é depois das chuvas, e Agroleite sem chuva não é Agroleite, porque chove todo ano, de se deslocar e sair do parque, e o governador fará o anúncio da ligação do parque da Castrolanda até o município de Castro”, relatou o deputado.
Após a premiação quem finalizou os pronunciamentos foi o diretor executivo da Castrolanda, Seung Lee, que fez uma analogia com o seu sonho de criança em ser jogador de futebol e a questão da vocação. Lee ressaltou que o Brasil tem como vocação o agronegócio e que os imigrantes holandeses que fundaram a cooperativa trouxeram consigo a sua vocação de produzir leite.
“É seguindo a vocação que a gente vai chegar no futuro e a contribuição da cooperativa Castrolanda para que a gente possa disseminar esse conhecimento, possa fomentar negócios, não só na região dos Campos Gerais, mas para o Brasil e alguns países fora do Brasil é por meio do Agroleite. O Agroleite é o nosso polo, onde queremos divulgar o que os melhores estão fazendo para o Brasil para que ele seja líder global não só em grãos, não só em proteína animal, mas em leite em outros setores. Voltando a analogia, um bom jogador só vira craque quando joga com os melhores e modéstia à parte os melhores estão aqui no Agroleite”, finalizou o diretor.
O Troféu Agroleite é promovido pela Castrolanda com o objetivo de reconhecer e incentivar as melhores práticas do setor. As categorias são: Genética, Nutrição, Saúde Animal, Bem-Estar, Sementes, Ordenha e Refrigeração, Máquinas e Equipamentos, Produtor de Leite, Agente Financeiro, Laticínio, Embalagem, Associação de Produtor, Pesquisa e Desenvolvimento, Personalidade do Ano e Mídia. As indicações são feitas por votação na internet e em junho é divulgada a lista dos três finalistas em cada categoria. Os vencedores só são conhecidos na noite da premiação.
Confira os vencedores em cada categoria e seus pronunciamentos:
GENÉTICA
Finalistas: Alta, Select Sires e Semex
Vencedor: SEMEX
“Iniciamos as categorias da noite e nada melhor que esse troféu que trará alegria para toda a empresa, a todos os colaboradores, a todos nossos clientes e amigos que fazem referência nesse evento que representa a cadeia do leite. Nosso muito obrigado, uma ótima noite a todos, é o 11º troféu que vai para a Semex graças a vocês”. – NELSON ZIELSDORFF, presidente da Semex Brasil
NUTRIÇÃO
Finalistas: DSM,Nutron e Vaccinar
Vencedor: NUTRON – CELSO MELLO
“Boa noite a todos, em nome dos nossos 1650 funcionários aqui no Brasil, eu agradeço esse reconhecimento que é exposto a todo o grupo. Parabenizo a diretoria da Castrolanda por esse magnífico evento que se torna cada vez mais referência aqui no nosso país em termos de produção leiteira”. – CELSO MELLO, presidente da Nutron, marca de nutrição da Cargill
SAÚDE ANIMAL
Finalistas: JÁ, MSD e Ouro Fino
Vencedor: OURO FINO – KLEBER GOMES
“Como falei o ano passado, é uma grande honra para a gente estar participando, só de ser finalista já é muito importante. A gente fica muito mais feliz de ganhar, nós temos valores e um deles é jogar para ganhar. Hoje eu quero agradecer todos os colaboradores da Ouro Fino que fazem isso acontecer, mas principalmente as famílias, os produtores que todos os dias acordam muito cedo e fazem esse negócio importantíssimo para a cadeia do leite. Contem sempre com a Ouro Fino”. – KLEBER GOMES, presidente da Ouro Fino
BEM ESTAR
Finalistas: DeLaval, Elanco e MSD
Vencedor: ELANCO
“Realmente é um grande prazer estra representando a Elanco nesse momento tão especial para a gente. Essa categoria para a Elanco é uma categoria que leva todos os nossos esforços, durante todo dia a dia de todas as nossa equipe. Por que bem estar animal é algo que está bem alinhado a nós. Então muito obrigado a todos que colaboraram, que votaram e escolheram a Elanco para essa premiação”. – CRISTIANO ANJO, diretor de Marketing
SEMENTES
Finalistas: Agroceres, Nuseed e Pioneer
Vencedor: PIONNER
“Quero agradecer em nome da Pionner esse prêmio maravilhoso que é tão importante para nós. Quero agradecer a todos os produtores e técnicos da Cooperativa Castrolanda por esse reconhecimento que é muito importante, em nome de todo time da Pionner que está aqui presente, em nome do Sérgio Sfredo que está aqui há mais de 30 anos trazendo o que tem de melhor em termos de genética e de serviço agronômico – parabéns Sfredo – parabenizar muito a Cooperativa Castrolanda pela excelente feira”. – FABRICIO Bona Passini, diretor de agronomia Brasil- Paraguai
ORDENHA E REFRIGERAÇÃO
Finalistas: DeLaval, GEA e Lely
Vencedor: DELAVAL
“Inicialmente gostaria de dizer que é uma grande honra para nós estarmos aqui, parabenizar a Cooperativa Castrolanda pela organização do Agroleite, do Troféu, nossa parceira cooperativa que merece muito esse evento. Agradecer demais a todos os nossos produtores e todos os nossos parceiros que confiram na gente na gente e dar os parabéns a toda equipe da DeLaval, a todos os funcionários, a todos os revendedores do Brasil inteiro, são mais de 50 revendedores e a equipe de cada um deles”. – ANDRE LIMA – GERENTE DE VENDAS
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
Finalistas: John Deere, New Holland e Nogueira
Vencedor: JOHN DEERE
“É uma alegria muito grande para nós retornar a receber esse troféu. É um trabalho de alguns anos que a gente vem fazendo junto com os nossos clientes e amigos, junto com nossos colaboradores da empresa, a equipe comercial desenvolvendo um grande trabalho junto e nesse momento agradecer a todos vocês e a todos os nossos clientes e amigos”. – CESAR MOREIRA, GERENTE DA LOJA MAC PONTA JOHN DEERE DE CASTRO
PRODUTOR DE LEITE
Finalistas: Agrindus S/A, Fazenda Colorado e Sekita Agronegócios
Vencedor: AGRINDUS S/A
“Esse ano faz 40 anos que eu venho aqui na Castrolanda, Carambeí e Arapoti. Vim aqui a primeira vez em 1983, dormi no estabulo do João Dijkstra lá em Carambeí, ele morava em um estábulo naquela época. Então o meu aprendizado aqui é muito grande, eu tenho o maior respeito por tudo que acontece aqui, vi toda a evolução de tudo isso e fico muito satisfeito em receber esse prêmio, essa honra que eu recebo aqui de vocês. Quero dizer também que qualquer um desses produtores que estivesse aqui, todo mundo vale a mesma coisa, todos tem um trabalho maravilhoso. Quero agradecer demais a oportunidade de estar aqui com vocês. – ROBERTO JANK JUNIOR, PRESIDENTE DA AGRINDUS S/A
AGENTE FINANCEIRO
Finalistas: Banco do Brasil, Sicoob Sul e Sicredi
Vencedor: SICREDI
“É uma alegria estar nesse evento, presidente Willem, que a Castrolanda sempre organiza com grande carinho. Como não mandar um abraço para nossa Leila que nos assiste também. Há 20 anos passamos a atuar no município de Castro e desde sempre firmamos parceria com a Cooperativa Castrolanda, com os associados que cativamos em comum no município de Castro. Temos prefeito Álvaro, três agências nesse município, mais de 15 mil associados e desde que iniciamos o nosso foco principal é atender bem o nosso associado dentro do limite das leis das normas fazer o máximo pelo nosso associado como cooperativa que somos. E ganhar ano a ano esse troféu é um grande desafio em meio a um mercado cada vez com mais concorrentes. Para tanto quero primeiramente agradecer a Deus e também ao nosso quadro de colaboradores aqui representado por três gerentes aqui de Castro porque os seus colaboradores no dia a dia, com amor e dedicação, fazem a diferença e sobretudo agradecer aos nossos 15 mil associados de Castro e 125 mil associados da cooperativa, é para eles que cada dia levantamos e trabalhamos com muito amor. Gratidão a todos vocês”. – MARCIO ZWIEREWICZ, presidente da Sicredi Campos Gerais
LATICÍNIOS
Finalistas: Italac, Lactalis e Piracanjuba
Vencedor: PIRACANJUBA
“É uma honra, uma alegria enorme estar aqui com vocês, receber esse prêmio que eu preciso dividir com os nossos 3.500 colaboradores, mas eu não posso deixar de dizer da admiração que nós temos pela Castrolanda, pelas pessoas que fazem a Castrolanda, por essa comunidade maravilhosa que nos inspira a cada dia para queremos ser melhores. Muito obrigado sucesso, continuem assim”. – MARCOS HELOU, SUPERINTENDENTE DA PIRACANJUBA
EMBALAGENS
Finalistas: Tetra Pak e Sig Combibloc
Vencedor: TETRA PAK– GUSTAVO MINASI, DIRETOR DE VENDAS REGIÃO SUL DA TETRA PAC
“Em nome da Tetra Pak, representado aqui quase 2000 mil funcionários no Brasil, em nome do nosso time que está aqui presente, que atende a Castrolanda, Jhonatan Furtado, nosso gerente executivo, Plinio Villas Boas, gerente técnico, agradeço de coração a todos os associados que votaram na Tetra Pak como embalagem preferida por eles. A Tetra Pak mantem o compromisso, compromisso que eu no ano passado levantamos aqui que é continuar protegendo os alimentos, nesse caso o leite, protegendo as pessoas e protegendo a sustentabilidade do planeta através de ações sustentáveis da Tetra Pak”. – GUSTAVO MINASI, DIRETOR DE VENDAS REGIÃO SUL DA TETRA PAK
ASSOCIAÇÃO DE PRODUTOR
Finalistas: Abraleite, APCBRH e ACGJB
Vencedor: APCBRH
“Com o coração cheio de alegria eu agradeço a todos. Nos 70 anos da nossa entidade, uma entidade que sempre se pautou nos valores para poder seguir em frente. Nós fazemos do nosso passado o nosso futuro. Muito obrigado a todos os nossos mais de 600 associados, nossa diretoria, nossos colaboradores realmente uma emoção muito grande receber esse prêmio hoje”. – JOÃO GUILHERME BRENNER, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE CRIADORES DE BOVINOS DA RAÇA HOLANDESA
PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
Finalistas: Embrapa Leite, Universidade Federal de Viçosa e Universidade Federal do Paraná.;
Vencedor: EMBRAPA LEITE
“Que emoção, que bom estar aqui, é o segundo ano que eu venho. Esse prêmio é para cada empregado da Embrapa Gado de Leite. A gente cumpre a missão de desenvolver e priorizar soluções tecnológicas para essa cadeia maravilhosa. Muito obrigada Castrolanda, Agroleite é uma honra muito grande. Aqui está um compromisso de sempre estar merecendo esse troféu. Foi uma honra também concorrer com a Universidade Federal de Viçosa, que e a minha cidade natal – e com a Universidade Federal do Paraná, a ciência está muito bem representada”. – ELIZABETH NOGUEIRA FERNANDES, CHEFE EMBRAPA GADO DE LEITE, A PRIMEIRA MULHER A CHEFEAR A EMBRAPA GADO DE LEITE
PERSONALIDADE DO ANO
Finalistas: Geraldo Borges (Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite), João Guilherme Brenner (Presidente da Associação de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa) e Norberto Ortigara (Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná)
Vencedor: NORBERTO ORTIGARA
“Castro, Campos Gerais, Paraná, Brasil – 425.7 milhões de kilos de leite o ano passado, 10% do Paraná, 1.2% do Brasil. Parabéns Castrolanda pelo belíssimo evento, 23ª edição, muito obrigado a quem me concedeu essa honra muito importante e que levarei com muito carinho, divido com nossos colaboradores, divido com o cooperados, colaboradores e diretoria da Castrolanda. Muito obrigado”. – NORBERTO ORTIGARA, Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná

Notícias
Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal
Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de R$ 6,38 milhões.
Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão. O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.
Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.
Desafios para o segundo semestre
Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.
Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo
Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.
No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.



