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Secretaria de Agricultura recebe cônsul geral do Reino Unido para estreitar relações em prol do agro paulista
Durante o encontro foi apresentado o atual cenário da agricultura no Estado, além de discutir planos e metas futuras no âmbito das relações comerciais.

Na última segunda-feira (15), o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, recebeu na sede da pasta, Jonathan Knott, diplomata britânico e cônsul geral do Reino Unido, para ampliar a cooperação entre o Estado e o país europeu, principalmente, em relação à exportação dos produtos.
O secretário ressaltou a experiência internacional na COP28, que aconteceu em dezembro de 2023, em Dubai, evento que contou com a presença da Secretaria de Agricultura e intensificou o relacionamento com muitos países que estiveram no encontro. “Há muita tecnologia no Estado de São Paulo, gostaríamos muito de poder colaborar com pesquisas e compartilhar boas práticas. Temos muita expertise em sustentabilidade, gestão verde e rastreabilidade, uma preocupação dos consumidores no âmbito do desempenho ambiental e da qualidade”, afirmou Knott.
Piai enfatizou o interesse do Estado acerca do tema e afirmou que implementar um sistema de rastreabilidade bovina no Estado de São Paulo é um dos objetivos da Secretaria de Agricultura. “Ao implementar essas medidas de forma coordenada, São Paulo desenvolverá um sistema de rastreabilidade bovina eficaz que contribua para a segurança alimentar, a sustentabilidade ambiental e a transparência na cadeia de produção bovina. A colaboração entre diferentes partes interessadas é fundamental para o sucesso desse processo”.
Na ocasião, foi apresentado um panorama geral dos programas e ações da SAA em prol do agro paulista, assim como as pesquisas realizadas pelos seis institutos da Secretaria vinculados à APTA.
Foi sugerido que seja listado uma relação das prioridades do país e da Secretaria, para que sejam desenvolvidas estratégias específicas de colaboração entre os países, além de promover futuros encontros que estreitam mais a relação entre o Reino Unido e o Estado de São Paulo.
A autoridade foi recepcionada pelo secretário de Agricultura, Guilherme Piai, pelo secretário executivo, Edson Fernandes, pelo subsecretário de Abastecimento, Diógenes Kassaoka, pelo coordenador de assessoria técnica, Alberto Amorim, e pelo coordenador de Transição Energética da Pasta, Ricardo Rosario. Participaram da reunião também, a equipe técnica do consulado do Reino Unido, o diretor do Ministério de Negócios e Comércio do Reino Unido no Brasil, Martin Whalley e o analista político, Felipe Morales.

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Brasil soma mais de 200 invasões de propriedades rurais nos últimos três anos
Em 2026, já foram registradas 33 ocorrências. Em 2025, o país teve o maior número de invasões da última década.

De janeiro até meados de abril deste ano, o país já registrou 33 invasões a propriedades rurais, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Desse total, 14 ocorreram apenas em abril, o que reforça a escalada recente dos casos. Ao todo, 32 episódios foram promovidos ou vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

2º vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senador Jaime Bagattoli: “Esse é um problema muito sério no Brasil, especialmente na produção primária, e nós precisamos garantir segurança jurídica aos proprietários de terra, independentemente de serem pequenos, médios ou grandes produtores”
Para o 2º vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senador Jaime Bagattoli (PL-RO), as invasões afetam todo o setor, independentemente do porte da propriedade. Segundo ele, na Amazônia, até mesmo pequenas áreas já foram alvo de ocupações. “Esse é um problema muito sério no Brasil, especialmente na produção primária, e nós precisamos garantir segurança jurídica aos proprietários de terra, independentemente de serem pequenos, médios ou grandes produtores”, destacou.
O levantamento da CNA também mostra que 2025 foi o ano com maior número de invasões da última década. Ao todo, foram 90 ocorrências no ano passado, das quais 81 foram promovidas ou vinculadas ao MST. Os dados ainda apontam concentração dos casos no mês de abril, quando foram registradas 43 invasões.
Ainda conforme a entidade, os últimos três anos indicam uma tendência de alta nas invasões. De 2023 até 15 de abril de 2026, foram contabilizados 241 casos em todo o país.

Projetos miram prevenção
Com o número crescente de invasões, algumas medidas podem servir como prevenção contra esses atos. É o caso do Projeto de Lei 4.432/2023, de autoria do coordenador da Comissão de Seguro Rural da FPA, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS). A proposta cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP).
Esse cadastro seria integrado ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e teria registro de ocorrências de invasões de propriedades, tanto públicas como privadas. Também seriam registradas as ações realizadas pelas forças de segurança, bem como apontamentos se houve participação de menores ou de pessoas com armas.

Coordenador da Comissão de Seguro Rural da FPA, deputado Rodolfo Nogueira: “O governo Lula trouxe o MST para dentro do governo desde o início do mandato, contribuindo para as invasões no campo todos os anos aqui no Brasil”
O texto tem o intuito de facilitar a identificação e responsabilização dos invasores. O projeto tem apreciação conclusiva nas comissões, no entanto, há um recurso pedindo a revisão da tramitação para que a matéria seja analisada também no Plenário da Câmara. O recurso aguarda deliberação da Mesa Diretora. “O governo Lula trouxe o MST para dentro do governo desde o início do mandato, contribuindo para as invasões no campo todos os anos aqui no Brasil. A FPA está hoje em uma ofensiva no Congresso Nacional e tem apresentado projetos para combater o esbulho possessório e, especialmente, penalizar criminosos. Quem invade propriedade privada é criminoso e tem que ser tratado assim”, afirmou Nogueira.
Há ainda o Projeto de Lei 1.198/2023, apresentado pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO). A matéria altera o Código Penal brasileiro para dar mais peso ao crime de esbulho possessório — que é quando o dono de imóvel fica impossibilitado de controlar e usar o seu bem por causa de uma invasão.
Atualmente, a legislação prevê uma pena de um a seis meses de detenção e multa. A proposta amplia a punição para quatro a oito anos de prisão, além da multa. O texto está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara e ainda deve passar pelo Plenário da Casa.
Na mesma linha, o Projeto de Lei 6.612/2025 também modifica o Código Penal, porém para criar uma tipificação penal própria para invasão de propriedades rurais. Neste caso, a proposição do deputado Rodolfo Nogueira, diferencia os tipos de ocupação:
- aquela que ocorre para reivindicar políticas públicas;
- aquela que acontece em área já designada para desapropriação, porém o proprietário ainda não recebeu a indenização.
O projeto também pune quem patrocina e financia essas invasões. Em todos os casos, a pena proposta é de quatro a dez anos de reclusão e multa. Caso a ocupação seja em terra produtiva, a pena é dobrada, e se for cometido por mais de duas pessoas há o aumento de um terço.

Deputado Dilceu Sperafico: “O direito de propriedade é constitucional, mas hoje não há segurança jurídica para o proprietário rural”
A matéria aguarda análise na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados. Depois, a proposta ainda deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e pelo Plenário.
O integrante da FPA, deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), destacou a preocupação dos produtores diante do aumento das invasões e defendeu o avanço de matérias que garantam mais segurança no campo. “O direito de propriedade é constitucional, mas hoje não há segurança jurídica para o proprietário rural. Tivemos muitas invasões de terras nos últimos anos, e isso tem gerado intranquilidade e até o risco de queda na produção nacional. Muitos produtores acabam se afastando da atividade por medo”, disse.
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Tensão no Oriente Médio muda padrão sazonal de compra de fertilizantes em 2026
Escalada geopolítica, custos elevados e dificuldades logísticas reduzem chances de alívio nos preços para negociações mais favoráveis ao produtor.

O segundo trimestre, tradicionalmente visto como uma janela de oportunidade para compradores de fertilizantes, deverá ser marcado por um cenário significativamente mais adverso em 2026. A avaliação consta da 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, lançado na última terça-feira (14), e reflete os impactos persistentes do conflito no Oriente Médio sobre preços, logística e decisões de compra em escala global. O relatório pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.

Em anos de maior estabilidade geopolítica, a sazonalidade da demanda em grandes mercados importadores, como Brasil e Índia, costuma reduzir a pressão compradora neste período, enfraquecendo os preços e favorecendo negociações para aplicações do segundo semestre, como a safra de verão brasileira e a safra Kharif indiana. Em 2026, no entanto, esse padrão histórico foi profundamente alterado. “A combinação entre redução temporária da produção em alguns países, entraves logísticos no Estreito de Ormuz e a forte escalada de preços observada após os episódios de tensão militar diminuiu de forma significativa a probabilidade de o segundo trimestre se consolidar como um momento favorável para compras”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
No mercado de nitrogenados, caracterizado por elevada volatilidade, ainda existe algum espaço para correções pontuais ao longo dos próximos meses, especialmente diante da reabertura do Estreito de Ormuz. “A normalização parcial das rotas é um fator positivo, mas há baixa expectativa de que as condições logísticas retornem rapidamente aos níveis pré-conflito. Mesmo com algum alívio nos preços, gargalos como atrasos, contratos represados e baixa disponibilidade de navios devem seguir sustentando as cotações”, explica Pernías.
A fragilidade do poder de compra dos produtores fica evidente nos Estados Unidos. Uma pesquisa recente do Farm Bureau, realizada entre 3 e 11 de abril com mais de 5.700 agricultores, mostra que uma parcela expressiva não realizou compras antecipadas de fertilizantes, e, em um contexto de forte valorização dos insumos desde o início do conflito no Oriente Médio, haverá dificuldade para comprar os insumos necessários para as aplicações.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Entre o início das tensões e a primeira semana de abril, os preços FOB da ureia negociada em barcaças em Nova Orleans avançaram cerca de 47%, deteriorando o poder de compra no campo. Como consequência, aproximadamente 70% dos produtores entrevistados afirmam não ter capacidade financeira para adquirir todo o volume necessário de fertilizantes.
O levantamento também revela disparidades regionais relevantes. No Sul dos Estados Unidos, apenas 19% dos agricultores relataram compras antecipadas, enquanto no Nordeste esse percentual sobe para 30%. Nessas regiões, a predominância de aquisições próximas ao período de aplicação aumenta a exposição à volatilidade de preços e eleva o risco de restrições no acesso aos insumos ao longo da safra.
A dinâmica varia ainda entre culturas: produtores de algodão e arroz apresentam os menores níveis de compra antecipada, tornando essas lavouras particularmente sensíveis às disrupções recentes. “O quadro financeiro dos agricultores ajuda a explicar essa postura mais cautelosa. Cerca de 94% dos entrevistados relataram que sua situação financeira piorou ou permaneceu inalterada em relação ao ano anterior, o que influencia não apenas as decisões de compra, mas também os níveis de aplicação e até a definição das áreas plantadas”, observa Pernías.
Oferta restrita de fosfatados e potássicos
No segmento de fosfatados, o cenário segue ainda mais rígido. A oferta global permanece restrita, tanto pelas dificuldades de escoamento da produção em países do Oriente Médio quanto pelos planos de manutenção industrial no Marrocos e pelas incertezas em torno das exportações chinesas.

Além disso, o setor enfrenta custos elevados de matérias-primas essenciais, como amônia e enxofre, o que reduz a viabilidade de ajustes expressivos nos preços. “Esse conjunto de fatores aumenta o risco concreto de destruição de demanda ao longo de 2026, sobretudo em um ambiente de margens agrícolas pressionadas”, avalia o analista.
No mercado de potássicos, especialmente o cloreto de potássio (KCl), as condições relativas de aquisição ainda se mostram menos restritivas do que nos mercados de ureia e MAP. Ainda assim, o ambiente permanece cercado de incertezas.
Com margens comprimidas, existem chances de que os produtores passem a priorizar nitrogenados e fosfatados, postergando compras de KCl. Soma-se a isso o impacto de fretes marítimos mais caros, seguros elevados e a persistência do risco geopolítico, fatores que também pressionam esse segmento. “As chances de que o segundo trimestre ofereça um ambiente realmente atrativo para compras de potássicos também diminuíram. Embora as relações de troca devam permanecer melhores do que em outros mercados, isso está longe de representar condições ideais”, pontua Pernías.
No radar do setor estão ainda as negociações de contratos de longo prazo, como o da Índia, que definem referências internacionais de preços e costumam limitar aquisições a valores inferiores aos praticados em China e Índia.
Gestão de riscos

De forma geral, a valorização dos fertilizantes, a rigidez dos preços e a fragilidade financeira do produtor aumentam a probabilidade de decisões difíceis nos próximos meses: aceitar custos mais elevados e operar com margens apertadas ou reduzir aplicações e assumir riscos de produtividade.
Em cenários mais adversos, ambos os movimentos podem ocorrer simultaneamente. “O gerenciamento de riscos e uma gestão eficiente dos custos da lavoura serão decisivos para a sustentabilidade do negócio agrícola em 2026”, analisa Pernías.
Embora a reabertura do Estreito de Ormuz represente um alívio pontual, a normalização ampla do mercado tende a ser lenta. À medida que o ano avança, compradores que necessitam de insumos para o segundo semestre terão cada vez menos espaço para adiar decisões, tornando inevitável a realização de negociações, ainda que para volumes menores e a preços pouco atrativos.
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Incerteza climática aumenta risco para a safrinha no Brasil
Falta de consenso nas previsões de abril e maio dificulta o cenário e exige atenção redobrada no campo.

As projeções climáticas para o restante de abril e maio seguem sem consenso entre os principais modelos meteorológicos, aumentando a atenção do setor agrícola para o comportamento das chuvas nas áreas de safrinha.
O modelo americano aponta para volumes mais baixos de precipitação no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, indicando uma transição mais rápida para um padrão mais seco ao longo do mês. Já o modelo europeu mantém estimativas de chuvas mais próximas da média histórica, o que mantém o cenário em aberto no curto prazo.
Essa divergência reforça a importância da regularidade das chuvas, mais do que apenas o volume total acumulado. Mesmo com índices considerados adequados, a má distribuição das precipitações pode gerar períodos de estresse hídrico em lavouras que estão em fases mais sensíveis do desenvolvimento, especialmente na segunda safra. Por isso, abril segue como um mês de atenção redobrada no campo.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, no horizonte mais longo, os modelos climáticos vêm aumentando a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. A chance de neutralidade cai a partir do trimestre junho/julho/agosto, quando a possibilidade de formação do El Niño chega a cerca de 60%, com avanço gradual nos meses seguintes e probabilidade superior a 80% de consolidação do fenômeno.
Se esse cenário se confirmar, o El Niño tende a ter impacto limitado na safra norte-americana, mas pode influenciar de forma mais consistente toda a safra 2026/27 na América do Sul, reforçando o monitoramento climático para o próximo ciclo produtivo.



