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Secagem gradual reduz imunidade da vaca e aumenta CCS no próximo leite

Período em que animal não produzindo leite, no terço final da gestação, é determinante para definir qual será sua produtividade e sua saúde nos próximos meses

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É quase unanimidade entre os pesquisadores e produtores leiteiros que o período seco da vaca é crucial na vida produtiva do animal. O período em que ela não produzindo leite, no terço final da gestação, é determinante para definir qual será sua produtividade e sua saúde nos próximos meses. Além de ser um período em que iniciam a maioria dos casos de mastite, a secagem malfeita pode promover efeitos negativos na qualidade do leite subsequente, como no aumento do número de células somáticas, e reduzir a imunidade do animal.

O pós-doutor em Medicina Veterinária Alexandre Souza explica que as duas formas de secagem usadas no Brasil – gradual e abrupta – causam desafios ao animal, mas defende o modelo com interrupção abrupta, com antibióticos intramamários, por ser mais seguro e eficiente para a futura produtividade e sanidade da vaca leiteira. Ele afirma que a secagem gradual, quando o produtor reduz o nível de nutrientes e diminui a frequência de ordenha, aumenta as chances de a vaca ter estresse, mastite e queda na qualidade do leite na próxima lactação.

“Existem dois tipos de secagem da vaca: abrupta e gradual. Na abrupta, você aplica antibióticos intramamarios e coloca a vaca em outro lote. Na gradual, você começa a diminuir o nível de energia através da dieta e diminui a frequência de ordenhas para secar. Hoje ainda não se tem um consenso sobre a maneira ideal de secar a vaca. Nos dois casos existem os prós e os contras”, apontou o pós doutor durante sua palestra na 14ª edição do Simpósio do Leite, que aconteceu no mês de junho, em Erechim, RS. O evento reuniu alguns dos mais notáveis profissionais da cadeia leiteira do país com produtores e a academia gaúcha, durante dois dias de troca de conhecimento.

Gradual

Na opinião Souza, reduzir a frequência de ordenha pode aumentar a contagem de células somáticas no leite que vem depois do parto. “Diminuir a frequência de ordenha está relacionado com o aumento de CCS na lactação subsequente. Ou seja, em geral o que parece fazer sentido acaba aumentando a contagem de células somáticas na próxima ordenha”, pontua. Além disso, esse tipo de procedimento, segundo o pesquisador, “é estressante para o animal”.

Por outro lado, segundo Souza, a redução de energia na dieta pode provocar queda na imunidade do animal. “Limitar energia faz bastante sentido, pois o animal diminui a produção de leite. Com menor densidade energética, existe queda de prolactina, o que consequentemente diminui a quantidade de leite. Porém, baixar o nível de energia aumenta expressivamente a concentração de Nefa (ácidos graxos não esterificados). O problema é que quando aumenta essa concentração de Nefa, a atividade das células da parte imune diminui bastante. Ou seja, há queda da imunidade”, avalia. “E nesse momento a vaca está mais suscetível a bactérias – nos dias da secagem e pós-parto -, sujeita a mastite, especialmente logo depois do processo de secagem. Limitar a energia não é recomendável”, amplia. “Ou seja, a secagem gradual não parece uma ideia interessante”, assinala.

Abrupta

Na secagem abrupta, o principal desafio é vencer o gotejamento de leite, que pode aumentar em até seis vezes as chances de a vaca contrair mastite nesse período, de acordo com o profissional, gerente técnico da Ceva Brasil. “Na secagem abrupta também há desvantagens. O vazamento do leite é uma delas. De acordo com ele, estudos revelam que gotejamento e vazamento de leite ocorrem mais com a secagem imediata. “A abrupta tem muito mais problema e o selante de teto não resolve muito”, argumenta.

De acordo com Souza, problemas de vazamento aumentam em quatro vezes o risco de mastite clínica no período pós-parto e em seis vezes a contaminação por algum patógeno importante. 

Para resolver esse problema, segundo o palestrante, é preciso usar um produto veterinário que “aumenta a velocidade de inoculação da glândula mamária, melhora o sistema imune dessa glândula, melhora o conforto da vaca pós secagem e diminui a incidência de mastites clínicas no pós-parto.

Vaca seca não é refugo

O profissional alertou para o produtor e outro profissionais envolvidos no setor garantirem uma de qualidade para a vaca seca. De acordo com ele, muito produtor ainda coloca as vacas nos piores piquetes, com um pasto de má qualidade, o que é um grande engano. “A gente vê a vaca seca lá no último pasto. No Brasil está melhorando a conscientização, mas tem que aprender sobre a importância da secagem da vaca. O produtor precisa prestar atenção. Quando seca, ele coloca o lote no último pasto e esquece dela. Só vai lembrar próximo ao parto. Durante os primeiros dias após a secagem, tem que dar conforto ao animal”, sugeriu.

Mastite

De acordo com a Embrapa, a mastite é uma inflamação da glândula mamária das vacas que tem como consequência a redução da produção, a perda da qualidade do leite, o descarte prematuro ou até a morte do animal. O controle da doença é feito por meio de práticas de manejo corretas, entre elas, a desinfecção das tetas antes e após a ordenha. A prevenção e o tratamento são realizados em todo o rebanho no período de secagem das vacas, quando é administrado um antibiótico preventivo em todos os quartos mamários do animal.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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